O Buda gigante, o parque dos veados e última chamada para a ilha de Miyajima.

A cada dia que passo neste país me sinto mais japonês. Já estou até gostando da mistura de chá verde com leite, os mimos que vem na comida, puxar a última sílaba (onegai shimaaaaas), entre outras coisas. Falar arigato para tudo e só atravessar na faixa quando o farol estiver aceso para pedestres. Não se vê nenhum japonês correndo pra aproveitar enquanto não vem carro. E de vez em quando, passavam alguns japonesinhos por mim e falavam Herô (hello!), eu devolvia em japonês Konichiwa (boa tarde) e eles wow! Sugoi! Que significa incrível mas eu prefiro traduzir para o coloquial Que foda! E tudo porque eu falei uma única palavra em japonês.

Lavei minha roupa mais uma vez e me dirigi a Nara, uma cidade que fica a algumas dezenas de quilômetros de Kyoto e que foi a capital do Japão durante uns 80 anos antes dessa. Isso significa: muitos templos, muita cultura e muita história.
A viagem dura 45 ou 75 minutos. Essa informação vai ser de suma importância depois.
Com a informação de que os pontos turísticos mais importantes se quedavam em um parque e eram relativamente próximos, novamente fui enganado pelo mapa e andei para cacete. Significa que fiquei mais dolorido ainda. Mas por uma boa coisa. 10 minutos de caminhada e eu dou de cara com um monte de cervos japoneses. E eles são japoneses mesmo, porque quando querem alguma coisa eles abaixam a cabeça em respeito. Mas ele são animais selvagens e nada pequenos, significa que eles podem chifrar, chutar, dar uma rasteira e talvez até mata leão. Enfim, uma placa indicava isso e não foi a toa que eles tentaram comer minha sacola, a cinta da minha câmera e quando eu comprei os sembei que eles tanto gostam vieram uns 10 me cercar como uma horda de zumbis, e comeram até o papel do biscoito. Sao animais curiosos, afetuosos, mas nunca se confia muito. Um deles ficou passando a cabeça e os chifres dele em mim, e fiquei tentado a solicitar proteção dele contra o macaco do mal.

 

Fotos e fatos, fui até o templo que é a maior construção de madeira de todo mundo.
Todai-ji, um edificação dentro do parque, que, como várias construções do Japão, é milenar e foi derrubada e construída várias vezes, a última há mais de 200 anos. As grandes atrações são uma estátua gigante de um buda sentado em uma flor de lótus, extremamente trabalhada, tanto que cada pedaço dela era milimetricamente pensado e adornado com pinturas douradas. Incrível ê pouco, e este lugar ja virou um dos meus favoritos. Ainda havia outras estátuas enormes e igualmente pensadas, com destaque para os guardiões. Felizmente, tirar fotos é possível lá, ao contrário de outros templos budistas. Depois de comer um bom lamen e dar uma volta pelo complexo, ainda passei pelo Kasuga Taisha, outro templo, cujo caminho é acompanhado por mais de 1000 lâmpadas de pedra. Comprei algumas lembranças de Nara e ainda ganhei mochis de chocolate de presente, e corri para voltar para Kyoto. Vou ficar com vontade de Nara, que anda tinha muito mais a me oferecer, mas o dever me chamava para o Oeste, na província de Hiroshima. Com isso, não pude visitar o conjunto de templos do Fushimi Inari e nem mais nada em Kyoto. Ja passava das 17 quando cheguei em Kyoto.
A distância para Hiroshima era cerca de 3h, e eu ainda tinha q voltar no hostel para pegar a mala, aguardar e pegar um trem bala, pegar um trem local de meia hora de Hiroshima para o píer, uma balsa de 15 min e ainda andar cerca de 20 minutos em uma ilhota para o meu muito desejado hotel. Tudo antes das 23h. Bateu um nervosismo porque o meu trem bala já ia chegar em Hiroshima perto das 22h. Com isso tinha q ir no achometro, meter a cara e perguntar mesmo. Isto tudo extremamente cansado. Como fazem os japoneses, comprei um Bentô (marmita) para comer no trem mesmo. Quando foi 21h40 cheguei no píer. Eu pegaria o último Ferry para a ilha de Miyajima, destino de uma das paisagens cênicas mais famosas do Japão e do mundo. Com cinco por cento de bateria no celular, 40 minutos para chegar no hotel e informações desencontradas do próprio. Chegando na ilha, eu era praticamente o único na balsa e sai perguntando, mas ninguém conhecia o hotel ou a avenida. Tudo isso a beira das 22h30, eu com a mala na mão, ja me preparando pra arranjar um lugar pra dormir, quiçá a própria estação.
Não  veio o Jaspíon me salvar (ele mora em Okinawa, no sul do japao, e é instrutor de mergulho e um dos meus objetivos é conhecer ele!),  mas a boa e velha educação japonesa. Duas garotas de uns 20 e poucos anos, sensibilizadas com a minha situação e depois de as algum japonglês e mimica, conseguiram achar o endereço. Ligaram para o hotel e pumba! Depois de 15 minutos o dono veio me buscar. Resolvi dar um pacote inteiro de Kit Kat pra elas e agradeci imensamente. Cansado e com fome, entrei no carro. O motorista deu tantas voltas em tantas quebradas que eu tive certeza não conseguiria achar nunca aquele lugar.
Felizmente o café da manhã estava incluído no preço, mas mesmo as 23h, hora que cheguei e fiz o check in, ele me falou que eu podia comer e beber algumas coisas da geladeira, o que fiz sem pestanejar.
O hotel, ou melhor, guest house, é a hospedagem mais bonita que ja fiquei em toda minha vida. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

 

 

 

 

 

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