Pequeñas Aventuras de Santiago – I.

Pequeñas Aventuras de Santiago – I.

Após as pequenas agruras que descrevi extensamente em meu último post, descrição contudo insuficiente  para traduzir de forma completa a revolta que senti, finalmente pisei meus pés em Santiago do Chile. Claro que o atraso foi meio broxante para os meus objetivos, uma vez que perdi um dia de reserva e algumas coisas que pretendia fazer.

Pois bem, cheguei à “Terra dos Poetas”, como a cidade é alcunhada por muitos, perto das 21h. O tempo passou rápido e a primeira coisa que procurei, depois de passar pela imigração e pegar minha mala, foi um caixa, porque sacar dinheiro lá, conforme confirmei depois, é muito mais vantajoso do que trocar nas casas de câmbio. O Aeroporto tem um formato peculiar de um retângulo bem estreito.
Após dar um pequeno rolê, procurei a melhor opção para chegar ao Hostel. Estava bem preocupado, além de cansado, com o fato de ter perdido a minha reserva lá. Ora, estando em pleno feriado aqui, é de se imaginar que os hostels do Chile estariam abarrotados de brasileiros e poderia perder minha vaga.
Havia muitos “intermediários” de taxistas e logo que repararam que eu era brasileiro queriam oferecer a bagatela de 17.000 pesos para chegar ao bairro de Providencia. Isso, em reais, daria quase 85 reais, algo não muito diferente do que cobrado para ir até o Aeroporto de Guarulhos, mas igualmente abusivo. Eu não aceitei, e depois de ser quase constantemente abordado por muitos taxistas, um deles finalmente me ofereceu levar lá por 10.000 pesos, ou 50 reais. Sei que poderia gastar até menos pegando um ônibus e metrô, mas como ressaltei, estava bem cansado e queria chegar logo lá.
Área externa do Hostel
Como todo brasileiro cabrero igual ao Boça, fiquei com medo do taxista me enganar, cobrar mais, sequestrar, enfim, tudo. Mas cheguei tranquilamente no Hostel, que se chama Rado Boutique. Depois de uns 20 minutos esperando na porta, pensei em desistir e procurar um lugar pra dormir. Teria que sair no prejuízo novamente, mas o atendente abriu a porta.

Como muitas pessoas dizem, o Hostel parecia até um Hotel de três ou mais estrelas. Os quartos são confortáveis, bem limpos, o café da manhã não é de se jogar fora e a decoração é muito pensada (pode-se dizer pop-art). No último dos quatro andares tem uma televisão, um pebolim, uma mesa, geladeiras e uma área livre com churrasqueira. Muito mais do que minha casa por exemplo.

Sala de Jantar, Sofá e Jogos do Hostel.
Melhor que minha casa.

O quarto era formado por duas beliches, e por coincidência, lá estava uma inglesa que tinha passado pelos mesmos infortúnios do voo do dia anterior. A garota era legal, mas não conseguia entender seu sotaque, fato que me impediu de querer costurar mais conversa.

Decoração do meu quarto.
Quarto onde fiquei. Decoração animal!
Ainda naquela noite, resolvi jantar num local próximo. Descobri naquele momento que os preços da alimentação não são muito diversos dos praticados no Brasil. Descobri também que meu espanhol pouco servia para entender o que os Chilenos falavam, que certamente era bem rápido. Os cardápios não eram auto-explicativos. Ainda agora não lembro o que são Chorrillanas, o prato mais chileno dos chilenos.
Rua Pio Nono, e um dos muitos Perros de Santiago.
Pátio Bellavista.

 

Resolvi comer um pedaço de pizza num local mais barato. Aliás, dei uma pequena volta pelas ruas do Bairro, que se chama Providência, e é considerado o bairro Boêmio da cidade. A Rua (Pio Nono) em que se encontra o Hostel é a mais badalada, lotada de barzinhos e pessoas sentadas em mesas na calçada mesmo. Em todos os dias que estive ali, poderia andar por aquelas ruas com segurança, pelo que senti.
Do lado do Hostel tinha um lugar chamado Pátio Bellavista, um point turístico que é uma espécie de Shopping a céu aberto. O lugar é bem construído e foca mais nas lojas de lembranças, roupas e especialmente restaurante chiques cujos preços giravam de 7.000 a 20.000 pesos. Ofereciam comida chilena, americana, japonesa, peruana e colombiana, churrasco, churros, sorvetes, e claro, um McDonalds. Nos cinco dias que lá estive, não fui em nenhum desses, infelizmente.
No dia seguinte, enrolei um pouco porque achei que meus amigos que vinham do Brasil chegariam cedo. Ledo engano. Depois de esperar e escrever um post no blog e atualizar os colegas a respeito do meu voo e estadia no Chile, almocei na Rua Pio Nono em um restaurante chamado Riggo’s Bar, um dos que vira um barzinho estilo Rock a noite.
Quando os citados amigos chegaram eu já estava com a pança estufada. Mesmo assim demos início aos preparativos de visitar a cidade e eu os acompanhei para comer alguma coisa no Mercado Municipal. Resolvemos ir a pé para dar um rolê no centro da cidade, cujas fotos falarão por si. Afinal, eu esqueci o nome de muitos lugares que visitaríamos.
Interessante notar que Santiago, ainda que recentemente chacoalhada por um terremoto de grandes proporções em 2010, é extremamente limpa e organizada. Destacam-se poucos pichamentos nas paredes. Os monumentos são bem cuidados, embora muitos deles ainda estejam em reparações. O terremoto não foi coisa pequena.
Leito artificial de um rio que cruza Santiago. As águas enchem o espaço com o derretimento das neves dos Andes a partir da Primavera.

 

Um dos muitos monumentos de Santiago que eu não me dei o trabalho de pesquisar, ver ou até saber do que se trata. Mas que é bonito é.

 

Museo de Bellas Artes.

 

Estátua do Anjo Caído.

 

Do outro lado do Museo de Bellas Artes tem o Museo de Arte Contemporânea.

 

Estátua de um dos Libertadores do Chile.

 

Uma das mais belas igrejas católicas do Chile.

 

Um dos muitos edifícios em obras em decorrência dos danos causados pelo Terremoto.

 

Visão interna do pátio da bela Universidade Católica do Chile.
Detalhe interessante é que no Chile todas as faculdades são pagas, ainda que estatais. No momento em que estavamos em Santiago os jovens participavam de um grande protesto para buscar tornar gratuita a educação, especialmente universitária, naquele país. Uma das universidades não quis inclusive deixar-nos entrar. A mais famosa, Universidade de Chile, estava “tomada” pelos alunos. Os brasileiros poderiam muito bem aprender com isso. Os chilenos, especialmente em Santiago, são muito conscientes com política.
Santiago é uma cidade bela e organizada. Os monumentos em geral, os parques  e ruas são muito bem cuidados.

 

Faculdade de Direito da Universidade do Chile. Tomada pelos alunos.
O almoço dos amigos virou um jantar. Os pratos no mercado municipal não são pequenos, mas também não são tão baratos. É comum que alguns atendentes venham falar português por você. Tem muito brasileiro no Chile, especialmente turistas. Assim muitos restaurantes também fazem questão de ter cardápio em Português. Contudo, o Portunhol reina, tanto de nossa parte, como da dos chilenos. No fim conseguimos nos entender bem, mas não sem alguns percalços linguísticos. Voltando à comida, os colegas pediram calamares e peixe, e eu comi um baita de um sorvete de uma fruta chilena chamada Lucuma. Sim, eu gosto de comer coisas diferentes. E a experiência foi muito boa.
Na volta passamos e tomamos café em um dos “Café com piernas” chilenos, onde as atendentes andam com vestidos curtos e as pernas a mostra. Visitamos mais alguns monumentos mas a escuridão atrapalhou a tirada de novas fotos. Eu, que só havia levado meu celular, fiquei impossibilitado de tirar mais fotos quando a bateria acabou.
Novamente em casa, nos preparamos para o famoso Pub Crawl de Santiago. Mas isto fica para outro post!

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