E se me perguntarem das flores – 13 meses em Genebra

Oi, eu sou o André e completei 13 meses em Genebra. Vim para cá fazer um mestrado e o meu maior medo não era nem passar em todas as matérias, e sim nem sequer poder chegar à metade. Muita coisa mudou, mas a dedicação é a mesma do primeiro dia. Hoje eu estou contente e a mensagem que eu quero passar é: não desista.

 

E se me perguntarem das flores – 13 meses em Genebra

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Festa comemorando o Lago Genebra e eu comemorando um ano na Suíça

Talvez tenha pessoas que pensam que eu só posto sobre isso e talvez seja verdade. De fato eu tenho 50 posts incompletos na gaveta aqui do blog. Mas o meu blog é também um diário e serve para eu refletir como passei o tempo aqui e as dificuldades que eu enfrentei. Afinal de contas está tudo certo agora, mas há poucos meses atrás eu estava desesperado por falta de horizontes aqui em Genebra.

E esse tal diário me ajuda muito por que eu quero reconstruir a minha história pro meu próprio futuro. E um dia eu quero contar para os meus filhos e netos como foi a ideia de largar tudo e tentar a sorte a 12.000 km de casa. E tudo o mais que isso envolveu para mim – todas as dificuldades da minha vida, não ter dinheiro e não ter esperança, me superar duas vezes, a morte da minha mãe, enfrentar depressão e síndrome do pânico. É difícil explicar isso em um post então tudo isso está espalhado em vários deles, e em breve, eu espero, no meu livro.

A minha vida agora está uma bagunça, mas uma bagunça boa. Eu sei para onde vou e como vou. Existe um certo frio na barriga de como vai ser após eu me formar e eu já adianto que eu quero tentar o doutorado por que quero me especializar mesmo em direitos humanos.

Bom, em poucos meses, eu passei por um período de desespero – tive umas 6 crises de pânico em março, de uma forma que eu achei que fosse morrer. E isso para mim foi terrível por que eu achava que já tinha superado isso. Bom, se adaptar a outro país e passar por dificuldades financeiras deixa qualquer um vulnerável e este era o meu caso. E quando eu decidi ir no médico ele falou que foi um erro eu sair do Brasil sem ter me recuperado por completo de um estado depressivo. Mas eu quis dizer pra ele que acho que a vida é uma só e que ver uma pessoa falecer me fez repensar toda a questão de ‘momento certo’, para algo muito mais próximo.

Depois daqueles eventos eu comecei a melhorar muito, e eu diria que a cada semana eu melhoro mais. Ainda tenho algumas questões de auto-estima, mas procurar tratamento foi a melhor coisa que eu fiz. Alguns meses depois eu fui eleito presidente da Associação dos Estudantes do meu instituto e fiz o discurso de recepção para 400 calouros. Como tudo mudou de repente!

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Em Montreux com mano Dennis

E tudo isso aconteceu comigo por que eu não desisti. Eu poderia ter desistido e lembrei daquele filme Gattaca como uma inspiração – em que uma pessoa que é fisicamente inferior à outra aposta uma corrida para ver quem nadava mais longe. E ele ganhou. Perguntado sobre como fez aquilo, o protagonista do filme disse que não guardou energia para voltar. É assim que eu me sinto – eu nunca pensei muito na volta e guardei toda a minha energia para ficar aqui.

Como eu fiz isso? Pesquisei muito e continuo pesquisando. Em Genebra é possível trabalhar 15 horas por semana com visto de estudante e 40h por semana durante o verão. Então eu fiz tudo o que podia – trabalhar em eventos, com mudança e até limpando janelas de um prédio. Depois ainda consegui uma bolsa por que eu resolvi tentar de novo. Então a lição que fica para mim mesmo e quem estiver lendo e no máximo possível, não desista.

Até mais!

3 thoughts on “E se me perguntarem das flores – 13 meses em Genebra

  1. É de uma motivação tremenda acompanhar o que passou e o quanto vem superado tudo. Acompanho seus posts desde o início com a “vaquinha”. Em breve estarei deixando o país também. Uma nova vida, nova cultura, tudo novo. Ler seus posts me dá a certeza de que é possível. Parabéns e sucesso nessa sua longa caminhada. Estarei por aqui acompanhando.

  2. Sua história é incrível. Já li mt dos seus post. E sinceramente gostaria mt de te conhecer quando eu for a Genebra no início do ano q vem. Abraço,

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