Mudança de vida – Acredite em si mesmo

Trabalhar com clichês é igual a pintar um quadro. Todo mundo acha que sabe alguma coisa por que já viu alguém fazendo, mas na hora de colocar as ideias na tela é totalmente diferente. É fácil dar as primeiras pinceladas e logo depois desistir e querer começar de novo. A mesma coisa acontece quando a gente lê que devemos acreditar em nós mesmos – nós conhecemos o quadro mas não sabemos pintar. Aqui eu explico um pouco como isso pode ser feito.

Mudança de vida – E como você deve acreditar em si mesmo.

Esse artigo vai estar no meu futuro livro – com muito mais informações  :mrgreen: 

Esse texto faz parte da minha série de crônicas sobre mudança de vida e sair do Brasil

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A primeira impressão que as pessoas tem ao ler o título do meu texto é que eu vou metralhar frases e mais frases de efeitos, com fotos coloridas, palavras bonitas e citações de como você tem que acreditar em si mesmo. Regurgitar aquele clichezão básico. “Acredite em si mesmo por que… razões!” NÃO!

Não vou chegar nem perto disso. Pelo contrário. O que eu desejo explicar aqui é muito mais profundo. Eu quero chegar concretamente às operações de pensamento que nós utilizamos para gerarmos, gerenciarmos e dar impulso às mudanças de vida. E para vencer a preguiça.

O clichê tem uma razão de ser. Todo mundo sabe: para tudo o que fazemos nós temos que acreditar em nós mesmos. Mas se todo mundo aplicasse o princípio não estaríamos vivendo essa crise de identidade do ser humano. Sinto como que pouquíssimas pessoas estivessem felizes com o que alcançaram. Talvez seja da nossa natureza o descontentamento. Mas não precisa ser assim.

A minha experiência – Como um menino preguiçoso passou na USP

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Quando eu passei na USP em 26º lugar.

Eu estou na terceira mudança da minha vida. E esta seria a mais radical possível. Mas não seria a mudança mais difícil. A primeira de todas, com absoluta certeza, é a minha favorita. 

Tive uma adolescência ruim. Foi uma época muito difícil: minha família passava por graves dificuldades financeiras, eu não tinha condições de investir em mim e minha autoestima era muito baixa. Eu me achava a pessoa mais feia e desengonçada do mundo. Não tinha qualquer perspectiva de carreira ou futuro. Eu era sedentário. A minha ideia de diversão era ficar em casa mexendo na internet. Eu fiz poucos amigos – a maioria pela internet -, mas com o tempo eles foram se distanciando, simplesmente por que eu não tinha grana para sair com eles. E eu tive que testemunhar eles evoluindo e eu não.

De repente eu me vi com 21 anos, desempregado e dependendo da mãe para tudo. Isso me incomodava bastante. Para sobreviver eu trabalhei em diversos subempregos, como caixa de papelaria e atendente de farmácia. E depois estágios mal pagos. Até que eu me dei conta que nada da minha vida era como eu imaginava quando eu era criança. Eu me achava super inteligente mas nada disso se materializou em conquistas.

Eu ganhava um salário mínimo, as vezes esqueciam de me pagar e eu não acreditava em mim. Meus amigos já estavam para terminar a faculdade e eu sequer tinha começado uma. Com 21 anos, eu só tinha duas camisetas para sair na rua, uma única calça jeans e um único tênis. Eu vivia com um óculos quebrado e consertado com durex. E com 21 anos eu nunca tinha sequer beijado, tamanha era a minha “baixaestima”.

Eu decidi arriscar e me dar um choque de realidade. Resolvi que ia passar na USP e dar uma virada na minha vida. Eu contei para os meus pais que eu queria prestar a Fuvest e ninguém acreditou em mim. Alguns amigos riram. Eles achavam que eu deveria fazer qualquer faculdade mesmo. Que eu deveria seguir um caminho pré-determinado. E que eu não tinha potencial para passar.

Eu não dei ouvidos a isso. Apesar de ganhar menos de um salário mínimo, eu fiz um sacrifício na minha já pobre vida social, para investir no meu sonho de passar na USP. Mas eu era preguiçoso, tinha baixa autoestima e até certo ponto arrogância. Do jeito que eu estava eu nunca passaria. Eu precisaria de um mindset totalmente diferente. 

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Desconstruir a minha preguiça e o meu estilo de vida derrotista foi o primeiro passo para a minha mudança de vida.

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Tive que fazer mudanças radicais no meu campo mental. A primeira coisa que eu fiz foi desconstruir todo o meu pensamento. Eu sabia que continuar a pensar de forma preguiçosa não me levaria a lugar nenhum. Comecei a combater os medos e ansiedades pela raiz. Toquei o foda-se para muita coisa. Passei a estudar por gostar de estudar e não para simplesmente passar. Eu só me sentia bem quando eu achava que eu tinha mergulhado na matéria e entendido o seu coração.

Ignorei todos os pensamentos de preguiça ou de acomodação. Ignorei todos os medos. Eu desconstrui toda a minha programação e montei outra, nova, ousada e arriscada. 

Para isso eu me convenci que aquele era o meu último ano prestando vestibular. Eu lidava com aquilo como se fosse a minha última chance. E era. Eu já sabia o que faria se não passasse: eu sairia de São Paulo e iria para qualquer lugar do mundo trabalhar com qualquer coisa. Eu me coloquei um sentido de urgência e passar a trabalhar com pensamentos positivos todos os dias. Era tudo ou nada.

Com o tempo eu comecei a adorar estudar. Apesar disso, não era fácil manter um nível de concentração alto, especialmente quando eu tinha que trabalhar todos os dias e aguentar a pressão em casa para ajudar com a grana. Eu tinha que me convencer todos os dias que era exatamente aquilo que eu queria. E todos os dias eu me desconstruía e criava uma nova coragem e nova motivação.

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Na prática isso significou que eu enfrentava a preguiça todos os dias. Eu só tinha uma hora livre durante os dias da semana. Então eu estudava onde dava. E isso significava várias vezes que eu saia andando pela rua com um livro aberto e tentava entender uma questão de biologia. Eu não ia dormir antes de ter lido e resolvido pelo menos duas matérias.

Eu estudava na rua, no almoço, no trabalho, no trem, no ônibus e até na hora de tomar banho eu tentava lembrar o que eu estudei.

Foi a melhor fase da minha vida. Eu me senti realizado. E logo o resultado veio. Quando prestei a Fuvest, passei na primeira fase fazendo 75 de 89 pontos. Para mim era um número fabuloso – considerando que eu fiz ensino médio em uma escola pública cujo mote era “Buenão, entra burro sai ladrão’. E eu trabalhava de segunda a sexta e as vezes no final de semana também.

avatar 13Na segunda fase eu apliquei os meus ideais com ainda mais afinco. Isso me deu uma confiança enorme. E de repente quem não acreditava em mim passou a acreditar. “Eu sempre te apoiei”. Quando chegou o resultado de fato eu não consegui conter as lágrimas. Entre todos os alunos aprovados no curso de direito e mais de 10.000 candidatos, eu fiquei em 26º. Não, não fui primeiro, e nem precisava ser. Estava bom demais para quem era um preguiçoso sem perspectiva de vida somente alguns meses antes.

Passar na USP mudou a minha vida para sempre. Alguns anos depois eu fiz outro “milagre”, passando em um concurso público disputadíssimo, tendo menos de uma hora por dia para estudar.

Mas nada teria acontecido se eu não tivesse acreditado em mim. E para isso, eu precisei desconstruir a minha forma de pensar.

Acreditando em você – A desconstrução de um pensamento derrotista. 

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Vamos direto à prática. Toda mudança de vida envolve a mudança da forma de pensar. Afinal, se você não quisesse mudar continuaria tudo como está. Para isso, o principal é acreditar em si.

E aqui está o pulo do gato: VOCÊ TEM QUE ACREDITAR EM SI MESMO APESAR DE O SEU CÉREBRO DIZER QUE NÃO.

E pode ter certeza que o seu cérebro e o seu pensamento vão dizer “não” para você. Isso acontece com todo mundo. Para isso você precisa desconstruir o seu pensamento em etapas. Você tem que analisar as coisas que você pensa como se fossem caminhos. E se você reparar, eles são. Um pensamento costuma levar a outro.

Identifique os seus padrões de pensamento. E os caminhos de pensamento são criações da nossa mente para otimizar o gasto de energia. Isso se chama rotina. Nós trabalhamos sempre as mesmas ligações neuroniais e isso nos leva quase sempre aos mesmos padrões de pensamento.

É como sair de casa. Se você sair sem um destino certo, para onde você vai? Para os lugares que você já conhece. Ou vai voltar para casa. E se o seu padrão de pensamento continuar o mesmo, você vai seguir os mesmos caminhos e continuar na mesma. Você tem que desconstruir o seu padrão, o caminho que você segue.

O padrão atual do Brasileiro é de que você tem que se assentar na primeira oportunidade – com emprego, relacionamento ou família ou estudos. E levar vantagem sempre que possível, mesmo que seja às custas dos outros.. Infelizmente é assim. E é natural que nós pensemos assim por que já existe toda uma linha pronta – um caminho de pensamento, uma roda de vida que alguém já percorreu. E quando você menos percebe você a está seguindo e querendo que os outros se adequem a ela.

Quando você tem o primeiro pensamento: “quero mudar de vida” – você está seguindo por uma rua. Mas se você deixar o próximo pensamento “mas é muito difícil” “mas vai dar trabalho” “mas eu não consigo” te guiar, isso vai te levar a outros pensamentos como “deixa para depois” “eu estou bem assim”. E logo você vai acabar se convencendo que está bem assim. E logo você se verá criticando e invejando as pessoas que tentam mudar de vida, para poder justificar a sua escolha.

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Desconstrua o seu pensamento

A outra chave é: nenhum pensamento é natural. Apesar de nós estarmos orientados a termos mesmos os sempre pensamentos, para pensar é necessário um pequeno esforço. Ou seja – você alguma vez engatilha a linha de raciocínio que persegue os mesmos caminhos – que quase sempre te levam a crer que você não acredita em si mesmo.

Zere a sua mente. Já estamos na fase da meditação. Não estou falando da boca para fora: zere a sua mente. Nós não estamos pensando o tempo todo. Quer afastar uma tristeza da cabeça? Pare de pensar nisso. Eu já disse que para pensar em algo é necessário um esforço mínimo. Basta não fazer o esforço de pensar de forma negativa.

Zerando a sua mente você começa a se dar conta, de uma forma concreta, de quais são os seus pensamentos. É como uma programação de um computador. Você tem acesso ao seu código-fonte. E tem que trabalhar nele.

Quando você acorda ou para de pensar, a sua menta está na estaca zero. Quando você tem um pensamento “estou cansado”, você teve que fazer um pequeno esforço para isso, usando, para efeitos de ilustração, +1 de energia. A energia que você usa é menor por que as conexões neuroniais já existem, são muito utilizadas. São como estradas expressas. E você conhece o caminho.

Deixe a sua mente zerada. Não lute contra os pensamentos negativos. Tente colocar os pensamentos positivos. E se os negativos vierem, lembre-se: você não é obrigado a pensar neles.

Mas a questão é que isso tem que ser feito todos os dias. Por que nós temos a tendência evolutiva de querer discutir as coisas, mas ao mesmo tempo entrarmos na primeira e menos ameaçadora situação de equilíbrio – o nome disso é rotina.

Foto: Mindcontrol.se
Foto: Mindcontrol.se

Quando finalmente você se dá conta de que para acreditar em você, é preciso dar um primeiro empurrãozinho, aí fica mais fácil. Se você chegou até aqui, que tal tentar o que eu estou falando de forma prática?

Retire todos os pensamentos da sua mente. E comece a pensar que na realidade você não tem nenhuma garantia de nada – bens materiais, laços familiares, medos e angústias, ambições. Nada disso existe fora da nesse mente. Nada disso pode te segurar. E você não é nada disso. Então por que não acreditar neste ser que venceu centenas de dificuldades?

Limpe a sua mente e comece a perceber como funciona o seu pensamento. Repare nas coisas que você fala de forma espontânea e como isso pode te definir. Repare na sua rotina. E comece a inserir novas chaves de programa no seu dia-a-dia. Pouco a pouco.

Tente e me conte a sua experiência =)

No meu livro eu conto um pouco mais sobre como eu fiz isso e me ajudou a mudar minha vida.

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