O que fazer em Berlim – Sugestões de museus

Berlim é uma cidade única, tem uma cultura especialíssima e uma história muito peculiar. Isso é refletido em vários dos seus monumentos e dos seus museus, que são tantos que talvez precise de mais de um ano para visitar todos. Neste post eu indico alguns museus que eu visitei, e que eu recomendo especialmente em dias nublados e nevosos.

O que fazer em Berlim – Sugestões de museus

Foi em Berlim que eu pude entrar em alguns dos museus mais interessantes da minha viagem. Apesar de ter ficado apenas quatro dias na cidade, eu consegui visitar cinco mostras, entre outras atrações como a torre de TV, Zoológico, Aquário e igrejas. Dois destes museus eu acredito que são interessantes em virtude da possibilidade de entender como era a vida na Alemanha nos tempos da guerra fria. Depois que eu sai da cidade, fiquei intrigado, especialmente com o estilo de vida da Alemanha e de Berlim Oriental. Mas, sem mais delongas, vamos lá:

Spy Museum – O museu dos Espiões

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Leipziger Pl. 9, 10117 Berlin

Descobri o museu dos espiões por acaso. Estava olhando no mapa uma certa região perto da Potsdamer Platz e o nome me chamou a atenção. É uma atração nova então não havia muita gente falando sobre aquilo. Vi as fotos e achei interessante. Resolvi ir. Não me arrependi: foi uma experiência interessante e enriquecedora.

Assim que você pega o seu ticket, você tem que passar por uma máquina igual a daquelas dos filmes do 007 ou Missão Impossível, com reconhecimento e tal. Começou bem – a ideia é fazer o visitante se sentir um espião. O andar de baixo é uma introdução com uma série de fatos e ideias sobre espionagem desde o começo dos tempos. Os Babilônios, por exemplo, empregavam uma série de espiões para antecipar o movimento dos seus inimigos e manter o domínio no crescente fértil.

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Subindo a escada – super iluminada e com um jogo de luzes fenomenal. A seguir você vê uma série de itens, alguns originais, que são gadgets de espionagem. Por exemplo, o relicário do Código da Vinci, um cachimbo com uma pistola escondida, joias e sapatos com compartimentos, uma ampola de veneno para suicídio. Mais pra frente tem o setor de codificação e decodificação – você pode codificar a sua mensagem, como eu fiz na imagem abaixo.

Destaque para as máquinas originais de codificação, como a Enigma, que foi criada pelos alemães para enviar mensagens durante a segunda guerra mundial. O código foi quebrado por um inglês chamado Alan Turing, o mesmo que ajudou a inventar o computador.

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Temos também a história dos espiões nucleares. Vocês sabiam que diversões espiões trabalhavam para o governo russo dentro do projeto manhattan – aquele da criação da bomba atômica? Graças a ajuda deles, a União Soviética conseguiu detonar o seu primeiro teste nuclear em 1949, e assim se colocar em pé de igualdade com os americanos na guerra fria.

Achei super interessante também a história de um escritor crítico do regime da Bulgária, Georgi Markov, que foi assassinado em Londres com um guarda-chuva que tinha uma arma de fogo secreta. O assassino implantou pequenas bolas de metal no corpo do escritor com um tiro que saiu da ponta do guarda-chuva. Essas bolinhas vieram carregadas de bactérias mortais e depois de algumas horas ele acabou falecendo.

A mostra também se foca no dia-a-dia da Alemanha durante a guerra fria e o muro de Berlim, especialmente no lado leste. Muitos dos alemães eram vigiados dia-e-noite e não tinham a menor ideia de que os seus dados eram coletados.

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Mas a parte mais interessante do Museu é certamente a Sala dos Lasers. Sabe aquela cena clássica dos filmes do missão impossível e outras como 11 homens e um segredo, onde o cara precisa passar pela segurança, que são diversos lasers? Aqui no Spy Museum é possível brincar disso. Eu tentei diversas e diversas vezes, mas só consegui uma vez no modo fácil rs. Existem quatro níveis e você pode solicitar a gravação da sua performance – depois vão te mandar o link do vídeo para o youtube.

Sai do museu com uma sensação de realização e vontade de jogar mais. Haverá outras oportunidades.

Dali museum

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Leipziger Pl. 7, 10117 Berlin

Perto do Spy Museum você pode emendar uma visita no Museu Dali, que tem diversas obras do autor e de seus pupilos, muitas das quais você provavelmente nunca ouviu falar. Depois que eu visitei eu tive a certeza de que ele era um artista fodão. Muita gente acha que os artistas recentes não sabem desenhar, e por isso eles fazem rabiscos e obras loucas, mas na verdade pessoas como Dali tem técnica e transformam a sua arte propositalmente. Infelizmente não foi possível tirar fotos. Definitivamente vale a pena a visita sim.

Jewisches Museum

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Lindenstraße 9-14, 10969 Berlin

Gostei muito de uma parte mas sinceramente, de outra eu não achei tão interessante – acredito que o seja para quem seja judeu ou profundamente interessado na história deles. A parte que eu gostei bastante foi a arquitetura e a coleção dos itens pessoais dos judeus no Holocausto. A arquitetura contemporânea conta uma história por si mesmo. Para começar o Museu inteiro tem uma inclinação leve, mas evidentemente perceptível. O auditório todo espelhado também vale a pena visitar. Pessoalmente, o primeiro andar é o que mais me interessou. Vários itens pessoais do holocausto estão em mostra e contam histórias particulares dentro de um contexto que normalmente nós conhecemos no macro. Lá você encontra máquinas fotográficas, relógios, utensílios de cozinha e diversas cartas.

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Existem três obras arquitetônicas que foram feitas para se pensar, por que não há nenhum significado intrínseco ou placa conceituando estas salas. Tem um jardim que tem grandes monolitos com árvores em cima dele. Há uma torre escura em que entra apenas uma fração de luz, e lá absolutamente não tem nada. E há um setor com mais de 10.000 peças de metal na forma de rostos, o que simboliza as vítimas inocentes do nazismo. Estes três setores são interessantíssimos e realmente nos fazem pensar. Ai nos andares superiores existe uma coleção que conta a história dos judeus na Europa, e essa eu penso que é mais interessante pra quem realmente estiver muito interessado na história deles. Não que eu não estivesse interessado em saber, mas em museus e coleções eu gosto de ver itens originais e/ou que aticem a nossa curiosidade, e ali encontrei alguns itens simples e muitas, muitas réplicas e reproduções. ´

Mas foi bom por que eu aprendi muitas coisas. A principal delas é que os judeus sempre foram perseguidos na Europa, e mesmo em períodos de paz, eles foram alvos das religiões cristãs por diversas ocasiões, apesar da integração na sociedade. Algumas vezes, por exemplo, tiveram o emprego em certos ofícios proibido ou limitado, e acesso a cargos oficiais negado. Isso os levou a especializarem em profissões de comércio, como os mascates (vendedores viajantes), cunhar moedas ou empréstimos.

Museu Pérgamon

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Bodestraße 1-3, 10178 Berlin

O museu de Pergamo é impressionante. Impressionante mesmo. Pelo menos o começo dele é. Depois a coleção fica um pouco monótona apesar do riquíssimo valor cultural e histórico. O que importa dizer é que: os caras conseguiram recriar com peças originais três ou mais lugares sagrados do mundo antigo. A entrada do templo de Ishtar, de Babilônia, com pedras azuis incrivelmente bem cuidadas e relevos de animais sagrados para aquela cultura, como o unicórnio, o leão e o dragão. Tudo isso de forma bem fiel à original, com uma altura de mais de 15 metros. A coleção também conta um pouco da história e como foi criado aquele tempo. Eu imagino o trabalho que deu de trazer do Iraque aquele monte de pedras e para reconstruir também. Outro ambiente interessante é a entrada do Mercado Romano da cidade de Mileto, que tem mais de 15 metros de altura e também reconstruído de forma bastante fiel. Tudo isso mesclado com diversas peças e estátuas do mundo antigo. Há, por exemplo, um piso em formato de mosaico da casa de um comerciante abastado de Mileto, diversas estelas de templos e uma réplica do código de Hamurabi. Vale a visita. No andar de cima, você pode visitar o Museu de Arte Islâmica, mas a coleção não é tão boa. Existem muitos tapetes e carpetes otomanos e persas extremamente raros, além da entrada de um dos templos da dinastia dos Omíadas – cujas paredes foram intrincadamente detalhadas.

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DDR Museum – O museu da Alemanha Oriental

Karl-Liebknecht-Str. 1, 10178 Berlin

Já era noite quando eu entrei no DDR Museum, que felizmente fecha mais tarde do que os outro museus. O museu me surpreendeu por dois lados – não é aquele típico museu, e nisso eu senti falta de itens originais e interessantes, mas é uma grande aula de história e uma grande experiência de interatividade. O museu permite o aprendizado de como era a vida na Alemanha Oriental, especialmente em Berlim.

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Aprendi que no começo a Alemanha oriental estava bem a frente da ocidental, devido a fatores como uma conjugação de economia planificada com uma indústria de alto rendimento que foi ‘herdada’. Mas com o tempo a Alemanha oriental deixou de inovar e se perdeu em políticas que tornaram o país mais atrasado em relação à Alemanha Ocidental.

Logo na entrada você já tem uma experiência de como era pilotar um Trabanti – você dirige e no vidro há um jogo eletrônico, sem maiores objetivos, que simula a sua direção nas ruas de Berlim Oriental. O museu explica muito bem que o Trabanti foi criado pra rivalizar com o Fusca, mas devido a falta de materiais e para economizar, eles utilizaram uma espécie de plástico endurecido ao invés de metais, e uma série de itens foi deixada de fora. O carro era super barato, mas difícil de se conseguir, e muitas vezes a espera na fila era de 18 anos. Quebrava facilmente e as peças não eram da melhor qualidade, e muitas vezes o dono tinha que saber consertar, por que não era fácil conseguir um mecânico e as peças estavam em falta. Os Berlinenses tinham uma relação familiar com o carro e normalmente a aquisição de um era motivo de festa.

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O museu conta também que a vida era bastante organizada e deixava pouco espaço para liberdade. Se alguém quisesse subir na vida, era melhor entrar no único partido que existia. Muitos alimentos e itens essenciais, depois de algum tempo, estavam em falta, mas não para os diretores do partido. Isso também ajudou a criar um mercado negro. Mas os alemães ganhavam muito bem e tinham que gastar dinheiro com alguma coisa. Então, criaram um mercado de luxo com itens da Europa Oriental, como peixe da Hungria e Bebidas da TchecoEslováquia. Lá também é possível ver como a vida dos alemães era bastante vigiada e que não era incomum ir para a prisão. Para terminar, há uma instalação com uma típica casa de Berlim nos anos 80. Vale muito a visita.

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