Confissões de um introvertido.

Confesso. Sou um introvertido. E agora, convicto. E não se trata de conversão, e nem maioria de votos. É marca de nascença, que se apegou a mim, como uma pinta. Já me chamaram de tudo o que possa ser associado à introversão, mas de introvertido mesmo, é novo. A minha própria alcunha, que bonito.

Comics: Tatsuya Ishida
Confesso, amigos, que já tentei de tudo. Ah, aquelas festas. Que sacrifício. Achava que a diversão era logo ali, às 1h da manhã, cercado de vapores de Álcool. E eu teimava em esquecer, eu me olvidava, da minha própria introversão. Me colocar em baladas e lugares cheios de gente é tirar um peixe fora d’água. Não que fosse de todo ruim, mas eu volta e meia desejava estar em lugar tranquilo. E que lugar mais tranquilo que a minha casa?
Confesso que já me forcei a ser extrovertido. E fui artificial. Não deu. Em parte. Por que isso carece de um treinamento típico. Sem colocar a cara para bater dificilmente você consegue alguma coisa. E depois de tanto treinar a gente aprende alguma coisa. Sou tipo um Hobbit, mas não daqueles cômodos. Eu seria um bolseiro. Já fiz dezenas de aventuras. Mas sou introvertido. Como explicar?
Confesso que não sei explicar a minha introversão. Ou sei: é quântica. É o gato de Schrodinger. Posso ou não posso estar sendo introvertido. A diferença é que assumo que sou. Mas se você abrir a caixa vai ver que as vezes posso estar sendo extrovertido. E naturalmente. Mas isso não acontece na maioria das vezes. Sou um falso gato de Schrodinger. Mas ainda assim sou quântico.
Participei de aulas, criei eventos, falei com pessoas que nunca achei que ia falar. Tomei iniciativas. Gosto disso. Mas não há lugar igual à casa em que a liberdade está na própria limitação da liberdade. Aqui sou rei de mim mesmo, um cubículo.
Lá fora, pudesse, seria um gato. Ficaria à espreita, no mais alto dos muros, a tudo observar. Controlaria a minha própria introversão, com a liberdade que os gatunos tem. Mas não sou gato e sou meio quântico, sou introvertido e as vezes rei de outro mundo que não o meu mesmo.
Mas como explicar? Confesso, sou introvertido, convicto. E a minha confissão é um próprio sinal de extroversão. E quanto mais me reconheço introvertido mais extrovertido fico. Como explicar? Sou um introvertido quântico.
Sarli

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