Tokyo – do Museu Ghibli ao Restaurante dos Robôs.

O dia 16 de junho de 2014 tinha tudo para ser moroso. Afinal, era uma segunda-feira. Com certeza, tirando a Copa, os brasileiros deveriam estar com a ressaca do fim de semana. Mas eu felizmente estava de férias e melhor, no JAPÃO!Tinha agendado duas visitas extremamente interessantes naquele dia: o Museu Ghibli e o Restaurante dos Robôs. Ainda faltavam muitos bairros importantes de Tokyo, claro, como Ginza e Ueno, a própria SkyTree Tower que eu ainda não tinha visitado. Mas decidi fazer um programa diferente do que já tinha feito.

Passeio pelo Rio Sumida
Subi a pé até a região de Asakusa. Meu objetivo: pegar o Tokyo Water Bus. O meu ônibus aquático não era tão belo quanto os que havia visto em fotos, mas não deixava de ser atraente. Uma viagem confortável em que pude ver muito da cidade, incluindo o prédio da cervejaria Asahi, que você podem ter uma ideia pela foto. Dizem que foi feito em homenagem a uma biqueira de Chopp, já eu não acho parecido com nada.

 

 

Depois de muitas andanças, nada melhor do que ficar ao sol e ao vento, deixando-se levar pelo tempo, e gozar da brisa que acompanha o Rio Sumida. O Rio! Não era mal-cheiroso, não. Torço para que um dia pudéssemos navegar novamente os Rios Pinheiro e Tietê.

Após uma breve parada em Hinode, o meu busão das águas desembarcou-me em Odaiba.
Odaiba Seaside Park.
A ilha de Odaiba é originária de um aterro sobre o mar, primeiramente com fins militares, para proteger a baía de Tokyo, já no período Edo (Século XVII-XIX). O passar das décadas foi tornando a ilha cada vez maior, a ponto de eu me perguntar se realmente aquele lugar tinha sido mar.
Depois de idas e vindas de residências e empresas, especialmente a bolha dos anos 90 no Japão, o local basicamente virou um distrito de entretenimento. Não à toa há inúmeros parques temáticos, aquários e shoppings. A arquitetura da ilha me deixou boquiaberto no começo. Parecia que na verdade tudo não passava de um grande parque de diversões. Dei uma volta, entrei em um Arcade da Sega onde bateu aquela nostalgia – os jogos eram em sua maioria clássicos, alguns dos anos 80 e 90. Eu como aficionado não perdi a oportunidade, mas não tinha levado muito dinheiro, logo não pude aproveitar tudo. Ainda bem, eu tinha horário marcado para os meus próximos compromissos.

 

 

 

 

 

Passei pelo parque da Lego, mais voltado para crianças e almocei no quilo japonês, pratos que variavam de toda a Ásia, e ainda uma tentativa de feijoada brasileira que não parecia ter feijão.
A estátua do Gundam, um dos animes que faz muito sucesso naquela terra, mas que aqui não teve a mesma sorte, fica em frente a um Shopping. O robô, em tamanho real, atrai multidões em busca daquela foto esperta. Eu demorei até tirar as minhas, tamanha a fila.
Após dar uma volta na ponte que cruza as ilhas (sim, são várias, eu só me toquei disto lá), peguei a linha de metrô, tão futurista quanto a própria Odaiba, e incrivelmente com movimento circular, e apreciei mais uma vez a paisagem da ilha de Tokyo.
Dali, parti direto para a cidadezinha de Mitaka, uma das satélites de Tokyo, e a última que eu iria visitar, fora a capital.
Museu Ghibli
Este museu tem ingressos tão concorridos que nem mesmo os japoneses conseguem pegar facilmente. Eu tive a sorte de estar sozinho e achar um na minha estadia, mas comprei com quase 10 dias de antecedência , praticamente o último lugar
Trata-se de uma construção feita para os fãs do estúdio de animação que leva o mesmo nome Ghibli, de um dos animadores/diretores de cinema mais louvados e aplaudidos do Japão e do mundo: Hayao Miyazaki. O filme mais famoso é o ganhador do Oscar de 2003 como melhor película de animação: A viagem de Chihiro. Mas não é o único: podem-se destacar o Castelo Encantado, Nausicaa no Vale dos Ventos, Ponyo, Meu Vizinho Totoro, Princesa Mononoke e o Túmulo dos Vaga-Lumes. Eu assisti todos estes, sou um grande fã de animação e não poderia perder a visita.

 

 

A entrada já é parte do atrativo do museu. Quem conhece, reconhece o traço do mestre japonês em toda arquitetura. No último andar um robô de bronze, de um filme que eu infelizmente ainda não assisti. Não precisa falar que estava cheio de gente tirando fotos né?

O que mais me impressiona são os equipamentos de animação logo na entrada, alguns deles demonstrando passo a passo a arte, feita com modelos que apresentavam quadro a quadro. Dispostos em uma estrutura circular, que, iluminada a uma velocidade constante, davam a impressão de estarem se mexendo. Fotos, não pude tirar, de nada em que estivesse dentro do museu.
Ainda, a exibição de um curta-metragem com estrelato de Totoro e Gatos-Ônibus. Parece que uma das atrações do museu é ficar perdido. E realmente eu fiquei, especialmente com as escadas que levavam ao mesmo lugar e os cruzamentos que partiam sem destino. Nesse momento desejei viver em Nihon, lá eu poderia comprar mais alguns itens da loja de souvenirs sem me preocupar com o espaço na mala. Isso incluía um Sofá em formato de Gato-Ônibus. Três lanchonetes para os esfomeados, contando com pratos que remetiam aos filmes.
Belíssimos vitrais complementavam a obra arquitetônica, todos com referência aos filmes do Estúdio. Fui embora satisfeito com a visita. Voltei para Tokyo e para o bairro de Shinjuku. Meu próximo destino foi um dos pontos altos da minha viagem.
THE ROBOT RESTAURANT
Assim mesmo, em letras garrafais.
Paguei 6.000 ienes (o equivalente a 130 reais) para um restaurante que na verdade é mais um show, um musical, do que lugar para se comer propriamente dito. O bairro era um setor meio boêmio do Japão e não duvido que tivesse casas de massagem ao redor, perto de cinemas privê, restaurantes de luxo e shopping. No Japão é assim, tudo misturado, sem escrúpulos.
Logo na entrada tive noção do que me receberia. Um robô enorme no formato de uma mulher ocidental com seios avantajados dançava conforme uma melodia tocada por alguns músicos vestidos de robôs no estilo supersentai. Animal. A decoração era um show por si só. Para mim, nada mais representava tão bem o Japão quanto este lugar.

 

 

 

Após uma espera de quase 30 minutos em uma fila que não parava de crescer, entramos todos uma sala de espera em que nos foi oferecida comida, não muito barata, cerveja direto do barril, carregado oportunamente por uma japonesa, e outras espécies de bebidas, alcoólicas e soft. Esta sala também milimetricamente decorada com pintura metálica, luzes estroboscópicas e pinturas de motivos orientais e belas mulheres.
Uma música começa a tocar. São mulheres, amazonas, vestidas com armaduras metálicas tocando músicas pop ocidentais. A vestimenta delas chega a brilhar. O espetáculo é sensacional e me preparava para o que viria depois.Fomos encaminhados para uma sala com plateias dos dois lados. O staff estava vestido de Ninja. Alguns robôs enormes escondidos. O ponto baixo da noite era o bentô que dizia ser o jantar: comida de nível medíocre, mas valendo a pena a experiência.

Apagam-se as luzes e entram japonesas com perucas brancas e pequenas, batendo ritmadamente ao som do tambor oriental. Criaturas de outro mundo parecem sair da cacofonia criada. Japoneses vestidos de seres mitológicos. Tudo isso durante alguns minutos. Pára a música.
Entram novamente as moçoilas de armadura, desta vez em carros mecânicos que atravessam o palco. A música combina com o Japão. Um pequeno intervalo de alguns minutos. Entram homens vestidos de forma extremamente realista como robôs. Realiza-se uma luta de boxe entre eles. O começo é promissor. Uma das pessoas da plateia é sorteada para ganhar do robô e receber um brinde. Infelizmente não sou eu.
As luzes se apagam novamente e mostram japonesas de roupas curtas. A história é de que tudo ia bem na terra até que robôs invadem o planeta. Começa o espetáculo mais Barney Stinson que eu já vi na vida. A cena de luta entre robôs e mulheres é criada com objetos que dão inveja ao carnaval carioca. São aranhas e cobras gigantes contra robôs em motocicletas também gigante, cada qual ao seu tempo. Menos fantástico é impossível. Ao fim, vitória da terra.
Depois começa o espetáculo de dança dos Robôs, com mais participação das amazonas platinadas. Um Robô com cabelo Black Power Colorido e outro em uma motocicleta circular. As robôs mulheres gigantes se movendo freneticamente. Descem Robôs mais gigantes do que os estavam antes no recinto, como se fosse possível esta feita. A música é sensacional. A plateia, delira, e eu embasbacado.
As garotas começam a se apresentar uma a uma, seguidas dos robôs. Dançam novas musicas como o Gangnam Style. 2h30 de pura diversão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chega ao fim e eu com gosto de quero mais. Certamente voltarei ao Robot Restaurant. Mas é hora de ir para o Hotel, afinal, o próximo dia será o último que tenho para fazer as coisas no Japão.

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