Cruzeiro até Amsterdam – Memórias do Velho Mundo

Qualquer viagem na verdade são três ou até mais. A que você programa,  a que você experimenta e a que você se lembra. Por isso eu sempre tento planejar o básico para não atrapalhar a própria experiência. Uma das coisas que pesquisei era como ir de Londres a Amsterdã. As primeiras opções, claro, eram trem e avião.
Eu particularmente gosto mais de trem, mas teria que fazer baldeação na França e na Bélgica, perderia um bom tempo. Eu iria passar apenas um dia na Holanda, então uma viagem enxuta seria melhor. Por isso sempre é bom procurar alternativas. Pesquisar é importante e junto ao fórum dos Mochileiros eu encontrei uma baita de uma opção. Um cruzeiro noturno, que me levaria direto até Amsterdã.

#49 Meus últimos momentos na Inglaterra foram tranquilos. Terminei de refazer a mala. Dei um role final por Swiss Cottage para pensar no que fazer.  Como um cajun chicken sandwich no café da manhã. Até hoje eu não sei que tem de diferente no sanduíche, mas estava picante e gostoso.
#50 Decidi dar uma volta nos arredores de Victoria e pra lá e dirigi.  Infelizmente não tinha nenhum musical interessante – Billy Elliot e Wicked estão lá, mas no domingo quase não tem performances, e eles não eram exceções.
#51 Como último visita britânica decidi escolher o Covent Garden. Por quê? Me pareceu interessante e eu gosto de feiras e mercados. Infelizmente não daria pra comprar nada por causa do espaço na mala.  Mas vi muita coisa interessante. Quase compro um relógio feito com um disco dos Beatles. Muito mulled wine naquele lugar também. Decidi comer uma variação do meu prato favorito,  o Curry.  Peguei o verde, que era bom, mas não se comparava com o que comi em San Diego. Por isso costumo preferir restaurantes menos linha de produção e  mais caseiros.
#52 Passei no Hostel e peguei minha mala. O ticket que tinha comprado me dava direito ao trem e ao barco. O trem partia de Liverpool Street, uma enorme terminal de trens com destinos para toda Inglaterra. Quem dera São Paulo tivesse algo assim.
#53 Com uma mala enorme nas costas, esperei aparecer a plataforma para o porto de Harwich.  Entrei no Trem e absolutamente ninguém me pediu o passe.SURPRESA! O trem tinha oito vagões e se dividia na metade do caminho. Eu como não sou acostumado com tamanha organização me perdi e quase pego os vagões errados. No fim, deu tudo certo.  O trem partiu exatamente as 19:32.

Para quem quer saber, a empresa que faz estes tipos de viagens é a Stena Line: https://www.stenaline.co.uk/. O ticket que eu comprei é o Rail & Sail, que inclui os trens até/dos portos da Inglaterra e Holanda até as suas capitais. Eles tem varios outros destinos para a Europa e se eu voltar, certamente vou usar novamente. O valor é razoável: com cerca de 100 libras você consegue um quarto e ainda jantar e café da manhã. Se você pensar bem, o preço do trem ou do avião podem ser os mesmos, só que dificilmente você vai ter o mesmo conforto. 

#54 Cheguei no porto de Harwich bem antes das 23h, quando partia o navio. Deu tempo de pegar a chave, entrar no quarto, deixar a mala, dar um rolê pelo barco e ainda começar a jantar. Dentro do meu pacote tinha um three course meal, ou seja, eu poderia escolher uma entrada, um prato principal e uma sobremesa, e ainda uma taça de vinho.
#55 Não tinham muitas opções, mas as que tinham eram boas. Eu escolhi carpaccio, arroz com brócolis e cordeiro com molho de hortelã. Sobremesa sorvete. Agora, vocês podem pensar que isso era um jantar chique, mas para os padrões Londrinos, não era. Somos nós brasileiros que temos muito essa mania de gourmetizar tudo.

 

#56 Estar naquele barco também me fez notar isso. Para nós, era luxo. Para eles, é normal. Havia outros dois restaurantes além daquele que eu comi, dois bares, setores de troca de dinheiro e venda de mercadorias e souvenires, sala de videogames e ainda um casino que eu fui tentar a sorte. Era possível ficar no deck, mas, à meia noite, não havia nada para se olhar lá fora. Tinha sala de cinema com filmes que estavam em cartaz no circuito. Basicamente, era um shopping ambulante sob as águas.

 

#57 O meu quarto era espaçoso e a cama era maior do que a de muitos hosteis que eu ja dormi. Havia também um chuveiro, televisão e wi-fi. É mole ou quer mais? Não demorou para eu pegar no sono porque era realmente muito confortável. A parte ruim é que o barco chegava as 7h da manhã do dia seguinte, então praticamente não dava para aproveitar. Era acordar, tomar café da manhã (generoso), pegar as malas e zarpar.
#58 Com isso cheguei a Hoek von Holland, ou Hook of Holland, ou em português, o Gancho da Holanda. É um porto muito grande e acho que deve ser a maior porta de entrada de bens na Europa. Cheguei lá e enfrentei a imigração, já que estava entrando no espaço Schengen. Por incrível que pareça deu mais trabalho do que em Londres – eles queriam provas da minha estadia lá e em outros lugares da Europa. Valeu levar aquele monte de papéis.
#59 Dentre os tickets que a Stena me deu, havia um que valia para a Holanda, eu poderia ir para qualquer cidade de lá a partir do Porto. Logicamente, eu segui para Amsterdam, aonde eu encontraria o meu amigo Rafael. Mas isso é papo para outro post.

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