O caminho do bambuzal e o santuário dos macacos – Arashayama

 

Mais um dia que acordei cedo. Infelizmente, meus amigos australianos ja voltariam para Tokyo. Ja eu iria para a cidade de Saga-Arashayama, um dos day trips que me predispus a fazer. Distante meia hora de Kyoto, não valia a pena dormir lá, se eu iria só dar um rolê. Isso significa correria, mas tudo valeu a pena.

Sem necessidade de lavar roupa, pude sair cedo. Meu fito era voltar para Kyoto a tempo de visitar os três pontos turísticos que faltavam.
Em Arashayama, há quatro pontos turísticos muito visitados. O primeiro deles é uma das paisagens cênicas mais bonitas criadas pelo homem. Quando se pesquisa na internet os lugares mais maravilhosos do mundo, com certeza este aparecerá. Pelo menos foi o que eu fiz, e muito antes de sequer pensar em comprar passagem, este lugar e mais outros dois ja estavam na minha lista. Então,  floresta dos bambuzais, checks.
É realmente bonito, porém, curto. Trata-se de uma estrada no meio de milhares de bambus. O lado negativo é que também passavam alguns poucos mais teimosos carros. A beleza do lugar parece ter sido feita para tirar boas fotos. Basta andar um pouco e acaba a floresta. Do lado dela mais um templo, mais uma figurinha pro meu álbum. Tenryu-ji. Passei rapidamente e subi um jardim até uma vila antiga, a Okochi Senso. Todavia, afora belas lagoas, so havia praticamente uma casa vazia e uma visão para a montanha.
Neste dia eu já estava menos disposto, afinal todas aquelas andanças dos dias anteriores e diferença de fuso horario fizeram meu corpo sentir. Ainda faltava bem mais a visitar, porém: a ponte Togetsu-Kyo e o santuário dos macacos.
Sobre o rio Ōi cruza uma grande ponte. A brisa que acompanha a corrente é extremamente prazerosa, considerando o dia de calor no Japão. Para bem e para o mal, nada de chuva. Quando não me molhava, me queimava.
Finda a caminhada, começa o parque que tem uma longa caminhada de morro acima, cheia de escadas e com várias curvas, em direção a um parque em que vivem a única espécie de macacos no Japão. Apesar de trabalhosa para quem já estava mal, a subida valeu a pena. Lá tirei uma das melhores fotos da minha vida. Com pelo branco amarelado que adquire contornos dourados no sol e prateados na neve, esses primatas de cara vermelha são bichos fantásticos e temperamentais. Tanto é uma placa tinha um quiz, que perguntava: do que os macacos japoneses não gostam? 1 – de que se aproximem, 2- de que os toquem e 3- de que os olhem nos olhos. Claro, a resposta são todos os três. Eu como bom brasileiro testei a última. Olhei um macaco nos olhos e ele me olhou, e não tocou nenhuma música, ele começou a chiar para mim e até eu descer teimava em me encarar de minuto a minuto. Acho que ele me marcou na lista de vinganças. Por isso eu olho duas vezes antes de entrar nos trens, vai que ele está lá.
Eles vivem no topo do monte, de onde pude ter uma bela visão de Kyoto. Comprei comida para dar para eles e aí eles se aproximavam.
Hora de voltar para Kyoto. Eram 14h da tarde e ainda poderia visitar um ou mais lugares. Mas antes almocei em um restaurante. Quando percebi, o menu era vegetariano, quiçá vegano. Como eu não desperdiçou uma experiência assim, pedi um prato com saque, arroz integral, conservas, uma substância no palito que eu provavelmente nunca vou saber o que é, e especialmente capa de tofu com temperos diversos. Eu gostei, e olha que nunca fui fã de tofu.
De volta em Kyoto, fiquei tentado na visita de um estúdio e locações, ou seja, o Projac japonês, que ficava no caminho do trem. Réplicas perfeitas de vilas a casas antigas, bem como roupas e acessórios de época e um parque de diversões. Interessante né? Porém, me arriscaria a perder a visita no pavilhão dourado.
Estava certo. Mais um templo absurdamente bonito. Eu sou chato com visitas, mas dou o braço a torcer, lá me senti no japao feudal. Mais jardins, mais lagoas. Mas, diferente do templo do seu neto (o prateado), o Kinkaku-ji é realmente folheado ao metal que lhe adjetiva.  Depois de mais algumas entrevistas com japoneses escolares e descolados, dei uma volta no templo, que era curto. Um pouco de história: o lugar também foi construído por um Shogun – Ashikaga Yoshimitsu, e foi reerguido e reformado várias vezes, a última depois que um monge fanático botou fogo na edificação em 1950. Aliás, no Japao é assim: caiu, ruiu, queimou? Reconstrói, não importa o tempo que demore. Posso dizer que alguns lugares estão a décadas em.manutenção porque os japoneses são melódicos e perfeccionistas: tudo tem que estar o mais próximo possível do que era e ser feito da forma que foi.
Ja passava das 16h deu resolvi ir para o Castelo de Nijo, que foi a residência de alguns Shoguns. Infelizmente, eu não estava tao perto, e quando cheguei as portas ja estavam fechando. Se encerrava aí o meu ciclo de templos de Kyoto, porque o outro provavelmente também estaca fechado.
Mais ainda era de dia e eu queria aproveitar tudo que pudesse do Japão. Corri para o Museu Internacional do mangá. Este sim estava aberto, mas por mais meia hora apenas. Tirei mais boas fotos de uma exposição que estava sita, mas nao deu tempo de ler uma revista sequer no extenso e convidativo gramado em frente ao prédio, que fora uma escola.
Ó Kyoto dos mil templos, cidade das bicicletas e do chá verde, ainda lhe visitarei, e quem sabe, algum fortunoso dia aqui morarei.
18h da tarde e eu me lembrei que estava na rua do Neko Café. Não podia perder a oportunidade e la me dirigi. No caminho, uma grata surpresa da qual eu não me lembraria se não passasse por ela – a loja de 100 yenes, o equivalente a nossa de 1 real, mas com uma qualidade bem diferente de produtos (parecendo os EUA). Como por exemplo refrigerantes de dois litros. Não pense que era tudo furreca não, era coisa boa. Fui pegar um Ginger Ale, um refrigerante a base de gengibre que não tem no Brasil e do qual sou fã de carteirinha. Fui feliz e tranquilo pagar com minha moeda de 100 yenes, porque custava 95. Mas esqueci das taxas e deu exatamente 101 yenes. Vocês acham que a caixa me deixou levar? Estamos no Japao amigo, e nem ela deixou, nem ninguém dá fila me ajudou. Ponto para o Brasil aí. Quantas vezes eu só  precisava de alguns centavos e me deixaram levar, ou mesmo no onibus quando descobri ter perdido dinheiro pagaram para mim.
Mas tudo bem, afinal eu iria no café, e poderia comprar aquele refrigerante outra hora.
Nekokaigi Café. Em um edifício sem placa em inglês, subo no segundo andar e pago a salgada entrada de 800 yenes, quase 21 reais. O que a gente não faz para viver uma experiência diferente. Fora isso ainda tinha o café e comida para gatos, nao incluídas na entrada. O café não é para gatos.
E o que tinha lá? Gatos! Embora fisicamente parecido com a maioria dos brasileiros, eles tem temperamento diferente, parecem siameses- mais independentes e fechados. Tanto que eu fiquei um bom tempo sentado e eles só vieram a mim quando mostrei a comida. Neste dia especialmente eu comecei a testar algumas funcionalidades da câmera que não sabia nem que existia ou pra que serviam, e com os gatos eu consegui ótimas tomadas.
Precisava tirar uma foto dinâmica e noturna das ruas de Kyoto e andei em uma das ruas principais,  Oike-dori. Lá, em frente a um prédio eu vi um monte de japoneses universitários fazendo uma mistura de pular corda, dança e break. Achei animal e resolvi observar um pouco e tentar capturar o momento. Aí duas universitárias perguntaram de onde eu era e se eu queria tentar pular também. E eu gosto de desafios, então a minha resposta foi: não! Porque aquela hora todo meu corpo estava dolorido de dias andando horas e horas, então pular, nem pensar. Os outros japoneses me cercaram e eu aproveitei para conversar com eles, que são loucos para testar o inglês, e eu tentando pegar umas dicas de japonês. Para minha surpresa, assim como eu, a maioria fazia Direito, a diferença é que já sou formado. A pergunta básica era sempre ligada à copa do mundo. Buradiro? Worldo Cup? Soccer! E o que eu estava fazendo lá. Tirei uma foto com eles e continuei o meu rolê pelo Oriente.
Ir para casa? Que nada. Ainda tinha mais um bairro a visitar. Gion! É o bairro das geishas. Agora me pergunte se eu vi uma? Não! Também não deixei de aproveitar. A avenida tem uma bela vista e lâmpadas estilo japones. Ao fim, mais um templo, e, mais uma vez, as fotos ficaram ótimas! A noite é muito melhor para fazer isso é felizmente lá não fechava. O grande destaque era a construção central, que parecia ter algumas centenas de lamparinas brancas que contrastavam com o ambiente escuro e o vermelho dos Torii (portão) ao redor.
Antes de voltar pro hostel, parei mm restaurante de Okonomiyaki. Uma espécie de pizza de farinha, ovos, alface e repolho com ingredientes a minha escolha, que eu esquentava na hora com uma chapa que tinha na minha mesa. Pedi inhame assado e também chá de milho. Porque eu quero   experimentar tudo o que tem de comer onde quer que vá. Mas dessa vez, não gostei da comida e nem da bebida, a primeira pesada e a segunda, chucha.
De volta ao hotel, o dia seguinte seria o último para a região de Kyoto. Novamente, apaguei na cama, mas tive a melhor noite de sono desde que sai do Brasil. Mas o que aconteceu em Nara fica para outro post.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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