Chapada dos Veadeiros – Santa Bárbara, os Kalungas e o Poço Encantado

Viajar no feriado é assim, quando você está começando a se acostumar, se toca de que o final está logo ali na esquina. Era segunda-feira, penúltimo dia. Nosso destino: A Cachoeira de Santa Bárbara, uma das obras mais maravilhosas da natureza.

A comunidade dos Kalungas

O caminho de Alto Paraíso até as cachoeiras de Santa Bárbara é demorado, tem cerca de 120km. É bom dar uma enchida no tanque – coisa que não fizemos e depois pagamos caro. A estrada até lá é uma das coisas mais belas. Depois do Morro da Baleia (que realmente parece uma baleia), ainda tem muito chão, mas basicamente começa-se a subir um plateau, ou uma chapada mesmo, com um belo cenário da região do Cerrado. Isso depois de passar pela cidade de Cavalcante (90km), onde tem uma estrada de terra (30km) até a região dos Kalungas.
Há um belo mirante no caminho, mas nós deixamos para passar lá depois.
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Vista do Parque
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A Comunidade Kalunga é um antigo quilombo no alto de Plateau. Depois de passar pela estrada desde Cavalcante, é possível entender como eles conseguiram se esconder tão bem, a ponto de só ficarem sabendo da Lei Aurea 40 anos depois que ela foi promulgada.
Lá dentro há muitas habitações ao estilo antigo, como a do Restaurante que nós pedimos comida. Infelizmente eu não lembro do nome, mas a refeição eu vou lembrar para sempre. Pois bem, a primeira coisa a se fazer é visitar o Centro de Atendimento ao Turista, por que para entrar nas cachoeiras é necessário contratar um Guia. O preço ficou assim: R$ 10,00 pp para entrar nas Cachoeiras Santa Bárbara e Capivara e R$ 50,00 pelo grupo para o guia (até cinco pessoas, acima é R$ 10,00 por pessoa).
Mais havia um “problema”: a estadia em Santa Bárbara tinha limite de número de pessoas e de tempo 1h30. Por isso, seguindo as orientações da nossa guia, fomos primeiramente até a Capivara aproveitar e passar o tempo.
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Capivara

A trilha até a cachoeira da Capivara é pedregosa e as vezes escorregadia. Deixamos o carro e percorremos cerca de , entre depressões e subidas, alguns trechos mais difíceis que tinham inclusive corrimões, e outros que passávamos por cima de águas correntes, em simples tábuas. Foi uma tábua que na chegada virou e eu bati o joelho no chão e distendi um músculo da panturrilha que dói até hoje. Mas nada que me impedisse andar e fazer uma trilha de 10km no dia seguinte, enquanto o músculo esquentava, claro.
O poço vale a pena. As águas estavam muito melhores para tomar banho do que aquelas de Santa Bárbara, que estavam muito lotadas. Mas o tempo foi passando e a Capivara também foi enchendo. A beleza é como de toda a cachoeira, que são parecidas mas ao mesmo tempo únicas. Não se comparada a Santa Bárbara, porém.
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Cachoeira da Capivara

 

 

Um dos poços da Capivara

 

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Depois de cerca de 1h lá, fomos para…

Santa Bárbara

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São cerca de 6 km até a tal cachoeira, pelos quais nós podemos percorrer cerca de 1km ou 2km de carro. Eu digo isso porque o carro tem que atravessar alguns trechos esburacados e outros de pequenas correntezas, e não é qualquer um que faz isso. Nós decidimos passar dois trechos, mas no terceiro realmente não dava. Não por acaso sem alguns transportes de 4 x 4 que eles cobram R$ 5,00 por pessoa. Mas como todos estavam lotados, andamos quase meia hora até pegarmos uma carona até a cachoeira. Debaixo de um sol de lascar.
Acredito que toda a viagem foi recompensada pela beleza desse lugar, de deliciosas águas esverdeadas, parecia até um poema a céu aberto, um grande photoshop de tão bela que é. E por isso também lotadaça. Mesmo com tanta gente, as águas estavam cristalinas e era uma tal singeleza que nós poderíamos passar horas ali. São dois poços, ambos muito belos, o primeiro um pouco mais vazio, e o segundo, maior e mais cheio. Aquele lugar ainda me traz boas memórias e escrever isso é uma forma de não perder.
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Santa Bárbara

 

 

Santa Bárbara

 

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De volta à comunidade dos Kalungas, nós fomos ao restaurante novamente para pegar a nossa comida dos campeões, que consistia em Galinhada, farofas, arroz, feijão, tutu, abóbora, mandioca, pequi e tambaqui frito. É muito fácil engordar lá e fomos embora feliz para casa. Para casa? Não… no caminho, perto do sol se por, paramos no….
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Poço Encantado

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Conhecer e gostar de determinada atração, especialmente da natureza, é algo muito pessoal. Para mim, isso vale em dois sentidos – o feeling que eu tenho quando conheço tal lugar e a quantidade de pessoas que estão lá. Acredite em mim, isso faz toda a diferença.
O poço encantado também faz parte de uma propriedade privada – tem uma bela e bem organizada pousada que dá vontade de ficar lá, mas parece que após um certo horário a entrada é franca. Então não pagamos nada e a única dificuldade é uma ponte pênsil de mais de 30 metros em cima de um rio, que as vezes balança e parece ter alguns pedaços de madeira a se soltar.
As águas do poço são particularmente escuras, mas a sensação de o tê-lo quase praticamente pra mim (havia meia dúzia de gatos pingados lá fora a gente) é indescritível. Passava das 18h e o sol ainda estava a iluminar todo o lugar. O poço também faz do tipo paredão. As quedas são de mais de 20 metros e acompanham boa parte da extensão das pedras. Lembra bastante uma praia, pois há areia na entrada das águas. Alguns trechos são bem profundos.
O poço fecharia com chave de ouro aquele dia. Nós ainda voltamos para Alto Paraíso e pensaríamos no que fazer à noite.
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Roda de Violão e os Blocos de Alto Paraíso

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Chegamos em APG no nosso Hostel e não tínhamos tanta fome de jantar. O nosso almoço tinha sido as 16h30, entonces estavamos bem. Depois de um dia cansativo, as meninas quiseram ir novamente em São Jorge, e eu e o manolo Felipe decidimos ficar em APG mesmo. Lá o funcionário do Hostel, Alisson Sindeaux, estava contando sobre as atrações da região e decidiu dar uma palhinha. Era para ser uma músicas, mas de repente já era 23h00 e estávamos nós e outros guests cantando junto. Foi uma boa experiência, por que inesperada e igualmente proveitosa.
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Partimos para comer uns quitutes no centro da cidade, entre crepes, tapiocas, tortas e cachaças e aproveitamos para ver o Bloco passar. Diferente dos blocos aqui do Sudeste, que são mais para micaretas, o Bloco de APG era bem familiar e bem interessante, muita gente fantasiada e se divertindo pelo simples tocar da música. Ets por toda parte.
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Fomos dormir para aproveitar o último dia.
Fotos: Fernanda Farias e Felipe Domeneguetti.
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Vídeo: Alisson Sindeaux
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