Japão – O início

Algum tempo atrás decidi fazer uma viagem muito louca e ousada. O Japão, Nihon, a terra do sol nascente. Sabe quando alguém lhe pergunta: para onde você vai viajar, e você responde jocosamente que irá ao outro lado do mundo? Quando eu fiz isso me bateu um estalo. Eu sempre gostei de cultura japonesa e pensei: porque não?

Após alguns três meses planejando, fazendo mapas e pesquisando lugares, meu sonho se tornou realidade. Embarquei para Tokyo via aeroporto de Narita. Uma das questões que pegou pra mim foi o fuso horário e o fato de eu não conseguir dormir na nave. Pois foi o que aconteceu. A primeira perna foi de São Paulo a Houston, voo da United Airlines. Apesar de ser no período noturno, fui o tempo todo acordado. Nessas horas eu queria ser mais cara de pau. O avião estava com menos da metade da lotação e eu poderia ter pedido pra mudar de lugar (tinha gente dormindo deitado naquela coluna com três cadeiras), e talvez tivesse dormido. Fica de lição pra próxima viagem. 10 h depois eu cheguei em Houston, fiz todo procedimento de imigração e mala e aguardei embarque para Narita. Só que dessa vez o avião estava lotado e tive que me contentar com meu lugar. Dormir mesmo foi no máximo duas horas, muito em razão do cansaço. O lado bom foi que pude estudar, ler e ainda vi três filmes. Isso porque o voo durou 13 fucking horas.

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Narita. A porta de entrada do japao. O aeroporto é enorme e muito bem sinalizado em inglês. Mas as vendas de alimentos são todas em japa mesmo. Tem coisas que eu nunca vou saber o gosto. Tirei dinheiro num caixa. Achei muito bom que a máquina também apresentava em língua portuguesa, talvez devido ao número de brasileiros que tem aqui.

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Depois da burocracia, desci as escadas e fui pegar um trem. Tinha lido que poderia pegar um cartão numa máquina e realmente o fiz – peguei um bilhete pré pago que é realmente útil, o PASMO CARD. Ainda estou aprendendo a usar o metrô da cidade, é muito complexo em tamanho e alcance, mas simples de usar. Um japa me indicou o Skyline, que iria diretamente até a estação do bairro de asakusa, donde pegaria mais um trem para descer na próxima Kuramae. Aquele trem, na verdade, era mais caro e rápido. Mas estava chegando em “casa”. Até eu descobrir que no mesmo trilho passavam três linhas diferentes, foram 15 minutos de arranhar japonês, fazer mímica e tentar decifrar o mapa. Pudera, nós  brasileiros não estamos acostumados com esse nível de organização. O povo daqui é muito inteligente-  eles aprendem japonês logo quando crianças.

No caminho vi como Tokyo está ocidentalizada, bem parecida com outras metrópoles da América, especialmente dos Eua, muito pouco daquilo que imaginamos como cultura japonesa.

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Foto: Skaltokyo
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Cheguei no hotel eram 3 da tarde daqui. Exatamente doze horas de diferença. Mesmo cansado, sabia que não poderia dormir, afinal tinha que me acostumar ao fuso. Aproveitei para resgatar a dignidade da minha pessoa humana: fiz a barba e tomei um banho depois de longas 36 horas com a mesma roupa.

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Entrada do templo de Asakusa – Senso-ji

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Fui até uma loja da seven eleven. Elas estão em todos os lugares, são uma espécie de mini mercado bem eficiente e tem máquinas que aceitam retirada de moeda com cartão internacional. Fora itens de limpeza, muito bento (marmitas japonesas). O preço não era nada salgado, até mais barato que as padarias japonesas. Tem café, pão, manga, etc. E uma banana, isto mesmo, UMA, que custava o equivalente a dois reais.

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Fui para um dos lugares mais visitados, a cerca de 15 min andando do hotel – o templo Senso-Ji. Acompanha algumas fotos. Infelizmente não visitei a parte interna pois já passava das cinco. As fotos passam uma boa impressão mas o lugar é melhor presenciado do que descrito. É fantástico. Tem um portão enorme, uma feirinha e um templo propriamente dito, fora outros menores, um edifício do tipo Pagoda, entre outras coisas. Como ainda era cedo e luminoso, decidi ir até a recente Tokyo Sky tree, uma torre de mais de 300 metros com observatórios e restaurantes. Não imaginei que a caminhada duraria mais de 40 min, e demorou. Ainda, a chuva começou a apertar, e quando cheguei lá já não valia mais a pena subir, porque já estava mais escuro e extremamente nebuloso. Eu sabia que a temporada era de chuvas, só não sabia que chovia tanto. Mas nada que um paulistano não estivesse acostumado. Como eu tinha me guiado pela torre, voltar não foi uma  tarefa fácil, já estando escuro e com as placas todas eram japonês. Fui mais por instinto mesmo em uma direção, de acordo com a minha posição em relação a torre.

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Pagoda do templo Senso-ji

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A caminhada seria longa e eu decidi tirar a dúvida com um grupo de japoneses que estavam em frente a uma rua. Perguntei: Ego ga hanasemasuka? Isto é, se algum deles falavam inglês e eles me indicaram um deles. Ele disse que ia me levar para o templo. Eu só queria confirmar a direção da rua e saberia voltar, mas os japoneses são muito educados e fazem tudo que puderem pra te ajudar. Eu fiquei com dó, e falei que não precisava. Mesmo assim o Sr. Asari caminhou comigo por meia hora embaixo de uma chuva forte. Não sabia como agradecer o favor que ele me fez, só sei que o gesto dele foi muito legal. Eu sei que na vida tem certas coisas que nos não podemos retribuir na hora. Por isso acho que devemos ajudar outros da mesma forma que nos ajudaram. É o que farei._

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A chuva até que foi boa por um lado. O templo estava bem mais bonito e eu pude tirar fotos muito melhores do que aquelas que fi-lo durante o dia. A exaustão começou a bater e eu comi em um restaurante indiano no caminho. Uma comida de excelente qualidade por cerca de 20 reais. E logo eu que sou viciado em Curry. Cheguei no hotel e pode atualizar as pessoas. Dormi feito uma pedra. Acordei as sete da manhã daqui e comecei o segundo dia da minha jornada.

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