Aterrisando em Genebra – Como e por que fui morar no país alpino.

As horas passam bem devagar à noite. Eu tento dormir no horário Europeu mas o meu corpo e cérebro ainda não estão acostumados. Eu ainda não estou acostumado. Mas estou feliz. Saio de casa e em 5 minutos estou em um parque. Em 7, de frente para o Lago Genebra.

Faz 3 dias que eu cheguei aqui, e a única coisa que eu me arrependo foi de não ter vindo antes.

Aterrissando em Genebra

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Como e por que fui morar no país Alpino.

Tudo começou com uma viagem que eu fiquei pagando por três anos e gozei só por um mês. Eu era estagiário e continuei sendo por um bom tempo. Mas conquistei algo que eu sempre achei impossível para mim: visitar outro país. Eu “morei” em San Diego e lá o bichinho da viagem me mordeu. Não só: eu me dei conta que sabia muito pouco sobre o mundo. Visitar outro país, você se dá conta: tudo é muito parecido, mas tudo é muito diferente também.

A partir daí eu tive uma grande vontade de morar fora. Mas o tempo passa e a gente acaba se acomodando um pouco. Eu passei em um concurso público e fui promovido duas vezes, e aí eu estava indo super bem no Brasil. Podia ficar no mesmo cargo para sempre e não teria dificuldades na vida. Poderia viajar para o exterior duas vezes por ano ou até mais e tinha segurança para me programar o que faria na próxima década.

Mas o bichinho da viagem tinha me mordido fundo e os efeitos deram reboot. Recidiu. E uma parte de mim, o meu eu sonhador e visionário, gritava para mim: será que não é hora de se arriscar?

Era hora de me arriscar.

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Decidi que não passaria o meu aniversário de 31 anos no Brasil. Esse é o de 30.

Sempre tive um sonho aparentemente louco de fazer alguma coisa importante pelo mundo e isso me levou até onde eu estou hoje. Foi por isso que eu fiz Direito. Não foi para ganhar muito dinheiro, e sim realização pessoal. Até por o Direito em si, é muito chato. Ele funciona melhor como uma ferramenta, na minha opinião, para alcançar a paz, desenvolvimento e outras coisas (embora também pode e é usado para o contrário).

De repente eu me via com com 29 anos e totalmente acomodado. Não só isso, eu estava começando me importar muito com coisas extremamente materiais, quando eu sempre me tinha como alguém que não ligava para isso. E eu estava virando um ser humano que ficaria vendo a TV horas por dia e que depois chegaria aos 50 e reclamaria que a vida passa muito rápido.

E eu tinha a experiência de ver alguém muito próximo à mim ter uma morte súbita e deixar todos os seus planos e projetos na mesa da sala, prontos para dar um start.

Eu decidi, meio que na loucura mesmo, que era hora de me arriscar. E  em menos de 10 meses da minha decisão, planejamento e saída, eu já estou morando em um apartamento em Genebra, na Suíça.

O caminho é estudar, e estudar é a resposta. Planejando o futuro em 5 meses.

Muita gente me fala que simplesmente quer sair do país e as respostas para isso são muito óbvias. Quase sempre econômicas e questões de crise e violência.

Mas mais do que isso, precisa de um bom motivo para sair do país, por que se você quiser simplesmente vazar, as suas chances diminuem bastante. Na minha opinião, sair é muito mais uma consequência de uma decisão do que esta mesmo. Por exemplo, estudar fora foi a minha decisão, por que eu queria fazer Mestrado em Direito Internacional. Morar na Suíça foi uma consequência.

Se você tiver interessado em como fazer isso, eu tenho um post especial sobre isso, com informações básicas, e em breve eu terei um mais detalhado.

Enfim, eu escolhi a Suíça, mas a Suíça também me escolheu, por que o curso que eu mais queria e desejava estava aqui, no Graduate Institute of International and Development Studies. Quando eu fui aceito eu já sabia que iria confirmar a minha vaga de primeira, apesar das enormes dificuldades de não conseguir a bolsa e não ter grana suficiente para pagar todo o curso.  Mas eu tenho fé, e muitos projetos paralelos para fazer isso funcionar.

A primeira coisa foi declarar que eu confirmava a minha vaga no curso. Depois de algum tempo, eu tive que ir atrás de documentos como o visto e o pagamento da pré-matrícula (felizmente vai ser descontada da semestralidade).

Nestes 5 meses depois que eu fui escolhido, eu comecei a tocar projetos importantes, tudo ao mesmo tempo: aprender francês, resolver questões de saúde antigas, praticar voluntariado e a criação de uma ou mais fontes de renda para me manter na Suíça. Além disso, comecei a vender coisas pessoais e entrei em um regime de gastos bem restrito. Deixei de sair e viajar como saía antes e deu relativamente certo, não fosse o Real cair tanto que eu perdi 25% do que tinha (e até eu ter uma conta aqui, talvez perca mais).

A viagem

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Mudar de país pode parecer uma coisa enorme, uma mudança profunda, e realmente é. Mas para quem está neste processo, sabe que não é como apertar um botão. Normalmente você tem uma decisão muito antes de viajar. Então, conforme os dias vão passando, as emoções, ansiedades e tudo mais vão se assentando, e as vezes você até esquece que vai.

Foi o que aconteceu comigo. A ficha só foi cair mesmo quando chegou a conta da faculdade. Não só caiu a ficha como eu cai para trás mesmo. Fiquei com as pernas bambas pelo valor, caro (mas muito mais barato que as americanas e australianas).

E assim a minha viagem transcorreu tranquilamente. Era como se eu estivesse fazendo mais um mochilão, só que, definitivamente.

Só o meu corpo que ainda não se acostumou. Três dias depois, agora sim eu posso finalmente acreditar que tudo o que eu fiz deu certo. Estou em Genebra, e todo o tempo que demorei para chegar até demorou muito tempo a passar, mas aqui, parece que foi um segundo.

17 thoughts on “Aterrisando em Genebra – Como e por que fui morar no país alpino.

  1. Parabéns!!! Pela sua coragem, determinação e fé. Como eu gostaria de fazer o mesmo. Mas, o tempo passou, as oportunidades n eram as mesmas… Enqto isso vou viajando somente e conhecendo nv culturas… N te conheço, tenho idade p ser sua mãe, fico aki torcendo p vc e viajando junto.

  2. Que bacana cara! Dei uma olhada em tudo por aqui e achei muito inspirador! Desejo sucesso e felicidades! Achei sensacional esse conceito de introvertido quantico! hahaha

  3. Interessante sua história, sobretudo porque era funcionário público e largou o tipo de emprego que muitos sonham no Brasil para viver no exterior. Eu sou uma que estudou muito para concurso, mas infelizmente, ou felizmente, não passei. E olha que já tinha estudado francês em Paris por um ano e meio e vindo aos EUA 3 vezes para aperfeiçoar meu inglês. Eu pensava que queria a segurança de um concurso público com um bom salário e viagens para o exterior todos os anos. Como estava sem emprego e não passei em concurso nenhum, ficava sempre no cadastro reserva, acabei vindo para os EUA novamente aperfeiçoar meu inglês. Acabei conhecendo alguém, me casei e por aqui fiquei. Provavelmente não voltarei mais para o Brasil e penso que não era para ficar lá. Embora ame minha família e sinta muitas saudades, aqui é meu lugar.

  4. Também me formei em Direito e achei interessante a idéia de um mestrado na Suíça. No meu caso seria mais voltado ao Direito Digital e correlatos. Parabéns pela coragem e boa sorte em sua jornada.

  5. Parabéns pela iniciativa de criar um blog e passar sua experiência para muitos que tem a msm vontade, mas falta um “empurrão”, pelo belo texto, pela coragem, pela determinação de não se deixar desanimar apesar das dificuldades e por não desistir de um sonho, de um ideal!!
    Que vc alcance todos os seus objetivos e consiga conhecer todos os lugares que o seu bichinho te mandar conhecer!!
    Mto sucesso e felicidades pra vc!!

  6. Cheguei aqui por acaso e Achei muito interessante sua experiencia!! Fiquei com uma dúvida: vc sendo funcionário publico anteriormente, nao teria direito a uma licença pra o inicio da sua jornada em Genebra? Gde abço e sucesso 😉

    1. Obrigado Helder!

      Então, eu só poderia conseguir depois de 5 anos de trabalho e eu tinha três. Mesmo assim eu pedi e me negaram.

      Só pude contar comigo mesmo e alguns poucos amigos e familiares!

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