Kyoto – a melhor representação do Japao

Assim como a novela começa com um apanhado do que aconteceu no último capítulo, vou começar minha narrativa remetendo às intempéries que enfrentei em Hakone.

Durante o longuíssimo tempo que acompanhei os australianos estrada Yumoto abaixo, ficamos nos perguntando o porque do nosso hotel, que buscou nos tratar tão bem, não podia nos levar para a estação que estava aberta? Havíamos perguntado tal para o dono, mas ele disse que não eram dele as duas confortaveis vans que estavam em frente ao hotel. Não acredito muito, e nesse ponto noto que mais de uma vez em hotéis no Brasil, quando chovia ou não era muito perto da estação, os donos já me deram uma fortunosa carona. Ponto para o Buradiro
Enfim, durante a viagem no shinkansen, combinei com o Wayne e a Holly de irmos em um Neko Café (um café onde tem gatos!), onde nos encontrariamos, e depois seguiriamos até uma região conhecida como Pontocho, da qual falarei depois. Felizmente a chuva passou e eu pude ver raios de sol, uma raridade nesse Japão chuvoso. Melhor ainda, eu consegui ver o Monte Fuji, o que não deu em Hakone.
Quanto mais falava com eles mais percebia que eles eram loucos como eu, porque para nós não tinha cansaço ou tempo ruim, vide as três horas de andança sob chuva. Tanto que do nada a australiana pega um livro e começa a ler. Não tinha nada de mais, mas o título do livro é: como fazer sexo como a Jenna Jameson, com centenas de fotos ilustrativas. Para quem não sabe, ela foi uma atriz pornô das mais famosas.
Eles também me falaram que amaram o Tropa de Elite, especialmente o primeiro, e que são fãs do Wagner Moura. Pudera, o cara é bom.

 

Só que chegando no hostel, o cansaço bateu forte. Felizmente o local era perto da estação. Tirar aquelas meias molhadas e tomar o banho era tudo que queria. Demorei mesmo, porque estava bem cansado. Com isso eu cheguei atrasado ao local de encontro. Até encontrar o tal Neko Café foram 15 minutos. Nada de placas ou qualquer indicativo. Tudo na base do summimasen!
Então fiquei sabendo q o local já estava fechado. Resolvi ir para as cercanias do pontocho, o bairro que os estrangeiros tinham me indicado. Se tem um lugar bonito a noite, é este. Mais um melhor visto e compreendido do que falado. As fotos descrevem uma parte que pode ser resumida em: uma longa e estreita rua de calçadão, cheia de restaurantes típicos, lanternas e a presença de algumas geishas. E não, infelizmente não consegui tirar fotos com nenhuma! As que lá estavam passavam correndo.
Mas lá notei a presença gratificante de muitos japoneses, a maioria jovens, vestindo kimonos e yutakas, tal como faziam os antigos, igual ao que se vê nos filmes. Se não eram maioria, não eram poucos. O japonês é realmente orgulhoso de sua cultura.
Meus pés já estavam doendo e um deles pulsava de tanto andar. Quando eram depois das nove eu encontrei os australianos, mas eles já tinham comido. Estava exausto e com fome, então foi um tempo de tirar uma foto e combinar para ver se faríamos alguma coisa no dia seguinte. A sugestão foi ótima: o museu internacional do mangá!
Na volta passei em uma casa de curry, são muitas no Japão. O prato concorre com os lamen no posto de mais pedido. Eu diria que é o arroz e feijão japonês. Ah, o cardápio também estava em português!
No momento em que escrevo isso estou com uma defasagem de dois dias dos relatos. Nos últimos dois dias fiz tanta coisa, mas tanta coisa mesmo que fica difícil lembrar de tudo. Então quando voltar no Brasil faço uma mega revisão e coloco mais fotos.
Voltei para o hostel. Salvei o game e hora de dar shutdown no sistema operacional. Porque o dia seguinte seria muito puxado. E foi! Mas foi o melhor dia até então.
8 de junho de 2014
Viajar sozinho não é difícil, mas também não eh bolinho não. Eu não gosto de andar carregando malas ou mesmo qualquer coisa na mão. Gosto de liberdade para andar, correr, sem me preocupar com pertences. Lógico que isso é praticamente impossível, sempre tem q levar carteira, e claro, câmera para todos os lugares. Nessa viagem eu decidi levar o mínimo existencial de mudas de roupa, umas cinco, o suficiente para conseguir autonomia durante quatro dias. Para isso tive que lavar a roupa no hostel, e depois dessa experiência, definitivamente vou comprar uma secadora de roupas. E muito mais prático e as roupas nos novos apartamentos em São Paulo praticamente ficam secando na cozinha.
Devia ter lavado no dia anterior, porque eu acordei bem cedo e esperei abrir a recepção,  as 8, para poder fazer isso. Com isso, entre tomar café e me trocar, e secar e me preparar, quase duas horas foram comidas.
E por falar em comida fui tomar café perto do hotel. E aqui eu sempre busco aplicar o meu lema, e um dos dez mandamentos da viagem: não comerás no Mcdonalds. Sério. Porque não faz sentido algum você ir a outro país para comer um big Mac. O mesmo se pode dizer de outras redes de fast food, a não ser que a comida seja japonesa. O Starbucks se salva em parte porque tem Wifi e alguns drinks exclusivos. Mas eu também não fui neste.

 

Enfim, meu morning setto foi sanduíche, bacon e ovos mexidos. Para compensar a ocidentalidade do antepasto pedi um café bem japonês – gelado e com gelatina em cima. Valeu a experiência. De sobremesa um doce que vocês poderão visualizar nas fotos. E bota doce nisso.
Hora de visitar o que Kyoto melhor oferece: os templos. Para isso a melhor opção foi comprar um passe de ônibus diário ilimitado. A cidade oferece alguns onibus especializados em pontos turísticos,  tudo com sistema sonoro atualizado e também em inglês. Foi o que eu fiz. Peguei o bumba número 100, com destino ao pavilhão prateado, no leste de Kyoto.
O nome do templo é Ginkaku-ji. Logo na entrada, além das antiquíssimas edificações, um jardim de areia com desenhos, e mais jardins de flores, lagoas e pedras. Tudo detalhadamente organizado e equilibrado. Eu sugiro que jogue fora todos os preconceitos e definições de religião nestes templos, aproveite a historia e especialmente, a atmosfera.
Para servir de local de retiro após o fim do seu shogunato no Japao (a maior autoridade à época) Ashikaga Yoshimasu mandou construir este templo, à moda do que tinha feito seu avô, mas, ao invés de dourado, seria folheado à prata. Como se pode ver pelas fotos, esta última etapa nunca foi feita.
Escadas e mais escadas. Assim como outros templos de Kyoto, uma cidade cercada por montes, o pavilhão foi construído em uma encosta.

 

Na visita, como em muitas ocasiões aconteceu, um grupo de japonesinhos em excursão de escola me parou pra fazer uma entrevista. É bom porque já vou treinando pro Jô Soares. As perguntas eram de onde eu vinha, o que fazia, etc..  no fim eles me deram um Tsuru de origami de presente.
Uma coisa interessante nos templos de Kyoto é que as ruas que levam a eles costumam ser cheias de lojas de lembranças e souvenires. É uma atração por si só! Aproveitei o momento cara de pau e pedi uma foto com as japonesas vestidas de kimono. Uma coisa que não falta na cidade é chá verde. Eles fazem inúmeros doces e pratos. Eu não podia deixar de experimentar e comprei um sorvete. O gosto não é aquela maravilha, mas é diferente. A invenção combina.
Na saída do templo, após um riacho, começa um caminho a beira rio que dura cerca de 20 minutos, com entrada para pequenos templos, lojas de artesanato e restaurantes. Tudo bem cuidado, como se fosse em jardim.
O lugar tem um nome extremamente poético: o caminho do filósofo, em homenagem ao professor de filosofia da universidade de Kyoto, Kitaro Nishida, que fazia suas caminhadas diariamente lá.
Perto da saída do caminho, encontra-se um templo enorme, dedicado ao budismo. Ao que parece os demais que visitei eram Shinto, mas ainda preciso checar essa informação. O nome: Eikan-do. E de tudo o que eu visitei até agora, eu me arrisco a dizer que não existe lugar como esse para se sentir no passado e criar uma atmosfera de nutrição de fé, arquitetura em equilíbrio com natureza e património cultural feito pelas mãos humanas.
Este merece a célebre adjetivação de fantástico. As escadas e corredores de madeira, as milhares de estátuas douradas, o buda, e principalmente as pinturas dos quartos, representando especialmente a fênix, o tigre e o dragão, são um banquete para os olhos. Mas destes, nada de fotos. E acho melhor assim. Como uma frase do filme A vida secreta de Walter Mitty, as vezes você não estraga um momento tirando fotos. E este lugar eleva ao máximo está máxima, porque no último andar, na última sala, se encontra uma estátua magnífica, cuja história, que eu vou colocar depois, me deixou impressionado. Trata-se do Buda olhando para o lado.
Aquele lugar me deixou inspirado e ainda eram três da tarde quando fui para outro templo caminhando. Eu simplesmente tinha esquecido de almoçar, e não tinha fome. Estava excitado demais com a visita, para não perder um momento sequer e comer me tiraria uma valiosa hora.
Cheguei no Heian-do, um conjunto de templos e pagodas com uma entrada de areia que dá uma panorâmica perfeita. O interior do templo tinha divindades e belas atrações, mas o q pegava mesmo era o jardim do fundo, cheio de lagos, espelhos d’água, pedras, flores, tudo ordenado de forma milimetricamente equilibrada. Mais um melhor presenciado do que falado ou capturado.  a construção se deu em 1895, para comemorar o 1100° aniversário da fundação de Kyoto.
Feliz porque ainda restavam mais duas horas de sol no dia, me dirigi até o Sanjusangen-do, templo construído em homenagem à deusa Kannon. Infelizmente, aquela hora já fechado. O outro ponto qye eu queria visitar era o pavilhão dourado, mas não encontrei o ponto de onibus correto e era muito provável que o local também estivesse fechado. O mais perto do onde estava era o museu de história natural de Kyoto, mas também já encerrado. Resolvi voltar para o hostel, mas, por mais cansado que sentisse, ainda queria aproveitar o dia.
Eu me esqueci de falar do Wayne e da Holly, mas pela manhã eu falei com ele pelo facebook, o único meio de comunicação que tínhamos, e mesmo assim, cada um somente nos respectivos hotéis. Eu avisei ter vontade de visitar o Museu do Mangá, mas sinceramente, eu preferia ver os templos, e eles queriam ir justamente as 14h. Óbvio que depois eu percebi que tinha razão em deixar o museu em segundo plano.
Enfim, não tinha entrado na net até perto das 18h, e nessa hora era importante saber porque tinha-os convidado para conhecer o bairro de Gion. Mas depois de passarem a manhã pedalando num bike, e no dia anterior andado as três horas comigo, eles estavam tambem cansados.
Enfim, eles decidiram ficar perto do hostel deles, e eu do meu. No fim, para descansar os olhos de tanto templo, fiquei tentado a ir em um Pachinko, que era só atravessar a rua. Como eu posso explicar o que é se nem eu mesmo entendi direito? A mim parece uma mistura de casino com arcade e pinball. Em suma é um jogo de azar, sim, porque você compra um número de bolinhas e pode ganhar mais. Uma cacofonia intensa marca o lugar. Certamente passa de 100 decibéis. Não é como bingo, tem adultos de todas as idades. Quanto a isso, parece que os japoneses não tem muito preconceito do lugar. Por curiosidade ainda vou jogar em uma, mas soh depois que eu descobrir como funciona.
Queria ver os preços da cameras na biccamera, uma loja do país bem famosa, mas teria que entrar novamente e atravessar a estação. Decidi ir em um shopping do lado de onde estava, já que já passava das 19 e eu não comia desde a manhã. O Kyoto Yidabate tinha 6 ou mais andares, organizados de acordo com o tema. Por exemplo logo no primeiro andar tinha o que? Cameras. E vocês não vão acreditar na quantidade de aparelhos, periféricos, materiais e acessórios. Todo o setor de cameras, arrisco dizer ser maior do que muitos shoppings de sao Paulo. E isso SÓ de cameras. Era tanta coisa que fiquei perdido. Eu já não sabia qual era a melhor e cada vez que andava via uma diferente. Várias máquinas daquelas acoplaveis, para corrida, bike, asa delta. Sao as famosas go pro e similares. Com certeza mais baratas que no Brasil, mas eu preferi não comprar nada até saber usar uma câmera. A minha é simples mas é potente e tenho a menos de seis meses, então não tenho pressa nenhuma. Quase compro uma impressora de fotos, que não estava cara, mas toda em japonês não rola. Fica de opção para os EUA.
Ainda deu para passar no departamento de roupas, mas elas estavam até um pouco mais caras que no Brasil. No andar de cima, instrumentos musicais, videogames, TV e DVDs. Tudo naquela variedade que falei. Em japonês.
Tinha enrolado mais duas horas e n tinha comido. Corri para o andar de cima e entrei em restaurante com menu em inglês, mas o nome em japonês. Pedi um frango teriyaki, e pra beber, vi que eles serviam Shochu, uma bebida destilada de arroz, que não é Sake. Experiência por experiência, foi pra provar, porque o gosto não diferia muito de outros destilados.
Se no dia anterior eu andei quase 5h no total, hoje eu tinha andado 10h. Logo minhas pernas, estalando, criariam músculos nos músculos. Então estava exausto, e para minha surpresa, queimado. E não é que esse negócio de sair no sol queima mesmo?
Cai na cama e apaguei.
Ps. Eu simplesmente esqueci de um templo. Kiyomizudera. E e um dos principais. Depois atualizo o post com as informacoes, mas as fotos estao aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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