O fim do mestrado no exterior: e agora?

Entreguei a minha tese de mestrado (no exterior) há apenas 48 horas! Estou aliviado! A ficha está caindo! Vou ter o meu diploma.  Mas… e agora José?

O fim do mestrado no exterior: e agora?

Pra quem não sabe, aquela breve introdução: faço Mestrado em Direito Internacional. Cidade: Genebra, Suíça. Condições de vinda: as mais complicadas possíveis. Eu vim sem dinheiro e tive que sobreviver a base de pequenos trabalhos e chorando pitangas pra conseguir ajuda financeira e bolsas. Mas deu certo! Deu muito é certo sim!!

A questão é que: a ficha está caindo!!

Não meu amigo, que eu não me planejasse para o futuro, mas é que simplesmente eu me dediquei tanto a sobrevivência que não tive muito tempo pra me dedicar a viver em alguns momentos, e isso deixou a minha tarefa de pensar no pós mestrado meio de lado.

Não deixa de ser uma advertência aos brasileiros que pensam que pela qualidade de vida no exterior, a vida em si vai ser necessariamente mais fácil ou sem percalços! Não senhor. A minha história prova isso!

Bom, noves fora, se tudo der certo, terei o meu diploma em breve, em Setembro. Mas o que fazer após o Mestrado. Eu sei, mas não sei. Mas ora bolas, alguém vai perguntar, que pessoa confusa! Explico: eu sei o que quero, mas não sei o que eu vou conseguir.

Pra começar, vamos às duas opções que eu tenho: ficar no exterior ou voltar pro Brasil.

Quero ficar no exterior. Não é apenas uma questão de qualidade de vida ou de achar que aqui é melhor. É mais um sentimento de querer morar mais tempo fora e de conseguir mais experiência. Eu já não penso mais em voltar para o Brasil como uma ‘derrota’ e isso de certa forma é surpreendente até pra mim. Acho que o fato de eu terminar o mestrado me influenciou, mas também há um desejo eventual de retorno pra fazer as coisas darem certo. Já escrevi aqui que vou ser Presidente do Brasil um dia! Mas para isso, eu quero ter mais experiência, e acho que o meu ciclo no exterior está longe de se encerrar.

Para ficar em Genebra, eu tenho que achar um trabalho. E digo que a tarefa está sendo muito complicada. Muito mais do que eu imaginava. Vamos la, pra começar, quem fez o curso de Direito Internacional no ano passado está ou trabalhando nos seus respectivos países ou em algum estágio não pago. Essa talvez seja a minha realidade imediata, mas eu estou prepara para isso. As regulações da Suíça são que estrangeiros podem ficar por mais seis meses desde que tenham onde morar e como se sustentar. Só me falta como o sustento! E pra isso eu vou trabalhar com qualquer coisa que apareça.

O meu projeto de médio e longo prazo é simples: fazer um doutorado. Muita gente acha que eu sou louco, que não sei o que lá, pra que estudar mais, eu devia trabalhar. Amigos, doutorado é um trabalho. E como tal, dá  muito trabalho de fazer. Seria a minha ocupação principal. Existem várias razões para a minha escolha de candidatar ao Doutorado, e ficar no exterior não é uma delas. Eu quero me especializar na área de Direito Internacional e eu simplesmente me identifiquei com a carreira de pesquisador.

Sabe-se que no Brasil a carreira de professor é muito subvalorizada e isso é um grande problema. Por isso muitos amigos acham um erro eu pensar em dar aula no futuro. Bom, pra começar, eu não necessariamente preciso dar aula no Brasil, mas daria com prazer. Além disso, um doutorado não se limita a uma carreira de professor, mas também de pesquisar ou eventualmente outras áreas como consultoria ou especialista. Você sabia que a ONU e outras organizações contratam especialistas em certas áreas para dar pareceres ou reports? É mais ou menos nessa área que eu me vejo. Além disso, no exterior, a carreira de professor é bem mais valorizada, especialmente no meio universitário. O que mais eu preciso dizer? Que eu gosto de estudar? Também!

Estou tentando doutorado especialmente na Austrália neste ano, por que as bolsas são muito melhores do que em outros países, mas tentei e tento também na Itália, Holanda e Inglaterra.

Pra quem quer mestrado no exterior

Meu amigo, minha amiga você vai ter as mesmas escolhas: ou volta ou continua. Voltar para o Brasil não é um passo para trás. Normalmente a volta inclui custos que você não pensa, como validar o seu diploma e isso vai pra mais de R$ 1.000,00. Continuar tem outros custos e a decisão de trabalhar. Pra achar algum trabalho, é mais complicado do que se pensa, ao mesmo tempo que é mais realizador. Você precisa saber bem a língua do lugar (o que ainda não é meu caso), e normalmente os Mestrados nos States, Europa, Austrália e Ásia são ‘entry level’, quer dizer que o trabalho durante e após o mestrado é focado em estágio ou trainee. No Brasil, normalmente nós fazemos isso na graduação e o Mestrado é mais focado para os acadêmicos. Quem faz mestrado ou MBA já está engatado na carreira e esse é o meu caso. Quer dizer que para trabalhar no exterior, muitas vezes significa começar de novo como estagiário ou trainee. Não é apenas um, são dois passas atrás, mas vale a pena.

 

 

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