O que eu aprendi depois de 9 meses no exterior e depois de jogar tudo pro alto

Morar fora hoje é um sonho de muita gente e era um dos meus sonhos também. Não pelos mesmos motivos que hoje se apresentam – como a crise e a falta de perspectiva pro futuro do Brasil, mas sim por idealismo e vontade de viver novas experiências. Faz quase nove meses que eu dei início a essa empreitada e hoje eu posso dizer que aprendi e reaprendi muito mais neste período do que em diversos anos.

O que eu aprendi depois de 9 meses no exterior e depois de jogar tudo pro alto

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Engraçado escrever este texto no dia em que o Brasil deu início a um processo de impeachment, afastando a presidenta. Isso tudo é muito simbólico e faz com que muita gente tenha receio do futuro em Pindorama, anseando por uma vida de melhores oportunidades no exterior.

O meu caminho não teve muita relação com isso e a decisão levou muito pouco em conta a situação política e econômica do Brasil. Claro, a questão da falta de segurança falou muito alto, mas em termos financeiros e de futuro, eu tinha muitos motivos para ficar. Era funcionário público concursado, ganhava muito bem e estava compilando as páginas de um futuro promissor. Aí eu decidi fazer a loucura de largar tudo isso e vir para Genebra, basicamente recomeçar e voltar a estudar.

Isso tudo eu já cansei de escrever aqui no Blog em diversos posts. Eu também já escrevi muito sobre como é morar na Europa, fora do Brasil em geral, e as coisas que eu sinto, as coisas pelas quais passei, transformações em geral, etc…

Mas já faz um tempinho também que não escrevo e acredito que desde que eu cheguei aqui, já passei por tantas fases da minha vida mental, que este tópico merece dar uma rejuvenescida. Em poucas palavras, nesse meio tempo eu tive muitas alegrias, muitos desafios e muitas dúvidas e isso se refletiu no fato de que eu passei por uma depressão um pouco mais aguda e pânico também, o que me fez dar um tempo para mim mesmo e querer renovar as energias.

Isso me fez aprender e reaprender diversas coisas. Reaprender, especialmente, por que o fato de eu ter tido depressão influenciou muito a minha memória, autoestima e comportamento pessoal, de uma forma que eu me tornei irreconhecível em certos aspectos. E agora que estou melhorando eu posso focar nas coisas às quais eu aprendi/reaprendi.

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  • Morar fora não vai solucionar todos os seus problemas. Mas como toda ‘viagem’ vai te ajudar a ver as coisas de um ângulo diferente. Quando eu resolvi que ia morar em outro país, eu tinha a impressão de que assim que eu pisasse os pés no solo Suíço, todos os meus problemas, especialmente os emocionais, desapareceriam. Mal sabia eu que essa mudança aumentou tudo o que eu sentia, para o bem e para o mal.

 

  • Você (eu, nós) precisa(mos) de ajuda. Sozinhos podemos chegar muito longe mas há um grande limite. Não somos oniscientes, onipresentes, pelo menos não neste mundo físico. Aprendi isso a duras penas e desde então eu me dei conta de que, por maior que seja o orgulho de tudo o que eu fiz até agora sozinho, eu poderia ter feito ainda mais ou estar ainda melhor se tivesse confiado mais nas pessoas e me aberto mais. De certa forma, eu devo muito o fato de eu estar aqui, vivo e confiante em Genebra, à ajuda de outras pessoas.

Para começar eu fiz uma vaquinha e levantei um dinheiro que fez uma grande diferença no meu orçamento. Eu consegui pequenos trabalhos aqui na Suíça por meio do conhecimento e ajuda de outras pessoas. Eu tive muito suporte de pessoas da família e novos e velhos amigos no doloroso processo de saber que eu passava por depressão. Julgo dizer correto, talvez houvesse uma hipótese de eu não estar vivo caso não tivesse ajuda.

Morar fora do Brasil quase sempre significa recomeçar a vida, e é muito mais difícil se jogar em outra realidade se estiver sozinho. Procure ajuda. Confie em sua intuição.

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  • A força de vontade é como um músculo. Se você deixa de exercitar, ela vai ficando mais fraca e quando você quiser usar novamente, mais doloroso e mais trabalhoso vai parecer. Não se deixe levar por alegrias ou comodidades que em geral são momentâneas. Há sempre algo mais a lutar. Recomeçar me fez, mais uma vez, colocar a faca nos dentes e dar a cara para bater. Isso me faz sentir mais vivo.

 

  • Valorizar o que há de bom no Brasil. Tem coisas que a gente se dá conta só com a distância mesmo. O Brasil não é essa merda toda que muita gente fica postando textão no Facebook. Apesar de várias mazelas, cá estou eu, Genebra, em uma das melhores universidades do mundo, e olhe, eu fiz escola pública a minha vida inteira, cabulava aula e tive problemas de aprendizado, mas aprendi muitas coisas que são muito úteis para mim hoje e devo reconhecer que comparado a outros lugares do mundo o Brasil é muito melhor. Além disso, uma parte da nossa cultura e a nossa gentileza e boa-vontade é muito apreciada no mundo todo.

É isso! Estou entrando em época de provas aqui mas juro que vou atualizar mais. Afinal eu tenho quase 40 posts para colocar só da minha última viagem. Até mais!

5 thoughts on “O que eu aprendi depois de 9 meses no exterior e depois de jogar tudo pro alto

  1. Depois de estar seis anos a viver em Paris, e ir agora embora (para viajar, não para voltar a Lisboa – de onde sou), adorei o teu post. Muitos acham que viver no estrangeiro é só maravilha, mas não é e sobretudo não é a solução para todos os problemas, como bem escreveste no primeiro ponto!

    Parabéns pelo post!

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