Resenha – Birdman

Descobri e tredescobri o que já sabia a duras penas. Quando a inspiração bate é uma oportunidade. Você tem que escrever, se não, vai embora. Voa. E voar me lembra Birdman, o filme que estreou hoje e acabei de assistir.

Birdman é um dos filmes mais cotados para vencer o Oscar 2015. Eu fui lá descobri se não era a toa. O elenco de atores é muito bom. Quem pensaria em juntar Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone no mesmo filme. E Zach Galifianakis, isso mesmo, o gordinho que fez fama com a trilogia “Se beber não case”. A impressão é que cada ator é de um tipo de filme diferente e todos se juntaram para fazer um filme que um misto de comédia, crítica e drama.
A primeira coisa que eu vou dizer é que o filme não é uma história de herói. Bom, pelo menos não em parte. Não vá para o cinema esperando ver explosões e musicas emocionantes. Alias, não vá ao cinema esperando nada. É melhor. O filme é algo como você nunca viu. Por isso eu arrisco dizer que muita gente não vai gostar. Porque não entendeu. Eu, particularmente não entendi boa parte, e creio que o filme foi feito para isto. Para pensar. Por isso, se você está esperando um blockbuster que simplesmente te guie pela história, vá assistir os Vingadores, que por sinal é um ótimo filme. Mas Birdman é um filme aparentemente bobo que engana.
O que vou falar agora tem um pouco de Spoilers e por isso eu vou assumir que você viu o filme, porque eu não vou ficar narrando aqui, não é meu objetivo. Birdman são quatro histórias em uma, que são gentilmente entrelaçadas e o espectador fica na dúvida se uma delas é verdadeira. Michael Keaton vive um protagonista, ator que fez sucesso nas décadas de 80 e 90 como o super herói Birdman. E esta é uma das facetas do filme; Vez ou outra, Birdman vem a ‘assombrar’ e aconselhar o ator a voltar aos seus melhores dias. Desistir de criar um musical e mandar todo mundo às favas. Porque ele é o Birdman e pode tudo. O segundo filme dentro da obra é aquele que o protagonista tem que lidar com o seu próprio presente e a possibilidade de continuar/se tornar um artista fracassado. O terceiro filme é o protagonista lidando com o próprio desafio de fazer um musical na Broadway, se relacionando com os demais atores e a equipe de produção. A quarta e ultima faceta é a própria peça, que parece criar vida própria e ser encenada em pequenos e diferentes detalhes toda vez. Neste sentido, Edward Norton as vezes rouba a cena.
O meu sentimento é que o filme é muito bom. Não um dos meus favoritos all time, mas dentre os filmes cabeça, é certamente um dos melhores que assistir. Não a toa foi indicado a vários Oscars, como melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Michael Keaton), melhor coadjuvante (Norton, certeza que vai ganhar), melhor atriz coadjuvante (Emma Stone) e mais quatro outras indicações.
Mas o que escrevi ali em cima continua valendo. Vá assistir sem preconceitos, e sem nenhuma esperança.

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