Memórias do Velho Mundo – Alemanha – O Castelo da Prússia

Programar uma viagem é fazer escolhas e muitas vezes as nossas próprias escolhas limitam o nosso passeio. Depois de algumas experiências em viagens anteriores, esta eu quis deixar mais livre e programar apenas uma visita focada. A liberdade proporcionou a mim e a manolo Rafael conhecer um pouco da cidadezinha de Hechingen, quase uma vila alemã, pequena, que fica nas encostas do castelo de Hohenzollern, nada mais nada menos que a família real da Prússia.

#88 Hechingen – Correria

DSC_1242 (1024x576)

Correria. Saímos do castelo de Heidelberg no dia 21 de dezembro e voltamos para Frankfurt, de lá pegamos um trem até Stuttgart e depois outro até Hechingen. Mas em Hechingen, um frio lascado, ainda não nevante, e uma chuva chata, e a descoberta de que estavamos a 6 km do nosso destino, bem como o adiantado da hora nos fizeram escolher por um táxi que nos deixou no hotel.

#89 Gasthof Löwen Hotel

O hotel fica em uma ruazinha e da lá se pode ver no alto de um morro o castelo da família real da Prússia, Hohenzollern. Inverno Europeu, já tinha escurecido há muito quando descemos e entramos no Hotel. Não tinha hostel na cidade, mas aquele era um tipo bed and breakfast e bem barato, quase tanto como um hostel. E muito mais confortável. Deixamos as malas no quarto e só queríamos saber de comer. Descemos e perguntamos pro dono o que tinha para comer.
Dono: Ah, a nossa cozinha está fechada.
N: E aqui perto?
D: Aqui perto a essa hora não tem nada aberto, infelizmente.
N: E na cidade toda não tem nada?
D: Não, cidade pequena, tá tudo fechado
N: Vamos pedir alguma pizza, algum delivery, você tem algum telefone
D: Ixe, aqui na cidade não tem nada disso.
Olhamos fixamente para ele com cara de cachorro molhado. Já estávamos cogitando jantar bolachas e água. Mas aí o Sr. Löwen nos chamou e disse:
D: Tá, o que vocês gostariam de comer?
N: Qualquer coisa, o que tiver!
D: Vocês querem cervo?
N: Que? Cervo? Sim, claro!
E se virou e entrou na cozinha. E não é que o alemão reabriu a cozinha e foi ele mesmo cozinhar para a gente? E aí vimos que era a própria família quem fazia tudo lá. E olhamos as paredes e quadros. Tinha cabeças de veados e cervos. Animais empalhados. Uma espingarda. Estávamos na casa de um caçador. E ele iria nos servir algo que ele mesmo caçara no dia anterior.
E não houve na viagem toda comida mais deliciosa do que aquela. Primeiro, estávamos com muita fome. Segundo, era caseira. Terceiro, exclusiva. Quarto, diferente. Spätzle (macarrão alemão) com geleia de frutas vermelhas e uma tenra carne de cervo. Até hoje me dá saudades disso e água na boca. E ficamos extremamente agradecidos à generosidade do sr. Löwen. O preço era ótimo para uma comida daquela qualidade e nós ainda deixamos uma gorjeta maior do que em outros lugares. E fomos dormir felizes e tranquilos.
#90 Floresta Negra

Café da manhã tomado, pegamos as informações. Poderíamos ir de ônibus até o Castelo, e isso significa voltar para o centro da cidade e pegar o ônibus. Ou poderíamos seguir uma trilha no meio da floresta. Essa viagem era e deveria ser roots. É claro: escolhemos a floresta.

Pegamos uma estradinha saindo da própria rua do Hotel e começamos a subir uma colina. Não demorou muito e efetivamente entramos naquela porção da floresta, que não era muito grande e nem era o que as pessoas pensam quando se fala a palavra floresta. Eram árvores com um espaço médio entre elas e poucas outras plantas. Retas e altas e praticamente sem folhas, devido ao inverno, ou quando muito, avermelhadas. Animais, efetivamente não vimos nenhum. Não que não quiséssemos ver! Mas acho que eles devem ter medo das pessoas que passam por lá. Afinal dentro da floresta (que era uma antiga área de caça da nobreza), havia trilhas que eram comumente usadas. E havia áreas relativamente fechadas com placas que indicavam a presença de animais selvagens.Demoramos 1 hora pra subir e a rota não foi problemática. Até o GPS funciona muito bem lá. Coisa tipicamente alemã. Passamos por um riacho quase seco e entramos numa área asfaltada, Logo perto dela, a primeira construção, a Torre de Água.
#91 Hohenzollern – O Castelo do Kaiser Alemão. 
Chegamos no castelo, onde moram os descendentes do último Kaiser Alemão, Guilherme II. Frederico é trineto dele, mas há muito não se mora efetivamente no Castelo.O valor do ingresso pode ser pago em uma loja de souvenirs e café que fica na estrada, logo antes da entrada do castelo. Pagamos cerca de 12 euros por pessoa, com direito a um Tour inside.Hohenzollern está muito bem cuidado é uma das construções que mais me impressionou em toda minha vida. Todos os detalhes estão muito bem cuidados e eu praticamente não vi defeitos e sujeiras como em outros monumentos da Europa. Acredite em mim, o preço pago vale muito a pena. Dê uma olhada no portão de entrada, que dá acesso a uma subida na forma de caracol:

 

 

 

Em seguida, tivemos acesso a uma segunda entrada, com um bastião, que explico nas fotos e uma torre que dá efetivamente acesso à parte interna, marcada por um telhado azul, como visto abaixo:

Antes de falar da parte interna, nós tivemos a oportunidade de regozijar a fantástica vista da floresta negra e dos campos da Suábia:

Atrás de mim, um dos bastiões do Castelo.

Dentro do castelo há cerca de 10 construções, entre elas a torre azul, que já falei, que funciona como uma espécie de museu fotográfico (bem chinfrim, a única coisa que destoa de toda a especialidade da construção)

Há também dois restaurantes, um deles mais fancy e outro que servia comidas aparentemente simples, mas deliciosas. Aproveitamos o segundo, que fica perto da enorme adega. Eu comi um prato que vinha macarrão Spätzle, cebola empanada e carne, e ainda cheesecake com as frutas silvestres da região. Não é tão caro quanto você pensa, deu cerca de 30 reais, e pra uma comida que em São Paulo certamente custaria mais de 100 reais. Economia Alemã!

Devidamente alimentados e felizes, eis que a fome estava grande e o cansaço igual, fizemos o tour interno do castelo, conhecendo os quartos reais e símbolos da nobreza local, que um dia já foi a mais importante da Alemanha e também da Europa. Há diversas armas, símbolos, bandeiras, heráldicas, moedas e roupas dos períodos que vão desde o Século XIV, com os cavaleiros teutônicos até o Século XX, quando, em 1918, após o fim da primeira guerra mundial, a Alemanha se tornou uma República. Visitamos os vários salões, dos Condes, do Rei e da Rainha, acompanhando a arquitetura interno e o trabalho de séculos, culminando com a incrível restauração. Eu não vou falar muito mais sobre o que tem dentro, até porque não gosto de estragar a experiência dos outros. E também porque não é possível tirar fotos e eu não lembro de tudo!
Visitamos as outras construções, mas o que mais nos deixou apegados a Hohenzollern foi efetivamente a sua vista incrível para as montanhas e campos ao redor. Um lugar que nunca vou esquecer e que demonstra um cantinho mais natureza da alemanha, onde é possível ver campinas, pequenas matas e florestas, contrastando com a enorme industrialização e urbanização do país. Certamente Hohenzollern vai me deixar saudade.
Ventava demais e o frio se aproximava do grau zero! E pra que serve o vento senão pra tirar fotos roots?

Próximo ao pôr do sol a vista foi ficando cada vez mais deslumbrante, e a hora de ir embora se aprochegava. Aproveitamos e tiramos as fotos, que seguem abaixo. Foram tantas que foi até difícil escolher, e as que eu coloco aqui demonstram só um pouco da grande beleza da Suábia.

 

O nariz mais brilhante da face da terra
Mano Rafael em um dos bastiões.
A saída de Hohenzollern no fim do dia.

 

Na volta, decidimos andar novamente pela floresta e tirar fotos do dia, embora em pleno inverno alemão, com céu limpíssimo. Algumas de minhas fotos favoritas são essas:

 

 

 

#92 Stuttgart e o #Partiu Paris. 

Voltamos para Hechingen e partimos para dormir em Stuttgart.
Stuttgart é uma outra bela cidade, mas não visitamos nenhum lugar digno de citar ou mostrar fotos. Foi apenas para relaxar e descansar um pouco, afinal, em todos os outros dias fizemos rolês intensos, inclusive em baixo de chuva e muito frio.

Para não variar, a cidade também tem um Weinachtmarkt – Feira de Natal, com os quitutes e bebidas que os alemães e turistas tanto gostam.

No dia seguinte, era a hora de separação, dizer tchau tanto ao meu excelente amigo Rafael como à Alemanha, incrível Alemanha, que eu nem inclui no meu roteiro inicial e ainda assim tanto gostei. Se tornou um dos meus países favoritos, atrás apenas de Japão, Suíça e Estados Unidos.

Eu parti para Paris. Afinal, não se vai a Europa sem conhecer Paris.

One thought on “Memórias do Velho Mundo – Alemanha – O Castelo da Prússia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.