Uma viagem vale por uma? Não, vale por sete.

Fazer a mala, embarcar, chegar, aproveitar, andar, comer, e eventualmente voltar. Isso resume uma viagem, certo? Errado! Uma viagem nunca é limitada a só uma série de eventos de ir e voltar. Uma viagem vale por muito mais – pelo menos sete: a que você planeja, a que você experimenta, a que você lembra, e outras, que eu explico melhor no post.

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Uma viagem vale por uma? Não, vale por sete.

Conversava com um amigo recente do blog sobre a experiência de viajar e que eu senti que isso era multiplicado por no mínimo cinco experiências. Sim, como um entusiasta de viagem, eu sinto que eu não viajei somente uma vez, mas pelo menos cinco, ou melhor, pelo menos sete – depois de refletir eu achei mais duas (e mais três).

Calma! Explico: Cada aspecto da sua viagem, cada ponto de vista ou expectativa que você tem vale como se fosse uma experiência diferente. Vamos pensar: nunca sentiste que toda vez que explica a sua trip, você a conta de forma única, e inclui e retira detalhes? E quando você vê fotos e lembra de coisas que há muito esquecera?

Sem tergiversar, direto ao ponto:

 

1 – A viagem da expectativa.

Sabe a primeira coisa que você pensa quando você quer ou decide viajar para tal lugar? Eu digo que as impressões primeiras, aquilo que está no seu subconsciente, bem como aquilo que te chama a atenção sobre um lugar são a primeira viagem que nós fazemos. Mil planos na cabeça, mas sempre ao redor de alguns pontos e imagens específicos.

Você vai para Paris, a expectativa é conhecer a Torre Eiffel, o Louvre, e outras coisas, mas você não sabe ainda o que vai fazer entre essas atrações. A sua ideia de viagem inicial gira ao redor destes pontos. Essa etapa é também a mais engraçada, em que você pensa em fazer coisas muito loucas que, não raro, não são compatíveis.

No meu caso, quando eu decidi visitar o Japão, duas imagens estavam na minha mente, e elas eram alguns dos meus principais motivos de visitar o extremo oriente. Eu vou mostrar para vocês os Parques de Ashikaga e de Hitachi:

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Kochia Hill Hitachinaka
Essa é a colina de Kochia, no Parque Beira-Mar de Hitachinaka, província de Ibaraki, Japão. Detalhe: no outono. Foto: Site oficial do Seaside Park/Divulgação. http://en.hitachikaihin.jp/
Ashikaga Flower Park, província de Tochigui, no Japão. Essa é uma foto na primavera. Fonte: experiencetokyo.net

E depois que eu fui para lá? Bom, você vê isso na terceira etapa.

 

2 – Caindo na real – A viagem que você planeja

Na hora de colocar as coisas no papel tudo é muito diferente. Lembra que eu falei dos planos loucos incompatíveis? Todo mundo tem um ou outro e é nessa hora que temos que fazer escolhas que as vezes são doloridas – como excluir uma cidade interessante, um ponto, um país, e outras muito acertadas, como deixar um tempo livre para fazer exploração (recomendadíssimo).

Noto no facebook, que vira e mexe aparece algum empolgadinho querendo fazer um bate-volta entre Londres e Paris no mesmo dia – sem imaginar que praticamente não dá para conhecer nada neste ritmo. Tem tempo de espera no aeroporto, burocracia, transporte até a cidade, etc… Planejar vai ajudar a evitar cometer este tipo de erro.

Nesta etapa você faz o seu roteiro e imagina como vai andar e se virar lá. É a sua estratégia.

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3 – A viagem que você experimenta.

Sério, tem gente que tenta, mas não dá para planejar todos os seus passos. Não faça isso!

Vamos falar da viagem que você experimenta, e ela é, obviamente, a mais real possível.  É aqui que você chega no seu destino e põe tudo em prática. E sabe o seu planejamento? As vezes vai para o beleléu. Pelo menos 20%! Como assim? Muita gente planeja acordar cedo para visitar um lugar x, mas acaba acordando meio dia. Afinal, em geral, viajar é quase sempre em períodos de descanso, feriados e férias, e logo nas férias você vai acordar cedo?

Mudamos o nosso itinerário um pouco – esticando aqui, encurtando acolá. Tudo dentro da experimentação. E se você ouviu a minha dica e deixou um tempo para exploração, eu garanto que estes são alguns dos melhores momentos que você pode ter.

Normalmente, quase sempre o que nós experimentamos é muito melhor do que o que planejamos. Também não raro, não é nada daquilo que esperamos e programamos, mas não quer dizer que é ruim. Sabe aqueles parques do Japão? Eu visitei.  E não foi nada do que eu esperei. Mas também, foi muito melhor do que eu imaginava. Dá uma olhada nas fotos:

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Esse sou eu na mesma colina das Kochias no Parque de Hitachi, no Japão. Cadê as plantas? Pois é!! Eu fui no verão, e nem me lembrava das estações rs… Isso quer dizer que foi ruim? Não, muito pelo contrário, eu tenho experiências e fotos excelentes deste parque
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No parque de Ashikaga a diferença foi aindar maior. Não havia nada daquelas plantas. Mas também não foi nada ruim.

Os parques não tinham toda aquela decoração fantástica que você viu. Mas eu passei tanto tempo neles e me diverti tanto que eles foram um dos pontos altos da minha viagem.

 

4 – A viagem que você lembra

Depois que você volta ou sai de determinado lugar, passa o tempo e ficam as memórias. Muitas vezes essa é a viagem mais gostosa de fazer. Por que? Lembrar não tem perrengue, rs. Você lembra e pronto. Até as coisas chatas as vezes ficam engraçadas. Tudo fica sob uma moldura de nostalgia.

Eu tenho lembranças sinestésicas. Eu lembro dos cheiros, sons e cores. Lembro do cheiro incrível de San Diego, um agri-docicado; lembro do cheiro de Santiago, um cheiro de padaria. Lembro dos sons dos semáforos japoneses. São reminiscências únicas.

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5 – A viagem que você conta. 

Alimentando os macaques em Arashayama, no Japão

Na hora de contar a viagem fica outra. Por mais que você puxe da memória, nunca vai contar do mesmo jeito. As vezes, na hora de contar, você vai lembrar de coisas que já tinha esquecido. As vezes em uma conversa surge a pergunta: mas você não foi em tal lugar? E de repente você lembra muita coisa. Mas lógico, tem coisas que você não conta. Como por exemplo, e aquele space cake que você experimentei em Amsterdam?

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6 – A viagem das fotos e vídeos.

Eita. Eu fui lá? Sim. Foi e está registrado em fotos. Precisa dizer mais? Tem coisas que a gente nem lembra que fez, e com o passar do tempo, isso tende a se acentuar. Eu estava vendo fotos de Nova York e simplesmente lembrei que tinha visitado um museu dos indígenas, algo que me deixou muito surpreso.

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Roupa indígena dos nativos americanos.

 

Tanto o é que eu nem acabei escrevendo sobre este lugar.

Essa viagem também é interessante, por que tem coisas que você não repara na hora, mas as suas fotos e os seus vídeos te mostram. São detalhes e outros itens que as vezes passaram desapercebidos. Por exemplo, uma vez eu tirei uma foto e o José Wilker estava atrás de mim, no aeroporto do Rio (infelizmente eu perdi).

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7 – A viagem que você guarda para você

Posso estar sendo meio redundante e outro tanto clichê, mas uma das melhores coisas de viajar é o que você extrai dessa viagem. São as coisas intelectuais e intangíveis que você leva com você. São mais do que memórias – são as expectativas que se concretizaram. Lembra da primeira viagem – você pensa em Paris, pensa na torre Eiffel? Mas se você foi lá, as imagens que vai lembrar não são necessariamente estas.

Ah sim: importante ressaltar – os amigos novos estão nesta parte. São a viagem que você guarda para você.

Para mim, um dos momentos que eu vou guardar eu tive a felicidade de conseguir e materializar em uma foto:

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Essa é minha foto favorita de todos os tempos. É no Iwatayama Monkey Park em Arashayama, no Japão.

Esses macacos são a única espécie japonesa endêmica. Eles são muito ariscos e tem personalidade forte. Você não pode olhar diretamente para eles e nem os tocar. Chegar perto, só para alimentar. Eu peguei um deles um momento de complacência, meditando sobre a sua vida em cima do telhado de uma casa japonesa. Aquele momento me trouxe a sensação: Cara, estou no Japão. Do outro lado do mundo, de boa, no meio de um parque de Macacos. Eu nunca imaginei estar aqui, e é sensacional. 

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Bônus: mais três viagens possíveis.

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Imagem aleatória do Japão só pra não deixar o texto desacompanhado. Lol.

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A viagem em que você foi filmado e fotografado: em geral as pessoas só tiram fotos ruins e vídeos vergonhosos da gente. Eu hesito em pedir ajuda para isso e meu gorilla pod é meu melhor amigo.

Ou pode rolar um esquema meio “se beber não case”  – você não lembra de nada, mas o vídeo ou as fotos lembram. E pode não ser nada legal. =)

A viagem que seus amigos e familiares imaginam que você está tendo: em geral, sempre te imaginam de vida boa (os amigos) ou sujeito a um milhão de perigos (os pais e parentes mais próximos)

A impressão que você deixa: lembra da primeira viagem – a da expectativa? Pois é, ela gerou expectativas em outras pessoas de como foi a sua viagem e como pode ser a dela se ela for no mesmo lugar. Talvez, mas talvez, quem sabe, você gerou uma fagulha dentro delas que pode se tornar um novo projeto de viagem. E quem sabe, lendo este post, você não se interesse mais em ir pro Japão?

Até mais!!

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2 thoughts on “Uma viagem vale por uma? Não, vale por sete.

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