Chapada dos Veadeiros – O Parque Nacional – A Trilha dos Saltos e a volta

O melhor da Chapada dos Veadeiros é a própria Chapada. De todos os passeios que nós fizemos, certamente o que eu mais gostei foi o Parque. As visões mais prístinas e belas de minha memória e a sensação de realização, eu guardo de lá. Mas era o nosso último dia e teríamos alguns obstáculos para voltar para as nossas cidades.

# Partiu Chapada

O nosso carro estava bem sujo de lama e terra. Nós, cansados. A viagem, perto do fim. 900 km rodados. Mas a disposição ainda era muito grande. Mesmo com a ameaça de chuva, nós queríamos – devíamos, e podíamos ir para o Parque da Chapada. Colocamos um pouco de gasolina, mas seria insuficiente justo quando mais precisávamos.
Tomamos mais um café da manhã reforçado em nosso hostel. Eu gosto muito de bater nessa tecla por que foi uma das melhores coisas que fizemos lá. Tem coisas que marcam uma viagem pra mim, e elas são cheiros, gostos e musicas, não só as paisagens. Até hoje não esqueço dos churrascos em San Diego, do Lomo ao Pobre de Santiago, da Carne de Caça em Hechingen. Aqui era o café da manhã. Bolo, Tapioca, Pão de Queijo, tudo feito na região de Goiás.
Para ir ao Parque é recomendável comprar água e algum lanche. Lá dentro não se vende nada. Nós levamos pouca coisa.
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Entrando no Parque Nacional

A Cachoeira dos Saltos
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Um alívio. Foi assim que nos sentimos quando pudemos entrar e deixar o carro no estacionamento. Significava que não estava lotado. Mas a gente que não se cuidasse. Afinal, já era 9h30, e dois dias antes isso tinha nos custado a atração. E em mais dez minutos lotaram uma das trilhas, a dos Canyons. Restava a dos Saltos, que no fim das contas, era justamente a que eu queria ir. Mas antes disso, nós vimos um filme de 2 minutos, bem instrutivo, de como funciona o Parque.
Primeiro, não precisa mais de guia. Já precisou. Quem quiser pode contratar e nós vimos alguns, explicando que a área foi alvo de mineração no passado, o papel das plantas, a atividade humana e a passagem de animais. Coisas interessantes – não vejo mal em contratar um guia e isso ainda incentiva a economia local.
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Vista de dentro da Chapada.
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Outra coisa é que as trilhas são super bem sinalizadas. Se perder lá, só para quem quiser. Pois bem. Repelentes e Bloqueadores solares em ação, partimos para a
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Trilha dos Saltos

Seguimos as setas amarelas rumo a Trilha dos Saltos. Os primeiros 800 metros se confundem com a trilha dos Canyons, que me deu boa vontade de fazer posteriormente. Passamos pelo meio do cerrado mesmo: árvores baixas, com galhos retorcidos e raízes profundas, muitos arbustos e grama, e no caso, muitas pedras. Dificilmente eu vou conseguir descrever a sensação de estar lá, em contato com a natureza, onde a cada 10 metros parecíamos ver sempre um novo tipo de planta ou pedra. Animais, vimos poucos, especialmente pássaros. Nem cobra, apesar do susto que uma pessoa na nossa frente passou. Meu sonho era difícil: ver um lobo-guará. Mas nada! Só sabíamos que ele tinha passado por causa de uma “lobeira” parcialmente comida, a planta que eles costumam comer contra um verme.
Eu e o Felipe fomos na frente.  Eu queria terminar a trilha rapidamente e aproveitar mais as quedas d’água. Foi algo que eu senti falta nos outros dias. Eu gosto muito de ficar na água. A Fernanda e a Viviane ficaram para trás e andaram num ritmo mais cadenciado.
Pois bem, caminhamos, caminhamos e caminhamos. Havia muitas descidas (isso quer dizer subidas na volta). A trilha toda tem cerca de 10km. E é relativamente fácil. Perto dos primeiros saltos pudemos ver a égide da natureza, uma interrupção de uma área de mata ciliar com uma grande queda d’água: Os Saltos. Parecia ter mais de 40 metros, o equivalente a um prédio, e despontava e se destacava de toda a natureza. Conforme chegávamos mais perto, havia uma primeira descida, um pouco mais saltada e íngreme – degraus com maior intervalo entre eles. Para descer todo santo ajuda.
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Um dos Saltos d’água

 

Área de banho próxima aos Saltos
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Mais uma vez, a natureza nos recompensou com uma grande e fantástica cachoeira e um ótimo poço pra tomar banho. Ficamos lá por quase 45 minutos e só então as meninas chegaram. Mas ainda era cedo. Passamos no segundo Salto que era relativamente perto.
Andamos um pouco mais na direção da trilha, passando mais uma vez pelo mirante, e chegamos nas corredeiras, que é o meu lugar favorito da região, pau a pau com a Cachoeira Loquinhas. É uma área que tem uma correnteza um pouco mais forte em alguns trechos, mas rasa o suficiente para se colocar os pés. É difícil explicar também, mas tem uma formação de escadaria em alguns trechos, o que, com a corrente, forma uma grande hidromassagem natural. Nós ficamos um bom tempo lá, relaxando, apreciando a natureza, definitivamente eu esqueci São Paulo. E é um lugar que eu voltaria para sempre.
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Chuvinha se avizinhava na Chapada. Quando isso acontece, é melhor sair das cachoeiras e lagoas porque há risco de tromba d’água.
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Sai de lá extremamente realizado, feliz, e depois fui ver, queimado. Uma bela chuva se avizinhava e nós decidimos voltar. Não sabíamos das meninas. Lembra daquela descida massa? Virou uma subida ferrada. Não recomendável para cardíacos. Eu não sabia se os pingos no meu resto eram da chuva ou de suor. Só sei que pareciam intermináveis e cada vez maiores os degraus.
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Últimas horas em Goiás

Comemos no restaurante Sabores do Cerrado em São Jorge. A comida é servida por quilo e tem um variedade razoável. Eu particularmente gosto bastante de pratos típicos e lá pude encontrar alguns. Só faltou um suco de frutas do cerrado, que no final eu não provei, mas eu conhecia daqui de São Paulo.
Baixamos em Alto Paraíso, e, tomados banho, fomos ouvir o nosso amigo Alisson cantar na Gota Kailandra, um templo fantástico dedicado ao som, com um acústica incrível. Foi uma grande experiência, uma verdadeira meditação que nos deixou mais tranquilos.
Porque alguns minutos depois ficamos estressados. Fomos comer uma pizza, na falta de restaurantes que aceitassem cartões, porque precisaríamos tirar dinheiro e pagar o hostel. Foi a nossa segunda vez lá, mas claro, não se compara à pizza paulistana. Nosso estresse foi porque nossos voos partiam as 10h. Isso significa acordar cedo. É claro que pouca gente fica feliz com isso né? E entre nossas opções, a de acordar as 4h30 ou 6h00 (porque são três horas de distância até Brasilia, teriamos que devolver carro, etc..) eu sinceramente preferia ir as 23h00 e dormir no aeroporto.
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Último perrengue

No fim a gente iria levantar as 5h00. E no fim nós levantamos as 3h30, quase 4h00 da manhã. Isso porque estava chovendo deveras. E quem se lembra que eu falei que a estrada não era bem sinalizada? Até hoje eu admiro o meu amigo Felipe por dirigir naquelas condições. Nós partimos sem comer às 4h30.
Pra mim tanto fazia, eu já não tinha dormido direito mesmo.
E lembrem-se que a gente tinha abastecido o carro no dia anterior? Não foi quase nada. O tanque tinha somente 15% de gasolina para 240 km pela frente, no escuro, chovendo muito e quase sem nenhum carro passando. Decidimos ir assim mesmo, olhando para a situação do tanque a cada hora. E não tinha quase nenhum outro veículo mesmo, e nós, no breu, distantes de qualquer cidade. O tanque entrou na reserva e dirigimos boa parte na banguela pra economizar gasolina. 5h30 da manhã, iríamos parar no meio da estrada e ficar a ver navios. A chance de perder o voo era grande.
Até que nós vimos às luzes salvadoras de uma cidadezinha e chegamos… num posto… que estava… Fechado! Isso mesmo. A nossa primeira opção era esperar lá. Mas eu dei uma olhada no GPS e vi que havia outro posto a cerca de 1 km de distância. Para nossa sorte, já praticamente sem gasolina, o posto estava aberto, e o melhor, a loja de conveniência também. São João da Aliança, 2015, nunca esquecerei. Tomamos o nosso merecido café da manhã, compramos um quitutes da região, e partimos para Brasília, naquele alívio. Carro abastecido, confiança total.
O alívio foi tanto que o sono finalmente começou a bater. E o nosso motorista já estava pra lá de bagdá também. Cansados, extenuados, fizemos nosso check-in. Nem deu tempo de se despedir direito das meninas que tomaram um chá de cadeira da companhia aérea.
Naquele dia eu ainda trabalharia.
Mas com mais uma excelente viagem na memória
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Estatísticas:
11 Cachoeiras
1300 km percorridos
10 picadas de mosquito e somente uma hematoma
1 celular quebrado
30 pães de queijo 
20 km de trilha
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