Relatos do Japão – Os incríveis templos de Nikko e o jogo do Brasil.

Chegando em Nikko (literalmente, Luz Solar) as 11h, vou direto para um hotel, que basicamente fica em frente a estação de trem. E parece que a cidade se resume a isto: a estação e os templos, com conexões para um lago, uma cachoeira e alguns onsen. O caminho foi cheio de arrozais e outras plantações – estou em um Japão basicamente rural, apesar de tudo ter instalações urbanas.

Fui direto para o hotel, e felizmente me deixaram entrar mais cedo. Fiquei mais uma vez em um quarto compartilhado, mas para falar a verdade só tinha um alemão, muito gente boa, de quem infelizmente esqueci o nome.
Deixei minhas coisas lá e pude relaxar. Tal como pude pensar longamente no trem bala do dia anterior, resolvi imprimir um ritmo mais calmo à minha viagem. Não que não tivesse gostado de visitar dezenas de lugares em menos de sete dias, mas meu corpo finalmente estava sentindo a inversão do fuso horario, o esforço fisico e a chuva que tomei. Restando sete dias mais no Japão, faria os programas de forma mais tranquila. O que não desse, ficaria para a próxima.
Assim peguei um ônibus para os templos de Nikko, todos eles considerados patrimônio histórico e cultural  da humanidade. E toda essa pomposidade cultural tem sua razão de ser, são todos belos e magníficos. Felizmente, todos ficam na mesma região, próximos a rua Omotesando (não sei porquê, mas eu gosto desse nome). Uma diferença para Kyoto é que algumas entradas são realmente caras aqui, algumas passaram de 20 reais, quando costumava pagar 8, 12 reais em média.
Todos estavam com alguma parte em reconstrução em reforma, seja em razão do tempo, ou mesmo do terremoto.
Porque a cidade é tão importante e visitada por turistas? Vi muitos estrangeiros. Hora, o local é nada mais nada menos do que o mausoléu do primeiro Shogun japonês, Tokugawa Ieyasu. Os Shoguns foram os governantes de fato durante mais de 200 anos.
O primeiro é o Templo Riinnoji, e infelizmente é um dos menos acessíveis, em virtude das restaurações. Basicamente, mais grandes budas, tudo extremamente trabalhado, como sempre. Os andares de cima basicamente inacessíveis. Mas mesmo dentro daquilo que pude ver, é fantástico, é lindo.
Mas a verdadeira maravilha, o mais trabalhado e incrivelmente detalhado de todos os templos é o Toshogu. Em cada parede, teto, piso, escada, vão, janela, canto e mastro, há beleza, há história e há fé premeditada. Mais de mil dragões, cada qual pintado a mão e com uma pose diferente, residem nos tetos, o que faz lembrar uma capela sistina japonesa. Ainda, pavões, fenix, leões, tigres, tartarugas e elefantes.
Detalhe importante: Não há leões ou elefantes no Japão, então os artistas que os esculpiram os fizeram solenemente de acordo com a imaginação, advinda do que foi passado pelo budismo (que veio da Índia).
A lenda diz que os homens construíram o templo de forma tão bela e perfeita que, para evitar a inveja e a ira dos deuses, deliberadamente colocaram invertida a última das colunas. Mais de 15.000 trabalhadores, a maioria de Kyoto e Nara, conhecida pela beleza e arquitetura intrincada de suas construções.
Para terminar, partiu desse templo uma figura muita famosa, aquela dos três macacos, com as mãos tapando na boca, nos olhos e nos ouvidos, ilustrando o ditado budista: Não fale o mal, não ouça o mal e não veja o mal.
Ainda passei pelo templo Futarasan, templo datado de 767 d.c., meio escondido, o que, naquele dia, com certeza facilitou a visita, já que os anteriores estavam muito cheios, especialmente de japonesinhos em excursão.
Cheguei cedo no hotel, e decidi não fazer mais visitas naquele dia. Ainda tinha que almoçar. Encontrei um Restaurante de Bangladesh. Realmente o Japão é uma nação global. Dentre os estrangeiros que encontrei lá, muitos eram da região da Índia. A limpeza não era daquelas, mas a comida, algo digno de se provar. Realmente, eu gosto de novas experiências culinárias.
Conversei bastante com um Alemão e um grupo de estudantes de Hong Kong e Taiwan. Fui dormir cedo. Mas tinha esquecido de pensar: como assistir o jogo do Brasil?
Resultado: Não assisti. Fiquei acompanhado a estreia somente pelo celular. Nenhum lugar aberto naquela cidadezinha, as 5h da manhã. Japão Rural. Felizmente ainda consegui ver os gols. Voltei a dormir.
Era dia de partir para os parques, a parte do extremo oriente que não está em quase nenhum guia de viagem. Mas aí, fica para outra postagem.

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