Ao menos uma vez na vida, fique (pelo menos) um mês fora do Brasil

Um mês, só um mês. É o suficiente. Mas é claro que mais é melhor. Que tal uma grande transformação do seu modo de pensar, de enxergar a vida e de agir? Que tal se dar de presente uma revolução?

Existe sim, vida fora do Brasil, é verde, é bela, é confusa, é cheia de percalços. É totalmente interessante.

Ao menos uma vez na vida, fique (pelo menos) um mês fora do Brasil

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“Nem vou ler – esse cara acha que todo mundo é rico para poder morar fora”.

Talvez esse seja um dos maiores motivos para você ler então. Não precisa ser rico e isso é um assunto que eu vou desenvolver em outro post. Eu sou um exemplo de que não precisa ter uma conta polpuda. Fiz uma viagem de um mês em 2012. E estou morando fora há quase 5 meses. Não era rico e continuo não sendo.

Bom, primeiro, não precisa ser rico para viajar. 

A gente tem essa ideia na cabeça – ser rico – por que justamente os brasileiros que tem grana viajam bastante e o que eles mais fazem? Ostentar. Brasileiro gosta de ostentar por que a gente vive em uma cultura de status, em que parece mais valer a pena ter um iphone do que pagar uma faculdade. Mas isso também é um assunto pra outro post.

Em poucas palavras – planejando, dá.

E é uma das experiências mais gratificantes que você pode se dar.

O que eu quero dizer com morar fora.

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Morar fora definitivamente não é só turistar. Se você ficar viajando o tempo todo, praticamente só vai lidar com turistas e pessoas dedicadas ao turismo, que falam a sua língua do turismês. Morar fora quer dizer viver o dia-a-dia do estrangeiro, ir no mercado, no cinema, as vezes viajar, mas ter uma base, uma HQ, um lugar onde você fica mais, falar com os vizinhos e interagir com as pessoas locais. É morar, no sentido estrito da palavra – residir.

A melhor forma de viver fora é ficando em alguma república ou na casa de alguma família. E para isso eu fortemente recomendo fazer um intercâmbio de estudos de língua estrangeira ou algum curso. Normalmente as escolas tem acordos com famílias, em que em troca de pagar o aluguel, você tem direito a um quarto e refeições.

E morando com uma família você vai conhecer verdadeiramente o cotidiano dos estrangeiros e o que eles pensam sobre determinados assuntos. Eu passei por aquela experiência e conto mais embaixo.

Choque cultural

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Choque cultural. Quem disse que precisa ser ruim? Sempre tem alguma lição. Forçosamente em qualquer outro país do mundo você vai sofrer com as diferenças de cultura. E eu digo que isso é bom por que com o passar do tempo nós vamos criando uma bolha de familiares e amigos, pessoas que pensam igual a gente de uma forma geral. Os mesmos planos, as mesmas virtudes.

O choque cultural pode ajudar a abrir a mente para outros horizontes e ideias que não estamos tão acostumados. Aqui na Suíça, por exemplo, os ônibus não tem catracas – você já deve ter o bilhete comprado antes de entrar. E quase não tem fiscalização. Mas muita gente respeita.

Aqui as pessoas também costumam fazer muitos piqueniques e comer muito queijo, tomando muito vinho. No Brasil somos apreciadores de cerveja e salgadinhos (eu não muito). E nas primeiras vezes que eu sai foi um choque interessante.

Nem tudo são flores, claro. Na Europa, por exemplo, as pessoas fumam muito mais do que no Brasil. E não é raro ver bitucas de cigarro no chão e gente jogando baforada em transeuntes.

Abrindo os seus horizontes

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A receita de sucesso de morar fora é que isso vai realmente abrir os seus horizontes.

Primeiro, você vai se tocar que você é realmente um estrangeiro – um estranho em um mundo diferente.

Segundo, que o modo de viver do brasileiro não é o único.

Terceiro, que há um mundo inteiro lá fora. E provavelmente o bichinho da viagem vai te morder para te fazer querer conhecer.

Quarto, um mês é tempo suficiente para você esquecer, ao menos um pouco, que você mora efetivamente no Brasil. Isso vai te ajudar a entrar um pouco mais na nova cultura.

Quinto, o tempo que você estiver fora vai te trazer novas ideias.

Sexto, você vai voltar (se voltar) para o Brasil com um olhar de estrangeiro, observando as coisas que são boas e ruins e principalmente aquilo que pode ser melhorado.

 

A nada idílica vida do estrangeiro

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Idílico é utópico, fantasioso, perfeito. Uma das melhores coisas de se morar fora é que nós trazemos o estrangeiro de volta a terra. Um ser humano comum. A gente sempre acha que a grama do vizinho é muito mais verde quando na verdade eles sofrem das mesmas mazelas que a gente, só que em graus diferentes.

Não ache que mudando de país você vai se livrar de trânsito, assédio, violência, inflação e corrupção.

Você pensa que na Suíça é tudo limpo e perfeito? Mas aqui tem diversas pixações, e por exemplo no dia de Natal, um grupo de 500 pessoas saiu pelas ruas da cidade pixando monumentos históricos e lojas grandes e pequenas. Pode não ter muito lixo nas ruas mas estão cheias de bitucas de cigarro. Mas por hora é claro que é melhor do que no Brasil.

A gente também sempre imagina uma vida perfeita fora do Brasil e se esquece que lá também existem contas a pagar, doenças e acidentes, trânsito e violência. Claro, o lado bom existe e você pode ver por todo esse blog.

Minha experiência – um mês em San Diego. (California)

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Eu falo com conhecimento de causa por que foi efetivamente uma viagem de um mês que ajudou a pautar a minha vida. Nessa viagem eu descobri várias coisas.

A primeira: Eu não precisava ser rico para viajar. No Brasil eu estudava em uma universidade em que muita gente era de família abastada e eu era um dos pobres. E sempre via eles viajando e passando temporadas na Europa, States e na Ásia. Liguei o fato ao sujeito: tem que ser rico pra viajar. Mas aí eu comecei a ver que alguns amigos mais próximos da minha realidade também iam viajar. E comecei a pesquisar. Vi que não era impossível! Na época o real estava forte. Fiz um empréstimo e peguei com o que tinha juntado. Paguei o empréstimo durante três anos mas valeu a pena.

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A segunda: Eu morei em uma casa de família e minha experiência foi ótima. Lá eu tive alguns choques culturais que foram mais bons do que ruins. Eu morei com um casal americano de San Diego de 50 e poucos anos e notei algumas coisas interessantes:

  • Eles não eram casados e nem tinham vontade de casar, apesar de estarem há mais de 10 anos juntos. No Brasil, as coisas estão mudando, mas as pessoas ainda tem uma pressão muito grande pra se casar e se você é visto com mais de 40 solteiro, muita gente acha que você é perdedor. E para mulheres isso é ainda mais cruel.
  • O ex-namorado da minha ‘hostmother’ trabalhava para ela há mais de 10 anos como jardineiro. E eles conviviam numa boa.
  • Apesar de terem mais de 50 anos, eles sempre saiam pra fazer esportes e coisas que muita gente jovem não faz. Na primeira semana eles cruzaram a California de bicicleta, na segunda eles estavam fazendo trilhas e na terceira, corrida. E vários amigos deles faziam isso. Esse estilo de vida é mais californiano e é algo que eu quero levar pra sempre comigo. Quero ser como eles. Mas no Brasil, em geral, eu percebo que as pessoas quando chegam nos 50 as vezes não ousam nem sair de casa por que o Brasileiro, na minha opinião por dois motivos: culturalmente a gente quer ficar mais em casa, e segundo, o brasileiro julga as pessoas pela aparência.
  • A minha hostmother tinha um irmão super engajado com o exército que era veterano mas ele aparecia lá quase que totalmente fardado para alguns dos nossos churrascos e jantares.

Terceiro: O bichinho da viagem me mordeu. Eu simplesmente me viciei em querer viver em outros lugares por que a experiência foi muito boa.

Quarto: Sai de lá com várias ideias sobre o que fazer da minha vida. Conheci gente de todos os cantos do mundo, cada qual com os seus projetos, e uma coisa eu me dei conta – não é pecado pensar grande. Eu reparei que embora eu fosse ambicioso, eu não estava tentando atingir todo o meu potencial.

Quinto: Sair da zona de conforto. Por mais que na minha casa eu me esforçasse para fazer outras coisas, vários dias eu simplesmente chegava e me trancava no quarto para ver a internet, estudar, ou filmes. Saía com a namorada ou familiares, amigos, mas eu tinha uma rotina pré-estabelecida. Em San Diego, cada dia era um dia diferente e eu me sentia até mal em chegar e simplesmente ficar no quarto, enquanto na sala tinha os meus hostparents e uma coreana super gente boa.

Sexto: Voltei pro Brasil com um olhar de estrangeiro. Me dei conta de uma série de coisas que podemos melhorar. Por exemplo, em São Paulo, a cidade mais visitada, o nosso sistema de transporte é super inóspito para estrangeiros. Só tem algumas pouquíssimas informações em inglês e mesmo assim a pessoa pode se perder facilmente.

Bom, mais do que isso, eu vou contar a história toda da minha viagem.

Morar fora pode e vai te transformar

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Se você deixar.

Eu sempre digo para os meus amigos que, se eu tiver filhos, vou deixar eles fazerem uma viagem, um ano ou semestre sabático, antes de começar a faculdade, para abrir os horizontes. Acho que foi uma das melhores experiências de toda a minha vida, e só me arrependo de duas coisas: não ter ido antes, e não ter ficado mais tempo.

E você, tem alguma experiência para contar sobre morar fora?

8 thoughts on “Ao menos uma vez na vida, fique (pelo menos) um mês fora do Brasil

  1. Adorei seu blog, sinto esta vontade de viajar pelo mundo e vc me trouxe inspiração e motivação. Adorei !!! Em breve te conto minha próxima viagem. Tudo de bom, Aledra Gués

  2. Oi estou lendo vários artigos que você escreveu e me identifiquei muito. Fiz um intercâmbio de 3 meses para o Canadá, foi minha primeira viagem internacional e minha primeira viagem de avião. Realmente as pessoas dizem que somos ricas quando fazemos isso e o fato de estar a 4 anos no emprego e ser casada só piorou os questionamentos. Mesmo assim fui e foi uma das melhores coisas que fiz na minha vida. Só teve um probleminha, meu marido não foi e quando voltei estava transformada e queria morar fora definitivamente, mas não aconteceu, pois ele não quis. Depois de muita conversa e choro, ele me confessou o porquê estava boicotando o plano, ele estava com medo. Não digo que o medo dele venceu, mas eu estava mergulhada nas minhas questões internas do motivo que não era feliz na minha carreira. Depois de uma terapia e orientação vocacional ficou evidente meus acertos e meus erros, então decidi seguir uma das minhas vocações, estou fazendo a faculdade de direito. Não é fácil mudar de carreira depois dos 30, com a ideia de passar mais uma temporada fora do país e a decisão de ser mãe mais uma vez adiada, pois o bichinho da viagem tem uma picada mais forte em mim do que a maternidade.
    Nós nunca voltamos os mesmos de nossas viagens, mas somos cada vez mais íntegros com nossa verdade do que antes.

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