Deixando o Brasil – Por que escolhi a Suíça

Já escrevi antes que eu vou sair do Brasil no fim de agosto, por pelo menos dois anos, e vou para Genebra, na Suíça. Mas eu não me aprofundei no porquê. Já adiantando então: foi como um casamento agendado pelo destino – eu vou por motivos profissionais, mas antes disso eu visitei a cidade e me apaixonei por Genebra, a noiva.

Deixando o Brasil – Por que escolhi a Suíça? Porque Genebra?

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Lago Leman, em Genebra

Desde que eu comecei a falar sobre as minhas aventuras de deixar o país, muita gente me escreve para perguntar como e por que eu escolhi justo Genebra e a Suíça. Percebo que não são poucas as pessoas que querem dar uma saída do país, temporária ou definitiva, mas não sabem para onde ir. Querem inspiração. Em breve eu vou dar umas dicas sobre isso também. Eu espero que este post ajude um pouco, mas eu garanto que mais pra frente vou escrever sobre isso: para onde ir. Por enquanto eu mostro a minha escolha.

Vamos lá: a minha decisão tem muito a ver com a profissão. Digamos que era um casamento que foi agendado pelo destino há muito tempo, mas antes de casar eu vi a noiva e me apaixonei de verdade.  A Suíça é assim: quem conhece se apaixona (e ao mesmo tempo percebe que é cara).

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Profissionalmente falando….

Bom, tudo começou quando eu queria fazer vestibular. A minha ideia era cursar relações internacionais para ser diplomata e em 2006 eu prestei mas não estudei, e portanto, não passei. Em 2007 eu prestaria de novo, desta vez com afinco. Mas na época, um ano depois, muitos acontecimentos calharam de coincidir, e no meio do cursinho eu decidi por fazer direito. Eu me lembro de que eu ganhava muito mal, tanto no sentido de valores como de periodicidade e no meio do ano perdi o trabalho. Estava cansado da vida de depender da boa vontade dos outros. Eu vi que sairia um concurso para trabalhar no tribunal de justiça e, também para conseguir uma independência financeira (em termos), eu não hesitei em prestar.

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Comecei a estudar direito por tabela e acabou se tornando a minha profissão

Mas engraçado foi que no meio do processo eu comecei a gostar de estudar direito e achei que poderia me sair bem na área. Tinha facilidade para entender o espírito das leis. Além disso, o direito também é uma profissão que tem ligações com as relações internacionais, no campo do direito internacional, então eu não desviaria dos meus objetivos. Passei no vestibular e durante a faculdade, apesar das dificuldades financeiras e falta de tempo, tentei me ater a esta área. Comecei a gostar mais do direito e do poder que as leis tem para transformar o mundo, e eu deixei o plano de diplomacia de lado e resolvi entrar na área internacional jurídica mesmo.

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Na faculdade

Dois anos depois de formado eu resolvi pensar em fazer um Mestrado fora. O objetivo era entornar o caldo de vez para o direito internacional, senão eu ficaria acomodado e poderia deixar o sonho de lado em nome da segurança financeira.

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Por que a Instituição 

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Graduate Institute of International and Development Studies

Comecei a pesquisar universidades e uma delas me ganhou de cara. Coloquei como critérios: um Mestrado de dois anos com tese (para facilitar a equivalência se eu decidir voltar ao Brasil, porque normalmente os mestrados de um ano e sem tese, como os LLM ou MBA são considerados especializações), ensino na língua inglesa, facilidade de ingresso na carreira, e excelência. Ah, o preço também conta. 

O Graduate Institute of international and development studies tinha tudo isso e mais um pouco. São dois anos de curso, com monografia. O valor é significantemente mais barato que as unis americanas e inglesas, que chegam fácil na casa dos 100.000 dólares por ano. E na localização é imbatível – Genebra é a cidade das Organizações Internacionais, como a ONU, a Omc, OMS e várias outras, e das Ongs. São mais de trezentas. Não existe cidade como essa, nem mesmo NY.

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Por que Genebra?

Agora a parte não profissional.

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Lago Leman

Como eu disse anteriormente, eu conheci a noiva antes do casamento e me apaixonei de cara.

Olha, eu não dava nada pela Suíça, nunca imaginava que tivesse tanta coisa para fazer e para visitar. Mas eu me surpreendi, e foi especialmente com a natureza Suíça e o charme de suas cidades.

Em primeiro lugar eu sou de São Paulo, e Genebra tem um lago de água limpa. Eu sempre achei muito belas as cidades de beira de lago, e Genebra fica logo no começo do seu lago. Quando eu desci do trem eu já senti que gostaria de morar na cidade – tomei aquela brisa gelada na cara e gostei!

Genebra tem um Q de uma cidade do interior, mas cosmopolita. Eu particularmente gosto muito deste tipo de cidade. Imagina, tem 200.000 pessoas que moram lá! E cerca de 40% são estrangeiros. Tudo funciona bem. O transporte é bem cuidado. E para um cidade tão pequena comparada à minha: 12 milhões de pessoas em Sampa.

A poluição paulistana também me deixa irritado. Não passa ano em que chega a época fria ou seca e me dá ataque de espirros. Eu também estou um pouco cansado dessa loucura de cidade grande Trânsito, transporte lotado e insegurança. Caos. Eu trabalho no centro e moro em um bairro um pouco mais afastado. As vezes eu acho sufocante o fato de que você ter que tomar mil cuidados para não sofrer violência em sua própria cidade. Olhar três ou quatro vezes, ver se alguém não te segue, se alguém não te olha torto, etc.. Isso também vale para outras cidades do Brasil.

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O por do sol em Genebra no Natal

Quem já viu o centro de outras cidades grandes vai entender o que eu estou falando. Nos países desenvolvidos, o centro da cidade é das pessoas. Passear sem receio é uma coisa que eu não conhecia.  e você por vezes pode passear sem tanto receio. Em São Paulo e outros lugares do Brasil, eu sinto que o centro é um lugar sem lei, onde você tem que olhar três ou mais vezes por onde está andando, e se não ficar esperto, blau.

Que fique claro que eu gosto muito da minha cidade e quero ajudar a melhorar. Ninguém esquece a terrinha.

Genebra é uma cidade muito menor, mais limpa, e você não tem que se digladiar com a pessoa para pegar um lugar no trem.

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Por que a Suíça?

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Grindelwald, nos Alpes

Por que a Suíça? É um país incrível, ele consegue misturar uma grande organização, uma cultura única e incrível, tão perto e tão longe da europeia, e belezas naturais estonteantes.

Quer mais? Os trens são extremamente pontuais. Os preços podem ser caros, mas durante o curto tempo em que eu estive lá, e dos relatos que eu sempre ouvi, a infraestrutura e o cuidado com os bens públicos são proporcionais aos gastos e com certeza rendem mais.

Outra coisa: Na Europa eu senti que as pessoas se importam muito menos com o status do que no Brasil. Você tem um cargo bom, um relógio rolex, um carro esporte, mas isto não te torna uma pessoa melhor do que o seu porteiro. A Suíça pode não ser o país dos sonhos, mas está muito mais próxima do que a terrinha.

Eu falei de belezas naturais e vou falar de novo. Melhor, que tal mostrar? Talvez eu te convença a pelo menos visitar o país:

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Grindelwald
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Grindelwald
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Grindelwald
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Thunersee
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Lago Thun
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Berna

7 thoughts on “Deixando o Brasil – Por que escolhi a Suíça

  1. Você casou com genebra e eu com a Austria inteira, não me arrependo de ter saído do Brasil por alguns anos e nao ter formado família ou passado em concurso publico, comprado carro ap, sinto muito orgulho do que vivi e tenho sempre muitas historias pra contar 🙂 siga em frente vc tem toda uma filosofia de vida para desenvolver e servir de inspiração.

  2. Parabens vc tá fazendo uma excelente escolha, sou tambem brasileira e nao me arrependo de ter saido Do Brasil , mori tambem na Suíça e sou apaixonada por tudo isso aqui. Grindenwald minha Pista predileta pra esquiar. Vá em frente.🇨🇭

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