Viajar não vai te transformar se você não deixar

É uma forma e figura corrente de todos nós entusiastas da viagem acreditar e declarar para os quatro cantos do mundo de que sair de casa é uma atividade maravilhosa que vai te transformar. E é verdade, vai te transformar, mas só se você deixar.

Viajar não vai te transformar se você não deixar.

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O ser humano é contraditório:

Fomos feitos para viver de forma errática. Somos nômades por natureza. Se parados, nossos músculos atrofiam, o corpo adquire peso, acumula gordura e nós nos reconfortamos em uma experiência aparentemente tranquila. Precisamos nos mover. Buscar novos rumos. Ao mesmo tempo somos programados para buscar estabilidade e evitar riscos. É a vida falando mais alto. E mesmo assim, com tudo assentado, com tudo tranquilo, queremos mais. Queremos novas mudanças. Errar (no sentido de andar) é viver. Viajar é viver.

Por isso é natural você ouvir qualquer pessoa de que gosta de viajar. Mesmo quem é mais caseiro. Quantas vezes eu já me vi as voltas com sites de relacionamento e perguntava algo muito óbvio: “você gosta de viajar?” e é claro que todas respondiam que sim.

E se você olhar para as redes sociais, blogs, jornais e revistas vai ver que pululam frases de efeito e brocardos sobre viagem. E quer saber? Eu acho que a grande maioria é muito verdadeiro – por que eu senti isso na pele. Viajar me ajudou a curar de uma perda e do fim de um relacionamento. Me ajudou a sair de uma grande fase de tristeza e me trouxe centenas de ideias, algumas das quais eu estou aplicando até hoje. Mas só por que eu deixei.

E enquanto eu não deixei, viajar não me fez de tanto bem – eu tive que me abrir e soltar todos os sentimentos e frustrações que tinha.

Viajar é só uma palavra se você não se deixar atingir.

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Eu reconheço que é muito difícil alguém viajar sem se transformar por que nós necessariamente passamos por algum choque cultural.

Mas viajar pode se tornar apenas uma palavra, um mero ato de sair de casa, ao invés de todo o arcabouço sentimental e experiência profunda que isto nos traz.

Viajar é uma excelente oportunidade para checar os nossos sentimentos por que nós saímos da nossa zona de conforto já no momento em que tomamos a decisão de viajar.

Mas de nada adianta você ficar parado ou parada somente esperando que tudo aquilo te transforme. Você tem que estar aberto às mudanças e isso só pode vir de dentro. O ambiente ajuda, e muito, mas se a porta estiver fechada, o vento que traz a novidade não vai entrar.

A minha experiência em uma das minhas últimas viagens foi de que eu me diverti, aprendi diversas coisas, mas eu estava completamente fechado durante os dias em que eu passei em Londres. Eu não estava muito otimista e viajei para tentar conseguir uma mudança na minha vida. Mas eu não estava deixando. Em Londres, eu praticamente não fiz amigos apesar de estar em um hostel cheio de gente. Eu tenho memórias dos lugares, mas as experiências não são tão vívidas quanto as de outras viagens que eu fiz. E depois eu me dei conta que viajar sozinho é muito bom, mas, as melhores experiências são as compartilhadas. (É por isso que você está lendo este blog).

Mas demorou um pouco: eu sai do Brasil e cheguei em outro país pensando que eu ainda estava lá, e por isso, a tristeza permaneceu. Depois que eu melhorei, conheci mais pessoais, encontrei amigos, tudo mudou – e eu me senti viajando definitivamente.

Mas foi por uma simples mudança de pensamento – eu deixei que a viagem me transformasse.

Por isso eu recomendo que você pense duas vezes – as vezes viajar pode ser somente uma palavra, somente um ato, e isso só te faria gastar seu dinheiro, para coisas que você pode fazer na sua casa. Se for para ficar na estadia o dia todo, ou ir para os mesmos lugares e não se deixar desafiar – será que vale a pena?

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