Um dia na Amazônia – Plantas, Animais e o Rio.

Vira e mexe um estrangeiro me perguntava – Como é a Amazônia? Como Brasileiro, sentia vergonha de não conhecer o meu próprio país e nunca ter visitado uma das maravilhas da natureza, onde se fala português e se paga em real. Tomei uma decisão, achei uma passagem barata e não pensei duas vezes. Nesse post, explico como funciona o passeio de um dia pela Amazônia.

Um dia na Amazônia

O passeio – informações básicas.

A Amazônia é logo ali amigos e amigas. Pode ser bem longe, mas pode ser mais perto do que se imagina. Explico: você pode conhecer a Amazônia ficando em Manaus, Santarém, Belém e outras cidades, e o passeio não está a mais de 3 horas de viagem de barco. Muita gente imagina que se tem que pegar um dia inteiro pra chegar a floresta. Claro, isso existe, mas você não precisa ir tão longe, a não ser que queira ir pra Tabatinga. Outro tanto de gente imagina que a Amazônia é só em Manaus. Ledo engano. A floresta é uma região imensa que contém várias cidades dentro de si, a maioria às margens dos rios. Manaus é só uma delas. Belém é outra.

Mais um outro bocado de pessoas, muitas delas bem preconceituosas, acham que essas cidades são subdesenvolvidas e só tem mato e índio. Nada mais incorreto. Manaus, por exemplo, tem uma grande infra-estrutura e você não vai nem lembrar que está cercado por floresta por que a cidade é enorme. Só vai se lembrar por causa da quentura. Mas isso é assunto para outro post.

Em Manaus existem várias opções para se fazer passeio pela floresta e pelo Rio. Alguns deles são Hotéis de Selva, outros são passeios de dois ou mais dias que você dorme em cabanas ou habitações na região da floresta, outros são apenas algumas horas, ou um dia. Eu, em virtude de ter pouco tempo para explorar bem a região, resolvi fazer o bem bolado e pegar um pacote considerado mais turístico mesmo, um que dura o dia inteiro.

Geralmente o seu Hotel ou Hostel vai te indicar alguns destes passeios, ou você passa pela grande quantidade de agências de turismo, ou vai para o Porto que tem muita gente que oferece. O meu foi indicado pelo Hostel e está incluído como um dos melhores passeios pelo TripAdvisor. O preço, em janeiro de 2017, época de inverno, fica entre 140 a 220 reais por pessoa.

O passeio visita vários lugares: a floresta, o encontro dos rios, a comunidade indígena, casas flutuantes, um restaurante à beira da mata, entre outros. O lado ruim é que o barco é grande e em geral os grupos são grandes. Então se você quiser mais quietude faça os passeios de mais de um dia que os grupos são menores. De qualquer forma, o meu grupo tinha umas 25 pessoas e isso não foi um grande problema.

A duração é um dia inteiro, previsto para começar as 8h00 e terminar as 16h00. E nesse meio tempo dá pra fazer bastante coisa.

Conhecendo os Botos

Era o dia 24 de janeiro de 2017, 08h00 da manhã. Esperamos algum tempo e nos dirigimos ao barco, ‘Sharlotte’. Depois de todos os turistas embarcarem (alguns estrangeiros do Irã entre eles), o barco partiu pelo Rio Negro em direção a uma porção da mata que tinha algumas casas de palafita. Andou, andou, andou e andou. Ou melhor, navegou, por cerca de 1h30, passando por baixo da ponte estaiada de Manaus. E aí finalmente chegamos a um lugar onde tinha Botos Cor-de-Rosa.

Eu sempre quis conhecer golfinhos bem de perto, mas não imaginava que seriam os primos brasileiros que vivem na água doce. Existem várias regras para lidar com os botos. Em primeiro lugar, são grupos pequenos que entram na água com o tratador, e ficam no máximo 10 minutos lá. Em segundo lugar, não se deve usar protetor solar por que a substância irrita os olhos dos bichos. Somente o tratador os alimenta e você não toca neles de propósito, a não ser quando o tratador deixar. E você  tem que usar meias. Isso mesmo, meias. Talvez seja para nos proteger, talvez seja para proteger os botos.

Entrei na água e fui perto do tratador. Senti alguma coisa bater e passar nas minhas pernas. Era um boto! Talvez os botos sejam os gatos da água por que ele fez isso mais de uma vez. E sim, dá um receio por que a água do rio negro é efetivamente escura e você não vê nada. Se o bicho quisesse, mordia minha perna!

O tratador balançava os peixes na água e atraia alguns botos. Com um pouco mais de paciência ele conseguia fazer um deles pular pra fora da água e se podia ver o bicho todo! E que bicho inteligente. Mas não é tão rosa assim. Aliás, tem dois tipos de botos na amazônia, o cor-de-rosa, que efetivamente fica mais rosa dentro d’água, e o Tucuxi, que é cinzento. Eles tem uma boca enorme e dentes serrilhados. E ver eles bem de perto é uma coisa maravilhosa!

Comunidade Indígena

Após mais cerca de meia hora de barco, fomos para uma comunidade indígena, uma região com várias ocas e malocas e vários índios. O lugar se chama Cipiá, e na língua deles, Umuri Mahsã. Todos os índios da comunidade falavam português fluentemente, além da língua deles. Detalhe, todos com vestes típicos, mas sungas e calcinhas por baixo. As mulheres não usavam sutiã.

O cacique, cujo nome na língua deles eu não consigo lembrar, mas em Português é ‘Domingos’ (!), explicou alguns dos rituais que os índios mostraram pra gente, que incluíam dança, canto e ritmo. No último ritual nós fomos convidados a tomar parte da dança.

No fim, a gente pode tirar algumas fotos com os índios e ver os itens que eles tinham pra vender. Entre eles, máscaras, facas, artesanato em geral, apanhadores de sonho. E cocares que custam entre 500 a 1200 reais. Embora o resto tenha um preço justo. Uma índia que lá estava fazia pinturas à base de urucum no rosto de quem queria ser pintado, à base de uma pequena contribuição de acordo com o que o cliente gostaria de oferecer.

Perto dali, tinha uma casa onde os índios trabalhavam a farinha de mandioca e outros itens. E lá tinha formigas assadas. É claro, eu provei! Tem gosto de… formigas… é crocante. Só precisa de um tempero.

Nas fotos abaixo você vê uma criança indígena, um índiozinho indo pra escola (que eles não queriam que a gente visse), e a tanajura assada.

Almoço com quitutes amazônicos

A parada foi em um restaurante na beira do Rio Amazonas. Isso mesmo, a gente cruzou novamente por baixo da ponte estaiada e acabou navegando por mais de 1h30 só pra chegar em um restaurante, que tinha comida a vontade. E que comida hein?

Aí em cima você vê o meu prato, que tem banana da terra assada, feijão amazônico, arroz à jambu (uma delícia), e pelo menos quatro tipos de peixe, entre eles pirarucu, tucunaré, pescada e tambaqui. Não podia faltar Mandioca de vários estilos. E tudo isso à vontade. Eu comi tanto, mas tanto, que mal sobrou espaço para a sobremesa, que era algumas frutas como a manga verde (aquela pequena que serve pra chupar), e melancia.

Fiquei apaixonado pelo Jambú, uma erva da região da amazônia, mas mais famosa no Pará. Essa erva é usada como salada e para dar um gosto especial nos pratos. Ela tem um componente chamado Spilanthol, que deixa a língua um pouco adormecida. Parece também com a menta. Não vai se assustar – o adormecimento é muito rápido, eu diria que é mais o gosto dela do que a língua ficar dormente. E é uma delícia. Adivinha, eu comprei cachaça com Jambú, a famosa Jambucy.

Saindo do restaurante, mais uma cabana com artesanato e outros itens amazônicos, entre eles doces, cachaças, bombons, etc.. Comprei o meu imã de geladeira, bem básico. E na cabana dos índios eu tinha comprado um colar com um dente de Jacaré (eles não mataram o Jacaré, só coletaram depois que ele foi comido por uma onça).

Atravessamos uma ponte suspensa pra chegar em um lago cheio de vitórias régias. Mas pra falar a verdade o caminho era mais interessante. Alguns macaquinhos amarelos curiosos espreitavam as dezenas de visitantes. Uns arriscavam se aproximar, mas não muito, outros se entretiam na floresta com mangas e cocos. Passei rápido pelas vitórias régias e voltei pra ver mais macacos!

Sucuri, Jacaré e Preguiça

Navegamos mais uma vez, desta vez para um centro de proteção e conservação de animais. Depois eu me dei conta que eles talvez não protegessem e conservassem animais como eu imaginava mas fica de alerta. Eles tinham um Jacarétinga, uma Sucuri e um Bicho-Preguiça para apresentar pros turistas.

Nunca tinha visto uma Sucuri na minha frente! A famosa Anaconda brasileira. Só que ela não é venenosa nem peçonhenta. A Sucuri mata a sua presa se enrolando nela. Ela pode morder claro, mas é na sua estrutura que ela se faz mais perigosa. Aquela cobra talvez fosse amansada para conviver com humanos, por que ela era calminha, calminha. Peguei ela pelo pescoço e ai ela ficou controlada, mas o tratador me advertiu não deixar ela muito perto da minha cabeça por que ela morde.

A sensação é que o bicho pode se enrolar ao seu redor à hora que quiser, mas também que ela talvez seja uma cobra incompreendida como violenta. A Jararaca ou Surucucu é muito pior e é venenosa. Qual a sensação de segurar uma Anaconda? Um misto de medo e curiosidade. Ela é bem viscosa.

Tinha uma preguiça super de boas lá, a cara dela era uma cara de relaxamento total. Como se tivesse fumado um. Mas eita bicho legal. Não é a toa que os amigos que fiz lá queriam levar uma (brincando né). Ela é super tranquila mas também pode atacar. Tirei uma foto com ela no colo. Parece um gato com unhas enormes e super devagar.

O Jacarétinga (tinga é pequeno em Tupi), eu não quis segurar. Primeiro por que os tratadores pediam contribuições pra deixar segurar os bichos e eu já estava zerado. Segundo por que preferi tirar fotos focando os belos olhos dele.

Foi uma experiência legal? Foi! Ver bichos diferentes, segurar eles, é algo que eu sempre quis fazer. Mas ao mesmo tempo não é essa aventura toda por que eles já estão pré-condicionados a tratar com humanos. Da próxima vez eu quero entrar mais na floresta. Mas se você, como eu, só quer conhecer as atividades básicas da Amazônia, por questão de tempo ou grana, esse é um passeio que vale muito a pena.

A gente ainda passou por umas casas flutuantes já perto de Manaus, mas em outro município. La eles tinham criação de Pirarucu e pesquisa autorizada pelo Ibama. E pra turistas eles tinham um pesque-pague, que custava R$ 5 o ticket. Já sem grana, preferi tomar uma água de côco do que tirar os peixinhos (na verdade peixões, os Pirarucu podem alcançar 2 metros e duas centenas de quilo).

Depois disso a gente foi ver o encontro das águas, e eu deixo vocês com a foto abaixo. Nos próximos posts eu explico um pouco mais sobre a Amazônia.

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