2ª carta ao meu eu do futuro, aos meus descendentes e às crianças em geral.

Há algum tempo atrás, eu escrevi a primeira carta com o tema do título, em maio de 2013. Hoje, as premissas das quais parti remanescem as mesmas: escrevo de uma forma e com uma mensagem que eu nunca antes tive e jamais terei igual. Por isso, esta carta também é para mim, mas não só, como também aos descendentes, e adicionando, às crianças em geral.

Desde cedo observo a dinâmica do mundo e dos comportamentos humanos, e, a cada dia que passa sinto que devo guardar minhas observações em texto. Não se trata de um orgulho bobo de se dizer que o que escrevo está certo, mas sim de uma proposta básica de manifestar pensamentos que em meu coração sinto como próximos de uma verdade. E é com essa ferramenta, o coração, que torno a tecer a rede.

 

Somos programados e programáveis. Isto é uma dádiva e ao mesmo tempo um obstáculo à nossa evolução. Pare para pensar. Acordamos todos os dias após o sol raiar, colocamos uma roupa para esconder as nossas vergonhas e nos dirigimos para ganhar uma ideia que compra outras ideias (ou seja, o dinheiro). Somos movidos a nos acasalar e criar uma prole. Isto é uma programação, como todas as outras. Vez por outra me pego repetindo palavras e traquejos de meus pais, ou expressões de amigos, ou mesmo manifestando emoções porque os outros também o fizeram. Ao mesmo tempo, somos programáveis. De que outra forma aprenderíamos tudo isso? Ainda em longa idade, podemos nos transformar e virar nossa vida do avesso. 
A auto-programação é uma das chaves da vida. Para o bem e para o mal. Por que viver é se acostumar a fazer muitas coisas, mesmo que você já não se lembre mais o porquê. E isto podemos mudar, claro. Um dos métodos desta mudança é o pensamento. O outro, é um empurrão, que pode ser uma pessoa ou de um acontecimento. É certo, claro, que quase tudo o que corpo lhe permitir você pode fazer, desde ser astronauta até se tornar jogador de futebol depois dos 40 anos. Basta se programar e colocar na cabeça que você quer e pode. Mesmo que não seja a coisa mais certa fazer ou você apenas perca tempo.Para fazer bem alguma coisa você deve deixar outras de lado. Especialmente depois de adulto. Para praticar esportes você deve deixar alguns lazeres de lado. Para aprender alguma coisa você deve deixar alguns lazeres de lado. Ter uma criança significa deixar de fazer muitas coisas que você gostava. As pessoas, claro, sempre acabam arranjando algum tempo, mas ao custo de outra. Porque em média dos nosso dia, dormimos 8 horas, ficamos 3 horas para nos trocar e locomover, mais 8 horas trabalhando com 1 hora de almoço. Sobraram apenas 4 horas que temos para nos divertir e investir em nós mesmos.

Você tem todo tempo do mundo, mas ele passa muito rápido. A imensa maioria das pessoas não sabe quando vai morrer, mesmo aquelas mais velhas. Com isso podemos dizer que temos muito tempo para fazer o que queremos. Mas ele também passa muito rápido, por mais que você acredite o contrário. As memórias vão se empilhando, e quanto mais passam os anos, mais cremos que um semestre é pouco.

Dedique tempo a si mesmo. Durante toda a sua vida você terá de lidar e se doar a outras pessoas, especialmente ao seu serviço, parentes e parceira(o). Você provavelmente alguma vez já esqueceu ou esquecerá do que você gosta ou faz ou fazia. E depois de algum tempo, esta sensação tenderá a se tornar sufocante. Se deixe viajar. Se deixe escrever. Se deixe ficar algum dia todo deitado, se quiser. Se deixe aprender aquela coisa aparentemente maluca, como cantar, dançar, cozinhar, artes marciais, marcenaria, se você se sentir assim, mesmo que todas as pessoas sejam contra. E cuidado com o tempo que você doa demais, porque aqueles para quem você doa podem ficar acostumados demais. 

É mais fácil aprender algo quanto mais novos somos. Mas ao mesmo tempo não temos muita ideia do que fazer e aprender. E pensamos em nos divertir, claro. Com isso voltamos ao terceiro tópico. Quanto mais “adultos” ficamos, mas temos que nos dedicar a resolver problemas e lidar com a saúde e estamos menos dispostos a mudar a nossa rotina. 

Viaje. Talvez não haja jeito melhor de abrir a cabeça do que viajar. Visitar um país ou continente diferente é automaticamente sair da sua zona de conforto. Outra língua (ou sotaque), outros costumes, e você volta a ser criança de novo, aprendendo novas coisas, conhecendo outras perspectivas de vida e mudando a sua própria. Você voltará outra pessoa.
Contatos são importantes. Estudar e se dedicar é importante. Trabalhar duro é importante. Mas contatos são muito mais importantes.Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. A frase é auto explicativa e vem do livro O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupery (que eu nunca li). E nunca foi tão verdadeira. Existem coisas e laços invisíveis que você cria com as outras pessoas. São extremamente sensíveis e ao mesmo tempo fortes.

As pessoas são semelhantes, mas os pontos de partida são diferentes. É um vício se comparar com os outros, mas no fim das contas, isso pode acabar lhe fazendo infeliz e esquecendo as suas conquistas imaginando que as dos outros são melhores.

Há pessoas que sabem o você está pensando. Por mais que você tente esconder, e não se trata de telepatia, mas de linguagem corporal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.