Cinco lições para recomeçar a vida no exterior

Morar no exterior não é aquela vida de príncipe de Mônaco que todo mundo imagina mas quem sai da terrinha normalmente tem boas razões. Quase sempre, porém, o arrumar as malas significa recomeçar a vida e isso envolve questões delicadas.

Cinco lições para recomeçar a vida no exterior

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Se você chegou a este post e começou a ler além do título, certamente você está um pouco mais engajado na ideia de morar fora e recomeçar a sua vida. Mesmo que seja só um sonho ou plano longínquo. Isso é melhor do que o simples sonhar.

Como eu disse, quase sempre sair do Brasil significa recomeçar a vida de alguma forma, pelo menos em alguns aspectos. Mesmo que você vá sair para trabalhar ou fazer algum curso de intercâmbio e mantenha uma certa rotina, você terá que lidar com: (i) papelada; (ii) bancos; (iii) compras e (iv) língua, pelo menos. Acontece que devido à situação atual do Brasil, normalmente as pessoas recomeçam a carreira ou ‘descem’ um nível para se tornarem mais competitivas.

Tudo isso, obviamente, envolve grandes mudanças de rotina e acompanha um pacote que também vem estresse, ansiedade, medo, e de outro lado, sentimento de realização, confiança. Por isso se você está passando por essa fase, é normal, mesmo antes da data de você viajar, passar por situações complicadas e se questionar. Por isso, a preparação anterior é crucial.

Se você ainda não conhece o meu Blog, eu vou resumir em algumas poucas palavras a minha história. O resto você pode conferir no menu acima “Deixando o Brasil – Minha Saga”. Meu nome é André e eu decidi ‘recomeçar’ a minha vida. Recomecei em parte por que eu larguei um emprego estável em que eu ganhava um baita salário, para vir à Suíça sem qualquer renda e fazer um Mestrado. E ainda sem a grana para pagar o Curso. Estou aprendendo outra língua, aperfeiçoando o meu inglês e lidando com uma série de coisas que eu não tinha me dado conta. Eu me preparei bem, mas tem muita coisa que eu poderia ter facilitado a minha vinda se eu soubesse.

Por isso eu resolvi reunir algumas ‘lições’, se me permitem dizer assim, para quem estiver pensando em recomeçar a sua vida no exterior.

1 – Deixe de Luxo.

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Essa é a principal lição. Nós no Brasil estamos acostumado a nos dar alguns luxos, mesmo quem não tem muitas condições de vida, por que a vida é focada em ‘status’ – ter e ser alguém. Infelizmente – eu não gosto nada disso e esse foi um dos motivos de eu querer sair – se você parece importante ou rico, as pessoas te tratam melhor.

Faxina, por exemplo, é um serviço muito mais caro no exterior e é algo que as pessoas estão acostumadas a fazer no exterior por elas mesmo devido ao preço. As faxineiras cobram por hora nos Estados Unidos e na Europa e a diferença para a hora delas em relação aos outros tipos de profissionais não chega a ser grande. As vezes o valor é o mesmo.

2 – Vá se acostumando com a ideia de queda de padrão.

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Na mesma linha da primeira dica ou lição.

Mesmo que você não tenha uma queda significativa de padrão, é bom colocar na cabeça que nem tudo o que você podia ostentar no Brasil você poderá fazê-lo no exterior. Especialmente em tempos em que a moeda brasileira caiu muito, as vezes uma simples ida ao clube ou ao cinema pode ficar muito mais cara. Se você comia em restaurantes todos os finais de semana e saia de balada toda sexta e sábado, isso pode se tornar um grande fardo financeiro. Junte a isso a quase-sempre presente necessidade de arranjar um trabalho e você terá a receita para a falência se não se preparar.

Para mim isso foi particularmente difícil, especialmente por que: durante toda a minha vida eu tive um padrão baixo. Eu nunca fui muito de ir em restaurantes e viajar por que não tinha grana. Quando eu comecei a ter, eu quis logo desenrolar todo o novelo. Comecei a experimentar restaurantes que eu sempre quis e fiz viagens para lugares muito longe. Depois da minha decisão de sair do Brasil, tive que economizar muito e eu parei de sair com tanta frequência. Mesmo fazendo isso, eu ainda sinto muita falta de comer em restaurantes e fazer viagens como turista (faço como mochileiro lowcost agora, por exemplo)

3 – Comece a viver a realidade virtual de outros países

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A internet ajuda muito e eu recomendo a você acompanhar os jornais e sites do país que você quer morar, assim você já estará antenado sobre o que está rolando e tomará choques menores para certas notícias ou costumes. Leia muito, mas muito mesmo. E se der, visite o país antes.

Pesquise sobre o mercado de trabalho, especialmente, e preço das coisas.
Antes mesmo de saber que eu viria para a Suíça eu já estava de olho no mercado de Trabalho. E descobri que trabalhar aqui é quase impossível. Isso me fez mudar meus planos e cancelar a viagem? Não. Me fez preparar melhor e expandir os meus horizontes para outros países.

4 – Desapegue da sua família

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Nós Brasileiros somos muito familiares e isso é bom e as vezes é ruim. Não é o meu caso, mas as vezes os familiares pesam negativamente para qualquer mudança de vida que queiramos fazer simplesmente por que eles não querem ver a gente longe, ou não querem ver o nosso sucesso. Sei lá. Felizmente, não foi o meu caso. Mas já ouvi histórias terríveis de familiares falando asneiras para pessoas que decidiram sair do país, que é um traidor, que vai deixar a família sofrendo aqui e vai ficar no bem-bom no exterior, que tem obrigação de mandar dinheiro.

Independente disso, sair do país significa ver menos, muito menos a família, e isso é algo dolorido para muita gente. Você precisa a se acostumar a agir de forma mais independente e muitas vezes quebrar a sua rotina deveras. Tem gente que almoça todo fim-de-semana na casa da tia, sai com os irmãos ou os pais três ou mais vezes por semana e quando chegar ao momento de ter que sair, isso pode ser um choque.

5 – Prepare-se para crises de estima, estresse ou até mesmo depressão.

Teenage girl stressed out about some high school drama

Essa é a última dica de hoje, mas eu pretendo escrever mais sobre isso. Conheço um número significativo de pessoas que passou por crises de estresse, medo, pânico e/ou depressão depois que saiu do Brasil. É bom ter algumas conversas francas consigo mesmo, ou até mesmo consultar um psicólogo.

É normal passar por fases assim, até por que o corpo é uma máquina misteriosa e responde de diversas formas aos desafios que nós nos impomos ou somos forçados a enfrentar. Morar no exterior significa, por exemplo, de vez em quando duvidar da sua própria decisão de sair do Brasil, ter momentos de nostalgia e as vezes crer que estava melhor na terrinha. Pode significar também se sentir perdido, ou alguém inútil.

Grandes intervalos de tempo sem trabalhar também podem acarretar crises de confiança, ansiedade, depressão, por que a gente se sente deslocado, vagabundo, ou mais uma vez, inútil. É bom saber disso com antecedência e preparar a sua mente para se manter ativo se e quando você sair do país.

Eu por exemplo tive crises de depressão, antes e depois de viajar. Claro, outras razões se assomaram e causaram isso também, mas largar tudo – não me arrependo – teve os seus ‘danos’ no meu bem estar emocional e psicológico, algo que ainda estou me recuperando.

Prometo que depois escrevo mais. =)

Ps: Meu intuito não é desencorajar ninguém. Eu recomendo sair sim. No meu blog tem vários posts dando dicas de como vazar.

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