Expatriando depois dos 30

Em mundo que se espera aos 30 estar casado, com casa, e quiçá filhos, nadar contra a corrente parece um grande desafio. Algumas pessoas decidem tomar outro caminho, outra história – arrumar as malas e morar em outro país. Quase como, e as vezes exatamente como, começar a vida de novo.

Expatriando depois dos 30

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Quando eu tinha 18 anos eu imaginava como seria a minha vida adulta inteira, cheia de sucesso e com muito tempo livre. Mas só até os 30. Eu não me arriscava a fazer qualquer palpite pra depois dessa idade fatídica. Pelo contrário, é meio como se imaginasse como se não houvesse vida após os 30, como se só os 20 importassem.. Então os 20 anos foram cheios de expectativas, e até de certa forma, amarras, que mais me atrapalharam do que ajudaram.

Não sou o único que pensava ou pensa assim, tenho certeza. Muita gente orienta a sua vida inteira pelos 20 – terminar a faculdade, namorar, casar, ter filhos, casa… e qualquer coisa que fuja desses parâmetros causa sensação de tristeza ou de depressão em muitos. E mesmo para quem diz que não se importa com essas coisas e datas, no fundo sente uma pressão, por menor que seja, quando se compara com outras pessoas que conseguiram alcançar tal feitos antes dos 30.

Era o meu caso. Por mais que eu não me importasse muito com essas questões de ter uma vida linear, no fundo eu tinha muitas expectativas, talvez até demais, para os meus 20 anos. E eles acabaram, tão rapidamente como começaram. E sabe o que mais? Eu me sinto muito mais livre e muito mais disposto a fazer as coisas que eu sempre quis, por que simplesmente uma grande parte destas expectativas desapareceu.

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Imagina então, recomeçar a vida depois dos 30, solteiro, sem filhos, sem casa, sem carro, em outro país? Imagino que muita gente que só lê esses fatos na minha vida pode me ver como um perdedor, por que eu basicamente não tenho nada material. Eu digo que esses fatores não me fizeram nenhuma falta, e pelo contrário, eu me senti muito mais livre para recomeçar, por que praticamente não tinha nenhuma amarra no Brasil, fora o bom emprego que eu tinha.

É certo que a idade foi um desafio a mais, especialmente até eu fazer 31. Por que de certa forma pesava e eu me sentia um não jovem. Agora finalmente eu comecei a tocar o foda-se, e diga-se de passagem, eu me sinto muito bem e muito livre.

Existe diferença entre expatriar nos 20 e nos 30?

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Sim, a diferença é pouca, mas é sensível. Aos 20 eu me sentia muito mais poderoso e otimista do que eu sou agora, como se o mundo fosse fácil de explorar e como se eu tivesse o tempo todo do mundo. E quando eu viajei pela primeira vez eu sentia como fosse assim. Agora aos 30 eu sei que o tempo que eu tenho é extremamente valioso, mas ao mesmo tempo eu não tenho toda a pressa do mundo para dar certo por que eu já fiz muita coisa nos 20.

Disposição? A disposição é obviamente menor. Tem muita coisa que eu não engulo mais e que eu já não tenho tanta paciência. Trabalhar com subempregos é inevitavelmente mais difícil hoje do que quando eu tinha 21. Mas eu o fiz. Foi doloroso mas eu fiz! De outro lado eu tenho muito mais ideias do que fazer para evitar justamente estes trabalhos pequenos e que pagam mal, por que eu não tenho a mesma disposição.

Por incrível que pareça, o que me ajudou nesta minha empreitada foi justamente uma habilidade que eu adquiri com 15 anos – fazer websites e design. Se eu tivesse seguido somente o caminho de trabalhar com direito ao invés de fazer tudo o que eu sei, eu teria tido muito mais dificuldade do que eu tive.

E conforme o tempo vai passando, eu vou percebendo pelos meus amigos de 20 e poucos anos outras diferenças – como o fato de que eles são muito mais otimistas, mas ao mesmo tempo dão menos valor a outros elementos como saúde e amizades e conexões. Eu pensava também que sozinho eu iria muito longe. Realmente eu fui, mas depois me dei conta que se conhecesse mais pessoas e tivesse mais amigos teria chegado ainda mais longe e em menor tempo.

 

3 thoughts on “Expatriando depois dos 30

  1. Oi André, descobri seu blog há um dia e já li quase todas as postagens de tão interessante que é. Minha vida não é nada descomplicada. Infelizmente. Eu tenho 24 anos e minha vida é uma incógnita. Venho de família pobre(já cheguei a passar fome, e minhas roupas eram velhas e rasgadas, e remendadas malfeitas por mim) Eu sou concursado (mas ganho cerca de 2.000). Sinto que sou inteligente, e que sou capaz, mas não há nada que me empurre para frente, eu tenho que me sustentar, com um aluguel caríssimo, pois eu não falo com minha família pois tivemos um atrito muito sério, simplesmente me fizeram muito mal. Você é top, apesar das dificuldades passou logo para direito. Eu faço uma faculdade mas já estou para desistir. Curso Geografia pois futuramente quero estudar Geopolítica, mas todo mundo fala que eu vou morrer ensinando na escola (mesmo eu fazendo bacharelado e não licenciatura) pública e ganhando uma merreca. Já que você faz questão sempre de falar seus sonhos,eu também tenho vários sonhos: quero trabalhar um dia na ONU, e ensinar em uma universidade estrangeira de renome, além disso, primeiramente quero fazer um mestrado. Também tenho o sonho de viajar muito pelo mundo, mas, eu não tenho condição de sair nem do meu estado, eu choro muito por isso. As coisas não caem do céu, mas eu vou fazendo o que posso para (tentar) realizar meus sonhos. Bem, mas saiba que eu sempre leio seu blog viu, e continue assim.
    Abraços, Fernando.

  2. Oi André, você ainda está na Suíça?
    Estou com 29 e decidi ir morar em Genebra..fevereiro estou indo.
    Gostaria de conversar com você..
    Vou deixar meu e-mail, gostei muito do seu blog.
    Ls.psi12@gmail.com (tudo minúsculo)
    Abraços,
    Larissa

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