Mochilopa – Diário de mochila na Europa

Acompanhe aqui a minha rota por algumas das cidades mais interessantes da Europa. O primeiro destino é Freiburg, na Alemanha. E logo no primeiro dia, eu acordei tarde e perdi o ônibus. Pois é amigo – nem tudo acontece como a gente planeja, as vezes por causas naturais. Mas eu dei um jeito, acompanhe aqui!

Mochilopa – Diário de mochila na Europa

POST ENORME!

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Vou escrever esse post de uma forma diferente e um pouco mais rápida – pretendo escrever ele ‘ao vivo’. Isso quer dizer: informações mais rápidas, o dia-a-dia, só com que com menos fotos e textos mais curtos.

A minha viagem estava programada para começar no dia 20 de janeiro de 2016. Comprei uma série de passagens de ônibus pela bagatela de 115 euros, para mais de 15 cidades em 30 dias. E eu pretendo de alguma forma reaver esse dinheiro na viagem – ainda não sei como. É certo que ficar em Genebra é caro e eu vou passar alguns dias no leste Europeu pra economizar também.

Dia 1 – Freiburg? Freiburg. E Basel.

Estava com dificuldade para dormir estes dias, por causa do ritmo frenético e um pouco de ansiedade também (boa). Ontem por exemplo eu fui dormir as 5h da manhã e acordei as 9h, e fiquei igual a um zumbi um dia inteiro. Eu não gosto disso por que eu rendo muito menos assim, mas foi um dia atípico. E a minha viagem estava marcada para hoje, as 9h55, saindo da rodoviária de Genebra. Tá tudo muito bom, muito certo – eu estava cansada e provavelmente iria dormir cedo ontem.

Mas o corpo nem sempre responde do jeito que a gente quer. Passei o dia com sono e na hora de dormir, não consegui. Aí fiquei enrolando e tentando até as 4h da manhã, quando finalmente consegui dormir. O meu celular não parava, resolvi deixar ele no modo silencioso. Só que por descuido deixei ele no modo silencioso total. Inclusive alarme.

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Acordei as 9h25. Isso mesmo – 30 minutos antes da minha viagem. Puto pra caralho. Xinguei tudo o que podia até o quinta geração. Mas a culpa é minha – o alarme estava no silencioso. Infelizmente, esse era o único ônibus para Freiburg. A história podia acabar aqui e eu desistir de toda viagem. Óbvio que eu nunca faria isso. Eu podia ir no dia seguinte mesmo e estava propenso a fazê-lo. Mas aí deixaria de conhecer uma cidade. Não gastaria nada a mais – a companhia me deu um ticket de brinde. E por incrível que pareça, eu ainda não tinha hospedagem para hoje.

Aceitei o meu destino e passaria o dia inteiro de mal humor. Foi quando pipocou a notificação de um e-mail. Um host do Couchsurfing tinha aceitado a minha proposta que eu mandei de madrugada. Eu tive 15 negativas e só essa aceitação – a última delas. Começou a ficar tentador ir – eu não teria que gastar com hostel. Depois, pipocaram mais duas notificações – eu consegui mais dois hotéis com hospedagem de cortesia. Mais uma economia tremenda (ainda faltam 4 cidades das 15 pra completar hospedagem).

Pesquisei outras rotas e vi que era viável: ir de trem para Basel (Suíça) e de lá pegar um ônibus para Freiburg. Consegui um ticket com super desconto na SBB (supersaver ticket) e ônibus eu já tenho aquele ticket extra. Agora estou me aprontando.

Vou acabar conhecendo mais uma cidade: Basel!

Basel: Sem querer querendo.

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É amigo, não tá fácil pra ninguém. Mas mesmo quando não tá fácil, vale a pena.

O trem a caminho de Basel me fez ver, ou melhor, lembrar, por que a Suíça é o país que eu acho mais bonito. As paisagens que acompanham a linha são muito belas e um dia eu quero escrever sobre isso.

Basel, ou como nós chamamos, Basiléia, é uma cidade no norte da Suíça colada na França e na Alemanha, sendo a terceira maior população da Suíça. Eu cheguei aqui umas 14h30 e o lado bom foi que eu pude visitar um pouco da cidade e preparar o terreno para a futura viagem que eu vou fazer pra lá.

A primeira coisa a fazer foi procurar um locker pra colocar a minha mochila super pesada e poder dar uma volta. Aí eu também lembrei o por que da Suíça ser o pais mais bonito e mais caro do mundo. Os lockers custavam 7 francos por 24h. O banheiro cobrava 2 francos pela entrada. Não tá fácil. Eu consegui entulhar minha mala num locker menor e fui fazer as necessidades no Starbucks mesmo.

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Pois bem, passei no Escritório de Turismo e perguntei quais eram os pontos turísticos principais, ao que a moça me disse a Catedral (Münster, básico de toda a Alemanha), os portões, e a ponte, além dos museus. Aí eu comecei o meu rolê.

Visitei a Igreja de Elizabeth que é bem simpática por dentro e fora. Nesse foto, , obviamente, dentro.

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E no portão Oeste da cidade, o Spalentor, que data do século XV

 

Abaixo, na Fonte Tinguelin:

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E não podia faltar a Catedral (Münster) de Basel

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Eu sei que eu não pareço feliz mas eu estou. Eu só não sou o melhor em sorrir nas fotos =).

 

Já estava escurecendo e eu continuei o meu rolê. O grande problema era o frio: menos de 3 graus negativos. E eu estava insuficientemente preparado pra enfrentar por que deixei alguns itens na mala que ficaram na estação. Aí tive que aguentar.

Uma coisa eu vou dizer: a estação central de Basel é extremamente fria, parece uma geladeira lá dentro. Existem muitos vãos e portas abertas onde o ar frio entra e é difícil encontrar algum lugar quente a não ser que você sente num restaurante ou café. Comi um sanduíche e esperei o meu ônibus, que partia as 22h15 – rumo a Freiburg, finalmente.

Couchsurfing:

A minha primeira experiência de Couchsurfing começou muito interessante. A pessoa que teve a bondade de me receber para dormir no sofá da casa dela e um alemão chamado Lars, que trabalha aqui em Freiburg. O cara é super gente boa e educado e um dos motivos que ele me deixou ficar aqui é que ele fala um pouco de português e queria falar comigo. Couchsurfing não é uma experiência em que ambos tem a ganhar e eu quero ajudar ele pelo menos com isso, e deixar as portas abertas em algum futuro apartamento.

O Lars vive numa república com outras quatro pessoas, e como república, você já imagina – cheio de coisas jogadas por aí, lembranças, itens de esporte, roupas. Exatamente como o meu apartamento. Então eu me senti em casa. Ele me perguntou onde queria dormir e me ofereceu um colchão básico extra que ele tinha, enquanto ele pegou um pimentão inteiro e comeu!

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Dia 2: Freinalmente Freiburg.

Dormi bem, tomei café, e agora é hora de dar uma volta pela cidade. Vou tentar conhecer o principal hoje, e amanhã eu vou para Strasbourg, na França, mas ainda preciso ver o preço. Confirmei mais uma estadia grátis: Berlim.

Pra variar, enrolei um pouco demais e sai depois da hora. Preciso me acostumar a acordar cedo pra visitar os lugares enquanto ainda tem sol, mas já sabe, né? Férias = acordar tarde. O meu hoster, Lars, foi novamente super gente boa e me ofereceu alguma coisa para comer e aproveitei e tomei café. Fico até meio sem graça por que ele já está cedendo gratuitamente o seu sofá e ainda me oferece comida – não sei como é a regra do Couchsurfing, na dúvida depois eu compro algo pra ele.

Detalhe importante: no dia anterior eu fui tomar banho, e, desastrado que sou, quase quebro o banheiro inteiro. O aquecedor de água é a gás e dá pra ver a chama ao vivo, eu escorreguei dentro da banheiro e fui justamente tentar me segurar ali, tomei um tombo e só não rasguei o aparelho por que ele era resistente.

Fui direto no Escritório de Turismo da cidade pegar informações. Pra falar a verdade, Freiburg foi a cidade mais ‘not my problem’ de todas as que eu contatei. Em tradução livre, quer dizer – não é o meu problema. Eu adotei a tática de enviar correspondência para os escritórios de turismo perguntando dicas, falando que eu sou blogueiro e se eles oferecem algum tipo de serviço para nós. Em geral sempre tem alguma coisa pra facilitar a nossa vida, afinal, eles gostam de exposição. O mais comum é um passe da cidade, com transporte e entrada livre/com desconto em museus e outras atrações. No mínimo, eles me dão dicas do que fazer. Freiburg falou: tá tudo no site, olha lá. E quando eu perguntei de algum passe/card, eles falaram pra simplesmente procurar o Escritório físico de turismo que eles me dariam todas as informações. Chegando lá não me falaram nada de útil e eu tive que procurar fazer as coisas por mim mesmo.

Passei pela Universidade Albert Ludwig – Universidade de Freiburg, uma das mais antigas e renomadas de toda a Alemanha. Aqui ensinou/sentou gente como Heidegger e Weber.

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Cheguei ao centro da cidade – Altstadt, ou cidade velha, na tradução literal, e de lá já deu pra ver um pedaço da Floresta Negra, que é a floresta mais famosa da Alemanha. Ela começa na região de Freiburgo.

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Freiburg apresenta o be-a-bá alemão, ou até be-a-bá europeu: uma catedral enorme, portões (gates ou tor), que são resquícios da antiga muralha e o mercado de rua.

O primeiro portão que eu passei foi o Martinstor, que data do século XII e é o mais antigo da cidade.

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E o Schwabenstor, em português claro, o portão da Suábia.

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A catedral, ou como eles chamam, Münster, é um dos cartões postais da cidade. Ao lado dela, a rua do mercado, e ao fundo, o começo da floresta negra. Infelizmente, uma boa parte da catedral estava cerrada pelos trabalhos de restauração e acabou ‘estragando’ um pouco a foto. Me faz querer voltar quando estiver terminado. Os calçadões da cidade também são deveras interessantes.

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Mas o lugar mais bonito de Freiburg, é o Schlossberg, que é uma monte de 456 metros, onde começa a Floresta Negra e tem as melhores vistas da cidade. O Schlossberg abriga as ruínas de um antigo castelo que foi demolido no século XVIII. Não tem muita coisa a não ser algumas estruturas e uma torre, mesmo assim é interessante visitar. De lá é possível tirar as melhores fotos da cidade.

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Sangue. Nesse dia eu tive mais dois acidentes – o caminho até o Schlossberg estava cheio de neve. Na subida, nenhum problema. Na descida, dois tombos e no segundo eu quase quebrei a minha mão e a minha câmera. Escorreguei e cai de bunda e machuquei a mão. Imagina quebrar e perder o resto da viagem?

Passou o susto, ainda deu tempo de fotografar um artista de rua fazendo bolhas pra sobreviver e viajar pela Europa.

Cheguei e ainda deu tempo do camarada Lars falar que ia jantar na casa de uns amigos, e ele me convidou. Será que ele aprendeu isso no Brasil ou os alemães são todos legais assim? Eu como todo mochileiro logo perguntei o preço e ele me falou que era tipo um potluck, então, de graça. Não pensei duas vezes.

Pense em uma pessoa, um brasileiro introvertido no meio de 8 alemães, falando em alemão? Pense numa noite legal, por que depois que eu tomei umas duas cervejas eu comecei a entender quase tudo hahaha. Só que não. Mas eu entendi muita coisa e ainda comi bem – tipo espinafre, batata amassada e nugget de peixe.

Noite chata

DSC00434menorJá tem algum tempo que eu tenho dificuldade pra dormir e a noite eu acordei as 2h da manhã. Resolvi enrolar uns 10 minutos no meu celular, quando chega a notícia de que sairam as notas da Universidade. Eu passei em todas as matérias, mas fiquei insatisfeito. A minha média não foi legal, e está um pouco abaixo do limite considerado para conseguir uma bolsa integral. Fiquei super triste na hora e puto comigo mesmo. Vários fatores colaboraram, mas especialmente, eu não me foquei direito, fui relapso em algumas provas, especialmente a que valia mais pontos – acabei me perdendo na hora de escrever.

O dia foi marcado por esses pensamentos, de forma alguma um lamento lamurioso, mas sim uma reflexão sobre onde eu errei e onde devo melhorar. Conseguir uma bolsa ficou mais difícil, mas eu vou fazer de tudo para ficar.

O Lars pediu educadamente pra eu sair do quarto se eu estava usando o notebook hahaha. Eu e minha ansiedade.

#Strasbourg? Colmar

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Pra variar acordei tarde e depois do planejado. Mas a notícia das minhas notas foi um grande baque e eu estava um pouco desanimado. Meu plano era visitar Strasbourg e eu imaginava que pegando o ônibus das 9h30 seria o suficiente. Mas o ônibus da volta saia por volta das 15h ou das 18h30. Ou seja, ou era muito cedo e eu ia perder algumas horas valiosas da cidade, ou tarde o suficiente pra colocar em risco a próxima viagem que eu faria, para Berlim.

Tomei café, ainda baqueado, e deixei as malas semi-prontas. Após pesquisar, vi que Strasbourg já não valia a pena – o próximo ônibus chegaria à cidade 12h. Com trÊs horas não dá pra fazer nada. Resolvi seguir o conselho do Lars, que falou que Colmar é mais bonita.

Vi que existe um passe regional que permite ir e voltar de Colmar por 13,50 euros, mais barato que os 16 euros da Flixbus. Não pensei duas vezes.

E olha, foi uma das melhores cidades que eu já vi na vida. Mesmo estando no inverno.

Colmar

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Colmar é uma cidade da Alsácia, região com genes germânicos da França. A arquitetura é marcada pelo estilo alemão enquanto nas ruas e placas se fala francês. Melhor adjetivo para Colmar: simpática.

Destaques de Colmar:

1 – As igrejas e o mercado. Nada mais básico do que isso na Europa, mas em Colmar a igreja é diferente, o estilo é mais antigo. Muitas construções são datadas do século XIII

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2- Arquitetura e edifícios laranja/bege/amarelo – parece ser a cor oficial da cidade, o que dá uma tonalidade incrível e contrastante em dias de céu azul.

3 – Pequena Veneza – região de Colmar com casas e barcos ao bordo do rio, parecido com Veneza

 

 

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4 – Kugelhopf – típico bolo da região da Alsácia, feito com amêndoas e passas.

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Voltei pra casa feliz e realizado por ter conhecido mais uma cidade não planejada. Strasbourg, sinto muito, fica pra depois.

Despedida e rumo a Berlim

Fui me despedir do Lars e tirar uma foto com ele. Rapaz maneiro, gente boa, sangue bom, alemão mil grau, cervejeiro. Pra agradecer trouxe uma cerveja e um Kugelhopf pra ele e falei que as portas de Genebra estavam abertas quando precisasse! Fui embora com a alma tranquila e feliz por ter feito o Couchsurfing com uma pessoa legal.

Próximo destino – Berlim. E para isso, nada menos que 11h de estrada em um ônibus. Aqui são 03 da manhã e eu ainda estou escrevendo. Fiquei feliz e puto aqui. Primeiro, tem wifi, o que me permite adiantar alguns trabalhos. Mas nem sempre funciona. Depois, sentou uma pessoa do meu lado e o bus encheu de uma forma que ficou muito desconfortável. Mas com o passar do tempo muita gente foi descendo. Falta pouco, e eu vou dormir.

Berlim

Berlim é um capítulo especial para mim porque apresentou uma grande novidade na minha carreira como blogger.

A viagem de Ônibus não foi tão ruim. Eu consegui ficar sozinho depois de algum tempo por que o ônibus realmente esvaziou. E para a minha grande surpresa, eu consegui dormir. Normalmente, em viagens longas, eu não consigo descansar. Mas estava tão relaxado que no fim da viagem eu fiz mais do que as pescadas – eu dormi mesmo. Talvez fosse algum sentimento bom pelo que vinha a seguir.

Da rodoviária direto para o Hotel. O que eu não contava era o fato de que eu estava na Rodoviária Central e não na Estação Central de Berlim. Aí eu já tive que descobrir como funciona o metrô afim de chegar ao meu destino, que fica perto do Europa Center. Demorei um pouco para me encontrar – eu fui para o Europaplatz, que fica em outra região. Berlim é muito maior do que eu imaginava.

Pense numa cidade branca, totalmente branca, embaixo de neve. Eu nunca imaginei ver Berlim assim, mas foi assim que a encontrei. De mala, mochila, cansado, me segurei pra não escorregar de novo com os meus tênis que não foram feitos para andar na neve! Não me esqueço que dois dias antes eu tomei um tombo e rasguei um pouco da mão.

A primeira coisa que eu pensei: puta merda vou deixar de fazer metade das coisas que queria na cidade. Mas Berlim tem tanta coisa que eu não sabia exatamente o que queria. Sabia da Torre de TV e do portão de Brandemburgo, e achei que com dias cinzentos não valeria a pena. Mas até que falei.

Hotel Quatro Estrelas

Nunca na minha vida eu me imaginei num Hotel Quatro Estrelas. E o que eu fiquei era tão bom que é considerado 4,5 estrelas. Tudo isso graças ao trabalho do meu Blog, que começou a ser reconhecido. Fui fazer um report do Hotel como mídia. E foi uma das minhas melhores experiências da minha vida. Imagine que você está sem dormir direito, sem tomar banho um dia, passou a noite 60% em claro dentro de um ônibus e ainda chega numa cidade cheia de neve, com os pés encharcados. Tudo o que eu desejava naquele momento era me trocar, descansar e ainda cair numa piscina pra relaxar. E foi essa a experiência que o Hotel me forneceu.

Cheguei no quarto e tinha até chocolate de brinde na cama. Uma TV grande, uma cama de casal superconfortável, Internet de qualidade e uma máquina de água quente com alguns chás, café/achocolatado de brinde. Olhei para tudo aquilo e depois olhei para a cidade branca e fria pela janela. Tive que me segurar para não passar o dia todo no Hotel. Isso por que depois eu desci até o subsolo.E o que tinha lá? Duas saunas, uma com 50º e uma finlandesa (90), uma piscina de tamanho razoável, super limpa, uma academia e um bar pra oferecer petiscos e bebidas. E aí eu tive que me segurar de novo pra não passar o dia no Hotel. Mas meu nome do meio é viagem!

Comi e descansei e resolvi sair para visitar alguns pontos turísticos. Passei por algumas construções antigas, como a Igreja de São Mateus e depois por um lugar que me deixou intrigado – o Sony Center. Eu gosto de produtos da Sony então aproveitei pra dar uma olhada.

Meu destino mesmo era a Potsdamer Plaza – que é uma praça/entroncamento de ruas que tem alguns trechos do muro de berlim e uma pessoa vestida de guarda da DDR (Deutsche Demokratische Republike), que era a Alemanha Oriental, ligada ao partido comunista da então União Soviética. Para quem não sabe, a Alemanha foi um país dividido em dois durante mais de 40 anos na Guerra Fria, tornando-se o centro da rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética. E a cidade era a materialização dessa tensão – um muro separando os dois lados foi construído pelos orientais.

A Potsdamer Plaza tem esse trecho de interessante, mas eu fiquei um pouco desapontado, pois esperava mais história e mais atrações. Segui o caminho depois da Potsdamer Plaza até o portão de Brandenburgo. E nessa parte da cidade, há dois pontos cuja visita vale a pena – à esquerda, o Tierpark, que é um parque enorme e cheio de animais (mas estava nevando e eu resolvi arriscar outras coisas), e, à direita, o memorial aos judeus assassinados pelo regime nazista, cujo nome oficial é a ‘topografia do terror’. É um monumento esparso que consiste em diversos monolitos (pedras, grandes paralelepípedos), esparsos e silenciosos. Eles lembram um pouco caixões. Esse lugar foi feito para pensar, por que ele é muito diferente de outros monumentos que falam de tragédias. Mas eu vou explorar isso mais no meu post oficial sobre Berlim.

Pertinho dali, vi o portão de Brandemburgo – um dos, senão o, ponto turístico mais conhecido de Berlim. A construção realmente impressiona e difere muito de outros portões que eu vi na Alemanha e França. O local, pelo que eu percebi depois, é mais bonito durante à noite, com iluminação.

Pertíssimo do portão de Brandemburgo, está o Reichstag, que foi o parlamento alemão até 1933, quando foi atingido por um incêndio. Mais um dos cartões postais da Alemanha. É possível subir na cúpula do Reichstag, mas tem que pagar! Como eu tinha prioridades, resolvi deixar para outra oportunidade. Preferiria visitar a torre de TV de Berlim, que é mais alta – se fizesse sol.

Isso por que nevava com frequência naquele meu primeiro dia. O cansaço começou a bater e eu resolvi voltar para ‘casa’ e gozar daquele hotel. Já era 17h30 quando escureceu – culpa do verão Europeu. No caminho, uma grata surpresa. O Sony Center estava completamente iluminado, e o teto, com arquitetura diferenciada, mudava de cor a cada minuto, de rosa para azul para roxo. Aproveitei pra tirar umas fotos por que o lugar ficou realmente bonito. E aconselho a quem vem para Berlim para dar uma olhada nas lojas e restaurantes de lá.

Perto do Europa Center há uma igreja que foi parcialmente destruída com os bombardeios da segunda guerra mundial. Trata-se da igreja ….. tal. Ela fica particularmente bela à noite. Detalhe que estão construindo uma igreja altamente moderna ao lado dela.

O Tal Europa Center é um lugar a se considerar para quem estiver vindo fazer compras. Há muitas opções de comida e bebida. Destaque para a a loja de eletrônicos Saturn.

Ainda deu tempo de passar na escultura dos dedos:

De volta ao Hotel, finalmente pude mergulhar na piscina, descansar na sauna e aproveitar uma ótima noite de sono. Eu inventei de ir pra sauna de 90º e sai de lá mais tonto que eu já sou. Suei rapidamente, mas o corpo perde água muito rápido e a pressão diminui, o que pode ser perigoso! Por isso não fiquei mais de 10 minutos nessa, e preferi ir para a de 50º.

Comi salada que eu comprei no mercado em Hotel Quatro Estrelas. Cai na cama e só acordei no outro dia as 9h30.

24.-01.2016 – Aquário e Zoológico

Acordei disposto! Vou a todos os museus de Berlim em apenas um dia! Mas acontece que quem muito quer consegue pouco. A primeira coisa que eu fiz: tomar café da manhã decente pela primeira vez na viagem.

Regra número 13 de viagens do Sarli: se você tem direito a café da manhã, coma também pelo almoço. Sempre funcionou comigo. Muitas vezes simplesmente por que eu me empanturrei as 10h da manhã e chega as 14h ainda não estou com fome. Ai eu faço um jantar e já economizo uma refeição. =). E se vocês vissem a quantidade indecente de comida, fariam a mesma coisa. Tinha ovos cozidos, mexidos, bacon, salsicha alemã, bolinho de carne, salmão, 8 tipos de presunto, 8 tipos de queijo, 8 tipos de yogurte, além de muita geleia, frutas, mel, torradas, nutella, croissants, sonho com recheio de framboesa, 6 tipos de pão, sopas, seis tipos de sucos.

Depois de (tentar) me programar, eu parti para um lugar perto do Europa Center: o Aquário de Berlim, que é o maior da Alemanha. E não me arrependi nada – primeiro por que lá fora estava bem frio, segundo, tirei fotos fantásticas e vi espécies novas de peixes. Se eu lembro de algumas delas? Não. Só do Pacu e do Pirarucu, que são enormes.

Gostei tanto do Aquário que eu fiquei mais tempo do que podia e acabei encurtando o outro passeio, que foi o zoológico. Aliás, interessante falar que você pode comprar os dois programas juntos com desconto. Os dois ficam praticamente no mesmo lugar.

O Aquário de Berlim é interessantíssimo, mas por exemplo acredito que o de São Paulo seja um pouco melhor por causa de algumas variedades e shows diferentes. Assim como o de São Paulo, ele não tem só peixes – tem lagartos, tartarugas, crocodilos, formigas, sapos e cobras. =)

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O Aquário tem um portão oriental no estilo japonês. POR QUE?

Zoológico:

Passado o Aquário, já era quase três da tarde quando entrei no Zoo de Berlim, considerado um dos maiores e melhores do mundo. Lembram do urso Knut? Morava aqui. Hoje o bicho mais célebre é o Panda Bao Bao. De certa forma, eu me decepcionei um pouco com algumas coisas do Zoológico e outras me surpreenderam bastante de forma positiva.

Vou falar o lado ruim primeiro, por que acho que ainda assim, o lado bom faz valer a pena. No inverno, muitos animais interessantes não estão disponíveis para ver, como as Girafas, Elefantes, Rinocerontes, Ursos e Gorilas, . E isso não estava avisado em nenhum lugar, ou se estava, não tinha o destaque necessário. Outra coisa: alguns edifícios, onde ficam animais importantes, fechavam as 16h30 enquanto o resto do Zoo fechava as 18h00. Isso poderia ser melhor esclarecido para o público em geral.

De fatos positivos: Animais nunca antes vistos. Você já viu um Bongo? Um ruminante das estepes africanas? E essa espécie de Antílope?

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Um Iaque?

Um capricórnio? Isso mesmo, um capricórnio, que é um animal japonês.

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Um gato das dunas?

Segundo fato positivo: proximidade com os grandes felinos.

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Os leões costumam ser os bichos mais lembrados de qualquer zoológico e francamente é desinteressante ver o bicho de longe. Em Berlim, você pode visitar a casa dos gatos e acompanhar a sua alimentação, ficando a menos de 1m de distância dos bichanos (com jaula claro).

Quando eu fui, havia duas leoas e uma delas estava estressada e com fome, andando de um lado para o outro. A proximidade me fez encarar a beleza desses grandes gatos.

Destaques: Raposa, Jaguatirica, Ocelot e Pantera Negra

Terceiro destaque: Casa dos macacos, com mais de 10 espécies diferentes, todos com uma distância bem menor do público.

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Sair por aí andando e passei por uma loja da UNIQLO. Tinha uma promoção em que eles sorteavam blusas, underwear e casacos! Apertei o botão – eu era o último da fila – e ganhei uma second skin que normalmente custava 15 euros!

Depois aproveitei para comer em um quiosque dentro da estação de trem. Por 4 euros eu comi um prato enorme de curry tailandês, que daria mais de 20 francos em Genebra. Ponto para economizar.

Aproveitei a última noite no Hotel para ficar dezenas de minutos na piscina e na sauna. No dia seguinte, infelizmente, eu teria que ir para um Hostel, por que o acordo foi ficar apenas dois dias.

25.01.2016- Finalmente visitando os museus.

O tempo passa rápido e se eu deixar de desenrolar os fatos a memória falha em coisas importantes!

Muito bem, se no dia anterior eu não tinha conseguido ver muitos museus, basicamente só o Aquário e o Zoológico, hoje eu não fui muito mais produtivo. Basicamente, vi quatro atrações, quando na verdade queria ver outras totalmente diferentes. Fui no Spy Museu, no Dali Museum, visitei uma parte da antiga cidade leste e depois fui no Judisches Museum.

Claro, para isso importou muito o fato de que é segunda-feira, e como toda segunda-feira, a maior parte dos museus estavam fechados. Então eu ‘perdi’ um tempinho me programando para o que eu fui fazer hoje – encontrar museus abertos. Mandei e-mails falando do meu blog e tal, e eles me deixaram entrar como imprensa – afinal eu fui fazer uma cobertura e divulgar os espaços.

Eu queria ir no DDR – o Museu da Alemanha Oriental, mas esse estava fechado então ficou para o outro dia.

Depois de me empanturrar no café da manhã do Hotel Quatro Estrelas – um brunch, onde eu comi bastante salmão defumado, ovos e iogurte, fiz o check-out, ou seja, a minha estadia terminava ali, e fui para um Hostel deixar a minha mala e mochila.

Spy Museum

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descobri o museu dos espiões por acaso. Estava olhando no mapa uma certa região perto da Potsdamer Platz e o nome me chamou a atenção. É uma atração nova então não havia muita gente falando sobre aquilo. Vi as fotos e achei interessante. Resolvi ir.

Assim que você pega o seu ticket, você tem que passar por uma máquina igual a daquelas dos filmes do 007 ou Missão Impossível, com reconhecimento e tal. Começou bem. O andar de baixo é uma introdução com uma série de fatos e ideias sobre espionagem desde o começo dos tempos. Os Babilônios, por exemplo, empregavam uma série de espiões para antecipar o movimento dos seus inimigos.

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Subindo a escada – super iluminada e com um jogo de luzes fenomenal. A seguir você vê uma série de itens, alguns originais, que são gadgets de espionagem. Por exemplo, o relicário do Código da Vinci, um cachimbo com uma pistola escondida, joias e sapatos com compartimentos, uma ampola de veneno para suicídio. Mais pra frente tem o setor de codificação e decodificação – você pode codificar a sua mensagem, como eu fiz na imagem abaixo.

Destaque para as máquinas originais de codificação, como a Enigma, que foi criada pelos alemães para enviar mensagens durante a segunda guerra mundial. O código foi quebrado por um inglês chamado Alan Turing.

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Temos também a história dos espiões nucleares. Vocês sabiam que diversões espiões trabalhavam para o governo russo dentro do projeto manhattan – aquele da criação da bomba atômica? Graças a ajuda deles, a União Soviética conseguiu detonar o seu primeiro teste nuclear em 1949, e assim se colocar em pé de igualdade com os americanos na guerra fria.

Achei super interessante também a história de um escritor crítico do regime da Bulgária, Georgi Markov, que foi assassinado em Londres com um guarda-chuva que tinha uma arma de fogo secreta. O assassino implantou pequenas bolas de metal no corpo do escritor com um tiro que saiu da ponta do guarda-chuva. Essas bolinhas vieram carregadas de bactérias mortais e depois de algumas horas ele acabou falecendo.

A mostra também se foca no dia-a-dia da Alemanha durante a guerra fria e o muro de Berlim, especialmente no lado leste. Muitos dos alemães eram vigiados dia-e-noite e não tinham a menor ideia de que os seus dados eram coletados.

Mas a parte mais interessante do Museu é certamente a Sala dos Lasers. Sabe aquela cena clássica dos filmes do missão impossível e outras como 11 homens e um segredo, onde o cara precisa passar pela segurança, que são diversos lasers? Aqui no Spy Museum é possível brincar disso. Eu tentei diversas e diversas vezes, mas só consegui uma vez no modo fácil rs. Existem quatro níveis e você pode solicitar a gravação da sua performance – depois vão te mandar o link do vídeo para o youtube.

Sai do museu com uma sensação de realização e vontade de jogar mais. Haverá outras oportunidades.

Dali museum

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Perto do Spy Museum você pode emendar uma visita no Museu Dali, que tem diversas obras do autor e de seus pupilos, muitas das quais você provavelmente nunca ouviu falar. Depois que eu visitei eu tive a certeza de que ele era um artista fodão. Muita gente acha que os artistas recentes não sabem desenhar, e por isso eles fazem rabiscos e obras loucas, mas na verdade pessoas como Dali tem técnica e transformam a sua arte propositalmente. Infelizmente não foi possível tirar fotos, mas eu vou tentar colocar imagens do site aqui. Definitivamente vale a pena a visita sim.

Trabi

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No caminho até o Jewisches Museum há o Trabi museum, que é uma coleção em homenagem ao carro da Alemanha oriental. Naquela época, existiam apenas dois modelos de carro, o Trabanto e outro que eu preciso encontrar o nome . O primeiro era apelidado de Trabi, tanto de uma forma jocosa como de uma forma carinhosa – os alemães tinham uma relação especial com esses carros que eram muito simples e davam muitos problemas. É quase como um fusca para nós brasileiros. O museu estava fechado mas é possível ver alguns dos carros pintados na frente dele. Perto dali também tem um pedaço do muro de Berlim.

Cheguei no Jewisches Museum

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Gostei muito de uma parte mas sinceramente, de outra eu não achei tão interessante – acredito que o seja para quem seja judeu ou profundamente interessado na história deles. A parte que eu gostei bastante foi a arquitetura e a coleção dos itens pessoais dos judeus no Holocausto. A arquitetura contemporânea conta uma história por si mesmo. Para começar o Museu inteiro tem uma inclinação leve, mas evidentemente perceptível. O auditório todo espelhado também vale a pena visitar. Pessoalmente, o primeiro andar é o que mais me interessou. Vários itens pessoais do holocausto estão em mostra e contam histórias particulares dentro de um contexto que normalmente nós conhecemos no macro. Lá você encontra máquinas fotográficas, relógios, utensílios de cozinha e diversas cartas.

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Existem três obras arquitetônicas que foram feitas para se pensar, por que não há nenhum significado intrínseco ou placa conceituando estas salas. Tem um jardim que tem grandes monólitos com árvores em cima dele. Há uma torre escura em que entra apenas uma fração de luz, e lá absolutamente não tem nada. E há um setor com mais de 10.000 peças de metal na forma de rostos, o que simboliza as vítimas inocentes do nazismo. Estes três setores são interessantíssimos e realmente nos fazem pensar. Ai nos andares superiores existe uma coleção que conta a história dos judeus na Europa, e essa eu penso que é mais interessante pra quem realmente estiver muito interessado na história deles. Não que eu não estivesse interessado em saber, mas em museus e coleções eu gosto de ver itens originais e/ou que aticem a nossa curiosidade, e ali encontrei alguns itens simples e muitas, muitas réplicas e reproduções. ´

Mas foi bom por que eu aprendi muitas coisas. A principal delas é que os judeus sempre foram perseguidos na Europa, e mesmo em períodos de paz, eles foram alvos das religiões cristãs por diversas ocasiões, apesar da integração na sociedade. Algumas vezes, por exemplo, tiveram o emprego em certos ofícios proibido ou limitado, e acesso a cargos oficiais negado. Isso os levou a especializarem em profissões de comércio, como os mascates (vendedores viajantes), cunhar moedas ou empréstimos.

Era hora de voltar pra casa, digo, para o Hostel.

Depois de sair de um quatro estrelas é muito difícil ficar num hostel, e eu dei o azar de estar num quarto cheio de orientais que falavam alto. O que eu acho mais complicado é sempre a guarda dos meus itens pessoais, tipo o computador, e eu deixei na recepção do Hostel. Felizmente nada aconteceu, e até hoje, nunca tive problemas em Hostel, mas sempre tomei diversas precauções. Eu por exemplo sempre durmo com a minha carteira, passaporte e celular escondidos comigo durante o sono, pra evitar que alguém consiga abrir minha mochila ou mala, o que pode acontecer. E mesmo quando há um locker não se pode confiar de todo – em alguns hostels existem poucas combinações então com a mesma chave você pode abrir os lockers de outros quartos.

Nesse dia o cansaço já começou a acumular e eu não consegui adiantar algumas coisas pelo computador, tipo as próximas hospedagens. Graças a isso eu tive que emendar um couchsurfing em Konstanz e infelizmente um Hostel em Munich e em Praga. Mas não é de todo mal – Praga por exemplo é incrivelmente barata.

26-01-2016. Último dia em Berlim.

Eu sempre escolho Hostels com café da manhã por que acaba valendo muito a pena. É óbvio que não é como em um Hotel, mas geralmente não tem erro – tem variedade razoável e é à vontade. Então eu como o suficiente para não ter que almoçar, e só jantar depois, economizando uma refeição.

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Nesse dia eu não tinha muitas coisas planejadas a não ser visitar o Museu Pérgamo e o DDR Museum. O resto deixei para conhecer nas minhas andanças. E não me arrependi – no caminho até eles eu visitei da Torre de Berlim – que é uma antiga torre da TV de Berlim Oriental, em que há uma sala de visão 360º da cidade, e no andar de cima, um restaurante giratório. Não foi no restaurante por causa do preço e por que estava empanturrado de comida. Se você me perguntar se vale a pena subir, eu diria que sim – é possível ter uma visão bem interessante desta torre. Mas observe o tempo – se estiver nublado não vale a pena. A subida do elevador é extremamente rápida e em menos de 1 minuto já estamos no topo.

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Perto dali tem uma fonte famosa, chamada Neptunenbrünnen, em homenagem a Netuno/Poseidon.

No caminho, uma grande surpresa – a igreja de São Nikolai tem uma coleção bastante interessante e data do século XII, inclusive o túmulo de pessoas famosas, como o escritor e jurista Samuel Pufendorf.

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Bom, ai eu fui em direção ao Museu Pergamon, que fica num local chamado a ilha dos museus, perto do Centro da cidade. A ilha tem muitos museus com arquitetura belíssima e só a passagem por lá já vale a pena para os amantes de fotografia e/ou arquitetura. Perto do Pergamon você encontra o Domo de Berlim, onde é possível subir (mas eu não o fiz), o antigo e o novo museu de Berlim e a Galeria Nacional. Todos muitíssimo interessantes, mas eu preferi me focar nos que eu queria ir, especialmente por que já era perto de 15h da tarde e muitos museus fecham as 17h ou as 18h.

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O museu de Pergamo é impressionante. Impressionante mesmo. Pelo menos o começo dele é. Depois a coleção fica um pouco monótona apesar do riquíssimo valor cultural e histórico. O que importa dizer é que: os caras conseguiram recriar com peças originais três ou mais lugares sagrados do mundo antigo. A entrada do templo de Ishtar, de Babiônia, com pedras azuis incrivelmente bem cuidadas e relevos de animais sagrados para aquela cultura, como o unicórnio, o leão e o dragão. Tudo isso de forma bem fiel à original, com uma altura de mais de 15 metros. A coleção também conta um pouco da história e como foi criado aquele tempo. Eu imagino o trabalho que deu de trazer do Iraque aquele monte de pedras e para reconstruir também. Outro ambiente interessante é a entrada do Mercado Romano da cidade de Mileto, que tem mais de 15 metros de altura e também reconstruído de forma bastante fiel. Tudo isso mesclado com diversas peças e estátuas do mundo antigo. Há, por exemplo, um piso em formato de mosaico da casa de um comerciante abastado de Mileto, diversas estelas de templos e uma réplica do código de Hamurabi. Vale a visita. No andar de cima, você pode visitar o Museu de Arte Islâmica, mas a coleção não é tão boa. Existem muitos tapetes e carpetes otomanos e persas extremamente raros, além da entrada de um dos templos da dinastia dos Omíadas – cujas paredes foram intrincadamente detalhadas.

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Já era noite quando eu entrei no DDR Museum, que felizmente fecha mais tarde do que os outro museus. O museu me surpreendeu por dois lados – não é aquele típico museu, e nisso eu senti falta de itens originais e interessantes, mas é uma grande aula de história e uma grande experiência de interatividade. O museu permite o aprendizado de como era a vida na Alemanha Oriental, especialmente em Berlim.

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Aprendi que no começo a Alemanha oriental estava bem a frente da ocidental, devido a fatores como uma conjugação de economia planificada com uma indústria de alto rendimento que foi ‘herdada’. Mas com o tempo a Alemanha oriental deixou de inovar e se perdeu em políticas que tornaram o país mais atrasado em relação à Alemanha Ocidental.

Logo na entrada você já tem uma experiência de como era pilotar um Trabanti – você dirige e no vidro há um jogo eletrônico, sem maiores objetivos, que simula a sua direção nas ruas de Berlim Oriental. O museu explica muito bem que o Trabanti foi criado pra rivalizar com o Fusca, mas devido a falta de materiais e para economizar, eles utilizaram uma espécie de plástico endurecido ao invés de metais, e uma série de itens foi deixada de fora. O carro era super barato, mas difícil de se conseguir, e muitas vezes a espera na fila era de 18 anos. Quebrava facilmente e as peças não eram da melhor qualidade, e muitas vezes o dono tinha que saber consertar, por que não era fácil conseguir um mecânico e as peças estavam em falta. Os Berlinenses tinham uma relação familiar com o carro e normalmente a aquisição de um era motivo de festa.

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O museu conta também que a vida era bastante organizada e deixava pouco espaço para liberdade. Se alguém quisesse subir na vida, era melhor entrar no único partido que existia. Muitos alimentos e itens essenciais, depois de algum tempo, estavam em falta, mas não para os diretores do partido. Isso também ajudou a criar um mercado negro. Mas os alemães ganhavam muito bem e tinham que gastar dinheiro com alguma coisa. Então, criaram um mercado de luxo com itens da Europa Oriental, como peixe da Hungria e Bebidas da TchecoEslováquia. Lá também é possível ver como a vida dos alemães era bastante vigiada e que não era incomum ir para a prisão. Para terminar, há uma instalação com uma típica casa de Berlim nos anos 80. Vale muito a visita.

Chegou a hora de partir. Era o tempo de ir para o meu próximo destino – Zurique. E eu dormi em um lugar muito especial – o meu querido ônibus da Flixbus. Foi chato por que o ônibus estava cheio e tinha um rapaz ansioso sentado bem do meu lado, então eu tive que ir meio que igual sardinha. Felizmente o ônibus foi esvaziando conforme foi parando em alguns destinos e eu pude sentar sozinho e esticar as pernas.

E ai, como milagre, eu consegui, pela primeira vez na vida, dormir mais de 3 horas em um transporte noturno e desconfortável. Detalhe um pouco desgostoso é que a internet fica um pouco intermitente e praticamente não funciona em diversos pontos. Mas quando funciona, é uma maravilha.

Dia 27/01 – Zurique

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Depois de 12 longas horas eu cheguei em Zurique, na minha querida Suíça. Mas não sem entreveros. Devido aos últimos acontecimentos na Europa, especialmente os ataques em Paris e a presença de terroristas em Genebra que estavam ligados aos fanáticos, as fronteiras da Suíça estavam em alerta e por isso os veículos passavam por uma blitz. Todas as pessoas com atividade fora do normal estavam sendo checadas. E demoramos 1h30 na fronteira, o que atrasou a minha chegada na cidade. E dentre as pessoas checadas, estava eu – levaram o meu passaporte e visto de residência para ligar pra Genebra. Demoraram um pouco mais com um rapaz macedônio. Me fizeram várias perguntas. Mas deu tudo certo – senão eu estaria escrevendo este texto de terras brasileiras.

O caminho de Berlim até Zurique é bem interessante se você quiser olhar pela janela – diversas fazendas super tecnológicas naquilo que era antigamente a Alemanha Oriental. A gente ainda passa de ônibus por Konstanz – Constança, que seria o meu destino depois de Zurique. E para ir até lá, imagine um ônibus de dois andares navegando em uma balsa. Tem que ser uma super balsa. E era, realmente. Aproveitei para tirar umas boas fotos e relaxar no andar de cima, que ainda servia café. Ah, o frio era intenso devido à brisa do lago.

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Bom a estação central de ônibus (ZOB) de Zurique fica do lado da Hauptbahnhof, que é a estação central de Trem da cidade. Então não tem erro. De lá eu passei no central do turista para pegar o meu ZürichCard, gentilmente cedido pelo escritório de turismo de Zurique. Aliás, o passe certamente vale a pena. Embora Zurique seja passível de visitar muitas coisas a pé, é muito vantajoso usar o transporte público – para ir ao Uetliberg, por exemplo, ou para andar de barco. E o passe ainda te dá entrada grátis ou com desconto em diversas atrações e preços diferenciados em restaurantes. E assim eu me dirigi à minha segunda hospedagem-report, como mídia, no Dakini Bed and Breakfast.

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Bed and Breakfast são espécies de acomodações que eu conceituo como estalagens ou hotéis pequenos, normalmente casas oferecidas por pessoas comuns, com poucos quartos, em que você tem direito a, literalmente, uma cama e um café da manhã. Por isso eles são mais baratos que hotéis, mas não quer dizer que não sejam confortáveis. Fiquei dois dias lá e vou fazer um post especialmente sobre o lugar, que eu recomendo muito. Se você for lá, diga à dona que ficou sabendo pelo meu Blog, ela vai gostar.

Depois de descansar alguns 30 minutos – afinal eu tinha vindo de um longa viagem de ônibus, resolvi sair pelas ruas de Zurique para saber qualé que é a dessa cidade. O tempo estava bom – estava até menos frio durante o dia então eu tive o prazer de usar um jogo de roupas e menos. Cheguei na estação central e notei que havia uma feira de alimentos e artesanatos lá mesmo. Não comprei nada. Zurique é uma cidade cara. Para vocês terem uma noção, deixar a mala dentro de um locker na estação central vai lhe custar pelo menos 7 francos, hoje 6 euros ou 28 reais. Incrivelmente caro.

Mas como eu moro na Suíça eu sei que no Migros e no Coop dá pra achar alguns itens baratos para beber por centavos de franco e pra comer, por menos de 5 francos. Comprei uma salada e um suco lá, o que deu menos de 5 francos.

Tudo isso você pode encontrar na estação central, que, para a minha grande surpresa, é muito maior do que a da cidade de Genebra. É um shopping também, mas com muito mais opções. Não é por menos, Zurique é a maior cidade da Suíça e o terminal mais movimentado do continente. Não sei o por quê, mas é. Tem mais de 30 plataformas de trem e é fácil ficar perdido por lá.

Procurei na internet quais eram os lugares mais visitados da cidade, e caiu o lago Zurique e o Kunsthaus Museum. Achei o nome engraçado e decidi conhecer o museu. Era quarta-feira, e eu me lembro por um detalhe interessante. Era um dos poucos museus que não dava entrada gratuita com o ZurichCard. Mas era também um dos poucos com entrada gratuita. Buuum! Dei sorte.

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Qualé que é a do Kunsthaus? Você sabe onde ver pintores famosos no mesmo lugar, como Matisse, Van Gogh, Picasso, Monet, e Rodin também, todos no mesmo lugar? Bom, pode até ser que você consiga encontrar no Louvre, mas aqui certamente a fila é menor e o lugar é menos turístico, o que pra mim é um baita ponto positivo. Sério, eu odeio ter que esperar para ver atrações em que as pessoas simplesmente querem tirar selfies e falar que foram lá, como na Monalisa. Não dá pra ver a Monalisa de perto, basicamente.

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O Kunsthaus é uma grande galeria com obras de pintores que vão desde o barroco e o renascentista até a arte moderna e contemporânea. Por isso você pode encontrar obras do Pop Art como do americano Andy Warhol . As instalações também são belas por si mesmas. Eu particularmente gostei muito da pinturas de Ferdinand Hodler. As obras contemporâneas, que inclusive a ideia de ‘arte’ é bastante controversa, também estão lá. Uma delas é formada de blocos preto-marrons e um borrão branco no primeiro bloco. Diga-me o que você achou. Bom, arte é manifestação e não precisa necessariamente ser bela.

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A seção de porta-retratos é muito legal. Eu não sabia que o Ferdinand Hodler era uma mistura de Jim Carrey com Hugh Jackman, basta olhar na foto! Outro que me chamou a atenção foi o Picasso novinho novinho, com 20 e poucos anos.

Eu sei que eu gostei tanto do museu que eu fiquei horas lá e não vi o tempo passar. Quando sai, já era tarde demais para visitar o Monte Uetliberg, de onde é possível ter uma visão privilegiada de Zurique.

DSC01892menorResolvi passear pelo centro, o Altstadt, e aí me apaixonei pela cidade. O centro antigo está muito bem preservado e torna a visita bastante agradável. As ruas não são padronizadas e isso era comum na idade média e moderna. Por isso você vai encontrar ruelas, diversas subidas e descidas e muitas curvas.

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Chamam a atenção no centro, além do lago, três igrejas – a Grossmunster, uma catedral de duas torres, e do outro lado do Rio Limmat, a Frau Munster e a St. Peter Kirche. Nessa hora eu notei a beleza do lago de Zurique a noite, contrastando com as luzes da cidade. Zurique é uma cidade bela, belíssima, e já entrou no meu coração. Interessante notar também os relógios das igrejas – um deles tem o maior diâmetro da Europa. Perto da Grossmunster é um dos melhores lugares para se tirar fotos. Infelizmente não era possível mais entrar nas igrejas e depois eu fiquei sabendo que essa era uma das melhores coisas pra se fazer na cidade.

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Tirei diversas fotos e o cansaço bateu. Estava quebrado de dormir no ônibus e precisava dormir muito! Pelo menos podia contar com o café da manhã caseiro preparado no dia seguinte. Tomei banho, relaxei e fui dormir super bem no meu quarto individual. Nada melhor.

Dia 28.01.2016 – Zurique, o dia mais interessante da minha viagem até então.

Acordei em Zurique muito mais disposto. Decidi ir no Ritlberg, um dos museus mais conhecidos da cidade e que tem um grande número de avaliações positivas no tripadvisor. Para isso eu decidi ir a pé até lá, apesar de ter um passe de transporte ilimitado. Como eu já escrevi, o meu estilo de viagem é o errante – eu gosto de sair por aí andando e ver o que tem no caminho. E assim eu fui parar ao largo do Rio Sihl, um dos tributários do lago Zurique, fazendo uma caminhada num clima extremamente agradável para padrões de inverno.

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Assim eu ‘descobri’ três lugares interessantes – o primeiro é a sede do Google na Europa. É um conjunto de prédios que por fora não tem muito o que dizer, afora o condomínio que foi criado num estilo meio oeste americano. Por dentro tem uma estrutura de invejar, com lugares para dormir, cafeteria, academia, etc. Se eu soubesse tentaria fazer uma visita programada, mas sempre é tempo. Zurique não é tão longe =).

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O segundo lugar interessante foi o futuro Museu da FIFA, que abre em fins de fevereiro de 2016. Acredito que eles devem ter a Taça do Mundo, inclusive, e outros itens valiosos. Sei que a entidade tem passado por problemas com os seus dirigentes, mas ela não deve ser confundida com ele. Eu penso duas vezes antes de visitar, mas visitaria.

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O terceiro foi a Igreja de Enge – , já em frente ao lago, que vale a pena dar uma passada pelo lugar onde ela fica, em uma colina com uma observação interessante da cidade e arquitetura em estilo barroco.

Mas o melhor estava mesmo por vir: o Museu Rietberg fica um pouco mais para o sul e em uma colina ainda maior. Perto do Museu você ainda pode visitar o Jardim Chinês, mas eu não passei lá por que não tinha muito tempo. Naquele dia eu tinha marcado de almoçar em um restaurante de um Hotel e depois encontrar uma amiga que eu conheci em Genebra.

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O museu Rietberg é um dos meus favoritos no mundo todo e já começa pela entrada, que é toda envidraçada em tons verdes escuros, contrastando com o ambiente ao redor. Se eu me lembro bem, o Museu tem quatro ambientes, e mais de 3 andares, por isso é fácil se ‘perder’ lá, no bom sentindo também, por que tem muita coisa pra ver. Ah – informação essencial – você entra de graça com o Zürich Card.

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A coleção do Rietberg é incrível. Sendo um museu totalmente dedicado a outros continentes que não a Europa, você pode encontrar desde barcos de pesca de indígenas do Alasca, Máscaras de Rituais Africanos, Budas de Ouro do Nepal até Vasilhames Chineses de 3000 anos atrás.

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Almoço Especial. Passei no Delish Cafe Take Out para fazer um report especial sobre o restaurante. O Delish oferece uma espécie de refeição bastante comum da Suíça. Cada item que você pega tem o seu preço individual. A variedade é interessante, especialmente pra quem curte um estilo de comida asiático. No dia em que eu fui, havia almôndegas no molho Curry, arroz Basmati Integral, vários tipos de salada, além de sanduíches, e patisseries como cookies, donuts, brownies e bolinhos. Recomendo. Me empanturrei e fui em direção ao encontro com a minha amiga Anna, que estudou comigo em Genebra.

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Havia passado dias solitários durante os primeiros dias da minha viagem e foi realmente bom conversar com alguém conhecido para variar. A Anna mora em Zurich e me mostrou diversos pontos da cidade apesar de estar com muletas. Até me senti mal por fazer ela andar com a força dos braços praticamente, mas ela disse que se sentia bem saindo de casa.

Nós caminhamos pelo Lago mas o dia não estava lá aquelas coisas para tirar fotos, não igual a outros dias. Depois iria melhorar com o por-do-sol. Ela me mostrou especialmente a universidade ETH de Zurique, que está no top 15 mundial como uma das Melhores Universidades. Para ir lá, pegamos um cablecar, em português funicular, que é uma experiência em interessante por si própria. Por ser um lugar alto é um lugar recomendável para tirar fotos de um dos lados do lago Zurique!

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Em seguida eu finalmente subiria para o Monte Uetliberg, que era um dos lugares que eu mais queria visitar. Pra quem tem o ZurichCard, o transporte está incluído até o fim. É só pegar o Trem 10 na Plataforma 22, que sai de 30 em 30 minutos. Enquanto o trem não saia eu aproveitei pra dar uma volta na estação central de Zurique que é uma arte em si mesma, de tão grande. Destaque para a escultura de fada que fica suspensa no topo do prédio, na parte de dentro.

Ai, pá, peguei o Trem para Uetliberg e em 25 minutos eu cheguei lá. É uma estação pequena e que tem um banheiro, um balcãozinho de informações e um restaurante típico suíço que serve fondue. De lá já é possível ter uma visão interessante de Zurique, mas eu recomendo continuar subindo. É só pegar uma estradinha de terra e em 10 minutos você estará num dos topos, que tem um hotel e restaurante relativamente grande. Neste lugar você tem diversas opções para observar a região de Zurique. A parte da frente é a a cidade e você pode dar uma olhada no lago em uma visão privilegiada. Recomendo bastante fazer isso na hora do por do sol e ficar lá até a noitinha, pra ver as luzes da cidade.

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Você também pode fazer isso de uma Torre, que é gerenciada de forma privada pelo Hotel, e por isso tem que pagar 1 franco para subir. Vale a pena por que de lá de cima a visão é ainda melhor e você pode ficar pensando na morte da Bezerra como eu.

Voltei para casa. O próximo dia seria o último em Zurique.

29.01.2015 Descobertas dentro de Zurique e rumo a Konstanz.

Último café no Dakini Bed and Breakfast, fiz as malas e deixei na estação central de Zurique. Não tinha nada programado para o dia até por que eu partiria as 17h00 então não quis me amarrar. Decidi subir o morro Lindenhof e entrar nas igrejas.

Comecei fazendo o trajeto básico de quem está conhecendo a cidade – a Banhofstrasse é uma das principais avenidas de Zurique, senão a principal, e um dos melhores lugares para se fazer compras. Mas eu não fui para fazer compras então não prestei muita atenção nas lojas.

Perto do Lindehhof tem uma igreja chamada Igreja de São Pedro, cuja entrada é gratuita e o interior é charmoso e simples, sem muitos penduricalhos como em outras igrejas.

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O lindenhof fica na face sul do lago/rios e é um dos melhores lugares para ver as belezas de Zurique. Fica pertinho da estação central e dá pra ir a pé. É o melhor lugar pra tirar foto da Grossmunster, que é a catedral principal de Zurique. Algumas das minhas melhores fotos eu tirei lá.

Entrei nas três igrejas da região do Lago de Zurique e o que eu posso falar é que por fora elas são simples, mas por dentro são fenomenais. Estou falando especialmente dos vitrais, que são algumas das coisas mais belas que eu vi na vida. Acredito que valha a pena entrar nas igrejas apenas para ver os vitrais. Talvez inclusive vir a Zurique valha a pena apenas pelo orgasmo visual que estas obras trazem. Do lado da Fraumunster é possível ver uma capela aberta com alguns paineis antigos pintados com motivos religiosos. Eu tirei tantas fotos legais lá que acabou se tornando um dos meus lugares favoritos de Zurique.

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É possível subir na GrossMunster o que eu recomendo! Mais um bom lugar para tirar fotos de Zurique. Atenção apenas ao fato de que a maior parte da subida é com escada de madeira (o que eu odeio por que eu não sinto segurança – madeira apodrece!). Mesmo assim vale a visita.

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Passei em frente ao Zunfthaus – o prédio das Guildas em Zurique, cuja história eu vou contar depois. A minha ami-guia me disse que a cidade era antiga vila de guildas, ou seja, corporações de ofício, como a dos ferreiros, ferramenteiros, construtores e tecelões, e tinha vários prédios dedicados aos afazeres profissionais.

Aproveitei depois os meus últimos momentos em Zurique para ficar tirando fotos e vídeos de Zurique, alguns dos quais você confere aqui:

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Mas era hora do parto. Peguei minhas coisas na estação e parti para Konstanz! A viagem demora quase 1 hora, até por que Konstanz fica colada na Suíça.

Naquela cidade eu teria a minha segunda experiência de Couchsurfing. Eu mandei o pedido em cima da hora por que eu achei que ia conseguir um Hotel, mas não consegui. E o Hostel tinha um tarifário impraticável para a minha viagem low-cost.

O problema era o que o meu host só iria chegar do trabalho dele após as 23h e eu chegaria as 19h30! Teria que ficar esperando umas boas três horas em algum lugar, isso se ele chegasse as 23h. Bom, isso não seria nenhum problema. Mas bem antes disso, o Yannick me disse que tinha uma amiga dele interessada em saber como era São Paulo por que ela queria fazer arquitetura lá. Realmente São Paulo, por ser uma cidade muito urbana, tem prédios incríveis e é um dos polos de arquitetura do mundo.

Calhou de eu ter companhia até o fim da noite – marquei de conversar com ela no mesmo dia e a moça ainda me levou até o apartamento do Yannick onde eu pude esperar ele longe do frio rs. Talvez, não fosse ela, eu estaria perdido pra achar o a república dele por que o lugar é enorme. Dei várias dicas sobre a minha querida sampa e me despedi da nova amiga. Ainda bem que eu já estava lá, por que o host teve que ficar mais tempo no trabalho e só chegou meia noite! No fim deu tudo certo e ele se mostrou super gente boa – me emprestou até uma toalha, o que eu acho que os Hosters do Couchsurfing não precisam fazer.

Dia 30 – O Lago de Constança e a Cidade ‘Secreta’.

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Vou começar passando as minhas impressões sobre Konstanz, em português Constança ou em inglês, Constance. É uma cidade ‘secreta’, não muito falada por turistas, e por isso mesmo um lugar fantástico para tão pouca fama. Konstanz é belíssima por si mesma e tem atrativos que parecem parecidos com o de várias cidades europeias, mas ao mesmo tempo um toque especial só dela.

Acordei e pude me refazer na casa do Hoster Yannick, com quem eu conversei bastante no dia anterior. Super gente boa. Marquei de me encontrar com ele pra gente tomar café e ele ia me mostrar a cidade. E não só ele me mostrou a cidade (a amiga dele tinha me mostrado bastante coisa), como ele ainda pagou o meu café da manhã, algo que eu briguei pra ele não fazer mas mesmo assim ele já fez. Tenho uma dívida com o Yannick! Pois é.

Ele começou me mostrando o spot favorito dele do Lago Constança e como a cidade vira um ninho de Zuriquenhos no verão. É possível nadar, e mergulhar no lago. Inclusive ele tem certificado de mergulho e o faz constantemente naquelas águas. Em seguida ele foi me mostrando que criaram uma ilha artificial na ponta do lago para servir de prisão, mas hoje é um hotel. Dá pra ver que o acesso só se faz por uma ponte e que a construção ainda tem pontos de vigia como antigamente. Fomos até o porto e eu preferi ver o lago de lá. Vimos que antigamente o lago avançava mais até a cidade, mas ele foi aterrado em uma parte e a cidade ganhou mais espaço. No porto, existe uma estátua cuja história é muito peculiar.

A estátua se chama Imperia e nada mais é do que uma prostituta om os seios de fora, segurando figuras que representam o sacro imperador e o papa em cada uma de suas mãos. A estátua foi erguida sorrateiramente em 1993 e foi um escândalo, por que o autor não tinha autorização para colocar ela ali. Mas como ela fica em terreno privado e a empresa não se importou, não puderam fazer nada. A estátua gira no seu próprio eixo então é possível vê-la de todos os ângulos.

O porto é belo por si mesmo e tem vários barcos que levam turistas para passeios no lago e em cidades próximas como Friedrichsafen.

Perto do porto ainda tem uma gaiola com pássaros do mundo todo. Eles são bonitos, mas eu preferia que a Gaiola fosse maior, bem maior, por que eles não tem muita liberdade. Tirei umas fotos do lago com o Yannick e fomos para o centro da cidade.

Por incrível que pareça, o centro da cidade parecia um comum de antigas vilas alemãs dentro de muralhas, mas o charme em especial da cidade me conquistou pelos longos calçadões que tomam boa parte do centro antigo e por causa da decoração de carnaval da cidade, que foi feita em homenagem aos antigos costumes: quem não quisesse comemorar o carnaval colocava um pedaço de camisa ou uma gravata na sua janela. Mas hoje em dia existem muitas guirlandas e varais cheios de panos e gravatas coloridas, então virou praticamente o contrário.

A arquitetura com diversas pinturas antigas nas paredes também me fizeram enxergar a cidade de outro modo.

Fomos para a Münster, a Catedral central de Konstanz, que também me impressionou pelo seu charme e pelas colunas extremamente claras, chegando a ser azuis,  contrastando com o marrom dos móveis e o dourado das decoração. Queria subir na torre, mas somente com horário marcado. Aproveitei e fiquei observando os belíssimos vitrais, dos quais o Yannick me disser serem oriundos de Veneza, que era o maior polo da indústria na Europa Medieval e Renascentista. Especialmente o azul deles nunca foi igualado e era chamado de Murano. Destaque também para a Cripta que é basicamente outra igreja de tão espaçosa, com figuras de bronze que datam do século X. D.C.

Fiquei um tempinho na cidade até aguardar a hora de pegar o meu ônibus. Por desencontros com o Yannick e a falta de ter internet no celular, eu quase perco o meu ônibus, que partia as 17h e eu cheguei lá faltando 3 minutos. Tanto que eu perdi a minha ‘necessaire’ com escova de dente, shampoo, cera, pasta de dente, navalha e cortador de unha por que eu esqueci na casa dele.

Mas são itens supérfluos e no decorrer dos dias eu fui recuperando, por exemplo, com Shampoos e outros sabonetes líquidos esquecidos  nos hostels. Felizmente deu tudo certo e eu pude pegar o ônibus para Munique, onde dormiria uma noite. São menos de 3 horas entre a duas cidades, sussa.

Meu humor não estava dos melhores nesse dia por que eu lembro de ter visto a cobrança da semestralidade na faculdade e tomei um susto. Como passa rápido o tempo! Além do que, decidi de última hora ficar em um hostel porque não achei quem me hospedasse pelo couchsurfing, também por que não procurei com mais afinco. Queria um pouco de liberdade.

Chovia muito, muito mesmo e eu cheguei meio ensopado no hostel, o que me deixou mais irritado ainda. Pra piorar, eu não gostei muito do lugar, muito cheio, mas pelo menos tinha um café da manhã decente. Em geral, quando está muito cheio sempre tem gente barulhenta e sobram as camas da beliche de cima.  Coloquei minhas roupas pra secar e fui dormir.

31.01.2016 – Munique e a surpresa do Carnaval.

Confesso que estava um pouco chateado aquele dia e não estava muito afim de sair de casa. Tinha vontade de cancelar tudo e nem ir para Praga. Voltaria pra casa. Mas isso daria um trabalho e eu me arrependeria pra sempre.

Pra piorar estava uma chuva pra lá de chata e um frio desgraçado. Um dia muito convidativo para não fazer nada. Mas eu estava em Munique e entrando no segundo terço da minha viagem. Decidi sair assim mesmo.

Propositalmente não fui perto do lugar onde corre a Oktoberfest, por que eu gostaria de visitar a cidade em Outubro na época da festa.

No caminho encontrei um jardim botânico mas não tinha nada muito interessante por causa do inverno. Sem muitas plantas nem flores. Passei pelo Karlstor, um portão que servia de entrada para a antiga parte central da cidade protegida pela muralha. Tinha a figura de um bufão pulando o portão e depois eu descobriria o porquê.

Passei pela igreja Pater Rupert Mayer, que tem um interior bem interessante e duas igrejas em uma, a oberkircher e a Unterkirche.

Depois, pela igreja de São Miguel Arcanjo, onde por coincidência, sendo domingo meio-dia, eu pude acompanhar os cantos de uma missa.

Em Munique existem muitas lojas de souvenires com produtos típicos da Bavária, que é a região que nós conhecemos mais da Alemanha, mas que não pode ser confundida com ela. Lá encontrei soldadinhos de chumbo, chapéis e uma caneca de cerveja que é tão grande que mais parece um projeto de vida – tem 1,5m e custa 2.100 euros!

Queria passar o tempo e acabei entrando num museu que parecia deveras interessante – o museu da caça e da pesca, em alemão jagd und fischereimuseum, que tinha diversos animais empalhados e itens de caça e pesca como armas, varas, arpões e chifres de animais antigos. Sinceramente? Só vale a pena para entusiastas. Além do que, tudo estava escrito em alemão.

Fui caminhando em direção a Marienplatz, uma das principais de Munique, que tem um prédio enorme, o Neuersrathaus, a prefeitura, que tem um estilo gótico bastante chamativo. Na Praça tem um grande obelisco com uma estátua de Maria no topo.

Passei por uma banda chamada Caribbean Steelband Kolibris, formada por idosos tocando peças de metal como panelas e xilofones. Me perguntei por que eles estavam ali e lembrei – é carnaval!

Entrei em mais um igreja de São Pedro, uma das mais conhecidas de Munique, e de lá é possível subir na torre para um Bird-eye da cidade. Não vale a pena se o clima não estiver bom! Estava chuvoso e eu meio que acreditei que perdi tempo. A torre também tem escadas de madeira – o tipo que eu mais odeio por que eu não confio! Bom, de lá eu vi que as casas de Munique parecem desenho animado, todas muito claras com proeminentes telhados vermelhos.

Desci e resolvi ir em direção a um dos pontos turísticos mais famosos – a Asamkirche, ou igreja de Asam. Aí, eu tive uma grande surpresa.

É carnaval em Munique!

Na hora certa, no lugar certo, eu presenciei o começo do desfile de carnaval em Munique, É quer saber? Aquilo aqueceu meu coração que só queria saber de dormir e descansar naquele dia chuvoso! Vi muitos blocos de idosos pulando e se divertindo, todos muito fantasiados e dançando músicas coreografadas, enquanto os carros alegóricos bastante originais jogavam balas e outros quitutes, inclusive sonhos, para os espectadores!

Muitos dos carros eram máquina agrícolas adaptadas e isso tornava a visão ainda mais interessante. Um deles estava decorado como fosse um castelo. Fiquei umas boas 2 horas assistindo o desfilo lá e descansando, pra variar, mas dessa vez embaixo de uma chuva fina e gelada. Mas se os foliões não sentiam, eu também não ia sentir. Destaque para o carro da terceira idade fantasiado de Elvis e Beatles, e para as bruxas com cetros – muito bem criado.

Por fim, cheguei a igreja de Asam, criada por uma família para ser um lugar de reza privado, mas que depois da pressão da população em Munique, foi aberto ao público. O interior dela é fenomenal e tem tantas peças em ouro e metais preciosos, assim como decorações únicas, que é fácil se perder a vista no meio de tantos ornamentos.

Terminei o meu rolê Bavário passando por outro portão, o Sandingertor.

Estava nevando quando eu peguei o Ônibus em direção a Praga.

01-02-2015 Praga, oh Praga.

Fiquei num Hostel massa em Praga, que tem café da manhã decente e tudo mais. Camas confortáveis e chuveiro que funciona. E o melhor: quase vazio. Por isso, apesar de eu estar num quarto com seis camas, só tinha um outro broder que eu mal falei com ele. Então eu pude deixar minhas coisas de boa no Hostel, até também pelo fato de que tinha locker no quarto – uma das sete maravilhas do mundo dos hostels. Tomei o café da manhã, com destaques: Salsichas e macarrão com salada apimentada.

Para falar a verdade eu tinha um pouco de receio de Praga. Achei que fosse ser uma cidade mais violenta e perigosa, quando na verdade não foi nada disso.

O Meu Hostel ficava estrategicamente localizado entre a estação de ônibus e o centro velho de Praga, assim eu não precisei fazer nada de trem, bonde ou metrô.

Sai pela minha peregrinação tcheca, na Europa Central. Os Tchecos não gostam de serem chamados de Leste Europeu, eles tem identidade própria. Eles também não gostam de ser chamados de países pós-comunista por que isso traz lembranças ruins para eles.

*Nota para mim: eu passei por Graz e Maribor/Marburg e simplesmente tenho que visitar essas cidades.

A primeira coisa que eu reparei e uma das grandes gordices a qual eu me dei ao prazer de provar foi o Trdelnik, doce de massa que é febra na República Tcheca, Áustria e Hungria. O Trdelnik é uma espécie de rolo oco polvilhado com açúcar, baunilha e canela e que pode ser recheado com chocolate ou outros cremes. E é muito bom! Quem for pra Praga tem que provar isso!

Passei pelo Obelnik Dom, que é um centro de conferência e já foi residência imperial na Bohêmia, ele fica do lado da torre da pólvora, que era uma das entradas da muralha. Ela foi construída em 1483.

Quando eu fui em Praga, 25 ou 26 coroas é o equivalente a 1 euro, e é normal encontrar pratos pelo equivalente de 6 a 10 euros. Não é caro, mas eu esperava ser mais barato. Passei pelo centro andando pelo caminho real, onde normalmente só a corte real poderia passar nos tempos medievais e renascentistas. Muita gente andando de Segway, que é aquele tipo de veículo como um patinete motorizado. Existem muitas operadoras destes tours.

Passei por vários lugares interessantes em Praga, como um dos museus da Tortura, uma das muitas ‘padarias’ de Trdelnik, que servem versões doces e salgadas, com recheios como salsichas e sorvete. Quer dar um presente diferente para alguém? Existe uma loja especializada em lápis que se chama Koh-I-Noor, que funciona desde 1790 e tem diversos souvenires que lembram lápis, além de coleções com cores diferentes. Do lado do Koh-I-Noor tem uma loja de botânicos muito interessante que tem diversos tipos de sabonetes, cremes e também itens como vinho, azeite e mel. O cheiro é incrível! Infelizmente não dá pra explicar por meio de computador.

Perto dali você pode encontrar: a Igreja de São Jacó, que tem uma lenda interessante: a de que uma pessoa tentou roubar o dízimo, mas a estátua de maria adquiriu vida e parou o ladrão. Ele foi condenado e teve a mão cortada e dizem que a mão dele está presa na entrada para lembrar os engraçadinhos de não roubar. Não pude entrar mas deu pra ver um pouco pela janela.

Detalhe também: muitos estabelecimentos de massagem tailandesa (não sei se tem a outra massagem que na verdade é prostituição, mas estas pareceram ser verdadeiras). Uma delas existe uma massagem com peixes no pé e eu vi uma criança toda sorridente se esforçando pra não rir.

Perto dali, a insígnia do sol negro, um prédio bastante misterioso do século XV.

Cheguei na praça principal de Praga, que existe há mais de 10 séculos, e lá eu pude ver muita coisa, como as barracas de comida, a torre do centro, a igreja Nossa Senhora de Tyr, uma das mais famosas e antigas. O monumento a Jan Hus, construído em 1900, em homenagem a um dos pais da reforma da Rep. Tcheca, também impressiona quem passa por lá. Dali também se pode ver a igreja de St. Miklas, construída há mais de 600 anos, com a fachada de 1769, e tem afrescos dos Asam.

O local que chama a atenção é a torre, que fica bem no centro, e é chamada de town hall. Aqui se discutia a vida, o passado, o presente e o futuro de Praga, da Bohemia e da República Tcheca.

Do lado dela, um dos lugares que eu sempre quis conhecer: o relógio astronômico de Praga! E é simplesmente belíssimo! Incrível imaginar que ele começou a ser construído como mecanismo nos idos de 1450 e pouco. Obviamente, de lá para cá ele foi reformado e consertado diversas vezes, a última delas após a segunda guerra mundial, onde a população de Praga resistiu aos nazistas na cidade dentro da torre, que foi bombardeada pelos alemães.

O relógio é uma obra de arte e merece um capítulo a parte. Ele conta vários tipos de tempo, entre eles o dia, a hora, a semana, o ano, e ainda a hora Bohemia antiga e a hora em árabe, além dos signos do zodíaco. O relógio toca a cada uma hora e os apóstolos mecânicos se revezam dentro do mecanismo, o que é uma obra de arte em si mesma. Vale a pena esperar para ver. Vendi algumas fotos com a minha câmera =)

Fui em direção a Ponte Carlos, Karlov Most. Passei por uma loja especializada em doces por quilo como chiclete, caramelos, chocolates, gelatinas e outros. Vale a pena pegar um pouco!

Quando eu cheguei na Ponte Carlos, cheguei em um dos lugares mais interessantes que eu já vi na minha vida. A Ponte Carlos, com as suas duas torres e a vista do Castelo de Praga, é uma das coisas mais lindas do mundo! No pôr-do-sol fica ainda mais estonteante e vale a pena esperar por esse momento.

Perto dali, a igreja de São Salvatorium de Clementium e a de São Francisco Serafim.

Mas foi a ponte mesmo que eu gostei. Tanto que eu passei umas boas duas horas lá e a bateria da minha câmera acabou de tantas fotos que eu tirei e minutos que eu gravei. Calhou que não valeria visitar o castelo de Praga naquele dia. Deixei pro dia seguinte.

Mas não me arrependo. Foi um dos melhores dias da minha viagem. Olhar para o rio Vitava de noite me recuperou emocionalmente e mentalmente.

Já era de noite, eu resolvi voltar.

Mas não sem antes de me dar ao luxo de comer uma única vez num restaurante, uma comdia típica de Praga, mas a memória me falha o nome.

Voltei para o Hostel e dormi feito uma pedra, não sem antes pesquisar sobre Praga e onde ficar em Budapeste.

02-02-2016 Maldita Beleza de Praga

Maldita mesmo!

Tomei o café e sai direto. Tirei outras fotos dos mesmos lugares, com um clima diferente e mais ensolarado. O dia prometia! Passei por alguns carros antigos, creio que da década de 50 ou 60, típicos daqueles de casamento. Eles são locáveis =)

Fui em direção ao Castelo de Praga direto. Pelo menos era o que eu planejava. Via tanta coisa no caminho e parava sempre pra tirar foto. Dessa vez levei o meu carregador para a bateria não me deixar na mão como no dia anterior.

As lojas de artesanato e souvenir de Praga que são únicas. Nunca encontrei cidade assim. Aí eu descobri que a arte com vidros da região da Bohemia é uma das melhores do mundo e eu tive que concordar. Não é pra qualquer um concorrer com aquilo e vocês podem atestar pela foto. Passei também por um museu do pão de ló (gingerbread museum), que me deu água na boca, pelo museu do chocolate, que tinha um mostruário de uma mulher fazendo marzipan na hora.

Entrei na Capela de Belem que já era caminho – mais uma cuja decoração vale a pena acompanhar de perto por dentro, como outras de Praga, recheadas de metais preciosos e arte.

Ainda parei e tirei muitas fotos da ponte e filmei um dos músicos que estavam lá. Passei um bom tempo me divertindo com a câmera. Culminou que eu só fui pro Castelo no meio da tarde. Mas foi meio proposital. Queria aproveitar a Golden hour lá e tirar fotos do por do sol.

Subi para o Castelo e lá tive a maior frustração da minha viagem, motivo pelo qual eu não pude completar o meu relatório sobre o lugar. Mas antes disso eu pude aproveitar a visão única que o castelo pode proporcionar da cidade, uma vista conhecida como bird-eye.

O castelo na verdade é um complexo bem grande, que tem vários edifícios dentro dele. Aquele que as pessoas veem de longe é na verdade, um deles: a Catedral de São Vito, que é uma construção impressionante e data do século XIV, enquanto o castelo data de antes do Século X. Há muita coisa para se ver lá no complexo, como o museu e o palácio em si mesmo, mas a minha frustração me impediu. Uma grande ventania balançava até quem passava pelo local e eu tentava tirar boas fotos como sempre.

Contra o bom senso, eu achei que o vento ia passar, e quando parou, eu deixei a minha câmera no tripé, que mede cerca de 1.50 de altura. Me distanciei uns bons 10 metros para ativar o controle remoto e tirar uma foto que eu não curto muito, mas serve de registro. Acontece que a lei de murphy não perdoou. A camera balançou, o vento ficou mais forte, e ela caiu no chão, e eu ouvi um crec. Meu coração quase parou nessa hora, por que eu tinha planos para usar a camera como instrumento de trabalho e eu consegui alguns euros tirando fotos das pessoas.

Para meu alívio, ela ainda estava ligada e funcionando, tirando fotos. Com relação aos produtos da Sony eu realmente não posso reclamar, ela já tinha caido outras 5 vezes. Sou eu que testo a minha sorte mesmo, e para tirar uma foto boba. Ai reparei algo errado com a lente. Estava torta e meio destacada do seu eixo. Tentei mexer ela e não deu para colocar o zoom. Bateu alguns segundos e a câmera disse que não poderia mais reconhecer a lente e era para recolocar ela. Tentei e não deu certo. Nessa hora eu fico meio estressado e viro meio ogro mesmo. Quero resolver as coisas na marra. Obviamente eu ainda guardo um pouco de bom senso. Forcei a lente no eixo dela e consegui deixar ela menos torta. Mas não funcionou. Tentei de todas as formas religar a camera e recolocar a lente, mas ela não reconhecia. Coloquei o dedo dentro dela e vi uma fita de fios que parecia solta mas eu não sabia o que era. Depois de dois dias eu descobri que era aquilo o problema.

Fiquei mal, muito mal, na verdade. Por que eu simplesmente não tinha dinheiro para mandar arrumar a camera ou quiça comprar uma lente nova. E como ela já tinha caido antes e é perceptível os danos por mal uso, eu não poderia levar na garantia. Naquele dia eu não consegui fazer mais nada. Para completar a lei de Murphy, o pôr-do-sol apareceu de repente e eu não pude tirar fotos. Pensei em voltar para Genebra. Vi as passagens de ônibus e trem. Estava me programando para encerrar ali a minha viagem. Mas engraçado que no dia anterior eu estava postando sobre o nosso materialismo. Lembrei que eu ainda ia visitar várias cidades que eu sempre quis ir e que eu podia tirar fotos com uma camera antiga e um celular. Chateado, voltei pra casa, mas não sem antes passar a noite inteira mexendo na lente. Decidi continuar a viagem, até por que eu tinha algumas reservas como convidado em alguns hoteis interessantes. Seria muito chato cancelar.

Fiz a minha resolução de ao acordar, procurar imediatamente algum lugar para consertar, ver uma lente nova ou usada, ou ferramentas para eu mesmo abrir a lente.

Realmente a beleza de Praga foi maldita.

03-02-2016 – Busca desenfreada

Foi um dos poucos dias em que eu acordei cedo na minha viagem e sai cedo. Eu sempre acordo umas 7h, mas acabo enrolando e só saindo lá pelas 10h, até por que eu tomo café da manhã reforçado e não costumo almoçar. Passei no centro Foto Skoda e vi que lá eles faziam assistência técnica, mas de outra espécie de camera, a canon e a olympus. Me passaram o endereço da Sony e eu vi que ficava a quase 1h de distância. Resolvi deixar para depois. Uma lente nova custava incriveis 315 euros, e uma usada, 210. Francamente, eu não tinha isso dinheiro para gastar, se a minha preocupação principal ainda era comer.

Passei em outras lojas, mas nenhuma delas tinha a lente que eu tinha quebrado. Fiquei triste mas tentei me desenrolar da forma possível. Comprei uma chave de fenda e fui tomar café enquanto abria a minha lente. As garçonetes ficaram me observando curiosas. Depois de fuçar em vários cantos, descobri o problema – era a fita elétrica (um conjunto de microfios), que ligava uma das partes interna da lente a outras. Estava cortada. Por que a lente caiu expandida, no seu maior tamanho, a fita se partiu em dois com o impacto. Tentei colar de volta com o que tinha, mas me resignei com o fato de que teria que trocar a fita e isso não saberia fazer. Para piorar, um dos conectores que segurava a fita esta quebrado, e quando eu tentei juntar as duas partes da fita, outra fita acabou se partindo. Aí eu decidi parar de ser McGyver e desisti de consertar eu mesmo.

Chateado, mas ‘profissional’. A cidade de Praga tinha me presenteado com um tour na Torre do Relógio Astronômico, e estava marcado para aquele dia. Eu tinha que ir então larguei mão da camera e comecei a usar a antiga, que por precaução eu tinha trazido. É uma camera de 2010 para trás, daquelas compactas baratas, mas deu para o gasto.

De curioso naquele dia, eu visitei uma Absintheria, um café/bar especializado em Absinto, tanto que eles serviam sorvetes, sucos, cafés e bolo com absinto. Eu que sou um adorador dessa bebida fiquei louco para provar mas eu estava chateado e nem quis testar, além de ficar pensando nos gastos com a camera.

Segui a Praça Venceslau, que é um dos lugares mais conhecidos de Praga, em homenagem a São Venceslau, o patrono da República Tcheca. No fim da Praça, o Museu Nacional, construído em 1818. Infelizmente estava em reconstrução e eu não o pude visitar.

Fui para a Torre do Relógio Astronômico – The Old Town Tower, fazer um tour, graciosamente concedido pelo Escritório de Turismo de Praga, que já tinha me enviado mapas e um imã de geladeira. O Tour é bastante interessante, por que conforme você vai subindo a torre histórica, vai aprendendo, que lá, por exemplo, ficaram aprisionados e foram executados 27 dissidentes do regime dos Habsburgos em 1621. A torre também sobreviveu, de alguma forma, aos ataques dos Nazistas em 1945, quando a cidade de Praga se levantou contra a ocupação Alemã, tomou a torre e atacou o exército. Eles venceram, mas uma parte do Hall ficou destruída, incluído, especialmente, o Relógio Astronômico.

No fim do passeio há a própria torre como atração – de lá é possível tirar fotos bird-eye da cidade e observar a arquitetura única de praga, com o centro de calçadão, os bondes, muitos deles guardando ligações com o socialismo soviético, e os muitos telhados de telhas vermelhas. Destaque para a Igreja de Nossa Senhora de Tyn e a Catedral de São Nicolas, que despontam na região da Praça Central.

Resolvi depois dar um rolê e conhecer a casa dançante, um edifício bem famoso de Praga pela sua arquitetura arrojada. Ai, no caminho, acompanhei a borda do Rio Vitava e a lei de Murphy atacou novamente. Depois de um dia totalmente cinzento, o sol resolveu aparecer quando ia embora, e eu vi o pôr-do-sol mais belo de toda a minha viagem da Europa, em um misto de azul, laranja, rosa e vermelho! Fiquei pensando no meu azar de estar sem a minha camera em um momento tão importante, mas mesmo assim tirei fotos belas considerando a que eu estava usando.

A Casa Dançante é uma obra da década de 1990 e foi criada com o design diferenciado, como fossem dois dançarinos juntos. Não a toa o arquiteto a chamou de Fred e Ginger, em homenagem ao par hollywoodiano dos cinemas. Ela fica perto de uma ponte sobre o Rio Vitava.

Voltei para o Hostel e fui dormir, ainda pensando na morte da bezerra. No dia seguinte iria para Budapest, mas o fato de o ônibus demorar algumas boas 6 horas em decorrência de conexão, praticamente não me daria tempo de visitar um centro de assistência da Sony para ver a minha camera.

04-02-2016 Rumo a Budapest, a cidade que me assustava  mas não me assustou.

Neste dia eu praticamente não tenho nenhuma foto. Primeiro, eu quase não fui a lugar alguem. Segundo, eu passei uma boa parte do dia dentro do ônibus, ao menos no período com sol. Eu até poderia ter saído mais do Hostel mas estava meio chateado. Além disso, estava uma chuva fina e chata. Aproveitei para pesquisar sobre Budapest e adiantar um post no meu blog.

O meu bus saia as 10h00, pela manhã, esse o motivo de eu não fazer nada. E eu cheguei em Budapest as 17h55. No caminho, uma conexão em Viena, e eu já pude adiantar a localização da estação de Ônibus, já que a capital da Áustria seria o meu próximo destino.

De ruim, apenas o fato de que praticamente não tive internet a viagem toda do ônibus. Por isso normalmente eu já vou preparado para escrever os meus artigos no word e levo algumas páginas da internet pré-salvas, como blogs falando sobre Budapest. Como sempre acontece, bate aquele sono no ônibus e eu tirei vários cochilos.

Vou falar a verdade – eu tinha medo de como seria Budapest. Achei que seria uma cidade perigosa, afinal eu estava no Leste Europeu e um horizonte desconhecido. Achei que fosse inseguro andar a noite, simplesmente por que eu comparo essas cidades a São Paulo, pelo fato de serem países em desenvolvimento também. Acontece que Budapest é muito mais segura do que São Paulo e isso me surpreendeu positivamente. Mesmo sendo uma cidade com vários pontos relativamente descuidados, a estrutura de muitas localizações é de invejar. Budapest é uma cidade incrível e bonita. Acho Praga melhor, por que está no meu coração, mas definitivamente Budapest é um lugar para visitar novamente.

A primeira coisa que eu fiz foi chegar no Hostel que foi um dos pontos altos e baixos da minha viagem: o Color Hostel Budapest. Primeiro que eu não achei nenhuma outra hospedagem barata perto da estação onde desci (Népliget). Então não tive muita escolha. Segunda que eu decidi ficar lá no mesmo dia, e não só isso, eu fiz a reserva dentro do ônibus. Então eu nem olhei muito como era a propriedade, só vi o preço e reparei que tinha café da manhã, tudo isso por menos de 20 euros para ficar 4 noites. O preço valia muito a pena, apesar de ficar num quarto com 8 camas.

Antes de falar do Hostel, eu tenho que falar que em Budapest, cidade baratíssima, eu me dei a luxo de comer em um restaurante, justamente por causa do preço. Como o Euro estava 310 Florints, eu comei por cerca de 2500 Florints o menu de um estabelecimento, que consistia em entrada, prato principal e bebida. Pedi um Goulash a Hungara, uma refeição que precisa de um post especialmente sobre ela. É uma espécie de ensopado de carne muito bom, feito com Páprica. Depois, veio no prato principal, Frango com Páprica e Espinafre. Muito, muito bom! Comi muito naquela noite e voltei para o Hostel estufado.

Ainda deu tempo de passar no mercadão de Budapest, que ficava perto dali, e anotar alguma coisa para comer no dia seguinte.

Voltei ao Hostel e lá eu encontrei alguns manos muito gente boas, e essa foi a parte boa do Colors. Conheci o André Lucchi, brazuca, e o Nico, um Argentino torcedor do River Plate. Eles me chamaram para dar um rolê com eles no dia seguinte. Depois eu ainda conheceria uma Polonesa de nome Marianna, super gente  boa também, alguns outros argentinos e uma dupla de Chilenas, que a gente conversaria nos próximos dias.

O lado ruim do Hostel é que ele basicamente fica em um prédio super antigo, parece até da década de 30, e as instalações correspondiam a antiguidade – ferrugem, rua cinzenta, madeira estragada. Como um lugar em si mesmo, isso torna o Hostel meio exótico e atraente. Mas o fato de que não tinha um lugar para tomar café da manhã – a gente fazia na sala. Aí eu me toquei que na verdade estavamos em um apartamento comum, que foi transformado em hostel colocando várias beliches nos quartos.

Outro fato que me desagradou, apesar do preço, foi que o café da manhã era simplesmente pão com manteiga e geleia e café com leite. Tudo bem que eu paguei super barato e tals, mas em outros hostels igualmente baratos eu comi melhor, como em Praga, que tinha salada, salsicha, iogurte, três tipos de suco, queijo e presunto.

Dois problemas acentuaram a minha não-recomendação para esse Hostel: o Chuveiro, que ficava dentro do banheiro masculino. Então, normalmente a pessoa ia tomar banho e só o que separava ela de qualquer outro mano ver é uma cortina de plástico bem furreca. E normalmente a água saia para fora da área do chuveiro e molhava o chão do banheiro. Pelo menos não tive problemas com temperatura. Outro problema é a falta de tapetes para colocar os pés lá, então você acaba molhando mais o banheiro ainda. O terceiro é que ou você se troca na área do chuveiro, com o chão molhado, ou na área do banheiro. Acontece que a porta do banheiro dá para a sala, então se alguém abrir a porta, todo mundo vai te ver pelado.

O segundo problema foi o fato de que logo na primeira noite que eu dormi lá, por acaso eu acabei acordando as 6h da manhã do dia seguinte, mas já ia voltar a dormir. Acontece que dentro de meia hora, alguém começou a tocar a campainha loucamente, a cada 1 minuto, e as vezes 1 minuto direto. Enquanto isso, o recepcionista estava dormindo e roncando alto dentro da sala e não fazia nada. Depois de quase meia hora nisso – a pessoa certamente foi e voltou e para tocar a campainha daquele jeito, certamente precisava de um lugar pra ficar, especialmente por que fazia 1 grau em Budapest naquele hora – eu resolvi tentar acordar ele. Ele acordou e simplesmente fez sinal com a mão para mim, algo ininteligível, e voltou a dormir. Procurei o interruptor para abrir a porta e não encontrei. Decidi desistir, e fazer eles perderem dois clientes de vez – o hospede ignorado e eu. Por que mais do que isso eu não dormiria mais nada.

05-02-2016 –  O milagre da lente recuperada

Pois é amigos, foi um dia que começou ruim e terminou bem. Essa história da campainha se prolongou por quase duas horas e a pessoa não conseguiu entrar. Falei com o dono do Hostel e ele pareceu relevar a situação. Fiquei me colocando no lugar do hóspede ignorado e decidi compartilhar essa parte do relato aqui, para evitar, por enquanto, este Hostel. Mas tirando isso não foi tãaao desagradável – deu para dormir e comer, pelo menos.

Os manos Brazuca e Argentino me convidaram para conhecer a cidade com eles, mas eu tinha a Missão: Lente a cumprir. Sai cedo, rumo ao cento Sony mais perto que eu tinha visto, apenas a 20 minutos do meu Hostel. Fui lá andando mesmo e passei por uma avenida com alguns shoppings legais, e entre eles, uma barbearia especializada em cortes maneiros e obviamente fazer a barba. Depois de algum tempo, saber desse lugar seria importante.

Cheguei e vi uma placa enorme da Sony. Estava escrito centro autorizado. Fiquei feliz! Mas ai eu tive a oportunidade de aprender a única palavra que eu sei em Húngaro: Zarva. Quer dizer fechado. Isso por que tinha um papel bem pequeno escrito Zarva e outra frase que eu não soube dizer o que era. Perguntei aos transeuntes e eles me disseram que o lugar tinha se mudado para o outro lado. Atravessei a rua e nada. Nenhuma Sony, nem shopping, nem nada. Pelo contrário, entrei em uma loja de computadores, e o vendedor me informou que a Sony não trabalhava mais na Hungria e que eu não encontraria nenhum produto ou loja lá. Fiquei puto mesmo – 4 dias sem minha camera, e depois teria que resolver as coisas em Viena, uma cidade muito mais cara que Budapest.

Óbvio que eu mantive o meu plano e fui atrás de um segundo centro Sony, que parecia muito maior que o primeiro. E felizmente aquele vendedor malicioso estava errado. Era uma loja da Sony e ela estava mais aberta que mão de pastor ruim em dia de dízimo. E lá eu tive outro choque – eles não faziam conserto, e vendiam a lente por 385 euros, ou seja, mais caro que em Praga. Fiquei me perguntando se eu não deveria ter comprado uma usada na Rep Tcheca mesmo. E para acentuar a minha desgraça, ele me disse que eu poderia comprar uma camera nova, mas de um modelo mais barato, por 315 euros, e ela viria com a lente que eu queria. Pensei em fazer isso, mas era muito arriscado e isso é dinheiro para comer 3 meses em Genebra. Nada feito.

Ele me deu uma última esperança – o Centro de Reparo da Sony, que ficava cerca de 1 hora andando dali, e relativamente perto do meu Hostel, só que do outro lado do Rio Danúbio. Eu nem sabia como chegar lá e nao tinha internet, então confiei no conselho do atendente e peguei o bonde que ele me falou, tentando me guiar pelos pontos mais conhecidos. Sabia só que era perto da citadela e ficava numa rua tal que lembrava sexo – Boketova.

Cheguei no centro de reparo, felizmente. Fiquei com receio por que o lugar não tinha quase nada por perto e o centro era muito pequeno, parecia daqueles que consertam TV e liquidificador e só. E o que ele me disse quebrou o meu coração: sim, eu posso consertar a sua lente, mas vai demorar 10 dias, e tem mais do que uma fita quebrada, e vai te custar 90 euros. Oq? Quis sair de lá correndo. Não tinha 10 dias, apesar do preço valer a pena considerando as outras hipóteses. Mas ai ele falou: ah… então… pera ai que eu vou te mostrar uma coisa.,

Não, ele não abaixou as calças, mas o resultado foi igualmente surpreendente. Ele me trouxe uma caixa com lentes iguaizinhas as minhas, o único modelo que ele tinha. E me falou o seguinte: te faço uma usada por 90 euros e você me dá a sua quebrada. Ou, te faço uma nova por 110 euros. Oq? Custei a acreditar. Como ele pode fazer uma lente de 385 euros por 110? Consultei a minha carteira. Não tinha esse dinheiro, mas precisava da minha camera para trabalhar. Resolvi fazer o sacrifício e pegar a nova, e vender mais algumas coisas que eu trouxe do Brasil, como o único videogame que me resta e era o meu xodó, caso eu precise disso depois.

O vendedor me falou que ele consegue esse preço por ele ser um centro de referência da Sony. Custei a acreditar que a lente era nova, mas não só ele me fez uma nota fiscal específica com 6 meses de garantia como me mostrou a nota da Sony. Além disso, eu duvidei que ela funcionasse bem. E hoje, 10 dias depois desse negocião, ela ainda funciona muito bem. Não me arrependo.

Fiquei feliz e o sorriso voltou ao meu resto. Era o tempo de voltar a tirar fotos e vídeos. Quis enviar mensagens para os colegas e encontrar eles no caminho, mas custei a encontrar um bom wifi em Budapest. Parti em direção a Citadela, que ficava perto dali, testar a lente nova.

Passei pela Rock Church, que é uma igreja criada em uma caverna de pedra, que fica na Gellért Hill, ou monte Gellért. Ela é relativamente recente – tem menos de 100 anos, e foi criada em homenagem à Igreja de Lourdes, na França. Paguei para entrar e fazer um tour. Sinceramente? É legalzinho, mas a não ser que você seja superfissurado em religião, não vale a pena. Eu não sou, então eu meio que perdi tempo lá. Valeu só pra conhecer mesmo.

Na mesma região tem os banhos de Gellért, que são algumas águas termais fechadas por uma empresa e as pessoas tomam banho lá com frequência, e a citadela. Meu destino era a Citadela, mas eu só tinha 40% de bateria na minha camera.

A citadela é uma construção que pode ser avistada bem de longe, especialmente do lado Pest, o lado em que tem mais moradias. Ela foi construída no alto de uma colina e servia como um aviso à população dos Húngaros que cogitassem se voltar contra os Habsburgos da Áustria, que dominavam o país naquela época. Tudo isso depois da tentativa de Revolução em 1848. Com o compromisso que criou o Império Austro-Húngaro alguns anos depois, a cidade quis a destruição do complexo mas isso nunca aconteceu, de forma que no século XX somente as muralhas foram demolidas. Hoje é um ponto turístico bastante acessado e um dos melhores lugares para ver Budapest do alto. De lá eu tirei a minha melhor foto da cidade. Lá em cima há algumas estátuas interessantes como a da Liberdade, mas não é como você pensa – veja a foto.

O dia passou rápido e a bateria também. Resolvi voltar para o Hostel. Mas não sem antes passar novamente no Mercadão Central de Budapest e comer um Langos, que é uma espécie de pão com massa frita em que eles comumente colocam sour cream e outros toppings. Não é tão oleoso quanto parece mas quem está postando é o cérebro, não o Fígado, então a interpretação é parcial.

Voltei para o Hotel e aí conversei mais com o mano Brazuca e o mano Argentino que estavam lá e eles fizeram comida e ofereceram para nós. Até que ficou bom e nós, para variar, zoamos o Argentino, falando que ele tinha um restaurante chamado El Gato Negro e que ele era mundialmente famoso. Foi bom falar com eles por que essa viagem foi um tanto quanto solitária e profissional demais, e eu senti falta de fazer rolê com amigos. Tanto é que assim eu fiz três dias de rolê com o André, o brasileiro, e foi massa.

Dia 06-02-16 – O Castelo de Budapest

Tomei o café da manhã nada caprichado do Hostel – pão com manteiga e café com leite. Tomei banho no banheiro compartilhado. Mano Lucchi e eu saímos com o objetivo de visitar o Parlamento e o Castelo de Buda. Decidimos pegar a via do Rio Danubio e ir seguindo pela sua margem, e assim ver as pontes mais famosas.

Perto da ponte verde (que lembra a ponte do Brooklin) e em direção a ponte branca, passamos pela estátua do menino sentado, da qual eu não tenho a menor ideia de qual seja o significado.

Detalhe que o meu amigo perdeu a touca e com o seu olho de águia ele achou, no meio da rua, a mais de 1 quilômetro de onde estávamos, e eu registrei o resgate.

A ponte mais conhecida de Budapest é a Chain Bridge, do fim do século XIX, construída por um inglês, tendo sido a primeira ponte que ligou os lados Buda e Pest. Antes disso as pessoas atravessam de barco e balsa. Achei incrível o fato de a ponte ser extremamente forte e aguentar a passagem de um trem, além de carros, caminhões e pessoas. A ponte é relativamente simples em adornos mas tem algumas estátuas de leões na suas duas pontas.

Do lado Pest nós temos algumas belas visões do lado Buda, como o do Castelo, que contrasta de uma maneira muito legal com o Rio Danúbio, que aliás, é lindo.

Perto dali, do lado Pest, você pode ver o Memorial aos Judeus Mortos na Segunda Guerra Mundial, eis que Budapest era um destino de exílio, mas quando a cidade foi tomada, os judeus foram jogados aos rios com bolas de cimento. Por isso o memorial é feito de vários sapatos. A cena é muito tocante, em especial quando se percebe o grande número de pares de calçados – mais de 50 – e a presença de vários deles tamanho infantil.

Naquele mesmo ponto pudemos ver o Ônibus anfíbio, parecido com um veículo que eu naveguei na Inglaterra, mas no formato de ônibus mesmo. Vídeos em breve!

O Rio Danúbio é muito belo e a cada quilômetro você tem alguma visão diferente e impressionante da cidade ou de algum outro ponto dela. É o principal atrativo turístico e quem gosta de fotografia vai perder algumas baterias e cartões de memória lá se for explorar todos os ângulos belos que o fluxo fornece.

Chegamos no Parlamento da Hungria, uma construção imponente e relativamente nova quando comparada com outros parlamentos Europeus. É o segundo maior Parlamento da Europa, e foi construído na década de 1870. Eu dei sorte pelo dia estar muito bonito e tirei boas fotos. É possível entrar no Parlamento, mas a visita é marcada.

Sorte? Não sei.

Nós pegamos a hora exata no lugar exato para a Troca da Guarda do Parlamento, que dura menos de 10 minutos e bem interessante. É quase uma dança, e se eles fossem fazer aquilo antes da batalha, tal qual os power rangers demoram séculos para se transformam, seriam facilmente derrotados. Eu gostei, especialmente por que no fim o porta-voz da Guarda ainda falou em inglês algo assim:

“Senhoras e Senhores, Muito Obrigado. Esta foi a Troca da Guarda. Por favor venham tirar fotos conosco”. Não sei se eles queriam gorjeta, por que eu não fui tirar fotos pra saber. Em frente ao Parlamento, com uma espécie de ‘portão’, na parte de cima, há o Museu Etnográfico de Budapest.

Antes de cruzarmos para o lado Buda, o do castelo, nós ainda passamos pela Margaret Bridge, de uma cor amarelada, contrastado com as outras pontes (são oito no total, cada uma diferente da outra), e também pelo fato de ela ter uma parte da sua sustentação em uma ilha fluvial, a Margaret, que tem um parque enorme (eu não fui mas a minha amiga polonesa Marianna foi).

Cruzamos o Rio e demos de uma cara com uma bela vista do Parlamento. Parece que tudo que a gente vê com o rio na frente fica mais bonito.

Busca implacável para comer. Chegou nessa hora, perto das 14h, e nós já estávamos morrendo de fome. Procuramos restaurantes mas parece que demos o azar de estar em uma região sem muitos deles, ou com opções mais abastadas. Queríamos gastar menos de 1.500 Florints (5 euros) para almoçar, e isso limitava muito as buscas. Não que não existissem lugares assim – mas eles estavam do outro lado do rio.

Parecia uma luz gloriosa vinda dos céus que iluminou um restaurante cujo letreiro dizia: menu 1.500 florints por pessoa. Ele vinha com dois pratos e bebidas e logo nós quisemos entrar. O lugar tinha jeito de muito chique, porém. O garçom nem falou muito, e já pediu os nossos casacos. Nós falamos que queremos o menu. E ele falou? O menu de três pratos certo? Como só tínhamos visto um, confirmamos. Ele foi meio agressivo e falou ah vocês querem o menu e eu vou trazer o menu para vocês. Senti alguma coisa estranha no ar e falei: sim, o menu de 1.500 Florints. Ele levou a gente até a mesa e disse: esse menu já acabou, mas vocês pediram o outro menu que custa 2500 florints, e eu vou trazer ele para vocês.

Não acreditei na petulância do indivíduo. Falei que a gente entrou por que estava escrito 1.500 e queríamos aquele. Ele falou que não tinha mais, num tom agressivo, quase rangendo os dentes para nós, que a gente tinha pedido o de 2.500 florints e que ia falar pro chefe que ia fazer. Nessa hora ele lançou um olhar agressivo para nós, como se a gente fosse sangue de barata e desistir. Perguntei por que eles não tinham mais um menu com 2 pratos mas tinham o com 3. Ele falou que tinham muitos turistas e que não tinha mais, mas que a gente tinha pedido o outro mesmo. Aí nós levantamos e fomos embora, e ele perceptivelmente irritado, mas pelo menos pediu desculpa pelo fato de não ter o menu que nós queríamos. Mas nunca vou esquecer a cara de mafioso dele e quantos clientes não teriam sido enganados naquele restaurante pela falta de clareza.

Continuamos andando e procurando lugares para comer e nada. Só pizzas e kebabs mas acima do budget. Achamos um shopping! Colamos na praça de alimentação e foi no KFC mesmo o almoço – eles tinham um menu de 799 florints – menos de três euros, que vinha lanche, frango e batata. A ideia era carregar a bateria da câmera, já que eu tinha abusado das fotos. Continuamos andando e chegamos no objetivo principal daquele dia.

O Castelo de Buda é lindo. Ele é um complexo enorme e tem vários edifícios. Hoje em dia está com museus, e cafés, muitos cafés. Dentro dele, destaque para a Catedral de Matias e o Bastião dos Pescadores. Mais uma vez na hora e no lugar certos, eu e o Lucchi demos sorte de tirar fotos animais em um dia que o clima resolveu ajudar. Basicamente, de 30 dias da minha viagem, somente em cinco eu tive tempo bom e três deles foram em Budapest, outro em Gênova e outro em Torino.

A arquitetura dos prédios dentro do castelo é lindíssima e muitos deles ficam dourados com a luz do sol, especialmente no pôr-do-sol.

A Catedral de Matias é MUITO bonita. Por fora. Ela também fica meio tingida de dourado, especialmente o vitral da sua frente. O telhado é típico húngaro, cheio de motivos trapezoidais e triangulares contrastando com o vermelho.

O mais interesse perto dali é o Bastião dos pescadores, que é uma espécie de torre/parcela da muralha do castelo que era defendida pelos pescadores e em cujos arredores eles tinham o mercado de peixe. É a seção mais bonita de todo o complexo e o melhor lugar para tirar fotos de toda a Budapest, pelo menos no que eu vi em quatro dias. Tirei fotos para cacete, aproveitando o por-do-sol e a vista do parlamento.

Era hora de voltar pra casa e comer. Compramos algumas coisas no mercado, vortamos, cozinhamos, e conversamos com os manos do Hostel. Conhecemos uma polonesa chamada Marianna, super gente boa, e no dia seguinte ela iria fazer o rolê com a gente.

Dia 07-02-2016 – As igrejas de Budapest.

É bom viajar acompanhado por que sempre surgem ideias diferentes durante o rolê. Neste dia eu iria passear metade com o Lucchi e a Marianna e a outra metade sozinho, já que eles tinham compromisso.

Nós decidimos ir ver a Grande Sinagoga de Budapest, que é uma das maiores do mundo, e a maior da Europa. Aquela região é onde começa o antigo gueto da cidade, onde os judeus ficaram enclausurados.

Devido ao valor da entrada nós não entramos e demos preferência para a igreja, mais famosa, a de Santo Estevão, que é uma grande basílica construída no século XIX (1851, para ser exato). Detalhe interessante: a mão de Santo Estevão, ou pelo menos acreditam que seja a dele, se encontra preservada como uma relíquia. Quem foi Estevão? Ninguém menos do que o primeiro Rei da Hungria.

A basílica é muito, muito bonita, e desponta em relação ao horizonte. Ela tem uma cúpula azulada e dois relógios, e, na sua face frontal, a mensagem ‘ego sum via veritas et vita’, que quer dizer “eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Por dentro, a catedral também é super encantadora, formada e adornada por mármore de um tom vermelho escuro quase chocolate e muitos detalhes em dourado. Suntuosidade. Destaque para as pinturas da cúpula, são incrivelmente belas. Subimos na Santo Estevão – 326 degraus! Mas não é tão complicado rs.

Vale a pena subir? Vale sim – as fotos de Budapeste de lá de cima são algumas das melhores que eu já tirei.

Bom, depois do nosso rolê, infelizmente eu tive que continuar sozinho por que eles iriam sair cada um pro seu canto. Eu comecei a andar a rua Andrassy Street em direção à Praça dos Heróis no momento certo – na Golden Hour e no Pôr-do-Sol, e saquei algumas das melhores fotos de toda a minha viagem.

A Praça dos Heróis é um dos lugares mais conhecidos de Budapeste. Ela formada por um Obelisco e diversas esculturas, dentre elas a dos sete líderes das tributos que no ano de 896 tomaram Budapeste e fundaram a Hungria. Ali você também pode encontrar o túmulo do soldado desconhecido e dois museus importantes – o de belas artes, e a galeria de arte. Engraçado que a construção começou em 1896 e durou mais de 20 anos. Por isso, alguns lugares reservados aos membros da dinastia dos Habsburgos (que na época reinava no Império Austro-Húngaro).

Ônibus cerveja? Em Budapest, eu pude ver que existem alguns ‘ônibus’ em que as pessoas vão pedalando juntas em direção a algum caminho enquanto tomam cerveja estocada em barris. É mole? Eu tinha muita vontade de experimentar.

Perto dali, alias, pertíssimo, há um castelo em homenagem ao Castelo da Transilvania, e do lado dele, no inverno, uma pista enorme de patinação no gelo, que durante o ano todo, é um lago. Tinha uma fila enorme, e eu não quis experimentar, por que eu já tentei e cai várias vezes. Um dia, talvez, quando estiver acompanhado.

O Castelo VajdaHunyad tem três estilos, o romanesco, o gótico e o barroco. Vale muito a pena visitar por que todo castelo é uma experiência legal. No pátio do castelo é possível entrar gratuitamente, mas dentro dele há limitações de preço e tempo, fique ligado. Como eu fui no pôr-do-sol, depois das 17h, já não estava mais aberto. Na frente do castelo tem uma estátua bem misteriosa cujo nome eu ainda vou descobrir.

Depois disso eu fui-me embora, quando eu percebi que estava mais uma vez no lugar certo e na hora certa. Peguei um pôr-do-sol belíssimo atrás do panteão dos heróis e ainda uma nuvem de um vermelho tão intenso que parecia coisa de filme. Cheque as fotos. É claro que eu tirei muitas delas e gastei toda a bateria da minha câmera, encerrando as atividades naquele dia.

Não tirei fotos porque não era possível tirar, mas se pudesse, eu mostraria – o Barbershop Budapest. Eu estava cansado de andar com cabelão para lá e para cá e estava me incomodando com a barba também. Para quem não se lembra, eu perdi uma ‘necessaire’ com todos os meus itens de limpeza e cuidados pessoais em Konstanz, e isso incluiu o meu barbeador, gel, etc e tal. Então eu estava fazendo o que podia, mas queria dar um trato no visual. No Barbershop, eles tem apenas duas regras: sem fotos, e sem mulheres. Assim, eu cheguei lá e esperei nada menos do que 1h30 pra cortar cabelo e barba.

Por que eu fui lá? Por que eu precisava acertar a linha do cabelo e da barba. Não contei ainda antes, mas pra economizar em Genebra, eu mesmo cortei o meu cabelo em duas ocasiões, mas não ficou do melhor jeito que queria. Além disso, eles tem um serviço de consultoria embutido e eu falei – faz o melhor que você pode fazer no meu cabelo por que eu já não sei mais! E eu gostei muito do serviço.

Bom, voltei pra casa muito mais leve.

Estava muito feliz de deixar aquele Hostel. É lógico que influencia muito o fato de eu ficar em lugares bons como em Berlim e Zurique. Talvez seja a idade chegando.

08-02-2016 – Rumo a Viena.

Sai de Budapest as 11h30 da manhã e cheguei em Viena as 14h30. Gosto muito de viajar de ônibus, especialmente quando o dia está bonito, e tem wifi. Normalmente é quando eu estou escrevendo no meu laptop para o meu blog. Acontece que eu vivi tanta coisa e fui em tantos lugares que eu perdi a mão e acabei me atrasando. Estou com uma diferença de quase 20 dias entre os fatos e a escrita. Por isso também com o passar do tempo eu fui adequando a minha forma de fazer vídeos para incluir outras coisas, e o resultado você vê em breve no meu canal do Youtube.

Quando eu cheguei em Viena, a primeira coisa que eu fui fazer era ir direto para o Hotel Kärnterhof, onde eu também ficaria como convidado. Esse foi mais um ponto alto da viagem. Deixei as minhas coisas lá, mas não sem antes me sentir super bem recebido pela cidade e pelo hotel, que me deram chocolates e geleia de brinde. Viena foi a cidade que melhor me tratou – me deram mapas, o cartão de metrô e um chocolatinho do Mozart. Recomendo a visita pra cidade por que os turistas são super bem tratados.

Como já era metade da tarde, não dava muito tempo de fazer muita coisa. Eu e o mano Lucchi nos encontramos novamente e fomos direto para a Catedral de Santo Estéfano, onde nós subimos a torre principal. A vista é muito boa para a cidade, mas destaque negativo é que uma parte do interior da Catedral está pichada.

A Catedral é muito legal por fora e tem uma coloração meio bege, que fica dourada no fim da tarde. A construção é romanesca e gótica e data do século XII, lá pelos idos de 1147, quando a cidade foi reconhecida como uma das maiores da civilização germânica. Dentro da Catedral estão enterrados personalidades medievais famosas, como Frederico, o Imperador do Sacro Império Romano Germânico. O piso da Catedral parece o do Aeroporto de Congonhas.

Depois passamos pelo Memorial Soviético de Guerra, que fica na Schwarzenbergplatz, construído em homenagem aos mais de 17.000 soldados soviético que ajudaram a libertar a cidade dos anos de jugo Nazista, em 1945. Detalhe para o escudo dourado na mão do soldo no topo.

Não podia faltar a bandeira brazuca – passamos pelo consulado do Brasil no caminho até o próximo ponto.

Ainda deu tempo de nós passarmos no castelo Belvedere, que fica muito legal a noite. Ele desponta e contrasta com o horizonte em virtude da sua brancura quase imaculada, tal é o tratamento que a cidade dá aos seus pontos turísticos. Nós não pudemos entrar – estava fechado, mas só de estar ali já valeu a visita pela beleza do lugar mesmo. A iluminação é animal.

Tiramos umas fotos na Karlskirche – Igreja de São Carlos, que ficava ali perto, que foi construída em homenagem a um dos pais do movimento de reforma – Carlos Borromeo. A noite a igreja fica ainda mais bonita.

Vazamos, cada qual pra seu canto, e no dia seguinte iriamos visitar mais palácios.

Fui dormir, e aí recebi uma mensagem do mano Lucchi, mano SOCORRO!

09-02-2016 Perrengue e Palácio.

Era madrugada quando eu si do banho e vi a mensagem do Brazuca pedindo socorro – e falando que expulsaram ele do Hostel onde ele estava. Por isso o perrengue não era meu, mas eu fiquei com medo por ele. Ele chegou e simplesmente retiraram as coisas dele da cama e da mesa dele. Várias pessoas desconhecidas estavam fumando, bebendo e conversando alto no quarto dele e obviamente ele ficou com medo. Pra piorar a recepção do Hostel não estava aberta, o que é um grande mal. Ele não ia voltar para um lugar onde ele não sentia confortável e decidiu sair de lá. Andou quase 1h de madrugada até achar outro Hostel. Sim, ele foi literalmente expulso, mais ainda pelo fato de que não tinha nenhuma segurança no quarto e qualquer um podia entrar. Foi o que aconteceu.

O nome do Hostel é “Do Step Inn”, o que eu definitivamente não recomendo. Pelo menos o meu amigo ficou bem.

Enquanto isso eu estava um hotel muito bom hahaha. O perrengue não foi meu. Acordei, tomei um café dos campeões.

Sai, passei do lado da igreja de Saint Stephan e reparei nos cavalos que ficam o dia todo lá, coitados, faça chuva, faça sol, sempre a espera de clientes e turistas que vão  enriquecer o dono dos bichos. Eu sinceramente não apoio esse tipo de turismo.

Fui na direção de mais um palácio, e passei pela coluna chamada Pestsäule, também na região central de Viena. Ela foi criada em memória da Grande Praga de 1679 sofrida pela cidade, o que dizimou mais de 80.000 vidas. A Coluna foi erigida mais como uma promessa feita pelo imperador caso a peste terminasse. É um lugar interessante.

Parti em direçao ao Hofburg, um dos palácios mais belos que existem em Viena, mas que eu só visitaria no dia seguinte.

Passei pela Michaelkirche, uma igreja em homenagem ao arcanjo miguel, que fica na mesma região do Hofburg.

Atrás do Palácio Imperial, existe uma Praça em Homenagem à Imperatriz Maria Teresa, que reinou durante anos na Áustria e era a mãe da Maria Antonieta.

Encontrei o mano Lucchi, que contou a história novamente, e fomos em direção ao Parlamento Austríaco, um ótimo exemplo de arquitetura fundada no estilo greco-romano. E tem uma estátua da Palas Atena em cima de um obelisco.

Mas o mais interessante estava um pouco mais adiante: é o edifício da prefeitura, o Rathaus, que foi construído no fim do século XIX e tem uma arquitetura muito interessante, estilo gótico. Não só isso, no período do inverno eles tem uma espécie de mercado de inverno/de natal e instalam uma pista enorme de patinação no gelo, além de várias barracas de comida como doces, salgados, salsichas, além de bebidas como vinho quente.

Voltamos até uma das regiões do Hofburg, em um jardim cuja estátua mais famosa é do jovem prodígio musical Mozart (que não é tão jovem assim até por que já morreu). Até que eu me dei conta que a gente estava no lugar certo na hora certa, pelo menos pra mim. O mano Lucchi não curtiu muito, mas eu como apreciador de fotografias e animais me deleitei. Passamos pela Schmetterlinghaus – Casa das Borboletas, que é um espaço antigo do castelo que foi transformado em jardim com estufa e povoado por borboletas que ficam voando pra lá e pra cá. E tinha uma mais interessante que a outra e também umas feias que pareciam mariposas, razão do medo do mano. Eu meio que tentei tirar umas boas fotos da borboleta azul e por isso acabei gastando mais tempo do que necessário. Até por que o local em si é muito legal.

Resultado, já era quase 15h30 quando saímos e sobrou pouco tempo para a gente comer umas salsichas e cerveja na rua e visitar o castelo Schonnbrun, que é o Palácio de Verão, ou melhor, era, por que a dinastia dos Habsburgos como reinante na Áustria acabou após a primeira guerra mundial. É um palácio um pouco distante do centro – nós tivemos que pegar um metrô pra descer lá e demorou uns 20 minutos, além de uns 10 minutos de caminhada. Na entrada ficamos enrolando tirando fotos de uma das fachdas, de um amarelo ovo que contrasta com o céu em dias bonitos – o que não era exatamente o caso daquele.

Entramos e o nosso objetivo era visitar o interior do castelo. Mesmo com o Vienna Card tivemos que pagar, mas menos do que o ingresso normal, o que já fez valer a pena. No entanto, houve um problema, e uma falta de solidariedade por parte do caixa. Quero dizer, fosse o Brasil, acho que seria um tanto diferente. Já era 16h30 quando compramos o ingresso e fomos felizes fazer o tour no interior do palácio. Assim que passamos a catraca, alguém nos avisou que fechava as 17h30, ou seja, tinhamos apenas uma hora para visitar todo o palácio! Sacanagem, podiam ter avisado antes de comprarmos né. Ou ter um esquema de que na última hora é de graça, como fazem muitos museus.

Fizemos o possível mas não é legal apressar um passeio que é pra durar 3 horas. Além do que, não nos ofereceram guia para conhecer mais sobre cada aposento, então nos deixaram a ver navios e quartos. Ainda assim, a experiência de certa forma valeu a pena. Os ambientes são super suntuosos e legais de acompanhar, em especial o enorme salão, com afrescos pintados no teto inteiro. Destaque para o papel de parede e o carpete, quase sempre todo na cor vermelha, que devia ser a cor da casa dos habsburgos.

Tudo muito luxuoso lá dentro. Detalhe interessante é que a Imperatriz Leopoldina, esposa de D. Pedro I, nasceu naquele palácio.

Finalizamos a excursão na parte de dentro e aproveitamos para visitar o jardim na parte de fora. Já estava escuro apesar de o ponteiro do relógio não ter ultrapassado as seis batidas. As fotos ficaram melhores ainda. Seguimos no castelo em direção à Gloriette, que fica no fim do Jardim do Schönbrunn. É uma espécie de monumento em arcadas que fica no topo de uma colina e tem um lago artificial ao seu desponte. Fica muito bonito à noite. Cansados, vazamos, cada qual para o seu canto.

No dia seguinte acabamos nos desencontrando e eu não pude me despedir do meu amigo, mas foi legal ter a companhia dele.

10.02.2016 – Último dia em Viena – Mais um palácio e mais um museu.

Acordei e tomei café tranquilamente neste que seria o meu último dia em Viena. Aproveitei para comer bem o excelente café da manhã dos hotéis, o que é sempre de boa qualidade.

Fui direto para o Hofburg, e visitei as instalações imperiais da prataria e dos quartos reais. E posso dizer que eu fiquei impressionado com a história da Imperatriz Sissi.

Mas antes disso passei pela seção de Prataria Imperial, o que inclui itens que não são Prata, claro, e itens que não são necessariamente feitos para alimentação e adorno – como o conjunto de penico e de satisfação de necessidades escatológicas. Vi itens muito belos, especialmente a mesa de comemoração da coroação do Imperador Ferdinando como Rei da Lombardia e de Venezia (hoje na Itália), que tem mais de 30 metros. Muitas peças foram feitas no exterior e não tem autor divulgado, por que eles não queriam ofender os artesãos austríacos.

Passei umas boas duas horas lá e acredito que vale a visita sim, para saber como era o dia-a-dia da realeza Austríaca.

Depois era o momento de subir para ver os apartamentos imperiais do Hofburg, mas o que aconteceu foi que eu tive uma verdadeira aula sobre a vida da Imperatriz Sissi – Elizabeth da Áustria (1837-1898), o que me deixou bastante intrigado, ao ponto que eu pretendo fazer um post inteiro sobre isto em breve. Em resumo, ela foi uma criança filha da nobreza da Bavária (hoje Alemanha, região de Munique), que foi criada de uma forma livre e sem muitas regras. Mas depois que ela se casou com o Imperador Francisco José I, teve que assumir uma série de responsabilidades, protocolos e etiquetas. Com o tempo isso a foi deixando depressiva, especialmente com a morte da sua primeira filha, aos dois anos, e o fato de que a sua sogra intervia demais nos afazeres da família, como quando retirou as crianças do controle da imperatriz. Além disso, a sogra deu o seu nome à primeira criança, sem autorização da Sissi.

Infelizmente eu não podia tirar fotos ou fazer filmagens de nada lá dentro, então o registro que eu tenho é de memória mesmo. Eu posso dizer que passei a admirar a Imperatriz justamente pela ideia de liberdade dela. Depois de algum tempo ela deixou de cumprir com as estritas formalidades e protocolos da realeza e passou a cuidar mais de si, com longas viagens, e especialmente trilhas em meio a natureza. Ela foi uma Imperatriz ‘Mochileira’.

Passei por diversos apartamentos reais, entre eles os salões de congresso, de jantar, e os aposentos de dormir. Depois de algum tempo a Imperatriz passou a dormir sozinha. Ela tinha uma barra de exercícios em seu quarto, para o horror da sua sogra, e também uma mesa de desenhar. Além disso, durante vários dias em que ela estava em Viena, ela era mimada com 3 horas de cuidados especiais com o seu cabelo. Ela também foi a mentora da instalação do primeiro banheiro propriamente dito em uma residência real.

Parti para o Museu de História Natural, por que eu acabei me confundindo e meu intuito era entrar no Museu de História e Arte de Viena. Mas a experiência foi legal sim.

Logo na entrada eu vi que tinha uma réplica aumentada da Vênus (Vênus é o nome dado a diversas estatuetas esculpidas na idade pedra, representando mulheres nuas), feita com aço e com a aparência de balões vermelhos.

O que tem de destaque no Museu de História Natural? Fósseis verdadeiros – até que uma quantidade razoável para boa. Por exemplo, os fósseis de um elefante pigmeu antigo, que vivia na era do gelo na região do mediterrâneo. E com base no crânio dele, que tem uma fossa nasal no meio, os gregos imaginaram se tratar de um humanóide com apenas um olho, e dai criaram a lenda dos cíclopes. Tem um fóssil de tigre dentes-de-sabre, que vivia entre nós há 40.000 anos atrás. Gostei também das bombas vulcânicas, que são bolas de lava expelidas por vulcões e que se solidificam assim que entram em contato com a atmosfera. Elas costumam ser pesadas e extremamente quentes, e por isso mesmo muito perigosas. No museu tem um exemplar de bomba vulcânica datada da explosão do vulcão Krakatoa. Ovos de dinossauro também.

Eu sou particularmente interessado pela idade das pedras e a transição para o neolítico e a idade do bronze. E no museu tem muitos itens legais como facas, setas e flechas. A mais interessante é a Vênus esculpida por Neanderthais, e que data de mais de 30.000 anos atrás. O que eu achei mais interessante é o Velociraptor animatronic, é muito real! Fora isso, tem também a coleção de meteoritos mais antiga do mundo. O mais bonito é o Hraschina, que em virtude da sua composição rochosa, tem partes que parecem chips de computadores nas colorações laranja e azul.

Vazei do Museu e fui voltar para o Hotel, mas antes aproveitei pra comer comida japonesa, em um lugar significantemente mais barato do que Genebra. Reparei que a cidade tem muitos Quiosques de Salsichas (não só do tipo Viena, mas salsichas em geral). E existe uma loja famosa de waffers chamada Manner, que é muito famosa e conhecida em Viena.

Fui dormir. No dia seguinte eu partiria para uma das grandes surpresas da minha viagem: Liubiliana

11-02-2016: Liubliana

Esse foi um dos dias mais interessantes da minha viagem. A começar pela própria viagem de ônibus que passou por belas paisagens na Áustria e na Eslovênia. O busão fez paradas em Graz e Maribor, a primeira na Áustria e a segunda Eslovênia, e eu senti que eu deveria visitá-las também, mas tinha pouco tempo.

No meio da tarde, cheguei em Liubliana na estação central e não demorei a achar o meu caminho para o meu ‘Hotel’. Bom que eu já pude passar por lugares famosos como a ponte tripla, o Rio Liubianica. Eu cheguei no Hotel e eu conto a experiência de ficar lá neste post em especial. Posso resumir que eu fiquei em um belo palácio do século XVI e que só o meu quarto era do tamanho de uma casa toda. Vida de blogueiro enfim começou a dar alguma vantagem pra mim rs.

Aproveitei para dar um rolê na cidade e conhecer a arquitetura, que é relativamente nova, até por que a cidade sofreu alguns terremotos nos séculos anteriores e teve que ser reconstruída em diversas partes. Eu tinha pouco tempo de sol – estava basicamente no meio do inverno ainda e a nossa estrela se punha as 17h30. Decidi subir à colina do Castelo, que é o lugar mais famoso de Liubliana, o segundo mais famoso da Eslovênia (atrás do lago Bled).

Passei pela ponte do sapateiro ou ponte das pedrinhas, que antigamente tinha a guilda dos sapateiros ficava em frente a esta ponte, e pelo Town Hall, inicialmente construído em 1484 e renovado nos séculos XVII e XIX. A Catedral de Liubliana é ainda mais antiga, do Século XIII, e foi queimada e posta ao chão pelo menos cinco vezes. Os turcos otomanos invadiram a cidade diversas vezes na era moderna. A porta desta catedral é fenomenal e vale a pena ser visitada!

Cheguei na colina do Castelo e foi agraciado por um dos mais belos pores do sol que eu já vi na minha vida. Tão belo que não parecia real – parecia desenho animado. O castelo é belo em si mesmo, mas a região das montanhas, iluminada com o laranja e vermelho carmim do fim do dia, é algo a se guardar no coração.

Entrei no Castelo – a entrada é gratuita, mas as atrações demandam um ticket, lá dentro ainda deu tempo de tirar mais algumas fotos do por do sol e do contraste da construção, iluminada de verde, com o sol se escurecendo. Talvez você me pergunte por que iluminaram o castelo de verde, eu digo que a explicação é simples – em 2016 a cidade foi escolhida como a capital verde da Europa, por ser uma das líderes em desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente.

A visão noturna de Liubliana também é daquelas de lacrimejar os olhos e fazer qualquer coração duro amolecer. É um lugar diferente dos demais e eu vou guardar para sempre na memória o tempo que eu passei lá. No dia seguinte, eu faria um tour, graciosamente oferecido pelo office de turismo da cidade, e visitaria o castelo efetivamente.

12-02-2016 – O castelo de Liubliana

Acordei fantasticamente bem dentro daquele quarto de Hotel enorme. Mal sabia eu que era o último dia que eu estava totalmente saudável. Por que em virtude daqueles dias, especialmente naquele dia 12 de fevereiro, eu peguei uma ou mais gripes fortes que até hoje, perto do dia 20 de março, ainda estou sofrendo os efeitos colaterais. Foi a falta de cuidado. Bom, devo começar explicando que estava nevando muito e eu não tinha os sapatos apropriados para andar em neve. Pelo contrário, o meu tênis ainda tinha alguns furos, de tanto usar eles todos os dias, o que tornava fácil para a água gelada entrar e molhar minhas meias. E como eu ficava o dia todo andando, ficava o dia todo com o pé gelado em frio abaixo de zero. Aí ja viu né. Bom, depois eu aprendi umas técnicas que podem me ajudar em casos assim, especificamente colocar um saco plástico em volta da meia antes de colocar o sapato.

Aliás, eu já gastei mais com medicina e medicamentos do que eu gastaria comprando um sapato impermeável. Fica de lição.

Tinha marcado para fazer um tour com um guia local, mas antes disso deu tempo de passar no Museu Nacional da Eslovênia, que tem uma coleção muito interessante, em especial a flauta dita a mais antiga do mundo, que alguns especialistas datam de 50.000 anos atrás, criada por Neanderthais. Os furos são redondos e testes disseram que equivalem às notas musicais. Outros cientistas dizem que se tratam de furos efetuados por dentes de hienas. Eu acredito mais tratar de uma flauta, feita com osso de mastodonte. Tem também uma múmia, pedras de âmbar com insetos dentro, além de itens da vida celta, romana e dos que vieram depois habitar a área.

Perto dali também o prédio do Parlamento Esloveno, que não tem pujança igual a outros parlamentos como o Húngaro e o Austríaco, mas é interessante conhecer. Até por que a capital por si só é muito pequena – tem cerca de 300.000 habitantes somente.

Quando eu sai do museu, felizmente a neve já tinha parado de cair, mas isso não torna a atividade menos perigosa – o chão bastante escorregadio por que se torna gelo, e é aconselhável ter os calçados apropriados – o que não era o meu caso.

Encontrei o guia e ele começou me falando do centro da cidade, de várias histórias que eu infelizmente não lembro. O mais interessante, para mim, é a história do castelo e a da cidade em si, em torno dos quais giram várias lendas sobre o papel de um dragão, que ou teria sido derrotado por Jasão, das lendas gregas, ou por São Jorge. Outra explica que existia um dragão que não queria aterrorizar pessoas mas sim ser um artista e se juntar ao povo, e ele conviveu na área. O certo é que o símbolo do dragão está por todos os lados.

A construção data do século XVI, mas sempre houve algo ali bem antes disso, seja templos, assentamentos ou esconderijos. A fortaleza tem reconstrução recente e ainda está em trabalho, mas é tão sutil que mal da pra perceber.

Como eu disse no dia anterior, a região do castelo é bela para  ver a cidade e o por do sol, mas por dentro é bem legal também: você pode ver as estruturas expostas, que demonstram a evolução do edifício pelos séculos. O primeiro lugar que eu fui foi a torre do Castelo, que permite uma visão 360º da cidade. Apesar de estar um tempo nublado, até que deu pra ver uma parte legal da região.

Depois de visitar o castelo entrei no museu, que tem uma coleção interessante, mas limitada – muitas das obras são réplicas de outras que estão espalhadas pela cidade e pelo país. Tem itens legais, claro, e até por que o ingresso permite você visitar, creio que vale a pena.

Outras partes cuja visita eu recomendo são a capela – simples, mas com um belo afresco no teto, e as antigas prisões, que encarceraram desde prisioneiros políticos até prisioneiros italianos na primeira guerra mundial, e guardam história da vida destes seres infortunados.

No complexo você ainda encontra um restaurante, um café e uma loja de souvenires, e pelo que eu visitei, os três são bem convidativos. Devido ao meu orçamento altamente reduzido eu decidi não me arriscar em nenhum deles.

Mas um dos meus lugares favoritos – afora o castelo inteiro, que já é o meu favorito – é o museu das marionetes. Lá eu descobri que a Eslovênia tem uma tradição muito grande de show de marionetes e muitos itens em mostruário, alguns deles são extremamente interativos e te permitem inclusive montar o seu próprio ‘teatro. Outros são tão bem trabalhados que parecem uma obra de arte mesmo. Recomendo.

Já era hora de voltar, eu desci o castelo, não sem antes tirar as últimas fotos dentro dele. Ainda tinha mais uma ou outra hora e queria comer algo barato e saudável, mas acabei indo no Mcdonalds mesmo. No caminho, passei pela ponte dos Açougueiros, que, interessante dizer, nada tem de relacionado á açougues, pelo contrário, eu encontrei diversos cadeados de casais apaixonados amarrados nesta ponte. Eu realmente não gosto dessa mania por que acaba criando um peso na estrutura da ponte, mas a cidade ainda não acha que está ameaçada. Bom, é de cortar o coração, como diria o açougueiro que visse tal.

Caminhei um pouco pelas ruas, entrei na igreja principal e depois vazei para o Hotel. No dia seguinte, eu partiria para a Itália, encerrando assim o ciclo das aventuras.

13/02/2016 – Neva em Liubliana, e o caminho para Trieste na Itália

Realmente ficar em um Hotel decente me faz um bem danado. Como tudo o que posso no café da manhã. Até hoje sinto saudade daquele Hotel, o Antiq, que tinha um salmão defumado incrível, e além disso, caviar!

Pra minha grande surpresa, estava nevando, e esse fator seria fatídico para a minha saúde durante pelo menos mais dois meses (hoje, 29 de março, ainda sinto os efeitos da gripe e sinusite que eu peguei).

O meu ônibus partia no meio da tarde então eu ainda tinha algum tempo. Resolvi me arriscar a sair na neve mesmo, afinal Ljub me encantou demais. Meu destino foi o Parque Tivoli, apenas para relaxar e gravar um vídeo.

No caminho eu passei pela Universidade de Ljubljana, que para a minha surpresa, tem mais de 63000 estudantes inscritos, quase 1/4 do total da cidade, e o u que faz dela uma das maiores da Europa. A Universidade também sempre aparece no ranking das 500 melhores do mundo.

O Tivoli parque foi construído pelos franceses, ao estilo parisiense, quando Ljubljana era a capital de uma província francesa chamada Ilíria, na época de Napoleão. O parque tem diversas esculturas, uma mansão, hoje transformada em museu, e uma mansão, também chamada de castelo, hoje hospedando o centro de artes gráficas. Também tem um lagoa, e, atrás do castelo, uma floresta, muito perto da cidade. Devido ao tempo que eu tinha, eu resolvi não me arriscar na floresta, além do mais aquela região estava coberta de neve.

O meu último programa antes de vazar, foi entrar na galeria moderna, que tinha uma exposição de arte moderna, daquele tipo 3d, e uma exposição de um famoso fotógrafo esloveno, Bogoslav kalaš, que tem algumas (muitas) fotos de nudez feminina. E até que tem coisas bem interessantes nessa galeria, desde pinturas oitocentistas, até um poster do período soviético, sem falar as esculturas muito loucas. Uma das instalações de arte parece uma parte feita com cera, betumen, madeira e crina de cavalo.

Deu tempo de passar na praça central, e já fazia um sol legal. Quando, mais uma vez, eu encontrei um artista das bolhas, e desta vez ele era ainda mais habilidoso – este tinha criado uma corda múltipla cheia de buracos que permitia a expansão de múltiplas bolhas ao mesmo tempo.

Peguei o meu ônibus em direção a Trieste, e foi uma das viagens mais loucas e mágicas desse mochilão. O motorista ia a milhão em uma estrada que descia uma serra, cheia de curvas perigosas, enquanto isso uma paisagem incrivelmente bonita se desvendava ao meu lado direito, mostrando uma Trieste já perto do pôr-do-sol, belíssima.

Para pegar os últimos raios de sol, eu fui correndo para o hotel onde eu fiquei, meio chinfrim, e deixei a minha mala lá. Deu certo – foi um dos mais belos pores do sol que eu já presenciei em minha nada curta vida. Trieste, para quem não sabe, é uma cidade litorânea e tem alguns canais também. Ela fica colada no mar adriático, e faz fronteira com a eslovênia, e por isso tem uma arquitetura especial, que mistura estilos italianos, franceses, austríacos e eslavos.

Passei pelo Grande Canal de Trieste, que é belíssimo, e diferente dos que eu vi em Veneza no dia seguinte. E fui em direção ao porto antigo, de onde eu poderia ter uma visão melhor do Crepúsculo. E como eu disse, foi um dos mais belos que eu pude ver em minha vida.

Deu tempo de passar, depois, na Piazza Unità d’Italia, que fica bem no centro de Trieste, que tem como destaque o prédio da prefeitura, que fica belíissimo a noite.

Com um pouco de bateria na camera, decidi ainda subir na colina do Catedral de San Giusto. Entrei nela. É de uma simplicidade singular, e ao mesmo tempo uma beleza singela. Por fora e por dentro. A torre lembra uma torre de defesa de um castelo.

Interessante dizer que em frente à Catedral existem ruínas romanas, é possível visitar e tocar e andar por entre elas, a maioria somente pilastras. Nessa região também tem um Castelo, de São Giusto, que infelizmente eu não pude visitar por falta de tempo e por somente aceitarem dinheiro físico.

Da região da colina dá pra ter uma vista interessante da cidade. Vale a pena ir lá pela noite ou no finzinho da tarde.

Voltei para o Meu hotel, que por desgraça era bem simplório. É dificil ficar em um hotel basicão depois de ficar em um palácio, mas esse era muito descuidado. Fiquei num quarto com quatro camas, a minha até que era confortável, mas senti falta de um locker no quarto, essencial quando se tem mais de uma pessoa dormindo lá. O nome dele é Alabarda Hotel.

14/02/2016 – Trieste chuvosa e a gripe que piorou

Trieste é uma cidade fabulosa e tem uma história única, mesclando elementos italianos, austríacos e eslovenos.

Mas naquele dia a cidade não estava fabulosa, estava chuvosa. Por isso eu não tenho tantas fotos daquele dia, por que chovia tanto, mas tanto, que era era impossível sair sem guarda-chuva. Eu tinha muita coisa para fazer, mas não naquele clima. Como visitar colinas antigas e o castelo de São  Giusto. Decidi fazer mais atividades indoor.

Passei pela Chiesa Santo Antonio Taumaturgo, que tem um estilo mais grego, chamado neoclássico, e fica logo em frente ao grande canal de Trieste.

Deu tempo de passar pelo Teatro Romano de Trieste, que incrivelmente fica bem no meio da cidade. Me surpreendeu uma construção de 2000 anos estar em bom estado de conservação. Foi o que eu vi de mais belo naquele dia, e depois só igrejas e pássaros no porto.

Passei pela Chiesa Santa Maria Maggiore, que fica numa colina no caminho até o castelo San Giusto. É uma igreja antiquíssima e belíssima. Voltei para a Catedral de San Giusto Martir, onde é possível subir na torre. Mas não com chuva.

Eu até que me esforcei para querer entrar no castelo, mas precisava de cash, bufunfa, e eu esqueci de sacar. Além disso achei que não valeria a pena pelo fato de que chovia muito e e eu não consegui nenhuma ajuda da cidade. Pelo contrário, sumariamente ignorado pelo escritório de turismo.

Reparei que na Itália os motoristas andam muito rápido por vias muito estreitas.

Acabei voltando ao porto e tentei relaxar um pouco lá, jogando biscoito pros pássaros que ameaçadoramente se digladiavam por aqueles pedaços farináceos. Ao nosso redor, algumas estatuas de bronze bem simbólicas – as les tartines que representam duas  garotas tricotando e perto delas um documento que parece uma constituição.

Alimentei  os pássaros, gaivotas, vi a discórdia e voltei para o Hotel para me secar e aguardar a chuvar passar. No fim, fui direto para Veneza, onde dormiria aquela noite e mais uma outra.

Depois de tomar muita chuva, peguei um ônibus até Veneza, e descobri que na verdade não era até Veneza, mas até a estação de mestre, que fica em terra, enquanto Veneza em si mesma fica em um arquipélago. Minha surpresa: a passagem de trem até as ilhas de Veneza custava apenas 1,50 . Mas as passagens de ônibus aquáticos custavam 7,50 .  O olho da cara. Como eu não queria andar 1h, decidir comprar uma delas, até por que estava com duas malas bem pesadas. O meu hotel fica do lado sul da ilha principal de Veneza, perto da Piazza San Marco. E eu posso adiantar que fiquei bem e dormi muito bem, confortável, com bom café da manhã e uma ótima localização, apesar da chuva chata.

Já escrevi sobre o Gabrielli em outro post.

E o que aconteceu em Veneza eu conto no outro dia:

15-02-2016 Conhecendo Veneza

 

 

Final:

Trinta dias do melhor Mochilão da minha vida, o que mais aproveitei e o que mais já tive saudade antes mesmo de terminar.
 
4.033 km percorridos de Ônibus em mais de 19 viagens.
17 novas cidades:
 
Basileia (186 km), Freiburg (52km), Colmar (38 km), Berlin (638 km), Zurich (670 km), Konstanz (58 km), Munique (187 km)
Prague (370 km), Budapest (444 km), Viena (214 km), Ljubljana (278 km), Trieste (72 km), Venezia (114 km), Milano (246 km), Genova (120 km), Turin (120 km), Lyon (235 km)
 
Quatro novos países: República Tcheca, Hungria, Áustria e Eslovênia
 
Duas noites dormidas dentro do Ônibus
Três noites em Couchsurfing
Onze noites em Hostels
Seis noites em Hoteis 4 Estrelas como convidado
Cinco noites em Hoteis 3 Estrelas como convidado.
Duas noites em Bed and Breakfast como convidado
 
5 Tentativas de Golpe
 
1 grande perrengue, nenhum episódio de roubo, assalto ou furto
 
7 novos amigos
 
Mais de 60 horas de vídeo (haja trabalho para editar)
 
8 gelatos
4 Trdelniks
 
E já estou pensando na próxima.