2012, O ano que muito demorou e a Califórnia

Eu sempre achava que 2012 seria um ano mágico para mim. Imaginava que 28 anos também fosse uma idade mágica. Eu estaria sábio, bem resolvido, bem formado e morando em meu próprio lar. Muita coisa aconteceu aquele ano. Algumas do jeito que eu queria, outras não. Vou falar especificamente da minha viagem para a Califórnia, citando alguns fatos que aconteceram ao longo do ano.

2012 – O ano que muito demorou
Uma boa parte de 2012 começou ainda em 2011. Eu explico: Passei em um concurso que eu sempre quis passar e estava em uma baita ansiedade para ser chamado logo. Enquanto isso eu fazia estágios para juntar uma grana e pegar mais experiências. Mas de repente a gente se toca que está entrando no último ano da faculdade e tem pouco tempo para fazer as coisas. Uma delas é que eu queria viajar para fora do país, coisa que nunca tinha feito. Mas com que dinheiro? Fiquei matutando boa parte do segundo semestre de 2011. Não tinha jeito. Tive que pedir um empréstimo, que hoje, fevereiro de 2015, estou pagando a última parcela.
Porque a Califórnia? Porque San Diego?
Definitivamente eu não gosto de seguir padrões. Mas a proximidade e o fato de querer treinar e melhorar o inglês me fizeram escolher os Estados Unidos. Quando duas pessoas, inclusive uma americana, me indicaram San Diego, eu senti que era o local certo. O inverno nos EUA é rigoroso, mas no sul, nem tanto. E San Diego é uma cidade que, apesar de não tão grande, é cosmopolita. É um lugar ideal para estudar inglês e conhecer gente de todo mundo, sem toda aquela muvuca das cidades grandes. E eu não só nunca me arrependi, como vivi uma das minhas melhores, senão a melhor, viagem.
Rumo a San Diego
Um dos motivos de eu estar escrevendo esse post é que faz exatos três anos que eu estive lá. Essa época me traz excelentes recordações. O outro é que escrever me faz relembrar fatos, e com isso preparo terreno para fazer alguns posts no meu blog de viagem sobre lá.
Minha primeira viagem internacional.
É claro que eu, ansioso, não dormiria, e foi o que aconteceu. Pra fazer a mala, um ritual. Checagem dupla de tudo. Medo de qualquer coisa acontecer no aeroporto ou na imigração. Aquela coisa de noob de viagem que no fundo todo mundo ainda tem um pouco. Claro, para mim deu tudo certo e eu desembarque no começo de Fevereiro lá
Kings Way
Nada melhor para uma imersão na cultura americana do que viver com os próprios. A Kings Way é o nome da Rua que eu morei em San Diego, no bairro fatídico de Clairemont. Aquela foi minha casa durante um mês, onde convivi com meus host Parents, Michelle e Robert, e uma amiga Coreana chamada Yeni.
La Jolla
Uma escola de inglês a menos de 3 minutos da praia? Tem coisa melhor? Tem, se não for verão. As águas do pacífico são pra lá de geladas. Mas nada disso estraga a experiência. Junto com trocentos outros alunos, eu fiz aulas na escola Kaplan. Encontrei árabes, coreanos, chineses, taiwaneses, japoneses, indianos, venezuelanos, chilenos, colombianos, tchecos, italianos, franceses, alemães, etc.. e brasileiros, muito brasileiros.
Viaje pela California
Um dos melhores programas, é viajar pela California, que é um estado incrivel de bonito. Há centenas de cidades bem organizadas, e uma das rotas mais conhecidas é aquela paralela à praia. Visitar Los Angeles, Santa Monica, Malibu, Hollywood é até hoje uma das coisas mais divertidas e belas que eu já fiz. O por do sol em Venice Beach é orgasmático.
O cheiro
Uma das coisas que eu mais me lembro de algumas viagens é o cheiro típico. Pra mim, nada mais San Diego e mais saudoso do que aquele delicioso cheiro agridoce dos cactos e outras plantas da cidade. É uma coisa que eu definitivamente não consigo explicar.
O ano que voltou a demorar.
A viagem para a California foi um marco na minha vida. Fiz mais de 30 amigos de diferentes nacionalidades. Mas eu tinha que voltar pra terra, e desempregado. Com um empréstimo a pagar. Mas muito feliz. Mas logo quando cheguei, começou uma verdadeira maratona, que tem algumas provas que se estendem até hoje.

 

 

 

 

 

 

Logo quando cheguei, minha mãe tinha dado o nosso cachorro. Ele era bagunceiro e latidão. Mas eu gostava muito dele. Não demorou muito e tivemos que sair às pressas da casa onde estávamos morando há 8 anos. O motivo? Os proprietários queriam duplicar o aluguel. Pois é, a bolha imobiliária estava batendo à nossa porta. Até hoje eu não entendi o porque ela escolher um apartamento, que ao final, era quase o novo preço do antigo. Mas fazer o que, era bem maior e mais perto do Metrô.
Mas eu ainda estava desempregado, e ela queria que eu continuasse ajudando financeiramente em casa. Aquele ano eu tinha brigado muito com ela. Mal sabia eu o que aconteceria. Eu queria, eu desejava muito morar sozinho, ter o meu espaço, sem ninguém pegar no meu pé. Eu estava só esperando o…
funcionalismo público me chamar. E isso demorou, demorou muito. Eu previ fevereiro, me chamaram somente em maio, para começar em junho, e só fui receber em agosto. Resumo da ópera, eu estava devendo mais de 3.000,00 no banco e ajudando em casa ainda. Meu primeiro salário passou quase direto.
resolvi que deveria ficar solteiro. A garota era excelente pra mim, foi um outro marco ótimo na minha vida, e não vou dar mais detalhes sobre isso, águas embaixo da ponte. Mas era setembro, e isso mexeu muito comigo. Depois disso, bom, eu posso dizer que eu já estava procurando lugares para morar sozinho.
Eu ainda estava no último ano da faculdade. Correria, super correria. Mais de 40 créditos a cumprir em pleno último semestre. Imagina só, a média é 24. E ainda me colocaram para trabalhar na Barra Funda. É claro, eu cheguei atrasado inúmeras vezes.
Um alento. O Corinthians foi campeão da Libertadores daquele ano, pela primeira vez. E de uma forma invicta. Parecia irreal. E eu continuei com saudades de San Diego. Mais correria ainda, entreguei minha tese de láurea. O ano parecia estar acabando.
Pá pum, fui promovido em Novembro. Morar sozinho era apenas um passo. Eu já estava escolhendo os lugares. Não ligava de pagar quase metade do meu salário pra isso. Eu sempre prezei minha liberdade.
O ano que parou. Eu já disse várias vezes que queria morar sozinho. Eu me daria isso de presente de formatura. Aliás, ela seria no dia 8 de dezembro. No dia anterior, eu tinha praticamente fechado um apartamento no centro para mim. Mas minha mãe estava ficando mal. Muito mal. Eu a levaria no hospital. Eu veria cenas que não esqueço até hoje. Uma parada cardíaca. Uma despedida fulminante.
Como lidar com o fato de que sua mãe morreu em pleno dia de sua formatura, de forma totalmente inesperada? Eu ainda não sei. Pra mim, muito daquele dia simplesmente não acabou. San Diego de repente parece que ficou 10 anos para trás. Mas aquele dia 8, ainda parece que foi ontem. É incrível as peças do destino. Eu desejei morar só. No fim eu estava só, mas sem ela.
Ainda conheci outra garota incrível naquele ano, que também faria reviravolta em minha vida. Ainda colei grau, tirei diploma. A vida tinha me cuspido e engolido  mas estava vivo, vivendo e planejando.
2012 o ano que as vezes continua. Escrever virou uma espécie de terapia depois daquilo. De certa eu ainda tenho muito de 2012 comigo. O Corinthians ainda seria campeão mundial naquele ano. Eu me mudaria novamente. Eu fiz viagens fantásticas e inesquecíveis para o Chile, para o Japão, para a Europa. Mas eu não seria a pessoa que eu sou hoje sem 2012 e sem conhecer San Diego.

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