Memórias do Velho Mundo – Rumo aos Alpes Suíços. A incrível Grindelwald. [contém vídeos]

A partir de agora, vocês vão entrar comigo na melhor parte da minha viagem para a Europa. Preparem-se para cenários incríveis, natureza exuberante, um lago prístino, montanhas belíssimas e uma cidade com dois andares. Neste post, vocês conhecer uma das minhas três cidades favoritas no mundo. No coração dos Alpes Suíços, Grindelwald, a vila azul.

Rumo aos Alpes Suíços. A Incrível Grindelwald.

Incrível, magnífica, estupidificante, estonteante. São tantos os adjetivos para qualificar essa parte da Suíça, no sopé dos Alpes que eu nem sei por onde começar.. Vocês vão ver pelas fotos. Bom, pra chegar nos Alpes, eu fiz um passeio de trem. E foi tão interessante que merece um capítulo a parte.

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#117 – Me despedindo de Genebra

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Calçadão em Genebra

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No 1º dia do ano de 2015, terminava de fazer minha mala pela 10ª vez em cerca de 25 dias. Meu destino: os Alpes Suíços. A cidade de Genebra estava um tanto quanto vazia. Aqui a Suíça é muito parecida com a França, que não costuma abrir o comércio em feriados e dias especiais. Eu tinha que procurar algum lugar para almoçar, mas não poderia ser muito caro – tarefa relativamente difícil na Suíça.

No caminho para a estação central, passei no Migros, que é uma das redes de supermercados mais famosas da Suíça (a outra é a Coop). Eu já tinha ouvido falar que em quesito comer barato neste país, os supermercados são uma boa. E por sorte no caminho até a Gare tinha um Migros Restaurant que eu já estava de olho desde o primeiro dia. A primeira coisa que eu reparei era o preço, razoável. A segunda coisa  era a infinidade de pratos diferentes. Havia mais de 50 tipos de saladas, 50 tipos de doces e salgados diversos. E pratos de todo o mundo. Comida japonesa, chinesa, vietnamita, francesa, americana, italiana, brasileira, argentina. Não faltava variedade. Enchi o bucho mesmo. Minha tática de sobrevivência financeira era só fazer duas refeições por dia, então eu tinha que comer bem.

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#118 – Trem para Interlaken

De barriga cheia, satisfeito, voltei à estação Gare Cornavin e peguei um trem que ia para Berna. Tem mais de uma composição que passa por lá, e eu lembro que os que tem destino Luzern e Saint Gallen o fazem. Eu reativei o meu Swiss Pass e nem precisei fazer reserva. O trem estava vazio, eu entrei de boa e escolhi um lugar. Aliás, os trens Suíços, além de extremamente pontuais, são muito bem cuidados, limpos e organizados. O único “problema” que eu encontrei foi a mania de os Suíços, assim como os Alemães e Holandeses, de ocuparem dois ou mais lugares com as suas bagagens. Era relativamente normal eles sentarem e deixarem as malas no outro assento. Pas de problème, basta pedir licença para sentar e eles não farão cerimônia.

A companhia nacional de trens é a SBB.

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A viagem de trem é uma atração por si só. A paisagem que acompanha a janela é incrível e começa com o Lago Genebra, que nos dá as honras até um pouco depois de Lausanne, uma cidade que está na minha lista para futuras visitas. A partir dai, começa uma leve subida, já no interior Suíço, até Berna, onde há fazendas, fazendas e cidades e cidades ao largo da linha. Detalhe: muita natureza no caminho. Dá para ver várias vaquinhas Suíças também. Depois de Berna, a subida é evidente e você já começa a ver montanhas, e no inverno, neve, muita neve. A partir daí, é deslumbrante. São vales, montes, rochedos, florestas, tudo em um sincretismo com as cidades locais, e em um incrível branco meio azulado. Coisa de filme. E por falar em filme, nada melhor do que vídeos para você se sentir nos Alpes:

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Vista básica da janela do trem.

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Eu me perdi, absorto em meus próprios pensamentos. Tanto é que desci na estação errada. A sorte é que em Interlaken há duas estações, a oeste e a leste. Eu vinha de Berna, então a primeira era a oeste. Para subir em Grindelwald, tem que descer na Ost, ou seja, leste. Se você fizer a mesma coisa que eu fiz, fique tranquilo – dá para ir caminhando de uma estação a outra e leva menos de 20 minutos. É até recomendável andar um pouco depois de 2h30 de viagem.

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Um dia normal de inverno nos alpes suíços. É tanto azul que eu buguei.

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Quando o trem começou a subir para Grindelwald, a natureza se repetia quase que belicamente agressiva de tanta beleza. Eu sabia que estava chegando em um lugar especial. E para isso, não demorou mais do que 40 minutos. Aliás, até Grindelwald e Murren, o Swiss Pass é válido, ou seja, viagem grátis para quem ativou.

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#119 Primeiros passos em Grindelwald

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Grindelwald é um município Suíço. Aqui, eles chamam de comuna. Na verdade, é tão pequeno que até parece mais uma vila. Para se ter uma ideia, a população é de menos de 4.000 pessoas. Apesar do coeficiente populacional baixo, a infra-estrutura é inversamente proporcional, de uma qualidade excelente, e não são poucos os hotéis, restaurantes e lojas. A estação é super bem cuidada e as estradas estão em ordem.

Grindelwald é uma típica vila alpina. Aquilo que você imagina nos filmes é realidade por aqui, tudo coberto de neve e diversas casinhas no sopé de algumas montanhas. Aliás, Grindelwald tem diversas montanhas que são visitáveis, muitas delas propícias a trilhas. Tanto essa vila como Murren são o ponto de partida para os mais famosos picos alpinos. E nos dois dias seguintes, essa foi a minha ocupação.

 

E fotos:

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Vila azulada
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Mais azul
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Azul. Isso é de verdade, não é montagem!

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#120 Mountain Hostel Grindelwald e economizando um pouco nos Alpes Suíços.

Eu escolhi essa cidade, digo, vila, por um bom motivo: foi a única onde encontrei um Hostel. O segundo bom motivo: ela é acessível com o Swiss Pass. A maioria das outras localidades da região dos Alpes tinha hotéis, caríssimos, ou pouca disponibilidade nas opções mais baratas. Os primeiros dias de janeiro são altíssima temporada nos Alpes, então não foi muito fácil achar esse lugar. Felizmente, a opção que eu escolhi era excelente e não tão cara.

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Mountain Hostel Grindelwald. Foto: My Switzerland.

Querendo economizar, inventei de ir a pé da estação de Grindelwald para o Hostel, só para descobrir que o total de caminhada era quase de 1 hora, ao invés dos 20 minutos que me informaram em alguns sites de viagem como o Thorntree. Mas quem disse que eu me importo? Um dos meus lemas de viajar é, se puder ir a pé e a caminhada for razoável, vá. E não me arrependi. Algumas das vistas mais lindas que eu já vi em toda a minha humilde vida se deram nesta caminhada, e as fotos são uma pequena parcela disto.

O Hostel fica perto de uma estação de Gondola de Männlichen, que fazia a subida para o pico de mesmo nome. Para quem pegar ônibus ou trem, a estação/descida mais perto é a Grund.

O Mountain Hostel Grindelwald tem uma baita estrutura para uma vila tão pequena. São mais de 20 quartos, e a maioria deles estava ocupada. Também tem lugar para camping e por incrível e mais frio que pareça, tinha uma barraca armada lá.

Apesar do preço – 45 francos por noite, o Hostel tem dois grandes atrativos para quem quer economizar – Café da Manhã reforçado incluso no preço, e passe de ônibus ilimitado pela cidade enquanto durar a sua estadia. E eu usei de ambos até não poder mais. A ponto de andar de ônibus umas 4 a 6 vezes por dia e tomar um café reforçado e só jantar. Apesar disso, demorei a emagrecer.

Esse benefício de ônibus se chama Visitor’s Card e qualquer pessoa que se hospede na cidade ganha. Tem outros benefícios como o uso do Sports Center e descontos. Mais informações no site.

Dica básica de Inverno: O dia acaba muito cedo, e parece que nas montanhas isto é ainda mais extravasado. E olhe que Grindelwald está a menos de 1.500m acima do nível do mar. Só sei que foi o tempo de arrumar a mala e ficar no quarto alguns minutos e de repente já escureceu lá fora. Pior: estava uma chuvinha fina. Eram 17h00.

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# 121 – Raclette e Weissenbier.

Mas que se dane a chuva. Para terminar o dia, já que não era recomendável e nem tinha opções de subir as montanhas depois de 17h00, resolvi comer mais um prato típico Suíço. A Raclette. Eu já tinha comida fondue, e pra quem conhece, não é muito diferente – trata-se de queijo derretido na hora e normalmente comido com pão. Estando numa região em que se fala Alemão, não podia também faltar a cerveja. A minha favorita e a de muitos suíços-alemães, a de Trigo (Weissenbier).

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O nome do restaurante é Grund Grindelwald.

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Grindelwald à noite.

No dia seguinte, subindo para o Männlichen. E um passeio de Helicóptero.

3 thoughts on “Memórias do Velho Mundo – Rumo aos Alpes Suíços. A incrível Grindelwald. [contém vídeos]

  1. Muito interessante sua experiência na Suíça, que ainda vai aumentar quando iniciar seu mestrado. Não deixe de conhecer Lausanne e Lucerna, principalmente esta, que tem um lindo lago com várias pequenas cidades que o rodeia, como Weggis e Vitznau. Boa sorte e continue desenvolvendo este blog sobre a organizada Suíça. Um abraço!

    1. Casé! Muita gente tá me falando de Lucerna, então a minha hype para visitar essa cidade tá lá em cima!

      Pode ter certeza que eu vou falar muito sobre a Suíça… Em dois anos eu completo o meu album de figurinhas

  2. Você tem toda razão, Grindelwald é linda mesmo. Também está entre as minhas preferidas em todo o mundo. Obrigada por matar minhas saudades… Estive aí em agosto e setembro, tudo ainda estava muito verde , começando os tons amarelados do outono, mas era mais fácil de se locomover sem a neve. E vá mesmo a Lucerna e toda a região do lago, é maravilhosa. Abraços menino e boa sorte na sua busca por trabalho

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