Como é sair do Brasil e fazer uma aposta em si mesmo.

“Como você está se sentindo?” É a pergunta que eu mais ouço nos últimos tempos, especialmente dos mais conhecidos, mais próximos e dos outros. Sai do Brasil em condições totalmente adversas e eu posso dizer que, apostando em mim mesmo – em Genebra cada dia é muito diferente do outro.

Como é sair do Brasil e fazer uma aposta em si mesmo

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Quando eu decidi sair do Brasil, foi para estudar, e eu estou escrevendo muito sobre isto ultimamente por que simplesmente estou vivenciando dia-a-dia a maior mudança de toda a minha vida. Acontece que eu estou fazendo uma grande aposta em mim mesmo, por que as condições da minha empreitada são totalmente adversas:

  • Deixei de lado um excelente emprego no Brasil.
  • Vim com dinheiro contado e não é o suficiente para ficar o tempo todo do curso.
  • Vi uma parte da minha grana evaporar com a queda do real.

 

Já estou em 20 dias aqui, mas na verdade isso começou muito antes, meses antes, quando toda a minha rotina foi quebrada. Eu gostava muito do meu trabalho, mas já estava me sentindo velho e queria aproveitar enquanto ainda tinha disposição para fazer o que eu realmente queria, que é me destacar no exterior e viajar pelo mundo.

E a resposta à pergunta: “Como você está se sentindo” é a seguinte:

Todo dia é um dia diferente do anterior

Não há mais rotina

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Se eu queria sair da rotina, eu sai. E de uma forma irremediável. Deixei de lado um trabalho em que eu poderia me planejar pelas próximas décadas, em nome de um sonho em que eu não sei o que pode me acontecer daqui a 6 meses.

Antes eu tinha um trabalho que eu gostava e me fazia sentir recompensado por tudo o que eu lutei. Eu sabia exatamente que naquela semana eu teria que acordar as 8h00, sairía as 18h00, a noite teria um tempo livre para fazer algo, e no caso eu fazia tratamento médico, pós, cursos, etc..

Agora eu simplesmente sei que eu tenho aulas alguns dias da semana, e no resto do tempo eu tenho que estudar e trabalhar aqui no Blog. Mas, mais do que isto, eu não tenho aquela rotina regrada. Tenho liberdade, e isto é bom e ruim: eu posso fazer o que eu quiser, desde que seja de graça, e tenho tempo para isso. Mas certamente a falta de regras deixa a gente mais relaxado. Ter uma rotina super-regrada é ruim. Faz-nos sentir presos. Mas a falta de uma rotina nos torna de certa forma improdutivos. Eu ainda estou aprendendo a dividir meu tempo aqui.

Medo x Confiança

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Vivo num misto de medo x confiança e isso tem muita relação de quão grande é a minha aposta e o que isso significa para fim. O fato de eu ter dinheiro contado e ele estar lentamente acabando me deixa com receio do que pode ser de mim no futuro. Por outro lado, me deixa vivo, mais vivo do que nunca. Eu estou tentando usar o medo ao meu favor e quando eu consigo transformar isso em adrenalina e em boas ideias, isso se traduz e me traz muita confiança. Eu fico confiante todos os dias também.

As vezes é sim, muito chato você não ter nenhuma ideia do que será daqui a alguns meses. Mas basta lembrar de que de nenhuma forma nós temos esta certeza – é uma espécie de ilusão o fato de que nós achamos termos o controle do futuro. Qualquer coisa pode acontecer e mudar para sempre o que você considera como “certo” e isso as vezes está mais próximo do que você imagina. E mesmo a maior certeza de todas está na nossa mente – somos nós que temos a impressão de que as coisas vão correr como sempre correram.

Medo x Liberdade

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Não ter programação para o amanhã é diferente de não ter planos. O mesmo fato gerador do medo é aquele que me dá mais liberdade. Eu posso me focar em outros projetos que eu sempre quis me focar mas nunca consegui. É lógico que a liberdade é restrita pela questão do orçamento, mas isso acontece com a maioria das pessoas.

 

A constante descoberta.

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Se todo dia é diferente do outro, todo dia é uma grande descoberta. É constante – eu vivo num país que tem uma cultura diagonalmente diferente da minha. Isto é – valores parecidamente distintos. Então eu vou ao mercado e sempre vejo algo novo. Paro na rua e sempre vejo um novo estilo de pessoa. Converso com os locais e cada palavra é um novo aprendizado.

A maior descoberta, claro é a minha própria. Aqui eu tenho que me virar senão não vou suceder na vida. Tenho que extrair de mim fatores e pensamentos que eu não tinha há algum tempo. Eu me desafio constantemente. Não tenho estabilidade. Virei, mais uma vez, um lutador. E normalmente, quem vence é quem fica mais tempo de pé, mesmo que a melhor coisa que saiba fazer é se defender do que vier.

Até mais!

2 thoughts on “Como é sair do Brasil e fazer uma aposta em si mesmo.

  1. Compreendo bem esse sentimento, há um ano e meio passei por essa situação de largar a vida no Brasil para estudar inglês na Irlanda. Hoje comecei de novo, desta vez largando a, já rotineira, vida na Irlanda, para virar nômade. Mas o fato é que o aprendizado nunca acaba né?! E não existe a possibilidade de dar errado, porque independente de onde essa nova situação nos leve. Sempre teremos crescido de alguma forma! Muito sucesso para você aí em Genebra 🙂

    http://www.vainamala.com.br

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