O Brasileiro é um estrangeiro por natureza.

No Brasil, todo mundo é eles – eles que sujam, eles que erram. Fora do Brasil, nós somos nós – felizes, dançantes e receptivos. O brasileiro parece atuar sempre como um estrangeiro, um expatriado, seja em sua terra, seja fora dela, seja para o bem, seja para o mal.

O Brasileiro que sempre age como estrangeiro

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Não sou nacionalista e nem quero ser! Até por que esse conceito de nação é temporário e é algo que foi “inventado” há menos de 3 séculos. A questão de querer dizer que somos diferentes dos outros só serve para nos separar e criar rixas e preconceitos. Nacionalismo é totalmente diferente de cultura, e é de cultura que eu quero falar, ou seja, da identificação de nós que nascemos ou moramos nesta terra austral ocidental e comunhamos de muitas afinidades, gostos, condutas e comportamentos semelhantes. Como pão de queijo, feijoada, praia e cachoeira.

Por isso eu quero dizer que o brasileiro, onde quer que esteja, se considera e age como um verdadeiro estrangeiro.

É simples assim – você praticamente não encontra bandeiras do Brasil no Brasil. A não ser em jogos de futebol, mas a camisa e a taça predominam sobre a bandeira, e em protestos, também tem, mas muita gente não quer usar a bandeira justamente por que ela tem um histórico de imposição (a bandeira é formada por símbolos da antiga família real brasileira), e acaba usando a camisa da seleção, sem se dar conta de que também está envolvida em corrupção.

Mas é possível separar a bandeira-nação da bandeira-cultura. E neste sentido, os estrangeiros ostentam a sua bandeira por todos os cantos, algo que não acontece no Brasil. Nos Estados Unidos ela está por todo canto. Aqui na Suíça, onde estudo, a bandeira do cantão de Genebra divide espaço com a da Confederação Helvética e ambas são vistas em diversos lugares. Até no Japão isto também acontece, mas com menos vigor.

Mas sabe onde tem mais bandeira brasileira ostentada? No exterior. Em todos os lugares que eu fui eu vi o pano verde-amarelo flamular ao vento, e não é pouco. Quem já foi ao exterior sabe como os brasileiros gostam de mostrar de onde vem, e andam por ai com camisas de times, da seleção, a bandeira na janela de suas casas. E aqui na Suíça eu vi mais bandeiras brasileiras do que eu vi no Estado de São Paulo.

Não estou fazendo julgamento disto – só citando um fato. Eu pessoalmente não uso nenhuma bandeira.

Brazilian Day em NY

No exterior os brasileiros se identificam muito mais como brasileiros e com o nosso ideal de cultura. E passam a valorizar coisas que normalmente não valorizam, como a comida, o calor humano, a proximidade, a tentativa de ajudar o outro e as vezes até o jeitinho brasileiro.

O Brasileiro também é um estrangeiro em sua terra quando se trata de cuidar da coisa comum. Infelizmente ainda é prática tratar o nosso meio ambiente como um problema dos outros e não nosso. No Brasil sinto que as pessoas tratam a terra como se estivessem de passagem e não permanentemente – pouco se liga para a limpeza das coisas, as pessoas não se importam com política a não ser que mexa com os seus interesses particulares ou seus achismos, mas todo mundo quer meter o bedelho na vida do vizinho.

No Brasil, tudo é eles – as pessoas falam como se fossem os outros que cometessem erros, maltratassem o ambiente e se aproveitassem dos outros, mas não enxergam o próprio nariz – muita gente age como se fosse um estrangeiro e o brasileiro uma raça inferior. Mas é irônico: quanta gente eu já ouvi falando mal de brasileiro mas pega o carro e passa pelo acostamento, fura fila e fica com o troco errado da padaria!!

Falo até por mim mesmo, eu mesmo já fiz coisas que a gente critica, mas agora procuro sempre mudar, e quando estava no Brasil mudei meu comportamento para deixar de ser babaca.

No exterior, brasileiros somos nós. Agora basta um brasileiro no exterior ouvindo alguém falar mal de brasileiro para se sentir ofendido, aí nós viramos novamente um agrupamento cultural. De repente a gente se dá conta de que no fundo não somos tão diferentes e que ouvir um gringo falando mal não é tão legal, afinal a gente pode não ser perfeito, mas estamos, pelo menos tentando (investigando os nosso políticos corruptos, por exemplo).

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