Por que viajar? Porque somos errantes

As melhores ideias que eu tive foi enquanto estava em movimento. Uma das melhores partes da minha viagem foi justamente enquanto eu percorria o caminho em direção a um novo destino desconhecido. Me pergunto sempre: por que gostamos tanto de viajar? Porque somos errantes!

Por que viajar? Porque somos errantes.

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“Errar é humano”. Essa frase deve ser uma das primeiras que passou pela sua cabeça. Sim, errar faz parte do aprendizado. As vezes erramos até a mira da privada, até a lata do lixo que está a centímetros de nós. Aliás, curioso destacar que quando crianças, pensamos que seríamos adultos perfeitos, que nunca erram. Hoje, quando adultos, pensamos que talvez as crianças é que sejam perfeitas, por que pelo menos são mais inocentes do que nós.

Mas errar tem outro sentido – ou melhor, um não-sentido. Significa vaguear. Sem destino. Somente caminhar. Por isso, a ausência de destino. Por isso, talvez, a paixão de muito de nós em viajar. As vezes nós só queremos sair de casa – e escolhemos o destino ao léu. Quantos de nós não brincamos naqueles dias despretensiosos com o globo da escola, girando e girando, e batendo o dedo em algum lugar que pensaria visitar.

Não lembro bem qual destino que caiu para mim, acredito que foi a região do Sudeste Asiático.

Neste sentido, ou melhor, não-sentido, errar é mesmo muito humano. Parece que está no nosso DNA. Toda a minha família é de imigrantes, alguns de 50 outros de 100 anos atrás, mas o foco é a movimentação. Essa é a marca de todo brasileiro, filho de país cujas mitocôndrias provavelmente já estiveram em todos os continentes habitáveis do mundo. Nossos antepassados eram nômades durante milhares de anos e só se assentaram mesmo nos últimos 6.000. Não é fácil esquecer as raízes quando elas estão escritas no nosso código.

Fala sério, como explicar aquela sensação de querer simplesmente se mover? Como explicar que as melhores ideias fluem quando nós fluímos? Não sei você, mas para mim, funciona assim:

Fiz uma viagem de nada menos do que 30 dias em um período muito importante da minha vida. Estou em Genebra, na Suíça, pilhado e louco da vida para arranjar um trabalho enquanto eu faço um Mestrado super-puxado. Nas andanças de idas e motivos que eu sai do Brasil, estava uma depressão, ansiedade e pânico, tudo se acumulando. Infelizmente, não passou assim que eu cheguei aqui. Nesta viagem que eu fiz, conhecendo 17 novas cidades (que em breve estarão no meu site), eu tive algumas das melhores ideias da minha vida e muitas delas já estão começando a dar retorno. Coincidência? Não. Foi a movimentação.

Algo acontece no nosso coração quando entramos no busão.

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Ou no trem. No avião, eu não sei, por que eu fico é estressado de estar numa lata a 10.000km de altitude. Eu sei é que, por curioso que seja, nesta viagem que eu fiz, eu gostava de saber que naquele dia eu iria entrar no ônibus e no trem e conheceria um novo destino. Por que? Acho que simplesmente eu gosto de errar. Sempre fui assim.

Quando criança, contava com meus 12 anos e uma vez andei por uma hora saindo da minha rua, só pra saber onde dava. Descobri que era a boca da favela, mas voltei feliz pra casa: eu era um explorador. Ainda guardo esse sentimento comigo – a exploração. O meu coração bate mais com a viagem em si do que com a chegada no aguardado destino. E o meu coração parece bater igualmente forte com a contagem das histórias. Parece, aí sim, que eu viajei de novo, e experimento, cá com todos os dedos, os melhores sentimentos da minha trip.

E que venham as próximas.

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