Sociedade hiperprodutiva e a busca por equilíbrio

Por que você tem uma vontade cada vez maior de jogar tudo para o alto e sair por aí? Vender coco na praia? Viajar mais, reclamar menos? Trabalhar menos, ver mais a família? Por que as vezes você tem tanta coisa para fazer que não consegue fazer nada? Bate aquele sono ou aquele Stress. Acredito em um fator fundamental. Nós vivemos em uma sociedade hiperativa, hiperprodutiva.

Sociedade hiperprodutiva

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E aí meu camarada e minha amiga que está completando 18 anos, tudo bem! Você que esperou anos e anos para se tornar “de maior”, vinha extravasando aquela ansiedade pela liberdade e por finalmente mandar no próprio nariz, fazer a sua própria história e mudar o mundo! Tenho uma novidade para você: fazer 18 anos é apenas uma data e você não será tão livre assim.

Não quero ser pessimista, pelo contrário – tudo isso é plenamente possível, e com um mindset interessante você consegue chegar muito longe.

O que eu quero dizer que “você não será tão livre assim?” Quero dizer que hoje em dia a sociedade exige muito mais de nós do que há 20, 30 anos atrás. Se você quiser fazer alguma coisa grande, as chances de você ter que se doar completamente para isso são proporcionalmente grandes ao seu objetivo final.

Eu já falei que a sociedade exige da gente, moralmente, muitas coisas que não fazem sentido. Mas no campo das realizações pessoais, a sociedade está cada vez mais hiperprodutiva, e nós, hiperativos. Estamos em um ambiente solidamente competitivo. E as vezes isso não é nada saudável.

Há 40 anos atrás, as pessoas começavam a trabalhar mais cedo, com 14, as vezes até 12 anos. O mercado pagava relativamente bem por que não tinha tanta concorrência. Com o ensino médio você conseguia se virar bem e até comprar uma casa. Aprender o inglês ou francês não era tão necessário, a não ser que você fosse efetivamente trabalhar diretamente com isso, seja um professor de línguas, diplomata, uma empresa exportadora ou coisa assim.

Work-Stress

Hoje, isso mudou completamente. Você precisa de muito, muito mais, para ser bem sucedido, normalmente. Ou precisa de uma grande ideia. Mas estou falando da forma como os pais criam os filhos em geral, pensando no que eles tiveram que enfrentar no nosso mundo em grande crescimento. Por que a geração de 40 anos atrás subitamente também se viu em uma nova realidade, a nossa – a diferença é que nós nascemos sendo ambientados nela, mas não temos dinheiro, e eles podem ter bens, só que tem mais dificuldades para se ambientar.

Mas vamos falar de nós. Hoje em dia, faculdade é quesito obrigatório no currículo. Se você não tiver um diploma universitário, as suas chances diminuem muito no mercado. É óbvio que estou generalizando, mas eu tenho quase certeza que os seus pais te incentivaram a fazer uma universidade. Nós temos notícias de que Zuckerberg, Steve Jobs e Bill Gates não terminaram a faculdade, mas eles começaram e trabalham em um nicho importante. E mesmo assim eles são hiperprodutivos por que TI envolve constante atualização e inovação.

Inglês. Não aquele inglezinho que você só aprende o verbo “to be”, mas um inglês funcional, um inglês que você não põe no currículo “advanced” e você é “beginner”. Você tem que ser bom por que hoje as profissões estão muito mais ligadas com a esfera internacional do que há muito tempo atrás.

Atualização contínua. Você não pode parar. Não existe mais aquela de se formar na faculdade e nunca mais estudar. E mesmo no trabalho você precisa se aperfeiçoar.

A nossa sociedade também é muito voltada para uma vida saudável (o lado cara da moeda) e pelas aparências (o lado coroa da moeda). Por isso você precisa reservar uma parte do seu tempo para fazer atividades físicas.

Não se esqueça das atividades de limpar a casa, fazer comida, passar a sua própria roupa.

Atividades extracurriculares. Tendência no mundo todo. Se você quiser se destacar, tem que começar a se mexer. Por isso tudo aquilo que eu falei em cima, é só o básico, e já dá um trabalho danado. Por isso iniciativas de liderança, voluntariado, aprender a tocar algum instrumento, fazer parte de algum grupo de ajuda, aprender outras línguas, hoje isso é cada vez mais exigido se você quiser estudar nos grandes centros e trabalhar nas empresas mais interessantes.

Quando eu comecei a fazer um estágio em uma grande empresa de papel lá no Brasil, nós tivemos uma semana de integração, o que eu até curti fazer. Mas a integração envolvia você lidar com o ambiente de trabalho. E eles mostraram para nós o trecho de um filme que inclusive foi indicado ao Oscar: O Diabo veste Prada. O interessante deste filme é que uma moça vai trabalhar em uma grande revista de moda e tem que comer o pão que o diabo amassou para ser reconhecida por uma chefe terrível e exigente. E era isso que eles esperavam de nós. Claro, a mensagem fica nas entrelinhas.

O trecho do filme envolve a chefe pedir algo extremamente pessoal, e não relativo ao trabalho. Ela quer o novo livro do Harry Potter, inédito, que ainda estava em fase final de revisão, para os seus filhos, e que se a funcionária não conseguir, será demitida. Para o dia seguinte. É claro que no filme a funcionária consegue se superar e encontrar o livro para as crianças, mas não nos devemos esquecer que: no fim, ela pede demissão e vai para um lugar mais tranquilo.

Muita gente entra em depressão por que se vê impotente diante de tantas exigências e afazeres. E ainda assim, o que mais se vê é as pessoas propagando um discurso de que você tem que trabalhar muito, e descansar ou relaxar é coisa de vagabundo. Isso é um discurso, por exemplo, muito associado ao trabalho em empresas médias ou grandes onde o trabalhador tem que vender o seu peixe, todos os dias, e se superar.

Se você calcular quanto tempo precisa para dar certo neste mundo, vai ver que dormir pode facilmente se tornar um luxo. E que essa sociedade altamente funcional pode te tornar desfuncional. E que essa sociedade hiperprodutiva pode te tornar hiperativo, e depois estressado. Não é a toa que nós vivemos uma epidemia de stress e depressão. Praticamente não sobra tempo para se dedicar à você mesmo, à sua família, ao seu parceiro(a). Não é a toa que hoje nós discutimos a síndrome do pensamento acelerado.

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Equilíbrio

E vai ver que depois de algum tempo lutando, as pessoas começam a se cansar e querem algo mais “simples”. Largar essa vida louca e criar uma fazenda pequena, funcional e orgânica. Sair por aí batendo perna pelo mundo e esquecer, por exemplo, a preocupação com aposentadoria. Muitas pessoas querem montar o seu próprio negócio, por que a vida no mercado pode ser uma loucura.

O ideal é encontrar um equilíbrio, por que hoje em dia você precisa de uma grande energia para sair das exigências da sociedade. É o que eu estou querendo fazer. Quero uma vida mais simples, mas por hora, eu nunca trabalhei tanto quanto agora. Faz semanas que eu não vejo um filme e nem leio um livro. Meu videogame, o único que sobrou, está formando poeira. Mas acredito que valha a pena. Sair da “vida louca da sociedade” de uma vez por toda, talvez seja impossível.

A minha sugestão é que você se adeque de uma forma que te canse menos e que o seu trabalho se torne produtivo por si próprio. Ou seja, faça algo que te realize, e se puder, faça o seu trabalho dar retorno.

O equilíbrio, para mim, é não se deixar levar pela imensidão de afazeres da vida, e não tornar a vida pessoal secundária, e sim principal.

 

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