Morando fora depois dos 30. Três características.

Arriscar tudo por um sonho. Morar fora basicamente é isso. Você vislumbra uma vida melhor e troca toda a sua rotina por coisas que a gente não costuma ter onde vivemos. O que pouca gente fala é que esse desafio é muito diferente conforme a sua idade. Quando eu viajei pela primeira vez, eu ainda estava nos meus 20 e poucos anos. Agora, mudar, depois dos 30, é algo totalmente diferente.

Morando fora depois dos 30. Três características.

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O que eu falo aqui talvez seja identificável por muita gente que tem os seus 25, 26, 27, ou até menos. E também aqueles que tem 40. Tudo depende da sua trajetória. A minha certamente é muito diferenciada. A faculdade que eu comecei e terminei me colocou um diploma na mão com 27 anos, então enquanto muita gente já tinha o canudo com 22, 23 anos, eu obtive um pouco mais tarde. A minha cabeça definitivamente não está totalmente naquela de “quero me assentar”, por que eu ainda me sinto muito novo pra isso. Mas de fato o passar do tempo é inexorável e eu consigo sentir uma diferença considerável de quando eu tinha os meus 20 e poucos.

E aqui eu quero citar algumas das coisas que eu tenho sentido ao enfrentar esse desafio de morar fora depois dos 30. Não se engane, eu acabei de fazer os ditos 30 anos. Tem coisas que eu me sinto com 25, tem coisas que eu me sinto com 35.

Pra quem não sabe, estou morando em Genebra para fazer um mestrado. Eu larguei tudo para vir aqui e esta foi a maior loucura da minha vida. Talvez dê muito certo, talvez não. Não vou me alongar mais, vou direto às diferenças para quando eu tinha os meus 20 e poucos.

1 – Menos disposição para arriscar, mais persistência. 

Sinto que quando saímos da adolescência, o nosso pensamento é muito volátil e a energia em abundância nos faz querer focar em muitas coisas ao mesmo tempo. Virar a noite na balada e ir direto para o trabalho. Fazer um mochilão e dormir no ônibus mesmo. São coisas que nós somos muito mais propensos a fazer quanto mais jovens somos. O quesito novidade e realização falam bem alto. Em compensação quando você está saindo dos 20, já não tem tanta disposição, já não tem tanta paciência para se jogar. Não que você não se arrisque, pelo contrário – você o faz. Só que de uma forma mais pensada e mais persistente. Afinal, se é para fazer uma aposta em si mesmo, tem que ser de vez.

Para morar fora, quer dizer que quando você passa da marca dos 30, você começa a pensar duas vezes se é isso mesmo que você quer. E todos os dias você se pergunta a mesma coisa. Por outro lado, pequenas dificuldades vão te influenciar menos, afinal você com certeza já passou por poucas e boas.

2 – Tocando o foda-se para mais coisas. 

Sério, depois de algum tempo a gente não se importa mais com várias coisas. Vários mandamentos sociais, códigos de vestimentas, ansiedades e medos, felizmente, vão embora. Claro, surgem outros. Mas aquelas sensações que a antes a gente achava que eram o fim do mundo na adolescência e 20 e poucos, parecem que ficam tão pequenas conforme vamos dando mais voltas no sol.

Você se importa menos com diversas coisas e procura viver de uma forma mais autêntica. Mas isso também te torna um pouco mais relaxado e menos atencioso com coisas que realmente importam, eis que a prática nos ajuda a tornar as tarefas mais fáceis, mas a atenção aos detalhes caem. Eu definitivamente me importo menos com questões de relacionamentos e a necessidade de achar uma parceira, afirmação pessoal e profissional, vestimenta e outras coisas.

Morar fora vai te fazer tocar o foda-se mais ainda. Significa que você não vai passar pelas mesmas ansiedades e pode se sair muito mais tranquilo nas dificuldades. Mas também ficar mais desatento à eventos e tarefas importantes.

3 – Memória seletiva.

Nós gostamos de lembrar de tudo e aproveitar cada momento quanto mais jovens somos. Com o tempo, isso se torna tão natural que os dias começam a passar feito um álbum de fotos que você já viu algumas vezes. Acabamos automatizando diversas coisas, inclusive os nossos sentimentos. A nossa memória já não quer guardar tudo por que muitas coisas já não são novidade e acaba se tornando mais seletiva.

Na prática, ao morar fora, acabamos tendo um pouco mais de trabalho para aprender línguas e costumes, mas quando nos focamos, conseguimos gerir melhor a nossa capacidade de concentração. Com 20 e poucos anos, ainda enxergamos o mundo como multiplas oportunidades, e como se tivéssemos tempo para todo. A energia se dispersa em diversas atividades.

3 thoughts on “Morando fora depois dos 30. Três características.

  1. Curtindo o blog. Comentando em todos os post rsrrsrs
    Meu marido vai em junho/2016 para trabalhar. Ficará na casa de parentes brasileiros até conseguir um emprego. Moramos na Paraíba, eu sou advogada e ele é técnico em informatica. Temos uma ceta estabilidade mas, mesmo assim, estamos querendo arriscar, é a questão do “foda-se” que vc comentou, se der deu se não der não deu. Não vou agora, vou ficar no brasil mais alguns mesese estou pensando no mestrado, então se puder me ajudar agradeço. tb vamos p genebra =)

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