Quem disse que Belém não faz parte da Amazônia?

Próximo a Belém eu tive uma das melhores experiências numa região de Mata Amazônica. Conheci alguns bichos e muitos vegetais. Saiba mais aqui!

Quem disse que Belém não faz parte da Amazônia?

Foi um pouco de sorte o passeio que eu fiz. Fomos até a ilha do Cumbu e conhecemos uma comunidade de caboclos, demos um passeio na floresta e outro pela região dos rios no delta do Amazonas. Tudo isso partindo de Belém.

Mas antes, disso, tem algumas coisas que eu devo falar de Belém. A primeira é que todo mundo pensa que Belém não faz parte da região Amazônica. Na verdade a cidade se encontra estrategicamente na boca da saída do Rio Amazonas e por isso mesmo foi construída.

A segunda é que Belém e o Pará em geral são subestimados com relação ao seu potencial turístico, tanto pelos próprios turistas como pelos locais. Um exemplo disso é que nas docas de Belém, um dos lugares mais visitados da cidade, senão o mais visitado de todo o Estado, somente há uma única companhia de turismo que oferece passeios. E ela é cara e complicada. Por exemplo, se você chegar lá sozinho, dificilmente vai conseguir fazer um passeio por que eles querem pelo menos quatro pessoas. Belém merecia muito mais e mais passeios pelas várias ilhas da região e outros municípios próximos.

Bom dito isso, vou falar do passeio que eu fiz, que foi recomendado pelo Hostel onde eu fiquei, o Galeria Hostel. O nome do Guia é Rodrigo Quaresma (telefone 91 9232 9944) e ele sabe muito da região, inclusive ele cresceu na região da ilha do Combu. E o preço que ele cobrou foi quase metade mais barato que o preço da única companhia de turismo que existe nas Docas.

Pois bem, saímos cedo e pegamos um navio num dos portos de Belém. Eu e mais duas moças que estavam no mesmo hostel que eu e um grupo de Portugueses da TAP. A viagem foi bem agradável e rápida. Não fomos direto para a ilha do Combu, mas cruzamos o rio e a Baía do Guajará para chegar a outro município no continente, onde tinha uma mata. Aliás, vimos várias ilhas com ocupação irregular e extrativismo de Açaí no caminho.

O nosso guia explicou que por exemplo, existe um peixe chamado ‘Filhote’, muito comum de ser pescado e assado no Pará. Eu particularmente achei uma delícia. A minha colega do hostel tinha ficado com dó de comer por que achou que era um peixe que tinha acabado de nascer mas ele explicou que o ‘Filhote’ na verdade era uma Piraíba adulta mas menor e menos pesada, e por isso mais fácil de pescar.

Chegamos a uma casa de um caboclo chamado seu Nadir, descendente de índios, e que trabalhou com extração de Açaí também. Lá vimos que ele tem um papagaio (Papagaio Moleiro) e um periquito de estimação, ambos super amistosos e legais com a gente. A pena é que o periquito era considerado bravo e alguma alma muito ruim cortou o rabo e parte das asas do bichinho antes de ele ser resgatado pelo seu Nadir. Como resultado ele não pode voar.

O seu Nadir pegou umas ‘pinhas’ de Castanha do Pará e abriu pra gente na hora. Falaram que aquelas pinhas, com que se faziam também ‘cuias’, eram pesadas o suficiente pra cair na cabeça e matar o caboclo desavisado que fosse dormir embaixo de uma castanheira.

Nesse passeio o Rodrigo mostrou pra gente um Cupuaçu, um Cacauí (cacau menor), que da mesma forma que o Cacau a gente só chupa a massa ao redor dos caroços. Depois, o Cipó ‘Escada de Jabuti’, muito usada para inflamação por hemorróida. O Cipó Unha de Gato também para inflamações, assim como a Andiroba, contra picada de mosquitos. A seringueira, que para a minha surpresa, não era conhecida dos portugueses. O Breu Branco, que a Natura usa para fazer perfumes.

Vimos um grupo de Saúvas levando pedaços de plantas cortadas da roça do seu Nadir. Mas o que mais me surpreendeu foi que o seu Nadir achou facilmente uma Tarântula dentro uma planta e mostrou pra gente, pegando ela pela mão. E foi aí que eu perdi o meu medo de Aranhas. A Tarântula é uma das maiores aranhas do planeta e ao mesmo tempo é super amistosa. Muita gente tem ela como bicho de estimação. Ela não é venenosa, mas pode ficar, e quando com filhotes, ela pode soltar umas cerdas que são um pouco ardentes. Mas em geral é inofensiva. Então eu tive que pegar.

A maior árvore da Amazônia, conhecida como a rainha da Floresta, é a Samaúma, também conhecida como Mafumeira. Os indígenas a consideram como a Árvore da Vida da Amazônia, primeiro por que ela é tão grande que destoa das outras árvores. Segundo que pelo fato da terra da Amazônia ser pobre em nutrientes, as raízes são superficiais, e são tão grandes que as vezes formam tocas naturais que os índios e caboclos chegavam e chegam a usar como moradia. Mais do que isso, ela faz muito eco e as vezes os índios usavam uma pedra pra bater na madeira pra se comunicarem.

Mas o que mais me surpreendeu foi que o seu Nadir, com 86 anos, subia no Açaízeiro e pulava de um para o outro como se fosse uma criança, tal a destreza dele. Eu com 31 não consigo nem subir uma mangueira! E ele sobe todo dia por que como o Açaí fresco. Aliás no Pará o Açaí sempre é fresco, eles dificilmente comem de um dia para o outro. O Açaí do Mercado Ver-o-Peso é colhido no mesmo dia. Aliás, o que se come é só a casca exterior. A haste que o seu Nadir e os coletores usam se chamada peconha e é feita com as próprias folhas do Açaí, de forma que quem sobe tem uma espécie de suporte para os dois pés.


Em seguida, uma das horas mais aguardadas – fomos para um restaurante no Combu chamado ‘A maloca do Pedro’, que é da família do Rodrigo. E a comida era muuito boa: peixe açado, arroz com Jambu, casquinha de siri, salada e frutas. E de quebra tinha alguns cachorros, alguns deles labradores que eu me perguntava como viviam com tanto pelo naquele calor de 30ºC amazônico.

Já era hora de voltar naquele dia, perto das 15h. Achávamos que iamos mergulhar, algo que você tem que perguntar para o guia – já que no folder consta que o mergulho em uma praia fluvial está incluso. De toda forma, fiquei feliz com a experiência e por essa razão indico pra quem quiser fazer.

Nos próximos posts, eu vou falar um pouco mais de Belém, de Manaus e de Santarém. Até mais!

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