Deixando o Brasil – O medo. E pode ser algo bom

Não dá para negar. Qualquer mudança de vida envolve a quebra da nossa rotina, e claro, vem a ansiedade, a coragem, a confiança… e o medo. Medo de nada dar certo, de ficar na pior, de ser alvo de chacota. Sair do país, então, e se arriscar numa vida longe de casa, envolvem centenas, quiçá milhares de variáveis que nós simplesmente não temos controle. E aí surge o medo. Mas eu digo: O medo pode ser bom.

Deixando o Brasil – O medo. Que pode ser algo bom.

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Eu já falei aqui anteriormente que eu vou sair do Brasil para fazer um Mestrado em Genebra na Suíça. Totalmente na raça – sem bolsa e praticamente sem ajuda financeira fora alguns amigos e familiares. Falei que a expectativa de viajar gerava uma grande ansiedade. Falei também que é preciso muita coragem, todos os dias.  Hoje eu vou falar sobre o medo, e depois, sobre o otimismo.

Essas quatro emoções são as cartas principais do meu baralho atual, os reis. Mas ainda tem muito mais, como o frio na barriga, a dúvida, a saudade, a viagem na cabeça, etc…

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Vamos ao assunto do dia: O medo!

Não tem um dia sequer em que eu não tenha receio do que pode me acontecer na Suíça. Todos os dias eu penso: mas o que eu estou fazendo? E se acabar a minha grana e eu não tiver como me manter lá? E se eu tiver que voltar? E se eu me formar e não conseguir encaixe no mercado de trabalho? E se eu me machucar e precisar usar o plano de saúde. São essas todas as perguntas que eu me faço. Todo. Santo. Dia.

E eu aposto que quem já saiu do Brasil e vive no exterior passa pelos mesmos perrengues. E eu sei que vou passar perrengues. Reconheço que minha situação e meu plano não são nem um pouco fáceis.

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É medo? Sim. Mas não quer dizer que seja ruim. 

Fear-Paralysis

O medo, se bem controlado, pode ser o seu melhor amigo. Ele é um dos poucos sentimentos que vai te fazer os pés no chão. É o medo que me faz criar alternativas e ideias para contornar todos os problemas. É o medo que me ajuda a não ter otimismo demais. É o medo que me faz trabalhar a ansiedade para algo útil, transformando a adrenalina em coisas e pensamentos palpáveis que me ajudem a sobreviver.

O medo faz parte do instinto de sobrevivência. Trabalhamos todo o nosso maquinário cognoscivo e o nosso cérebro nos manda uma mensagem clara: PERIGO. A segunda mensagem é: se afaste. Mas graças à boa natureza somos seres altamente complexos e conseguimos enxergar além de simples ameaças até riscos consideráveis. Nossos ancestrais evoluíram movidos à medo. Medo de se tornarem presas de grandes animais. Mas não se deixaram controlar pelo medo. Foi por causa disso que criamos armas e ferramentas.

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O medo pode ser a nossa armadura

Mas ele tem que ser controlado. Senão, nos paralisa. O medo ruim é aquele mais perto do pânico. É uma situação quasi incontrolável, mas também fisiológica. Significa: fugir. O problema é quando nós não temos para onde fugir e temos que conviver com situações de pânico constantes. O pânico é paralisante.

O medo incontrolável e ruim vem de simplesmente não pesarmos os prós e os contras. Só pesamos os contras. Deixamos de ter auto-confiança e isso pode acabar conosco e até mudar a nossa aparência.

Por isso é essencial que se pense não só as coisas que nós teremos que enfrentar. Mas o que nós podemos fazer. O cérebro e a nossa atitude são altamente plásticas. Se nós não sabemos o que vai acontecer conosco e qual dragão vamos enfrentar, também não sabemos até que ponto nós sabemos capazes, e de qual a nossa incrível habilidade de adaptação.

Sair do Brasil pode significar várias coisas. Mas uma sempre em comum: abandonar luxos, itens materiais e rotina. E, claro, isso pode trazer o medo. Mas não necessariamente é ruim. O medo pode ser a nossa armadura.

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