Resenha do filme Livre (Wild)

Interrompendo um pouco os posts de viagem, e aproveitando para anunciar que vou criar um blog exclusivamente para falar de trips, mochilao e coisas conexas, vou falar de cinema. Mas o que tem a ver cinema com este assunto? Ora, tudo a ver, a começar, ambos trazem inspiração. E em segundo lugar, que tal um filme sobre uma viagem?

Livre, cujo nome original é Wild (a tradução seria selvagem, mas perderia o contexto) é um filme que tem Reese Witherspoon como protagonista, em uma atuação que pode lhe render o Oscar, já que ela é uma das indicadas para a premiação de 2015.
O filme conta a história de Cheryl Strayed, uma garota de 20 e poucos anos que acaba de passar por tragédias na sua vida familiar e amorosa, e decide fazer uma trilha para, como ela mesma diz, se “encontrar”. E talvez essa seja uma das premissas básicas dos viajantes, a de querer se reencontrar ou se buscar. No caso de Cheryl, a escolha é fazer hiking pelas montanhas da costa oeste americana, desde a California até o Estado de Washington na fronteira com o Canadá, em uma viagem de mais de 1800 km, uma rota conhecida como Pacific Crest Trail (PCT), que durou mais de 100 dias.
Baseado em uma história real de um livro biográfico, o filme tem uma excelente fotografia e certamente vai fazer qualquer mochileiro ter vontade de experimentar a mesma trilha. Aposto que a essa altura o numero de viajantes por lá deve ter aumentado. São vários tipos de cenarios diferentes, desde o deserto até regiões nevadas, com lagos, florestas, vegetação de cactos, entre outros.
A história por si é um puro redescobrimento. O filme vai entrecortando flashbacks com a evolução da trilha, demonstrando o que aconteceu com Cheryl, no caso, a morte de sua mãe, cuja atriz também foi indicada ao Oscar.
O desenvolvimento é excelente e nos faz ter uma enorme empatia para a mochileira, que tem de enfrentar os percalços do percurso e ainda outros, simplesmente pelo fato de ser mulher. As cenas em que Cheryl é assediada certamente ilustram uma pequena parcela do que as mulheres tem que passar todos os dias. A forma como alguns caçadores a olham e começam a palpitar sobre o seu corpo certamente causa impacto, e pessoalmente me deixou enervado com o comportamento masculino.
O filme é diferente e semelhante de “Na Natureza Selvagem”, pois ambos tratam de trilhas e viagens de descobrimento pessoal, ao passo que os finais são bem diferentes. Na verdade, eu gostei mais de Livre, que se tornou um dos grandes inspiradores para minhas futuras viagens.
Não sei se Reese Witherspoon vai ganhar o Oscar, mas eu gostei da atuação dela e achei bem convincente. Inclusive muitas das cenas eram as reais tentativas dela lidar com malas e obstáculos do caminho. Aliás, quem já mochilou vai se identificar com as dificuldades para fazer a mala, carrega-la, passar por caminhos estreitos, lidar com sapatos rasgados e feridas.
Resumindo, em uma nota, para mim, 8/10. Daria mais porque acho que, de certa forma, falta um pedaço no fim.

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