Relatos do Japão – De volta para Tokyo 10º e 11º dias.

No momento em que escrevo isso, já estou no Brasil. Pois é, não consegui acompanhar a viagem com os relatos. Acho que os relatos fazem parte da viagem mas entre aproveitar a estadia e escrever escolhe-se o primeiro porque eu posso fazer o último no Brasil.

Depois de tudo o que vi no Japão ainda fui para Nova York, e lá não pude atualizar o blog, simplesmente porque achei não valer a pena pagar para usar o computador do Hostel. De qualquer forma, ainda estava cansado, embora estivesse muito melhor do que dias atrás. As noites nos hotéis de Nikko, Mito e agora Tokyo foram bem dormidas e pude recuperar um pouco de energia. As pernas, claro, pesadas, mas já se acostumando às consistentes andanças.
Tokyo – Kuramae – Nui Hostel & Bar Lounge
Peguei novamente o trem da Japan Railways e desci na estação Kuramae. Sim, o hostel era razoavelmente perto (a pé) do primeiro hostel em que ficara em Tokyo. Ficava perto do Rio Sumida também. E de todos os lugares em que havia feito cotação, este tinha uma das melhores notas. Afinal, além de hostel, era um bar. Paguei, dei uma volta na região para me orientar e aproveitar para tomar um Drink de Sakê com Ginger Ale e comi um frango Teriyaki com salada. Afora isso, o elevador era bem antigo e fechava depois das 24h, e eu estava num quarto com 8 pessoas, então já sabe, aquele cheiro de chulé e de roupa suja, e ainda pessoas sem noção. Mas nada que atrapalhasse meu sono, que aquela altura já estava petrificado aquém do período jurássico. Revisei o blog e algumas fotos e pensei nos planos para o dia seguinte.
Apesar de ter feito uma extensa pesquisa antes de vir para o Japão eu deixei para ver o que ia fazer in loco. Não me arrependo, mas tem coisas que você só descobre lá, que são ótimas, como por exemplo, o passeio de bicicleta que percorre Tokyo inteira. Mas estava muito em cima para eu reservar isso para o dia seguinte entonces eu deixei de lado, para a minha futura wish list.
Akihabara
Acordei decidido a dar uma volta pelos principais bairros de Tokyo. A começar por Akihabara, o bairro dos eletrônicos. E não, não encontrei nada vertiginosamente interessante. É legal conhecer, mas a não ser o prédio da SEGA, que tinha uma série de andares com jogos eletrônicos e máquinas de prêmios, só vi lojas de eletrônicos e componentes. Talvez eu tivesse mais sorte se pesquisasse melhor.
No prédio da SEGA, que foi a minha produtora de video games favorita, um dos tipos de jogos que mais me chamou a atenção é os de carta com realidade virtual. Algo parecido com Yu-Gi-Oh, sei lá. Um deles era um jogo de futebol, onde você colocava as suas cartas pré compradas em cima de uma mesa e jogava com seus próprios jogadores. Animal. Outros, muito mais demandados pelos locais, eram os RPGS massivos, também com cartas, em que só quem joga tem alguma breve noção do que acontecia na tela.
No caminho ainda passei por um sex-shop japonês. Eles não tem vergonha de entrar lá e boa parte do material é explícíto. Os japoneses não tem escrúpulos com relação a isso e o local estava cheio, de homens, claro.
Harajuku
Peguei o metrô e parti para Harajuku, o bairro onde se diz que os japoneses se vestem de forma mais louca. Realmente, é um bairro alternativo, a moda é diferente, mas foram poucos aqueles que vi que estavam vestidos da forma que ouvi, como por exemplo mulheres vestidas de donzelas ou princesas, e ainda, cosplayers. Não sei porque, afinal, era domingo, o sábado japonês. Tirei foto de algumas pessoas com vestimentas diversas. Passei em frente a uma rua e perguntei para um gringo o porque de ela estar tão cheia. Ele me disse: Mas está sempre cheia. Trata-se da Rua Takeshita! E a atração principal dela são as lojas de moda alternativa e muitas creperias. A rua não era curta, e parecia feita, como o era, para adolescentes. Pensei em comprar souvenirs para trazer para casa, mas não encontrei nada que quisesse, como imãs de geladeira e yutakas. Perto dali, a segunda rua Omotesando de minha viagem. Mas essa era bem diferente da outra. Se aquela era a rua dos templos de Nikko, essa é o templo das compras do Japão. Não é a toa que é alcunhada de Champs Elysee Nipônica. Marcas como Chanel, Prada, Boss, Armani, são comuns lá. As mulheres batiam ponto em peso com sacolas e sacolas na mão. Além de tudo um lugar belo, apesar de cheio, e harmônico.
Rua Takeshita

 

Moda diferente em Harajuku
Saindo de lá decidi ir para Shibuya, que era relativamente perto. Mas acabei passando no Yoyogi Park, senão me engano, o maior parque de Tokyo. E realmente, é gigante, basicamente o tamanho do Ibirapuera.Destaque para os japoneses que ficavam fazendo cover de elvis na entrada. Muito engraçado! Andei, andei e andei e vi fontes, flores, áreas de piqueniques e muitos japoneses com a camisa da seleção deles, afinal o Japão tinha acabado de jogar – e perder. Mas isso não baixou o ânimo deles. Também tinha muita pipa, muito baseball, e especialmente, jovens brincando de dança coletiva, assim como nos clipes de música pop. E cachorros. Japoneses adoram cachorros.Passei um bom tempo lá. Gosto de parques e o dia estava ótimo para dar um rolê.

Elvis Japonês

 

 

Baseball

 

Dança coreografada.

 

 

 

O cachorro favorito dos japas: o Akita.

 

Não é briga, é dança!
Shibuya e Shinjuku
Shinjuku e Shibuya são meio que paraísos das compras e entretenimento no Japão, com lojas e lojas e shoppings e shoppings, distritos da luz vermelha, casinos e restaurantes.Vi em Shibuya Station a estátua do Hachiko, uma lenda, que na verdade é verdade, sobre um cachorro da raça Akita que esperava seu dono em frente à estação todos os dias após ele voltar da Universidade de Tókyo. No entanto, em 1925 o professor morreu, e Hachiko fugiu várias vezes de outros bairros onde foi morar, como Asakusa, no leste de Tokyo, para a antiga casa, em Shibuya. Como não encontrou o dono lá, passou a ir diariamente à estação para ver se o encontrava, isto durante 9 anos e 10 meses. Até morrer. O cão virou figura popular no Japão, com direito a um pomposo funeral.

 

 

O cruzamento da estação Shibuya também é famoso, e é fácil se perder de alguém lá. Trata-se da maior quantidade de pessoas cruzando a rua ao mesmo tempo, em oito semáforos. Dizem que em um dia movimentado podem passar mais de 100 mil pessoas em menos de um minuto, e eu, presenciando aquilo, não duvido de nada.

Parecia uma Times Square japonesa, cheia de telões propagandeando produtos. E assim fui para Shinjuku, cuja definição não mudava muito para com Shibuya: telões e pessoas fazendo compras. De belo e notável, as pirâmides em frente à estação. Fui mais uma vez à Yodabashi câmera (a mesma de Kyoto), mas não comprei nenhum eletrônico, afinal os que queriam só estavam em japonês. Achei as câmeras caras. Ledo engano. Quando cheguei no Brasil, vi que aqui as câmeras e lentes que encontrei lá são três vezes mais caras. Fica de lição. Talvez em 2016 eu volte.

Passei na Isetan e vi um mercado enorme. Sabe os mercados municipais brasileiros? Coloque mármore de primeira, vidros e outras decorações de mansões. Assim que defino o mercado que fica próximo à Shibuya. Toneladas de peixes, carnes, frutas – sempre caras, e doces. Os japoneses adoram doces que tem carinhas e mascotes.

Depois de mais uma andança, parei para comer. Desta vez, o primeiro sashimi da viagem. E posso dizer mais uma vez que o gosto do atum e do salmão é muito melhor do que no Brasil.

 

 

 

 

 

Cheguei no hotel com as pernas doloridas, algo comum nesta viagem. No dia seguinte andaria mais. Mais seria o dia mais divertido em toda minha estadia no Japão.

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