“A vida de uma pessoa livre é considerada ofensiva para todos que vivem presos à aparências e regras”

Se você estiver pensando em viajar, morar fora, mochilar, mudar completamente de vida e sair da rotina, e está sendo criticado, leia esta frase de Paulo Coelho, pense e reflita bastante. Até quando você vai se deixar levar pelas críticas e até inveja de pessoas cuja vida é linear? E até quando você mesmo vai se deixar viver uma vida cercada de regras e aparências?

 

“A vida de uma pessoa livre é considerada ofensiva para todos que vivem presos à aparências e regras”

Paulo
Frase de Paulo Coelho

Não sou de catar palavras na Internet.

Gosto de palavras e sentimentos sinceros e cheios de significados. Algo que eu possa digerir. E quando eu li essa incrível frase de Paulo Coelho, é como soasse um gongo e resumisse todos os meus pensamentos. É como iluminasse a fase atual da minha vida. Antes eu era uma pessoa que vivia preso às aparências e regras. Hoje eu estou tentando me desvencilhar disso. Acredito que ofendi muitas pessoas só por me engajar neste processo.

É exatamente por isso também que eu gosto dessa frase.

Eu até reparei que gosto de ofender as pessoas pelo simples fato de pensar livre. Pessoas que querem me enquadrar nisto ou naquilo. Ou que se sentem ofendidas quando eu critico algumas ‘regras’ que ainda existem nos dias de hoje. Como o fato de querer casar com uma festança. Nada contra querer casar em si mesmo. E se você quiser gastar todo o seu dinheiro e as vezes o dos seus pais e avós e descendentes até a terceira geração por uma festa que vai durar metade de um dia, tudo bem. Essa hipótese não passa pela minha cabeça, sendo pobre como fui e agora estou novamente.

Tivesse condições e quisesse me casar, certamente consideraria fazer uma festa interessante. Mas não me sinto forçado a isso. Não trato como regra.

Regras esdrúxulas

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Mas o fulcro do Blog é viajar, morar fora, mochilar, mudar de país e é nisso que eu vou me focar. Coisas que envolvem movimentação. Acredito que a vida de qualquer pessoa que viaje é uma ofensa para muitas pessoas no Brasil. Primeiro, eu já disse que viajar é encarado como coisa de rico. Segundo, viajar muitas vezes é tratado como coisa de vagabundo.

Viajando e quebrando regras.

É isso mesmo que você ouviu. Muita gente de cabeça fechada acredita que viajar é coisa de vagabundo ou gente que não faz nada. Ou é gastar dinheiro à toa. Quantas vezes já ouvi: ‘não posso viajar, tenho que me sustentar’. ‘Enquanto você viaja, alguém tem que trabalhar?’ – detalhe, eu trabalhei muito, e dezenas de vezes eu erroneamente virei a noite me esforçando para trabalhos muito mal pagos ou fiz hora extra sem receber nada a mais. Mesmo assim, na primeira viagem que eu fiz, fui criticado por gastar o meu dinheiro com aquilo ao invés de algo palpável. Acabou que aquela viagem me trouxe muito mais ideias e pensamentos que me ajudaram por toda a minha vida.

E muitas dessas pessoas que alegam não ter dinheiro tem o smartphone de última geração, coleção de camisetas da hollister e carro zero. Mas ‘não posso viajar, tenho que me sustentar’, parece uma realidade muito grande para tais pessoas. Eu enxergo de outra forma – se sustentar não é tão caro. Sustentar os seus sonhos, e isso inclui smartphone, roupas caras e carro, é caríssimo. E viajar é um dos meus sonhos. Por isso quando eu tive oportunidade, não comprei um carro, o que me fez ser muito criticado à época.

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Carro ou um sonho?

Por que no Brasil, é quase tratado como regra ser bem sucedido e ter um carro. Eu estava em uma carreira bem sucedida e escolhi não comprar um carro. O problema é que carro no Brasil é um item muito caro. E é tratado como regra que quanto mais bem sucedido você é, melhor você deve aparecer com um carro bom. Então muita gente abre a carteira mesmo para carros de 70.000 reais. Tudo bem querer fazer isso.

Mas qual o sentido de criticar quem não quer? Conheço a história de um promotor que tinha um Gol ano 2001 e a família da esposa dele criticava o fato de ele ganhar bem e não comprar um carro de última geração.

Viajar, Mochilar x Pseudo-Obrigações impostas pela sociedade.

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Muita gente também critica o fato de alguém querer viajar ou mochilar quando tem outros afazeres normalmente impostos pela sociedade. Como passar o natal em família. Quantas histórias eu já ouvi de gente que ia visitar ou via a família todo dia e aproveitou as férias de fim de ano pra viajar e foi criticado por que não passou o natal junto?

A história que mais me pega no fígado é a da minha amiga Camilla que escreve no Tô Passando – On the Road. Ela tem um filho de oito anos e muita gente acha que ela tem que ficar cuidando da criança 24 horas por dia e não pode mochilar. (É claro que ela deixa a criança com uma pessoa muito responsável) E o fato de ela mochilar e querer se divertir, que é um direito dela, é ofensivo pra muita gente.

Saindo do Brasil x amor a pátria

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Hoje eu moro na Suíça por que faço Mestrado aqui. E fui criticado por sair do meu país. Alguns gatos pingados (contra milhares de apoiadores), ainda com uma cabeça antiga, disseram que eu deveria ter amor à pátria e tentar a vida no Brasil mesmo.

Eu ri.

Ainda mais pelo fato de que quase todo brasileiro tem algum parente imigrante estrangeiro. O Brasil é um grande caldeirão cultural. Tenho sangue português, espanhol, árabe, polonês e de indígenas na família, no mínimo. E quem tem dupla cidadania?

E desde quando uma pessoa que quer sair trai mais a pátria do que os políticos que roubam milhões de reais?

O fato de eu não estar mais no Brasil não quer dizer que eu não ame o meu país de origem. Apesar de todas as dificuldades, tem muita coisa que eu amo de paixão, inclusive o próprio país como um todo.

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Casar como regra?

Eu, por exemplo, hoje não me casaria e sim moraria junto. Também já fui muito criticado por este fato. Também fui criticado por deixar a barba crescer em um ambiente jurídico (por um chefe que deixava a barba também), por escolher não ter um carro em uma cidade como São Paulo e por largar uma carreira promissora em um nome de um sonho maluco.

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 Mea culpa

As vezes eu mesmo me pego encarando muita coisa como regra, é claro, por isso o exercício de uma mente livre é algo constante. Inclusive o pensamento livre não é regra. Afinal, muitas tradições existem por algum motivo e trazem algum significado especial.

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