Chapada dos Veadeiros, o paralelo 14. As Cachoeiras Loquinhas e Cristais.

Dizem que o paralelo 14 é místico. Ele atravessa Macchu Picchu no Peru e o Alto Paraíso de Goiás. Eu fui para o último meio que por acaso. Ao contrário das minhas últimas viagens que foram totalmente planejadas, dessa vez eu estava um pouco cansado de ficar pesquisando extensivamente hotéis e atrações. Fazer Europa e Japão no mesmo ano foi uma das melhores experiências da minha vida, mas deu um certo trabalho, especialmente para lugares que distam mais de 18.000 km do Brasil. Então eu decidi pesquisar um roteiro basicamente pronto em um lugar mais acessível para o Carnaval. Bati na porta do fórum Mochileiros e encontrei uma galera que iria para a Chapada dos Veadeiros. Não pensei duas vezes.

Planejamento

O Mochileiros é uma excelente ferramenta para programar viagens. Tinha me ajudado demais no Chile, Japs e Europs. Lá (no fórum) eu conheci alguns manolos que iriam para a Chapada e decidimos ficar em Alto Paraíso de Goiás. Havia a opção de ficar no Povoado de São Jorge, dista 30km de APG e sito na embocadura do Parque Nacional. É o que todos indicam. Mas infelizmente estava muito caro, os hosteis estavam todos cheios e as pousadas estavam cobrando pra lá de 700 reais o feriado todo por pessoa. Muito caro.

O Hostel Buddys foi uma escolha feita pelos meus companheiros de quarto (um mano e duas minas) e quando eu cheguei lá notei que demos muita sorte de encontrar um lugar tão bom quanto aquele. E como eu vou dizer, no fim, a distância até São Jorge não fez tanta diferença assim.
Comprei um voo até Brasília com um mês de antecedência e gastei apenas 270 reais com as taxas. Foi um achado, havia voos que estavam custando mais de 600, 1000, 1500 reais. É menos do que muitas camisetas. E para um feriadão é excelente.
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Indo pra Brasília encontrar a solução

Cheguei no Aeroporto de Congonhas e encontrei o mano Felipe que mora no ABC. Depois de um atraso de 2h do nosso vôo, finalmente chegamos em BSB, com um certo receio de ter perdido a reserva do nosso carro na locadora. Lá encontramos a Fernanda de Manaus/AM e a Viviane de Vitória/ES. Uma outra mulher iria com a gente, mas felizmente ela nos deu o cano de última hora. Felizmente por que viajamos muito mais confortáveis e na frente acabamos precisando de um espaço no carro.
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Manolos Mochileiros
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Conseguimos pegar um carro 1.6 e ainda tivemos 20% de desconto graças ao cartão de um dos nosso colegas. Essa viagem foi meio marcada pela sorte e palpites certeiros, exceto um pequeno incidente. Pegamos a Estrada até Alto Paraíso as 22h30, com tanque cheio e muita disposição. A viagem de 3h (240km) foi tranquila, mas no meio do caminho, entre São João da Aliança e Alto, a estrada começa a ficar ruim, sem olho de gato e sem iluminação. Acho que o nosso amigo Felipe adquiriu uma tremenda experiência nessa viagem, foram mais de 1200 km no total, sem maiores contratempos.
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Buddy’s Hostel

O mascote do Buddys, o labrador budista, Sato.

 

 Descemos no Hostel Buddys e para nossa sorte/surpresa, o Alisson, que trabalha lá, ainda estava de pé e fizemos nosso Check-in de boa. Para minha segunda surpresa, no dia seguinte havia café da manhã para a gente. Normalmente este hostel não serve, mas no Carnaval fizeram um pacote especial. Mais um excelente atrativo. A dona Alice e o Douglas serviram pães de queijo fantásticos, pão com manteiga ghee, biscoitos de polvilho, queijo branco, mousses, bolos, e sucos naturais, quase tudo produzido na região. Eu sapequei mesmo.
Parece que o Goiano tem um pouco de mineiro né? Nos disseram que a Cachoeira de Loquinhas era logo ali na descida da rua perto da pousada. Um cadim só. Que nada! A gente foi de carro, contrariando a minha ideia, e mesmo assim demorou quase meia hora para chegar lá, por meio de uma estradinha de terra. E o sol rachando.
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Cachoeira Loquinhas

 
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A cachoeira Loquinhas é uma área particular, como muitas da região. Por isso, precisamos pagar a entrada de R$ 20,00. Mas eu digo que a estrutura valia muito o investimento. Os poços são muito bem cuidados. E dá pra comprar lanches e sucos na entrada. Pois bem, dentro da Cachoeira há três trilhas, que são relativamente fáceis, e dão acesso a mais de 10 poços. É uma ponte de madeira que acompanha a encosta de um morro, e pra descer nos poços há algumas escadas. Alguns poços são mais escondidos.

 

 

As águas de Loquinhas são cristalinas. Esverdeadas, as vezes avermelhadas e azuladas, depende da pedra. Os poços são incrivelmente lindos e muitos deles estavam vazios (de gente, isto é, exclusivos). Tomar banho lá é muito bom. Nós ficamos no Poço da Vovó, que é o último e o mais cheio, e outro, o do Curupira, que estava em outra trilha, e por isso, quase totalmente exclusivo. Vários peixes visitavam as nossas pernas. Era possível enxergar o chão onde pisávamos. Até hoje, depois de visitar outras cachoeiras como Santa Bárbara a dos Couros, a Loquinhas é minha favorita, justamente por ser muito menos pop, mais acessível, e quase tão linda quanto aquelas
Depois de Loquinhas nós voltamos para Alto Paraíso e fomos comer em um restaurante que felizmente eu não lembro o nome. Já era perto das 14h e não estava tão cheio. Apesar disso infelizmente a nossa comida demorou quase 1h pra chegar. Nós pedimos a porção grande, imaginando que duas dela dariam para quatro pessoas, mas quando chegou, nós vimos que uma mal dava para uma pessoa. Saímos de lá descontentes e fomos comer um lanche em um empório perto, que por 1/4 do preço encheu muito mais a barriga.
O alento é que no caminho, vimos a beleza natural estonteante da Chapada. Quem pensa que lugares bonitos só existem no exterior não visitou o que o Brasil tem a oferecer. Um plateau enorme se elevando de um planalto e transformando o horizonte. Deu vontade de ver aquilo todo dia.
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Partimos.
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Cachoeira dos Cristais

Mais um local particular, com boa estrutura, pago, e bem preservado. A entrada era R$ 10,00. O restaurante na frente da cachoeira é famoso pelos pasteis mas nós estávamos sem fome. Apesar do adiantado da hora, o local estava bem cheio. Foi um ponto que não gostei. Os poços da cachoeira dos cristais são muito cheios, parece o litoral de São Paulo no verão, lembrando muito a farofada. Por ficar a apenas 8km de Alto Paraíso e ser acessível, e famoso, é o preço que se paga.

 

São sete quedas d’água e o acesso é ainda mais fácil do que em Loquinhas.
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O celular a prova d’água que não resistiu à água

Talvez tenha influído bastante o fato de que eu tinha comprado um celular a prova d’água alguns meses atrás, cujas fotos saem magníficas. E eu resolvi testar este asset. Tudo bem vedado. Entrei nas águas. Tirei ótimas fotos em Loquinhas e nos Cristais. O dia todo. Claro, eu respeitei todas as recomendações. Não fiquei mais de 10 segundos com ele embaixo d’água e nem fui fundo. Mas não adiantou. Ele desligou sozinho, justamente porque entrou água. Depois disso eu fiquei a viagem toda sem poder tirar fotos. Não levei máquina e nem celular reserva. Ainda fiquei sem poder acessar a internet durante os cinco dias. É dose. Mas eu gosto de uma frase do filme A vida secreta de Walter Mitty: as vezes nós perdemos bons momentos tirando fotos. Isso de certa forma me deixou mais livre pra simplesmente apreciar a paisagem. E eu me contentei com as que os meus amigos tiraram e são estas que estou usando aqui.
Vortemos para Alto Paraíso e nos quedamos no centro um pouco, observando o passear e prosear de muitos hippies, budistas, entusiastas, locais e turistas.
No dia seguinte, uma surpresa ruim e a outra boa.
Fotos: Felipe Domeneguetti e Fernanda Farias

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