Deixando o Brasil – Sair do básico e dar a cara a tapa

Vagabundo. Pilantra. Malandro. Preguiçoso. Burro. Corajoso. Inconsequente. Perdido. Arrogante. Irracional. São essas as palavras que eu ouvi quando eu decidi sair da caixinha. Quando eu resolvi sair do Básico, eu dei a cara a tapa. E eu tomei o tapa.

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Deixando o Brasil – Sair do Básico e dar a cara a tapa.

slap

Três vezes “tonto”.

Eu tenho mil e uma ideias prontas do que escrever mas hoje, aproveitando o ensejo de um comentário babaca que eu recebi, eu vou falar sobre o fato de que, se você sai um pouco do Básico, se prepare meu amigo, choverão criticas.

O que eu estou fazendo no momento atual da minha vida é sair do Básico e do script  da vida normal três vezes. 

1 – Estou largando um cargo público estável.

2 – Estou indo morar em outro país e não tenho grana o suficiente para ficar todo o tempo necessário.

3 – Eu criei uma vaquinha virtual para tentar me sustentar lá.

Eu mesmo demorei a me convencer de todo que eu estava fazendo essa loucura toda. Nos primeiros meses, eu tive dificuldade para dormir e pensava – aonde eu fui me meter. A Ansiedade estava lá em cima. Mas eu consegui identificar o meu problema. Eu estava pensando dentro da caixinha que a sociedade tenta nos empurrar. A caixinha que nos torna quadrados.

Sabe o script. Sim, aquele mesmo. O script da vida. Estudar, trabalhar, se assentar, casar, ter filhos, criar os filhos e morrer. Como se a vida toda pudesse se resumir a isto. Mas é o que a Sociedade empurra para nós. E basta você desviar um pouquinhozinho que só, que, por mais que as pessoas preguem a liberdade (delas), elas vão questionar (a sua). E você mesmo vai se questionar.

Quando eu me dei conta: eu não preciso seguir este script, minha vida e o meu modo de pensar mudaram. Eu passei a defender os meus ideais com paixão e afinco. Mas isso não me tornou imune às críticas. Pelo contrário, quanto mais coragem eu demonstrei, mas eu levei.

O que eu quero dizer é que: se você vai sair do script, esteja pressionado para levar uns tapas.

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Os tapas que tomei.

naked gun
Divulgação / The Naked Gun

Eu já falei um pouco sobre a experiência de contar para as pessoas que eu vou deixar o meu trabalho estável para uma ‘aventura’ na Suíça. Acontece que essa aventura foi extremamente calculada. Eu estou me colocando em um risco, mas eu tenho conhecimento total do que eu posso fazer e o que eu vou fazer caso cada possível desfecho se desenrole. E de outro lado, caso eu volte com uma mão na frente e outra atrás, eu também não tenho duvidas de que eu consigo me virar rapidinho.

Ainda assim, isso não me impediu de ser chamado de tonto, de trouxa, de corajoso e de inconsequente. E por mais que eu argumente, as pessoas teimam. E falam palavras que as vezes são insensíveis. Mas são a chave do pensamento delas. Quem em sã consciência largaria um emprego público depois de tanto lutar por ele?

Uma das medidas que eu tomei também foi calculada. E foi a que eu mais esperava tomar tapas. E a que eu mais tomei tapas. Eu disse que eu fiz uma vaquinha virtual para levantar um dinheiro para me ajudar a sobreviver no Mestrado. E aí meu amigo, se você seguir o mesmo caminho, se prepare para as críticas, que são pesadas.

Apesar de eu deixar claro que trabalharia, que eu estava fazendo de tudo para economizar, vendendo itens pessoais, e que todo o dinheiro que eu recebesse eu doaria novamente – ou seja, eu não iria ficar com NADA para mim, a minha aventura de lançar essa iniciativa de vaquinha pela internet afora foi cercada de percalços. Causadas por pessoas e seus entendimentos babacas.

As pessoas não estão preocupadas em ler o que você escreveu. Na cabeça delas não entra o fato de que você pode ter a ajuda que elas não tiveram. O argumento mais colossalmente babaca que eu ouvi foi de um mexicano em Genebra, que me disse:

“Deixa eu ver… quando eu cheguei em Genebra, eu não tinha um tostão no bolso, então eu trabalhei de faxineiro, de limpador, de garçom, de cozinheiro, de motorista, quase fui pego pela imigração, vendi comida na rua e eu, depois de tudo isso, venci.” E logo depois, ele soltou a pérola: “na minha opinião, o seu pedido aqui não tem lugar. Ninguém vai te ajudar, por que você é preguiçoso, sem atitude, e acho que você é um scammer”.

crab bucket
As pessoas em geral são como caranguejos no balde do restaurante. Quando um dos caranguejos tenta sair, os outros tentam puxá-lo para ele continuar no balde. Da mesma forma – se alguém tenta se diferenciar, isso acaba ferindo os sentimentos e melindres de muitas pessoas.

Confesso que na hora eu contei até 10 e não adiantou. Fiquei uma hora ruminando aquelas palavras babacas, pensando em uma resposta. Até que me distrai e chegou a resposta perfeita. Eu simplesmente exclui o post e postei de novo. Aí, inclusive, uma pessoa que sequer me conhecia me doou.

Não quis me explicar ao mexicano. Eu estou largando diversos “luxos” aqui. E nunca disse que não vou trabalhar. Mas se ele não entendeu antes, achei que não entenderia depois.

Essa experiência e as outras que eu tive me demonstraram: Recalque. Se uma pessoa pode vencer de uma forma mais “fácil” que a sua (como se fosse fácil o que eu estou fazendo), as pessoas se debatem, pisoteam e esperneam. Elas querem que você sofra como elas sofreram. E assim legitimar o esforço delas.

E olha que eu coloquei todas as ressalvas possíveis. Eu sei que tem muito mais gente precisando do que eu. Por isso eu me comprometi a doar o mesmo valor que eu receber. Mas se você estiver na dúvida, meu caro leitor, é só pesquisar na internet, no google, o termo “vaquinha para estudar fora”. E você verá quantas pessoas estão fazendo isso. E gente que nunca pisou num chão de terra batida com a sola do pé descalço.

Esses “tapas” me afetaram? Não. Só me fizeram perseguir com ainda mais vontade o meu objetivo.

2 thoughts on “Deixando o Brasil – Sair do básico e dar a cara a tapa

  1. O pulodo gato é : Não deixar pra trabalhar quando o dinheiro esta pra terminar. Começar a trabalhar com qq coisa quando chegar eh o primario.
    Muito destas pessoas chegaram com pouco, se entusisasmaram ( e isto vi muito) e depois começaram a correr atras.
    Para correr atras leva um tempo pra vc entrar nas engrenagens, de qualquer pais. Começe sim por faxineiro, babá, operario… vale a pena. Você aprende muito sobre humildade, ficar no seu canto e reconquistar….
    Eu já to indo pro meu terceiro pais, e saiba, o medo bate, mas não ira bater tão forteqnd vc começar a respirar novamente.
    Espere o pior, pense no melhor…. o que acontecer estará no meio.

    1. Olá Bru, obrigado pelo comentário

      O meu plano é começar a trabalhar assim que eu puder… E eu vou pegar esses empregos que você falou rs… eu já tive experiência como caixa, fazendo faxina, etc…

      Para onde você está indo?

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