Memórias do Velho Mundo – Em Genebra – Estadia e museus

Quem pensa em Genebra, quase sempre pensa em ONU. Não é a toa que a visita à Organização é um dos hits, e tirar foto no logotipo já virou clichê. Eu mesmo já fiz isto. Mas a cidade tem muito mais a oferecer, e eu, fui tentar descobrir o quê. Nesse capítulo, eu falo um pouco de três museus de Genebra: o Ariana, o da Cruz Vermelha e o de História Natural. A imagem que ilustra este post é da entrada do Museu da Cruz Vermelha.

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Memórias do Velho Mundo – Em Genebra – Estadia e um rolê pelos museus

#108 – City Hostel Geneva

Desci do aeroporto até a Gare Cornavin, estação central de Genebra. Como eu expliquei no último post, eu poderia usar o free pass que ganhei no aeroporto durante cerca de 60 minutos. Mas olhei o mapa e vi que o hostel era tão perto que valia a pena caminhar um pouco. Essa é uma das minhas regras de viagem: sempre que o lugar for perto o suficiente para andar, ande. É muito mais fácil conhecer a cidade a pé e você pode dar uma olhada com calma em lojas, restaurantes e pontos turísticos no caminho.

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Na mapa acima é possível ver onde fica o City Hostel: saindo da Gare, é só seguir pela Rue de Lausanne e entrar pela Rue Prieure, à esquerda, e à direita na Rua Ferrier. A porta do hostel, com um logotipo de rua, está bem perto da esquina – praticamente impossível se perder.

Não tenho nada a reclamar do serviço. Por cerca de 70 francos, passei dois dias em um quarto para três pessoas. A cama era confortável, havia armários com fechadura, aquecimento, um banheiro decente e boas áreas de convivência.

O lado ruim: tinha um casal no meu quarto. E volta e meia eles se pegavam e se amassavam sem se importar se eu estava lá. Ok, estou exagerando –  não foi tão ruim e eles não eram tão explícitos. Foram, inclusive, bem simpáticos comigo e até me convidaram para dar um rolê com eles depois, mas eu infelizmente não ficaria mais tempo em Genebra (só fiquei dois dias). Franceses, vinham da região de Aix-En-Provence (sul), que no Brasil nós chamamos de Provença. Ficar em hostel é muita loteria, não dá pra saber as pessoas que vão compartilhar o seu quarto. Eu felizmente nunca tive problemas com isso e aqui não foi exceção.

O hostel não era lá tão caro, mas por não ter café da manhã, o preço com certeza era menos atraente. Não que se tenha muita escolha – em Genebra tem duas ou três opções de estadia barata, e este é o mais famoso.

O Wi-fi também é decente, tem uma cozinha, uma sala de estar com vídeos, e na recepção, eles trocam euros por francos suiços, vendem lembranças, canivetes, chocolates, imãs, e ainda o Swiss Pass (um passe de trem que lhe permite viajar pela Suíça toda de graça durante x dias).

E por falar em Swiss Pass (eu vou dedicar um post exclusivo para isto), o bilhete também te dá direito a entrada gratuita em diversos museus do país. Em Genebra, eu fui em três deles.

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#109 – A neve, o frio e o Parque Ariana. 

Genebra é uma cidade bastante fria da Europa. E, por ter um lago, o clima é bastante influenciado pela água. Nos arredores do Lago Genebra, costuma ser frio e ventoso, e quanto mais afastado do corpo d’água, mais ameno e agradável o clima. Costuma nevar no inverno, sim. E pra você se preparar, O que eu recomendo é usar três camadas de roupa:

(i) a sobrepele, também chamada de segunda pele, ou underwear

(ii) uma roupa estilo fleece ou lã, aquela que vai reter o calor corporal

(iii) couro ou casaco impermeável;

Claro, até por que a neve pode molhar a sua roupa e te fazer passar um frio danado. Eu estava no começo do inverno europeu e a temperatura girava entre 0 e 5ºC. Em todas as outras cidades que eu passei na viagem da Europa, não tinha visto neve, então, em Genebra foi a primeira vez:

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Fazia tanto tempo que eu não via neve que os Genebrinos devem ter achado que eu era um estrangeiro louvo a brincar sozinho no chão gelado e tirar fotos aparentemente sem sal.

 

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#110 – Museu Ariana

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Perto do Palácio das Nações (a ONU), fica o museu Ariana, em um jardim do mesmo nome, que é tão belo quanto o próprio museu. O que é exibido lá? Cerâmica. Eu, no começo, imaginei algo chato, e imagino que você também. Ledo engano. A estrutura é incrível, as obras são muito originais e legais e o acervo é quase milenar. Há estátuas e vitrais novas e antigas, todas bem trabalhadas. E no segundo andar, um lugar para tomar café. Um programa que originalmente pensei ser chato se mostrou muito mais interessante do que parecia. E se lembre, entrei de graça. Algumas fotos de destaque:

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Vitrais, alguns datando do século XVII
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Vista interna do Museu Ariana
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Cerâmicas em homenagem à vida Romana
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No subsolo tinha outra exposição, dessa vez realista.

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São mais de 20.000 obras. A que mais me chamou atenção foi a estátua abaixo, incrivelmente real:

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Estátua extremamente realista.

Tem muita cerâmica chinesa também, algumas interessantíssimas. Claro, tem setores do Museu que não possibilitam tirar fotos então só quem vai pessoalmente pode ver.

Para quem quiser saber mais, o site do museu é este.

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#111 – Museu da Cruz Vermelha

Também fica perto do Palácio das Nações e da ONU. A primeira impressão é a que fica, e neste caso, foi pensada para ser chocante, é uma obra logo na entrada do museu:

 

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A obra “os petrificados”, à entrada do museu, representa as vítimas desconhecidas das violações de direitos humanos

 

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“A dignidade pisada”

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O museu é composto por três coleções permanentes, todas dentro da temática “A Aventura Humanitária”. Muitas coisas que você vai ver e ouvir exigem estômago. São histórias e impressões de pessoas que tiveram sua dignidade abalada, seus corpos usados, seus direitos negados e as esperanças estraçalhadas. Como eu disse, se o objetivo é chocar, e mostrar qual a faceta que o ser humano pode se mostrar mais terrível, foi atingido.

Nota: Uma exibição é mais chocante do que as outras e traz imagens e esculturas de corpos mutilados, feridos e mortos. Com toda certeza, é a que mais impressiona e se você não tiver coragem, não visite.

 

Ainda deu tempo de passar no…

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#112 – Museu de História Natural de Genebra

 

 

É um belo museu para adultos, mas melhor ainda para crianças. Há diversas estátuas de animais e uma coleção de ossos de dinossauros. É uma pena que muitos itens são réplicas ou falsos. Nesse sentido, o Museu de História Natural de Nova York é bem melhor, porque tem vários itens originais. O que não torna o de Genebra ruim. É bom para passar algumas horinhas.

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No próximo post, um pouco mais de Genebra: O fondue, o lago, e o ano novo. 

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