De repente em Florença – Conhecendo a cidade

Foi menos de uma semana até eu realmente confirmar a minha decisão. Um convite quase inegável, um evento único e uma oportunidade de ouro. Mas tudo tem seus custos. Aceitei, mas de repente, o tempo passou correndo e eu me vi mais do que nunca surpreso. Foi só quando eu pisei na estação Santa Maria Novella, eu me dei conta de que estava em uma das cidades mais espetaculares do mundo.

De repente em Florença

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A estátua de David na Piazzale Michelangelo

Como e por quê:

Foi meio sem querer querendo que eu vim parar aqui. Antes de mais nada eu quero dizer que a cidade sempre esteve na minha lista por causa da sua fama. Mas eu confesso que eu não sabia nada do que tinha para fazer em Florença. E assim eu vim sem nenhuma expectativa. E hoje depois de 5 dias, eu posso dizer que me surpreendi em todos os detalhes.

Mas vamos voltar um pouco no tempo, há cerca de 1 mês atrás. Quem é leitor um pouco mais antigo do blog sabe o perrengue que eu passei para vir para a Europa e que, por mais que eu ame viajar, eu não posso me dar ao luxo de gastar o dinheiro que eu tenho que usar para comer e pagar os meus estudos. A minha grana vai acabar antes do curso acabar. Então, em circunstâncias normais, pelo menos nesse semestre eu tenho quase certeza de que não viria para cá.

Mas eu vim e tudo começou quando um professor do meu mestrado sugeriu em aula que teria um excelente e curto curto de treinamento em uma instituição chamada Instituto Universitário Europeo, que fica em Fiesole, na Itália, do lado de Florença. No início eu curti e me interessei, mas logo descartei a aventura. No entanto notei que eles ofereciam uma bolsa para alunos oriundos de países em desenvolvimento, o que era o meu caso. Fiz uma carta de intenções e me candidatei.

Eu até esqueci do dito cujo e me surpreendi quando vi que tinha sido aceito. E mais, alguns dias depois veio a notícia de que eu também tinha sido agraciado com a bolsa. Então, de cara eu aceitei. Eu iria para Firenze (Florença)!!! Eu conheceria a Itália pela primeira vez na minha vida e quase tudo seria de graça. Mas tinha alguns problemas: a bolsa é relativamente limitada (150 euros) e eu teria que perder algumas aulas. Eu vi que o preço dos tickets de trem superavam 300 e eu teria que tirar do meu bolso. Já o avião sairia por 150 euros, mas eu tinha que gastar com hospedagem também.

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No Instituto com um jardim incrível atrás de mim

Fora isso, um período muito louco na minha universidade, onde eu tive que fazer uma prova e uma apresentação, especialmente a última me tirou o sono. Resumindo, eu só confirmei de verdade faltando uma semana para a viagem. E para isso eu tive que fazer diversos sacrifícios – comprei um voo barato e me hospedei em um hostel, de onde estou escrevendo agora. Tudo dentro do orçamento, e eu não tive que tirar quase nada a mais do meu bolso, a não ser para comer, mas mesmo assim valeu a pena: aqui tudo é mais barato que Genebra.

O curso de apenas três dias já acabou e também me surpreendeu. Entre os palestrantes havia juízes de cortes internacionais, professores conhecidos no mundo todo. E entre os participantes, eu era o que tinha o menor estudo – a maioria já era doutor. O que também me surpreendeu pelo fato de que eles me escolheram (também tem o fato de que eu já trabalhei em uma corte e tenho especialização, mas mesmo assim…)

A estrutura do Instituto é incrível. E ainda melhor, eles ofereceram o almoço, e dois cafés por dia durante todos os dias. Tudo gratuito e de excelente qualidade. E no primeiro dia, no jantar, uma trattoria Fiorentina clássica onde eu com certeza me esbaldei. E no dia da entrega dos diplomas um excelente coquetel.

Com tudo isso eu fiquei extremamente feliz, e eu ainda pude visitar duas cidades magníficas – Florença, a qual eu faço uma introdução aqui, e Fiesole, uma das antigas vilas da Liga Etrusca, que eu falo um pouco em outro post.

Florença

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A Catedral de Florença

Antes de mais nada, e pra não cometer o mesmo erro que eu já cometi antes, Florença é o nome aportuguesado de Firenze, que é o nome em Italiano.

E segundamente, se eu tivesse que dizer em poucas palavras o que é a cidade para mim, eu diria que é uma Metrópole das Artes. Por que Metrópole? Por que você pode viver durante décadas em uma Metrópole e nunca conseguirá conhecer cada canto dela, talvez nem 50%. Florença é uma cidade mergulhada em arte.

Todo mundo imagina alguns pontos turísticos de diversas cidades. Acontece que Florença tem em cada esquina alguma coisa interessante. Pode ser um prédio do século XIII, uma obra renascentista ou uma ruína romana. É muito fácil sair por aí caminhando e ver que em uma esquina tem uma pintura na parede que data do século XVI. Ou ir em um parque e encontrar uma pilastra do período Longobardo (idade média).

Por isso é uma cidade que não pode ser digerida de uma vez só. Você precisa vir mais de uma vez. Até por que tem outro detalhe importantíssimo: para cada obra de arte que você tropeça na rua existe uma cantina, trattoria ou pizzaria deliciosa. E aqui jaz outra questão: onde e o que comer com uma oferta tão grande? Por que em diversos lugares do centro, em uma simples quadra você pode encontrar oito restaurantes. E olha que eu não falei das pasticceria, cafés e gelaterias. Ah, as gelaterias merecem um capítulo a parte.

É claro que tem alguns pontos turísticos principais, como as galerias de arte e a uffizi, a igreja duomo, a ponte vecchio e a piazzale michelangelo. Mas aí se você vier só para isso é o mesmo que aparecer em um rodízio de pizza querendo comer só um ou dois pedaços – você vai acabar comendo muito mais e ver que não tem muito espaço na sua pança.

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Gelato

E Florença tem mais alguns pontos interessantes, alguns deles que me lembram muito o Brasil:

  • Restaurantes bons, comida de qualidade (até por que eu vim de Genebra onde a comida é muito sem sal)
  • Caos organizado: ônibus que atrasam um pouco, pessoas que atravessam a rua fora da faixa e fora do farol, motoristas correndo.
  • Uma pitada de jeitinho italiano: as pessoas as vezes querem passar a perna nos turistas, por exemplo, cobrando mais.
  • Vida nas ruas: as pessoas se falam bastante, e os restaurantes e comércio fecham um pouco mais tarde.
  • Olhar nos olhos e empatia: isso é algo que eu gosto muito – os italianos são calorosos e mesmo nunca tendo te visto, parece que já te conhecem.
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Foccacia!!

 

Coisas interessantes que você pode fazer em Florença:

  • Sair por aí, sem camera e sem tirar fotos, e apreciar a vida e a arte sem compromisso com nada
  • Entrar em dezenas de igrejas que tem arte em todos os cantos
  • Apreciar as pinturas dos tetos destas igrejas
  • Comer a carne toscana
  • Pedir uma refeição de quatro cursos, o que inclui a pasta 1, pasta 2 e carne e sobremesa. As vezes os quatro cursos são pasta, inclusive vermicceli ou sorvete.
  • Se esbaldar nos sorvetes (gelatos) que são deliciosos.
  • Curtir a vista no Rio Arno.
  • Se você tiver um tempo, visitar Pisa, Lucca e/ou Fiesole.
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O David de Michelangelo

Hoje é praticamente o meu último dia aqui e eu sinto um gostinho de quero mais. Eu fiz bastante coisa, mas parece tão pouco. Vou definitivamente querer voltar. E nos próximos posts, eu escrevo um pouco mais sobre o que eu vivenciei aqui.

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