Por que somente estudar para melhorar de vida pode não ser um bom conselho

Antes de criticar o título eu sugiro ler o texto e entender. Eu estudei durante anos – mais de duas décadas, e isso com certeza me levou muito longe. Mas existem certas coisas que eu noto que fazem falta naquele discurso típico de que basta estudar que a sua vida melhorará instantaneamente.

Por que somente estudar para melhorar de vida pode não ser um bom conselho

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Calma, segurem os seus tomates! Segurem os seus ovos!

Leia novamente o título e se pergunte se realmente faz sentido a pergunta. Você tem na cabeça que estudar sempre faz bem, certo? Eu concordo, estudar sempre faz bem e vai te levar longe, muito longe. Mas acredito que somente isso é insuficiente. Para melhorar de vida você não precisa somente estudar, você precisa se esforçar de uma forma ativa e agir de uma forma corajosa.

O que eu quero dizer e criticar: é a crença de que se você estudar muito, as coisas vão cair no seu colo. Talvez muitas coisas legais caiam, mas com certeza não as melhores e as mais disputadas. Por isso eu coloquei o ‘somente’ no título e ele faz toda a diferença.

Eu tenho alguma experiência de vida neste sentido e acredito que sei um pouco do que estou falando. Durante toda a minha vida eu estudei, e muito. E quer saber? Valeu a pena. Eu fui longe. Mas eu poderia ter ido mais, muito mais.

A minha infância sempre foi martelada para eu me esforçar na escola e que assim eu colheria os frutos do BHC (Bunda, Horas, Cadeira). Então eu resolvi me focar nisso. Foi incrível. De uma pessoa sem muitas expectativas de vida e com apenas uma calça e umas duas ou três camisas, e um óculos quebrado e colado com um durex, eu passei na Fuvest entre os 30 primeiros, enquanto eu trabalhava, em um dos cursos mais difíceis (Direito), e depois eu passei em um Mestrado em uma Universidade conceituada em Genebra, na Suíça.

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Tudo isso muita gente sabe. Mas o sentimento que ficou é que eu poderia ter sido muito mais arrojado durante esse período. Eu explico. Eu sempre fui um entusiasta de estudar, mas eu não enxergava a figura toda. Felizmente hoje, eu enxergo um pouco mais do que eu enxergava antes. Vou resumir o meu pensamento em uma frase:

Estudar é insuficiente. É preciso criar.

Hoje eu tenho 30 anos e tenho orgulho de tudo o que eu fiz. Mas ainda assim eu sinto que poderia ter criado mais e mostrado mais, explorado mais o meu potencial. Quando eu passei na USP, eu até comecei a me focar bastante no começo, mas eu não segui os meus planos a risca. Eu achava que um bom trabalho cairia no meu colo simplesmente pelo fato de eu ser estudante da USP do curso de Direito.

E realmente isso me trouxe muita vantagem em alguns estágios. Mas não foram exatamente os estágios que eu queria, na área em que eu queria. Tá certo, eu precisava trabalhar e precisava de dinheiro, mas eu poderia desde o começo me focar na minha área preferida. E acima de tudo, eu poderia ter continuado a produzir o que produzia e explorar o meu potencial. Eu parei de explorar os meus hobbies e conforme o tempo foi passando, alguns deles foram se enfraquecendo.

Eu não costumo contar aqui isso, mas lá pelos idos de 2000, 2001, eu tive outros Blogs e um deles fazia um sucesso relativo, da ordem de algumas centenas de pessoas por dia até um dia onde tive mais de 10.000. Eu não enxerguei o potencial nisso e especialmente nas minhas habilidades de escrever algo interessante. Anos depois eu vejo muita gente daquela época fazendo trabalhos interessantes. E isso não os impediu de seguir carreiras diversas. O meu problema foi me focar excessivamente na minha profissão. Eu esqueci dos meus hobbies e dos meus planos.

Engraçado que hoje eu tenho este Blog e ele está começando a engrenar, mas ao mesmo tempo vejo muita gente que já está criando coisas desde a adolescência e aplicando muitas das ideias que eu tinha, mas não me achava apropriado para executar. Quantas pessoas eu conheço que vivem de Blog, eu as conto mais de 200.

Criando e aprendendo

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Se e quando eu tiver filhos, o meu conselho vai ser muito diferente daquele que eu recebi. Não vou falar simplesmente para só estudar. Vou falar para criar. Primeiro que acredito que assim é muito mais fácil para aprender. Segundo que o grau de satisfação é muito, muito maior.

Se você simplesmente aprender a dirigir e nunca dirigir, você vai esquecer rapidinho. Se você só assistir aulas de alemão e não praticar, não criar, você vai esquecer, apesar de ir bem nas aulas. Não vou esquecer dos exemplos daqueles alunos de química que são brilhantes e se tornam grandes profissionais, mas aquele moleque que não fazia simplesmente decoreba inventou um mecanismo para ajudar a limpar os oceanos do lixo industrial.

Não dá para deixar de lado a história dos Youtubers que enxergaram o potencial de criar mídia com as próprias mãos enquanto muita gente talentosa deixou de atuar, editar e falar por que simplesmente não se achou bom o suficiente. Perseguir e começar a executar uma ideia é muito melhor do que viver eternamente estudando ela e se preparando para eventual oportunidade.

Hoje com este blog eu sinto cada vez mais do que nunca que o mundo é feito pelas pessoas que criam.

8 thoughts on “Por que somente estudar para melhorar de vida pode não ser um bom conselho

  1. André, incrível como seus posts abordam várias questões que guardo comigo, aqui dentro.

    Ultimamente tenho pensado muito isso do agir, do ser insuficiente ‘só estudar’. Ainda mais ainda cursando direito na San Fran e ter começado a trabalhar sério relativamente cedo em relação aos meus colegas, sempre fica aquela vontade de ir além, agir mais, participar de diversos grupos de extensão, liderar algo, além de tirar do papel planos como minhas aulas de canto ou tocar de uma vez por todas meu blog. Tudo isso porque ‘só estudar’ não é suficiente, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal.

    A propósito, é curioso esse ponto em comum nosso: os blogs. Desde que me conheço por gente eu blogo (sério), mas nunca consigo fazer disso um hobbie mais ativo. No final de 2014 resolvi criar um para tornar público e até nisso a gente se parece, porque mesmo sem nos conhecermos eu dei ao meu blog o nome de ‘viventurando’, que é bem semelhante ao seu. Loucura, né?

    Coisas loucas essas da vida, a gente pensa que tá sozinho, mas aí descobre que muitas pessoas têm sentimentos iguais, questões iguais e até gostos iguais.

    É isso, fica aí minha reflexão boba, misturada com aquela pequena alegria de ver pequenas coincidências positivas da vida.

    Abraços! (:

    1. Rs Sim muita coincidência! Ou também o modo de pensar semelhante. Percebe que você colocou o título do seu blog de uma forma dinâmica – uma ação acontecendo. Assim como eu. Quando eu criei eu não me toquei muito deste fato mas inconscientemente a ideia que eu queria passar é que eu estava aplicando a transformação na minha vida pessoal. O meu outro blog se chamava Revoar e esse se chama Revoando.

      Acho que você faz bem em procurar outras coisas para se focar. Eu pessoalmente recomecei a blogar durante a faculdade mas só levei mais a sério assim que me formei. Acho que a SF é muito boa para muitas coisas mas as vezes age como uma bolha. Sinto que falta ‘outreach’. Eu também fiz aulas de canto e quero fazer de novo!

      Vou ver o seu blog =)

  2. De fato este texto me deixou intrigado… Belo titulo me chamou a atenção.
    Ola meu nome é Douglas, sou do tipo que adora estudar ler e aprender de varias formas, mas fico pensando sempre que estou perdendo tempo com tudo isso, mas sei que não que vale a pena aprender, ano passado larguei meu emprego e hoje vivo do meu site e de freelance no meu ramo e digo que foi a melhor coisa que fiz por que hoje vivo do que gosto e tenho tempo livre pra fazer o que gosto e pensar em coisas novas todos os dias…. seu texto foi otimo espero que muitas pessoas aprendam com ele…

    Bom trabalho!!!

    1. Aprender é bom, é muito bom e eu acho que a gente só aprende transformando estudo em verdadeiro conhecimento! Que bom que você consegue viver do seu rs, você é um exemplo do que eu quero fazer.

  3. Achei muito legal o texto. Na verdade ele se enquadra muito bem no período que eu estou passando. Com meus 20 anos, penso que primeiro a gente tem que tentar a realizar nossos sonhos, porque vai que dá certo? E o que eu tenho visto, é que muitas das pessoas que eu já vi pela internet e que fizeram isso de arriscar se deram muito bem. Não necessariamente financeiramente, mas de realização pessoal. A vida vai muito além de apenas trabalhar, ter dinheiro, consumir, morrer. Usufruir das coisas impagáveis é o que mais nos faz bem, e o que mais nos faz crescer.

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