Nova Zelândia: visitando Dunedin e vendo o All Blacks jogar

Não dava pra visitar a Nova Zelândia e não ver um jogo do famoso All Blacks, né? Este é o meu penúltimo artigo sobre a NZ aqui no Revoando. Já faz bastante tempo desde a minha viagem pra terra dos Kiwis e quero registrar essas memórias antes que elas fiquem vagas demais, e talvez essas informações todas possam ser úteis para alguém que esteja indo pra lá. No futuro pretendo escrever mais artigos sobre viagens por aqui, se o André permitir. Vamos ver o que eu tenho pra contar sobre Dunedin!

Visitando Dunedin

Salve, galera!

Diferente dos meus artigos anteriores (com bastante informação e dicas), este vai focar mais no relato da minha passagem pela cidade de Dunedin, mas mesmo assim pode ser útil para quem está na Nova Zelândia ou vai pra lá e quer conhecer a cidade.

Pois bem, não dava pra passar um mês na Nova Zelândia e não assistir pelo menos uma partida do All Blacks, o time de rugby mais famoso do mundo. E como Queenstown (a cidade em que eu fiquei) não tem estádio, até porque é muito pequena, o jeito foi alugar um carro e ir até Dunedin.

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Dunedin é a segunda maior cidade da ilha sul da NZ (perde apenas para Christchurch), com uma população de pouco mais de 100 mil habitantes. É lá que fica a Universidade de Otago, a mais antiga da Nova Zelândia, o que faz da cidade um importante centro estudantil.

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São aproximadamente 3h de carro a partir de Queenstown (281km), e como sempre as paisagens da Nova Zelândia são fantásticas. Por esse e outros motivos, é sempre uma boa viajar pela Nova Zelândia de carro. Se você vai passar um bom tempo por lá e quer visitar várias cidades, considere alugar um carro para ir de uma cidade a outra. As estradas são sempre muito boas e bem conservadas. No meu caso, fomos pra Dunedin em cinco pessoas, então o custo do aluguel do carro até que foi barato.

No caminho, enquanto ficávamos deslumbrados com as belas paisagens, percebemos algo curioso: tem MUITA ovelha na Nova Zelândia. Pouco depois, descobri pesquisando que há 40 milhões de ovelhas, pra ser mais exato, com uma população humana de 4 milhões. Ou seja, lá tem 10 vezes mais ovelhas do que gente. Então ao longo do caminho uma das coisas que a gente mais via era pastos cheios de pontinhos brancos.

Ovelhas, muitas ovelhas!
Ovelhas, muitas ovelhas!

Além disso, o estilo de direção na Nova Zelândia é o inglês, ou seja, o motorista fica do lado direito, então só por aí já tivemos uma experiência exótica.

E o que tinha pra fazer em Dunedin?

Durante o dia, passeamos bastante e almoçamos num lugar chamado Mac’s Brewbar (recomendo!).

Hamburguer de cordeiro no Mac's Brewbar!
Hamburguer de cordeiro no Mac’s Brewbar!

Uma coisa bem interessante: Dunedin tem a Baldwin Street, a rua mais íngreme do mundo! Pode parecer uma coisa boba, e confesso que a princípio nós fomos até lá mais por falta de opções melhores, mas acabou sendo super divertido. A subida é de apenas 350 metros, mas a inclinação é de 19 graus ou 35%, o que equivale a dizer que a cada 2,86 metros que você percorre horizontalmente, tem de subir um metro inteiro (informações do Guinness Book).

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Olhando de longe, a inclinação da subida assusta um pouco

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Mas chegando lá em cima, tem uma vista bem bacana e esse murinho simpático!

E, como mencionei no meu post 25 Fatos sobre a Nova Zelância, eles tem uma corrida que acontece lá todo verão, chamada Baldwin Street Gutbuster, que consiste em subir até o topo e voltar. O recorde atualmente é de 1’56”.

Também fomos ao Cadbury World, que é uma atração turística criada na cidade de Dunedin  pela marca britânica de chocolates Cadbury. A visita (que demora pouco mais de uma hora) inclui um filminho sobre a história da Cadbury e um tour pela fábrica, que termina numa cascata de chocolate.

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Reparem em quem na foto pegou mais chocolate na lojinha…

Por fim, o principal motivo de irmos a Dunedin: All Blacks vs. England

O rugby é o esporte nacional da Nova Zelância. Uma paixão pra eles, mais ou menos como o futebol é para os brasileiros. Em dias de jogo, pode ter certeza que os bares e restaurantes vão estar focados na partida, assim como acontece por aqui.

E muita gente não sabe, mas o famoso All Blacks, o time mais conhecido do mundo, é na verdade a própria seleção neozelandesa. All Blacks é o apelido deles, possivelmente cunhado por um jornal londrino em 1905 (há controvérsias entre eles próprios sobre a origem do apelido).

E a gente na verdade deu uma baita sorte de conseguir ver essa partida. Nós compramos os ingressos alguns dias antes pela internet com cartão de crédito e, quando contamos para as pessoas na escola, todos ficaram surpresos, pois também tinham tentado, sem êxito. Naquele momento achamos que nós por sorte havíamos sido os últimos a comprar, ou coisa assim.

Estádio Forsyth Barr (ok, a foto tá horrível, mas dá pra ter uma idéia do naipe)
Estádio Forsyth Barr (ok, a foto tá horrível, mas dá pra ter uma idéia do naipe)

Mas quando chegamos no estádio Forsyth Barr, lá em Dunedin, mostramos nossos ingressos impressos para a moça na catraca e, para nossa surpresa (e breve desespero), ela nos disse que nossos assentos não existiam. Mas calma lá: como assim? Havíamos comprado pelo site, a impressão havia sido feita direto pelo site e a conta havia sido debitada no cartão de crédito normalmente. Aí entra a cultura do país, e a moça nem de longe demonstrou achar que estivéssemos de pilantragem. Apenas assumiu que tinha acontecido algum bug no sistema, que tinha vendido ingressos que não existiam (pra você entender: nossos ingressos eram os assentos 1 a 5 da fileira H, sendo que a arquibancada naquele setor só ía até a fileira G). Deu tudo certo no final: a moça conversou com umas duas outras pessoas pelo rádio e nos levou até assentos em outro setor, onde pudemos ficar.

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E se você já ouviu falar dos All Blacks, possivelmente já ouviu falar também do Haka, a famosa dança que eles fazem para intimidar os adversários antes de cada jogo.

Contudo, mais uma vez, o que nem todo mundo sabe é que o Haka, muito antes de ser um símbolo do All Blacks, é uma prática tradicional ancestral das tribos Maori, que eram os ocupantes nativos da Nova Zelândia antes da colonização europeia. Na cultura Maori existem diferentes tipo de Haka, mas o principal era justamente o Haka de guerra, que era realizado pelos guerreiros da tribo antes de batalhas, proclamando sua força e coragem para intimidar os inimigos. A dança é realmente bem agressiva e intimidadora, com vigorosos movimentos e pancadas rítmicas feitos em sincronia pelos guerreiros (ou pelos jogadores, no caso). O próprio All Blacks tem um repertório de alguns diferentes tipos de Haka.

Acabei fazendo esse vídeo:

A partida em si foi bem bacana, superando nossas expectativas. Se você nunca assistiu uma partida de rugby, procure assistir eventualmente, só pela experiência. Se por um lado é um esporte coletivo de bola como muitos outros, por outro há diversas peculiaridades. A principal, na minha opinião, é o fato de que no Rugby o passe de bola só pode ocorrer para os lados ou para trás, ou seja, todo o avanço de um time é decorrente das corridas do jogador que tem a posse da bola.

E de vez em quando acontece um Tackle...
E de vez em quando acontece um Tackle…

E no final, a vitória foi do All Blacks, por 28 a 27. Parece uma vitória bem apertada, mas as críticas de quem realmente entende do assunto (veja uma aqui, em inglês) foram no sentido de que a Inglaterra foi muito inferior e praticamente não mereceu os pontos que fez. Seja isso verdade ou não, o fato é que no dia seguinte notamos um humor consideravelmente elevado nos kiwis, hehehe…

É isso, galera. No meu próximo artigo, que provavelmente vai ser o último sobre Nova Zelândia, vou (finalmente) falar sobre tudo relacionado ao Senhor dos Anéis que eu vi por lá.

Até a próxima!

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