Conhecendo a Europa de Busão – 15 grandes destinos.

Muita pesquisa, horas de escolha e uma promoção de última hora. Um mochilão no centro da Europa, conhecendo algumas das cidades mais tradicionais do mundo e algumas belas surpresas. Berlin, Zurique e Veneza contrastam com Freiburgo, Constança, Trieste e Ljubljana. Acompanhe mais sobre essa viagem que começa em 20 de janeiro de 2016.

 

Conhecendo a Europa de Busão – 15 grandes destinos

Freiburg, Strasbourg, Berlin, Zurique, Munique, Konstanz, Praga, Budapest, Viena, Ljubljana, Trieste, Veneza, Milão, Genova e Turim. Ufa. Tudo isso em 30 dias. Como?

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Visite o site da FlixBus

Quem não me conhece agora e chegou ao meu Blog por este post, uma pequena apresentação é necessária, e fá-lo-ei. Meu nome é André, moro em Genebra, na Suíça, e eu estou nessa cidade para fazer um Mestrado. Vir para cá foi uma das maiores loucuras da minha vida – eu larguei tudo no Brasil – emprego, futuro, bens pessoais, em nome de um grande sonho.

Apesar das dificuldades da minha empreitada – a maior parte financeiras -, cá estou, em Genebra, quase cinco meses depois daquela longa viagem de avião de São Paulo à Suíça. E aproveitando os últimos momentos de férias, bem como tomando nota que pode ser uma das poucas oportunidades que eu terei, resolvi fazer um Mochilão por alguns países da Europa.

Por que e como?

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Grana matters

Inicialmente, a minha viagem não iria ser nada longa. As minhas aulas voltam lá pelo dia 22 de fevereiro de 2016 e até o dia 15 de janeiro eu não tinha nada decidido, a não ser que faria pequenas incursões na Suíça mesmo ou na França, o que sairia mais barato do que passar o tempo todo viajando. Seriam apenas viagens de bate-volta ou no máximo um dia. Hoteis e mesmos Hostels são muito caros na Suíça.

O que pega mais é a questão financeira. Eu estava e ainda estou cheio de dedos e não me arriscando muito com gastos.

Mas eu me dei conta de que o tempo é curto e que essas férias são únicas. São dois anos de curso e o tempo passa rápido. Sem falar que muito provavelmente eu posso ter que passar as férias inteiras trabalhando para me sustentar aqui na Suíça (para quem não sabe, com o visto de estudante só é possível trabalhar legalmente após 6 meses, e eu estou indo para o meu quinto mês ainda). Resolvi procurar com mais afinco e fazer a viagem acontecer. Chega de ser medroso. Bora confiar no meu potencial.

Até que no dia 15 de janeiro eu recebi um email da Newsletter da companhia Flixbus, uma empresa de Ônibus alemã que faz viagens por boa parte da Europa (infelizmente não vai para Portugal, Espanha, Inglaterra e Irlanda). Eu nem me lembro por que assinei a newsletter, por que eu não tenho costume de ler, mas naquele dia eu resolvi ler. O título já me chamou a atenção: ‘Happy Flix-Year: 10,000 Tickets for € 1 and 100,000 Tickets for 9.99.’. Em tradução livre, 10.000 bilhetes por 1 euro e 100.000 bilhetes por 9.99 euros.

Não acreditei quando vi. Fui lá e confirmei. Vários tickets com valores baixíssimos. Alguns que custavam mais de 40 euros e agora por 1 euro.

O dilema da criança com 5 reais na sorveteria.

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Foi assim que eu me senti quando vi a imensidão dos destinos que eu poderia visitar. Pensei em centenas, mesmo. Mas não poderia ir a todos, por questão de logística, de tempo e especialmente de dinheiro. É simples querer ir para Madrid, para a Ucrânia e para os países nórdicos na mesma viagem. Era justamente o que eu queria. Mas não dava.

A criança na sorveteria vê todos aqueles sabores diferentes, muitos dos quais ela nunca provou na vida e agora quer tudo de uma vez. Mas ela só tem cinco reais no bolso e isso só dá para comer um ou dois sabores, de verdade. Então ela vai escolher o que ela sabe que é melhor. Chocolate e Flocos, por exemplo. Mas se ela for esperta, vai pedir pra provar um pouquinho dos outros também, pra matar a vontade e um dia comer. Os atendentes sempre permitem.

Foi com esse pensamento que eu resolvi escolher – quais são as cidades mais prioritárias para mim? As que eu sempre quis ir e um pouco das outras que eu tiver condições de passar.

E aí eu decidi criar alguns critérios:

(1) preço: nenhuma passagem por menos de 9.99 euros.

(2) proximidade: nada de viagens de mais de 24 horas. O máximo é 12 horas, desde que seja overnight.

(3) capitais antes do interior: muita vontade de visitar a Alemanha inteira, assim como a República Tcheca, o leste Europeu. Eu gosto de lugares menos turísticos, mas mesmo assim, antes, eu preciso conhecer as capitais.

(4) mais tempo em cidades mais baratas: na prática, quer dizer menos Alemanha, França e Suíça e mais Itália e especialmente leste Europeu.

As escolhidas:

Depois de horas penando pra escolher, eu consegui fazer um itinerário decente. O meu problema: eu fui colocando mais e mais cidades. No começo eram quatro, e eu pensei – é o suficiente, dá pra conhecer bem. Mas depois eu vi que a outra cidade era perto e eu sempre quis visitar, e aí tinha a outra cidade, e etc.. e tal. E quando eu cheguei na parte de Budapest, pensei – hora de voltar para Genebra. Só que aí o ônibus de volta para Genebra demorava mais de 27 horas e tinha várias conexões. E voltar de avião ou trem não compensava financeiramente.

Resolvi ver o caminho do ônibus e vi que ele passava pela Áustria, Eslovênia e pela Itália. E para a minha grande surpresa, os preços eram ainda menores quando praticados no último país. Se ir de Budapeste para Vienna, Ljubljana e Triste me custou menos de 40 euros, de Trieste para Veneza, Milano, Genova e Turim me custou, ao total, 5 euros. Isso mesmo. Cinco euros. Então valia a pena, e muito, dar uma alongada nas viagens.

E foi assim que eu montei a rota que vocês podem ver no mapa acima, e que eu descrevo abaixo com o número de dias que eu vou ficar em cada

Freiburgo (Alemanha – 1), Strasbourg (França – bate volta de Freiburg, 1), Berlin (Alemanha, 4), Zurique (Suíça, 3), Konstanz (Alemanha, 1), Munich (Alemanha, 1), Praga (República Tcheca, 4), Budapest (Hungria, 4), Viena (Áustria, 3), Ljubljana (Eslovênia, 3), Trieste (Itália, 1), Veneza (Itália, 1), Milão (Itália, 2), Genova (Itália, 1), Turim (Itália, 2). E no fim vocês podem ver que tem Lyon, mas eu não conto por que não pretendo ficar lá.

As cidades, uma a uma:

Conforme eu for escrevendo sobre as cidades, vou colocar o link nas fotos abaixo. Eu resolvi compartilhar com vocês o motivo da escolha dos locais onde eu vou visitar.

Freiburg:

FreiburgA cidade Alemã de Freiburg fica no Sul do País e é muito perto da Suíça, mas muito perto mesmo. E essa foi a principal razão por eu ter escolhido esse local como meu ponto de partida. Um dos problemas da Suíça é que, em geral, há pouca disponibilidade de ônibus interestaduais ou internacionais. São poucos os ‘hubs’, quando comparados com a Alemanha. Freiburg é uma cidade chave por que de lá eu poderia visitar praticamente qualquer outra cidade da Alemanha por um preço baratíssimo. E como Berlin está no topo da minha lista, era uma escolha óbvia e estratégica. Freiburg também fica perto de Strasbourg e eu posso fazer um bate-volta por lá.

Mas eu vou dormir dois dias em Freiburg. Por quê? Por que depois que eu vi as fotos eu fiquei interessado em conhecer um pouco mais da cidade. Já que eu vou passar um dia inteiro em Strasbourg, eu queria dedicar pelo menos um tempinho a Freiburg.

Strasbourg:Strasbourg

É difícil não se apaixonar por Strasbourg depois de ver as fotos na internet. Eu recomendo a você que dê uma olhada. O motivo principal foi a beleza da cidade, mas também a sua história. Strasbourg fica na França mas tem genes germânicos também. Durante um bom tempo ela foi parte do Sacro Império Romano Germânico, e depois à França, depois à Alemanha, depois à França, Alemanha, e hoje França novamente.

Infelizmente eu só posso passar um dia lá, mas a cidade merece muito mais.

Além disso, Strasbourg tem outro interesse para mim: é lá que fica o Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Como essa é uma das carreiras que eu quero seguir, a minha viagem também servirá para sondar o local e ver eventuais oportunidades de trabalho pós-Mestrado.

Berlin:

BerlimA primeira capital da minha viagem e uma das cidades mais conhecidas do mundo. Berlim é uma cidade única no mundo todo. A cultura é única, a história é unica. Para começar, foi uma cidade dividida por mais de 40 anos. Isso com certeza marcou o consciente coletivo de Berlim e fê-la tornar-se esse caldeirão que é hoje. Eu obviamente quero visitar o muro que dividiu a cidade por tanto tempo.

Outro fator que me fez interessar por Berlim é o preço. A estadia e a alimentação são super baratas quando comparadas com outras cidades, mesmo da Alemanha, o que é uma enorme contradição para mim. E uma das razões pela qual eu passarei nada menos do que quatro dias lá. Segundo os meus cálculos, eu gastarei menos para estar nesta cidade durante quatro dias do que oito em Genebra.

Zurique:Zurique

Zurique já estava na minha lista há um bom tempo. Primeiro – fica na Suíça, país fodástico e maravilhoso na qual eu vivo. Segundo, eu já falar muito da cidade como um dos principais cartões postais de inverno da Europa. Terceiro: o lago de Zurique. Quarto: Conhecer a Suíça e não conhecer Zurique é pecado. Ok, exagerando menos: Eu, morando na Suíça, tenho que aproveitar e conhecer as principais cidades daqui, e sem titubear, Zurique é a mais importante do país.

Konstanz:

KonstanzA cidade de Konstanz (aportuguesada para Constança), Alemanha fica pertíssimo de Zurique e colada na Suíça. Então, o primeiro critério foi proximidade. O segundo foi a rota: fica no caminho até Munique, que é o meu próximo destino. Mas algo a mais me fez querer parar nessa cidade. Acredito que seja um local bem simpático e acolhedor, e eu queria dar uma pausa nas grandes cidades antes de ir pro leste Europeu. Tudo bem, vou ficar apenas um dia, mas valerá a pena. Além disso, Konstanz é uma cidade na beira de um lago, e eu gosto muito desse tipo de cidade.

Munich: munchen

Cometerei um dos meus maiores pecados em Munique, na Alemanha. Vou passar apenas um dia. Isso mesmo, apenas um dia. Não visitarei o famoso Castelo Neuschwanstein, pra começar, embora ele esteja na minha lista. Mas há algumas boas razões para isso. Primeiro, o castelo é um lugar mais para casais e eu estou embarcando nesta viagem sozinho. Segundo, Munique é relativamente ‘perto’ da Suíça então eu posso encontrar bons preços no futuro e visitar a cidade condignamente. E terceiro, eu resolvi dar prioridade para cidades mais baratas, como Praga e Budapeste.

Não que eu não quisesse ficar mais tempo – eu quero, mas estrategicamente, deixarei o melhor para depois.

Praga, Budapeste e Viena:

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Praga

Conhecidas como o Trio de Ouro do Leste Europeu (embora tecnicamente não seja de todo Leste ainda), essas cidades são bastante visitadas em série e eu não poderia deixar de matar a curiosidade: Por que todo mundo fala destes lugares? Por que são tão visitados? Eu simplesmente não tenho a mínima ideia do que tem lá, e é por isso que eu quero ir.

Essas cidades não ficam tão longe uma das outras, o que faz valer a pena encaixar no roteiro. Além disso, especialmente Praga e Budapeste, são muito mais baratas que as cidades Francesas, Alemãs, Suíças e Italianas. A hospedagem e alimentação são baratíssimas e não é a toa que eu vou passar 13 dias somente nessa região, economizando muito mais do que se estivesse em Genebra. 

Eu deixei mais de 3 dias para cada cidade para ter mais liberdade de visitar as capitais e eventualmente encaixar um bate-volta em outra cidade próxima, eventualmente Bratislava, Graz ou Pilsen, por exemplo.

budapest
Budapeste
vienna
Viena

Ljubljana:Ljubljana

Alguém já ouviu falar da Eslovênia? Saberia apontar no mapa? E dizer a capital? Nem todo mundo sabe onde é. Muito menos o que tem lá. E sabem qual o adjetivo da Eslovênia hoje em dia? A Suíça barata. Por que dizem que o país tem belezas naturais, lagos e montanhas belos iguais à Suíça, mas muito mais acessíveis. Eu quero ver de perto.

Ljubljana é a capital da Eslovênia e é para lá que eu vou. Outro motivo: é super barato ficar e comer lá. Mais três dias.

 

Trieste e Veneza:

TriestePassarei um dia em Trieste e apenas dois em Veneza. O motivo principal é que eu já estarei voltando da viagem principal que eu queria fazer. O motivo secundário é que eu quero deixar a Itália para visitar melhor depois, então, toda a minha passagem no país da Bota será para ‘reconhecimento’ do gramado, ou seja, preparação para uma futura viagem depois.

Trieste é uma cidade que fica apenas uma hora da Eslovênia, e eu Venezianecessariamente teria que passar por lá, então vale a pena visitar. É um point litorâneo. Além disso, ficar na Itália é muito mais barato do que na Suíça, e a passagem de Trieste a Veneza me custou apenas um euro.

Vou com esse pensamento para não me frustrar, é óbvio, por que eu sei que dois dias é muito pouco para conhecer Veneza. Todo mundo conhece a beleza dessa cidade – acho que deve ser uma das mais conhecidas do planeta, então eu quero ter apenas uma ideia de como é.

 

Milan, Genoa e Turim

milanoPelo mesmo motivo eu não vou me alongar muito nestas cidades. Dois dias em Milão, um dia em Gênova e dois (na verdade um e meio) em Turim. São viagens de reconhecimento do gramado e preparação para futuras viagens. Aqui também, eu gastei 1 euro para me locomover em cada uma delas, então o sacrifício de passar apenas poucos dias em cada uma valia a pena. Mas você pode me perguntar: nossa, não era melhor deixar Gênova e Turim para depois e passar quatro dias em Milão ou mais tempo em Veneza? genoa

Sim, essa era a minha primeira escolha, mas devido ao preço, as rotas eram limitadas e quase sempre me faziam perder a melhor parte do dia dentro do ônibus. E forçosamente eu teria que parar em algumas delas para visitar as outras. Além disso, não há ônibus de Milão para Genebra, e apenas de Turim, então eu tenho que passar lá.

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Novamente, a oportunidade é única e eu sei que um dia eu voltarei para essas cidades, em ocasiões melhores, como no verão. Acredito que mesmo assim, poderei aproveitar o suficiente, dado ao tempo que eu tenho. Apenas dois dias depois que eu sair de Turim, as minhas aulas começam e eu não posso prosseguir viagem rs.

♣♣

O dilema do preço.

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Muita gente sabe que eu estou economizando o almoço para comer a janta e não posso fazer loucuras na Europa. Não é por isso que eu vou ficar em casa me lamentando um mês inteiro e não fazendo nada. Enquanto eu estou aqui, eu tenho que aproveitar, mas de forma responsável. O meu limite, porém, é baixo. Não é por isso, também porém, que eu vou deixar de tentar.

Por isso essa promoção apareceu na hora certa. Eu posso dizer para vocês que eu gasto 70 francos suíços por mês com um ‘bilhete único’. E que se eu fosse viajar para os locais aqui perto, gastaria mais uns 70 francos. Esse era o meu limite com transporte.

Essa viagem de ônibus vai me custar 115 euros. Isso mesmo – 115 euros para conhecer 15 ou mais cidades durante 30 dias. Baratíssimo. Então, na prática, eu estarei gastando menos do que gastaria ficasse em Genebra. Isso com tranporte.

Mas aí tem a estadia. A estadia é o que encarece a viagem. Fiz as contas inicialmente e gastaria 550 euros, ficando 100% em hostels, com quartos compartilhados. O maior problema era Zurique, que me custaria 120 euros, somente essa cidade. As alemãs também não são baratas, à exceção de Berlim. Quando eu fiz os cálculos eu desisti da viagem. Sinceramente, 550 euros, não dá pra gastar.

Ai eu pensei em toda a minha vida novamente. De quantas coisas eu deixei de fazer, por pensar pequeno e por não me arriscar. Por ser tímido. Resolvi fazer um approach diferente. Em pelo menos 70% das cidades, hospedagem de graça – especialmente Zurique. E para isso, eu tomei a iniciativa em três frentes: trabalhar com o hotel, dormir no sofá de alguém (couchsurfing) e dormir no ônibus (viagem overnight). E eu já bati essa meta. Sim Por incrível que pareça, eu consegui ter sucesso. Ainda faltam algumas respostas, mas é certo que eu praticamente não terei gastos com estadia. É possível? É. Mas tem que tentar. Eu mandei dezenas de propostas durante três madrugadas insônes. Não é algo que caiu no meu colo.

Além disso, uma das coisas boas de ser um blogueiro de viagem é ser tratado como mídia, então as centrais de turismo vão me ajudar com transporte e ingressos dentro da cidade. E alimentação, você pode perguntar? Para começar, eu não vou ter que fazer compras em Genebra, o que já vai ser uma baita economia. Vou fazer uma comparação, em reais: um restaurante comum aqui na Suíça não cobra menos do que 50 reais pelo Jantar e normalmente é 100 reais. O mesmo restaurante custa 17 reais o jantar na Hungria, em Budapeste. Isso se eu comer fora todo o dia, o que eu não pretendo.

Já chega de escrever. Hora de viajar.

3 thoughts on “Conhecendo a Europa de Busão – 15 grandes destinos.

  1. Show de bola…gostei mto do artigo, mas tenho várias dúvidas…

    De Veneza a Munique: Trem ou Ônibus? De dia ou de noite?(Considerando tempo, custo, paisagens, paradas etc) Pensei ainda em fazer uma escala de 2 dias no caminho…mas ainda não sei…

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