O que o Brasileiro sente falta no exterior?

No exterior. Ou não é perfeito mais é muito bom. Ou, mesmo quando não é tão bom, é diferente, vale a pena. Por alguma razão o brasileiro sai do Brasil e fica um tempo no exterior trabalhando nos paranauês. A vida pode ser nota 10, tudo o que ele quer. Mas o Brasileiro sempre vai sentir falta de algumas coisas.

O que o Brasileiro sente falta no exterior?

Brasil_celeiro

Talvez eu devesse colocar um ‘ainda’ no meio do título do meu post, por que hoje em dia está cada vez mais fácil achar coisas que antes a gente só encontrava no Brasil. E a internet resolveu muitos problemas de distância. Mesmo assim, tem coisas que simplesmente não chegam aqui, tem coisas que nunca vão sair do Brasil e tem costumes únicos que a gente sente falta. E tem coisas muito caras também.

Eu moro na Suíça faz alguns meses simplesmente por que eu vim fazer o meu paranauê (também conhecido como Mestrado), mesmo nas condições mais adversas. E passado esse tempo, eu, que achei que ia me acostumar rapidamente, me peguei sentindo falta de algumas coisas. As outras eu anotei conforme o tempo foi passando e conhecendo outros brasileiros. Acho engraçado que a primeira resposta é quase sempre ‘só a família’, mas se a gente insistir um pouco arranca uma coisa ou outra.

O que eu posso dizer que a Suíça é um país maravilhoso mas não tem nenhum povo como o Brasileiro, que por mais que tenha os seus defeitos, tem coisas positivas que a gente não se dá conta por que está ali na esquina. Aliás, as coisas que a gente mais sente falta são aquelas que a gente lidava quase sempre – a saudade é relativa a muitas coisas da nossa rotina.

Tenho chocolate, tenho queijo, organização, neve e bons prospectos. Mas se tudo isso tivesse no Brasil, eu pensaria duas vezes. E aqui vai uma lista. Parece que quase sempre começa com um FFFFF (Família, Friends, Feijão, Farinha e Futebol).

  • reuniao
    Família: Aparece sempre na primeira opção. As pessoas sentem falta da proximidade e de ter com quem conversar. E as vezes até da encheção de saco. O que o povo não sente falta mesmo é das cobranças de presente. Eu particularmente sou mais de boa com a minha família – a internet está aí para isso e eu sempre fui self-made. Lógico, não é a mesma coisa.
  • bar
    Amigos: A internet também ajuda, mas não é a mesma coisa. Aquelas saídas ao bar, jogar conversa fora, trocar uns conselhos. A gente pode arranjar amigos fora, mas não é a mesma coisa que no Brasil. Essa é uma das maiores diferenças para mim. Aqui na Europa, por exemplo, sinto que as pessoas estão ‘pouco se fudendo’ para você – demoram mais para se abrir. No Brasil, as pessoas são mais próximas, para o bem e para o mal – a gente troca mais informações, mas ao meu tempo ouve muito palpite indevido na nossa vida.

Eu particularmente gosto dos italianos e latinos em geral, eles são pessoas mais próximas e mais quentes. Os Japoneses são mais fechados, mas são extremamente interessantes e bem intencionados.

  • Corinthians
    Futebol: Nem todo mundo sente falta mas eu sinto. Não é a mesma coisa! Aqui eu posso pegar um voo de 40 euros ida e volta para a Inglaterra e assistir um Chelsea x Manchester United ou um Barcelona x Real Madrid na Espanha. Vou sentar em cadeira marcada e as pessoas vão aplaudir os times. Não vai ter briga, provavelmente. E muito provavelmente a qualidade do jogo vai ser melhor.
    Mas não quer dizer que eu vou gostar mais. Primeiramente, eu sou apaixonado por futebol e pelo meu time. Eu estava acostumado a assistir o jogo todos os domingos e quarta na TV e as vezes no estádio. Podia não ser o melhor dos jogos, mas eu gostava da tensão, das dificuldades e do calor da torcida.
  • feijaopreto
    Feijão: Dá pra achar feijão importado e tem vários tipos de feijão do mundo todo. Mas primeiro, não é uma coisa tão comum de comer feijão aqui. Segundo, o gosto é diferente. Aquela feijão carioca e o feijão preto brasileiros são raros de encontrar. E como é costume do Brasileiro comer feijão quase todo dia, essa é uma das coisas que mais sentimos falta. Tô até salivando aqui.
  • pão de queijoPão de Queijo: Também dá pra encontrar o congelado e as farinhas pra fazer. Mas não é a mesma coisa também. Primeiro, é muito mais caro. Segundo, os melhores pães de queijo, na minha humilde opinião, são aqueles do Rei do Mate e de outras franquias. As vezes até aqueles de padaria que são tipo uma surpresa, ou está muito bom ou muito ruim.
  • churrasco
    Carne de qualidade e ‘barata’. CHURRASCO! Churrasco amigo. Ou qualquer tipo de carne. A não ser que você esteja num país gaúcho (Argentina, Uruguai, Paraguai), é muito provável que você sinta falta de carne. Pode acreditar que o Brasil é um dos países com a carne mais barata. A ponto de ser uma potência para exportar nessa área. Na Suíça, por exemplo, muitos frangos vem do Brasil. E aqui a carne é caríssima. E simplesmente não é a mesma coisa pra churrasco. Como explicar uma Maminha na manteiga pra um Suíço?
    Não é a toa que as churrascarias brasileiras estão expandindo pelo mundo.
  • Piada2
    Expressões e piadas: Isso eu sinto muita falta. Em outros países, até em Portugal, a gente vira meio que um ‘analfabeto’, por que nunca vamos conseguir nos expressar com a mesma facilidade e expressões. E as piadas então? Como explicar “Só que não” para um estrangeiro? Como explicar “Não sei quem fui”? “Já acabou Jéssica?”
  • O violeiro, de Almeida Júnior
    O violeiro, de Almeida Júnior

    ‘Bagunça organizada’: No Brasil a gente está tão acostumado com algumas coisas funcionarem na base do empurrão e do jeitinho, ou com uma bela conversa, que a gente sente falta. Eu não estou falando somente do jeitinho negativo. Estou falando do bom senso e do humanismo do Brasileiro. Na Europa as coisas são um pouco mais quadradas, e como eu disse, se você não seguir algumas regras (muitas delas pura burocracia), ou se o agente estiver de mal vontade, você pode não conseguir o que você quer, e o que muitas vezes você tem direito.

  • sucos
    Sucos e Vitaminas: Não é costume aqui na Europa oferecer sucos. Aliás, se você for numa restaurante e pedir um juice, um jus, um saft, um succo, é capaz que eles te tragam de caixinha/latinha/pote, ou seja um tanto quanto industrializado. Suco, pra mim, é fruta batida ou no máximo polpa. E quando tem aqui, é caro, e eles chamam de vitamina. Embora ultimamente no Brasil também esteja muito caro.
  • mangos
    Manga e Banana baratas: Aqui tem, mas não é a mesma variedade. Aquela Manga Palmer da Bahia que valia quase 1 real na feira, e se você comprar da Fazenda, menos da metade, aqui chega a custar 3 francos (12 reais) a unidade. E não tem as mesmas variedades.
    Banana não chega a ser super cara, mas é cara. E só tem uma variedade, dependendo do país. Queria achar pacoba (banana-da-terra), e banana-prata, e até agora nada.
  • pao na chapaTomar café na padaria: Sabe aquele domingão que já bate a preguiça e você decide ir na Padaria tomar um pingado e um pão na chapa? Ou durante a semana quando você acorda mais tarde e decide comer fora? No Brasil tem padaria pra todo canto e quase sempre é um mini-restaurante com balcão.
  • Além disso: Mandioca, Mandioquinha, Batata-Doce, Pamonha, Tapioca, Queijo Branco, Paçoca, Feijoada.
    Aliás, Farinha e Farofa também.

E aqui a coleção de algumas contribuições que eu recebi no Facebook:

  • Jaca (Samantha Honebon):
    Samantha, eu também sinto falta de Jaca, que foi algo que eu descobri tardiamente. Eu provei Jaca dura alguns meses antes de partir e apesar do gosto forte, do cheiro forte e de a mão ficar grudenta, eu curti pra caramba. E até hoje eu não achei aqui.
  • Açaí (Gabriela Laís): Eu também sinto falta de Açaí, e olha que eu morava em São Paulo, onde já não era a mesma coisa e a gente ainda fazia diversos pecados com ele. Durante anos eu comprava alguns baldes e ia comendo conforme o tempo. E o suco também, hmmm..
  • Coxinha (Giovana de Rosa e Franciele Cristina):
    A coxinha está virando item de exportação brasileiro! Mas aqui em Genebra, por exemplo, custa 3 francos uma unidade que no Brasil custaria 0,50 centavos. Por que aqui isso é ‘CHIQUE’, é exótico.
  • Festa de fim de ano (Vic Silva Gutiérrez):
    Também sinto falta Vic! Especialmente amigo secreto, arroz de natal, rabanada. E no trabalho/estudos também, fica uma época legal, cheia de confraternizações.
  • Chimarrão (Patrícia Davet): Eu particularmente nunca provei, mas a minha amiga gaúcha Camila diz que não pode faltar no estoque dela.
  • Pastel de Feira (Débora Gimpl):
    Até hoje não encontrei aqui. Aquele pastel de palmito ou pizza com caldo de cana. Show.
  • Manicures/Pedicures (Áuxia de Campos): Não entendo nada do assunto, só sei da moça Fabíola. Mas as amigas daqui sentem falta de um serviço decente. E quando tem, adivinha quem faz? Brasileiros!

E você, sente falta de alguma coisa? Acha que vai sentir? Inclua nos comentários também =)

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