Deixando o Brasil – Diários – A ansiedade

24 de julho. Quase um mês até a minha viagem. Pensamentos a mil na cabeça. Em breve, deixo o Brasil e vou para Genebra. Aqui, eu falo da ansiedade e das fases que eu passei desde quando soube a notícia de que fui aceito no Mestrado. Não, não é fácil, não é uma linha reta. Dizem que sou louco, mas para ter sucesso, para se diferenciar, é preciso um pouco de loucura.

Deixando o Brasil – A ansiedade.

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Falta pouco mais de um mês.

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Sempre fui uma pessoa ansiosa. Quando criança e adolescente, as vezes, diante de um evento em que eu esperava demais, eu não conseguia dormir de excitação. Felizmente o tempo passa, tanto para o bem quanto para mal, e com isso eu quero dizer: não sou mais tão jovem, completei 30 anos há poucos dias, e de outro lado, a experiência e o raciocínio são muito melhores, sofro muito menos deste mal.

Se você está aqui e ainda não sabe o porquê de eu estar falando isto, eu vou deixar o Brasil e ir fazer um Mestrado em Genebra. Tudo começou há alguns anos, quando tão longe de casa eu pude me encontrar. Depois eu ainda falei sobre como contar da magia de viajar e o encanto de conhecer um novo mundo e ao mesmo lidar com pessoas pessimistas. 

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Hoje é sexta-feira, 24 de julho. As minhas aulas começam no meio de setembro, mas eu devo ir nos últimos dias de agosto. Isso quer dizer que faltam cerca de 35 dias. E por mais que eu tenha experiência e já tenha viajado outras vezes, nada é parecido com o que eu estou passando agora – a ansiedade está pegando firme.

Talvez você esteja pensando: mas porque algo tão bobo te faz sentir ansioso? Você está fazendo um dramalhão.

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Eu devo explicar que, para mim, as coisas não são tão simples. Vou deixar o meu emprego e eu não tenho dinheiro o suficiente para ficar em Genebra, uma das cinco cidades mais caras do mundo. Vai ser aluguel, tuition, comida, as passagens e tudo mais. Não é só isso: Vou deixar o melhor trabalho que eu poderia ter nessa idade. Eu gosto do que faço. Eu ralei muito para chegar onde estou: passei no vestibular da USP, passei em um concurso público disputadíssimo (mais de 120 pessoas por vaga), e fui promovido duas vezes. Eu estou contente com o que fiz? Claro. Muita gente está me achando um louco. E o fato de eu “perder” isso está me deixando muito ansioso. 

Mas eu estou fazendo isso pensando no André do futuro. O André que quer olhar pra trás e pensar: eu tenho orgulho do que eu fiz, eu fui atrás dos meus sonhos. Quando eu morrer e toda a minha vida passar diante dos meus olhos, eu não tenho dúvida de que esse será o capítulo mais importante.

Mas tem o outro lado: eu não tenho mais segurança nenhuma na minha vida. Eu não tenho mais certeza de nada. Em breve o salário deixará de pingar e eu terei contas a pagar. Ainda não sei como vai ser a vida na Suíça. A falta de controle sobre o meu futuro me deixa com receio. Me deixa com ansiedade.

As fases

Passei por diversas fases desde quando, em março, fiquei sabendo que tinha sido aceito para fazer o Mestrado em uma das Universidades mais conceituadas no mundo.

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1 – A minha primeira reação foi de confusão. Em primeiro lugar, eu também tenho um pouco de complexo de vira-lata, mas é misturado com uma enorme ambição e orgulho. Sim, eu sou uma mistura muito louca.

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Confusão. Eu logo depois que fiquei sabendo que fui aceito no Mestrado.

 

2 – Aí eu li e reli a mensagem e me dei conta que era verdade. FUI ACEITO.  Fiquei extremamente contente!

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Sim, eu danço como o Carlton (um maluco no pedaço)

 

3 – Depois eu fiquei ainda mais feliz.

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Carlton Dancing

 

4 – Mas finalmente a ficha caiu. Comecei a pensar na parte prática da viagem: o visto, os documentos de confirmação, a permissão de moradia em genebra e outras burocracias, como guardar dinheiro, como economizar dinheiro, estudar francês, ter que me demitir, etc..

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Tradução: No Clue – Alheio à realidade; Gets it – A ficha caiu.

5 – Eu percebi que teria que me esforçar muito. Comecei a querer fazer tudo isso ao mesmo tempo.

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Na verdade eu fazia mais do que isso.

6 – Não demorou muito pra eu começar a ficar extremamente preocupado e superocupado.

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Problemas com o banco e papelada

7 – Eu dizia que estava tudo bem mas por dentro estava estressadíssimo

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Claro, parça, tá tudo bem!

 

8 –  Alguns dias eu não dormia bem. Eu achava que já estava na Suíça, sem dinheiro, e passando fome.

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Tentando dormir

 

9 – Isso foi em Abril e Maio, dias de muita confusão, papelada e burocracia.

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Confusão.

  10 – E quando eu tentei outras bolsas e tive a porta batida na cara?

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“Obrigado por participar do nosso processo, mas não, você não”.

 

11 – Mas ai a papelada começou a dar certo. E quando chegou o meu visto eu fiquei assim

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Chegou o visto!

 

 

12 – 95% da papelada resolvida, eu comecei a relaxar e me focar em outros afazeres, principalmente planejamento de como economizar e me sustentar lá.

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Eu continuei a vaquinha que eu criei em março e resolvi inaugurar este blog.

 

13 – Comecei a ficar mais de boa, chegou meu aniversário e muita gente me dando apoio moral e alguns, financeiro.

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No fim de Junho

 

14 – Mas é claro que as vezes eu ficava um pouco na dúvida e não sabia se estava feliz de ir, triste de deixar minha vida no Brasil, preocupado com o dinheiro ou otimista com o futuro.

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Estou feliz. Triste. Ansioso. Preocupado. Otimista.

 

15 – Faltando quase um mês, eu ainda tenho um pouco de ansiedade.

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16 – E hoje, finalmente, estou mais otimista – continuo cheio de afazeres, mas muito mais confiante.

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Otimismo crescendo

 

17 – E em breve, eu estarei assim:

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Chilling

 

Mas até lá, tem um bom tempo pela frente, e mais emoções misturadas. Espero que você tenha gostado, e em breve, eu vou atualizando o meu site com as informações da minha futura viagem.  🙂 

 

Para me ajudar

Amigo ou amigo, donos e donas de casa. Se você leu este post e se identificou com a minha situação ou se solidariza comigo, saiba que eu ainda estou com sérias restrições de orçamento e estou aceitando ajuda.

Para tanto, basta entrar no site da minha vaquinha virtual:

http://sarli-in-geneva.blogspot.com.br/

Lá tem mais informações de como fazer doação.

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Se quiser curtir a página do face: www. facebook.com/revoando

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– Gifs: Divulgação, Internet e Wikimedia Commons

10 thoughts on “Deixando o Brasil – Diários – A ansiedade

  1. Me identifiquei muito com seus sentimentos, apesar de que os senti quando fui fazer intercambio…e sei que morar fora (principalmente tendo que se demitir de um bom emprego) não é NADA fácil. Mas foi bom saber que sentirei isso de novo no dia em que eu sair do Brasil (como tanto sonho), já fico mais preparada sabendo que essa loucura de sentimentos é natural. Me identifiquei principalmente com os pesadelos sobre estar no país novo sem dinheiro e passando necessidade hahahaha!
    Enfim, te desejo muuuita boa sorte, do fundo do meu coração! Que você consiga aproveitar seu mestrado, estudar bastante, e ter uma vida tranquila e feliz lá!
    :*

  2. Mais uma vez eu pergunto: Como concursado público, você já pode pegar alguma licença premium, ou similar? Se sim, pode fazer o mestrado em partes ou só todo de uma vez?
    Se puder fazer em partes, sugiro fazer o primeiro ano e pedir uma pausa de 6 meses para voltar ao trabalho do BR e arrumar mais $ (ou talvez até trabalhar em outros locais com custo de vida mais baixo).
    Já pensou em fazer trabalho online? Exemplos: Assessoria para quem quer imigrar/viajar, investimentos em mercado de capitais, sites.

    1. Olá Augusto, tudo bem!?

      A licença eu infelizmente não posso! Mas eu vou tentar mesmo assim!

      E o Mestrado não me permitem fazer parcelado, mas eu posso fazer um intercâmbio em outro país!

      Trabalho online sim! Esse blog é só o começo, e fora isso eu já fiz alguns trabalhos online e vou fazer mais chegando la!

  3. Oi, legal essa sua forma de expressar o que você sente neste momento RS. Eu também moro na Suíça, en Lausanne, mas trabalho em Genebra. Criei um Blog também para falar de vida no exterior, viagens etc. É http://jenninha.com

    Sou casada, meu marido é Inglês e morávamos em Londres e chegamos aqui há seis meses. Ainda não conheço muuita gente pois o Suíço não é espontâneo como o Brasileiro. Então, como brasileira e espontânea rs, se você quiser me encontrar em Genebra para um café para trocar idéias sobre como é viver aqui, etc. Manda uma mensagem pro grupo do Facebook que eu criei também (talvez seja mais fácil) https://Facebook.com/viajandoemideias e a gente pode marcar alguma coisa.

    Acima de tudo, tenha uma certeza: aconteça o que acontecer, você jamais se arrependerá de ter feito o que você vai fazer. Boa sorte!

    Jennifer
    http://jenninha.com

  4. Me identifiquei demais com sua história. Essa ansiedade tem tomado conta de mim nos últimos seis meses. Também tenho pesadelos e muitas vezes tenho perdido o sono. Explico: esse sentimento de que tudo pode acabar a qualquer momento e que esse mundo é lindo e grande demais para deixá-lo, sem ver todas as suas belezas, me fez tomar a decisão junto com meu marido que tb compartilha desse sentimento a deixarmos o Brasil com nosso filho de 11 anos. Confesso que a cada passo que damos na preparação da mudança, tenho muito medo, muita ansiedade, mas uma alegria ímpar! Algo que não sentia há muito tempo. A possibilidade de mostrar o mundo, ou parte dele ao nosso filho a vontade de viver uma vida nômade, de ter menos coisas materiais e muito ganho pessoal, nos faz prosseguir nesse sonho. Nossa mudança ocorrerá daqui um ano. Iremos primeiro para Itália e de lá para o mundo. No começo teremos que fixar residência por alguns anos por lá por causa dos estudos de nosso menino. Porém, os planos são de viajar pela Europa o máximo possível nessa fase. Quando ele estiver na Universidade, daí sim, eu e meu marido pretendemos rodar o planeta! Ainda não temos idéia de como sustentar esse estilo de vida, mas lendo seu blog, começo a ter uma luz. Parabéns pela sua decisão. Ganhou mais uma leitora.

    1. Obrigado Ana!!

      Hoje mesmo eu perdi o sono, acordei no meio da noite, consegui dormir de novo e estou acabado!!

      Essa alegria é muito dificil de explicar né – como a gente pode estar com medo e alegria ao mesmo tempo?

      Estou curioso para a sua aventura…. Depois conte mais!

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